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Chega de hipocrisia na segurança pública

Todos estamos preocupados com a violência batendo na nossa porta. As notícias – sejam dos jornais ou das conversas com amigos e vizinhos – apontam novas vítimas a cada dia. Estupro, latrocínio, roubo, assalto, assassinato, acerto de contas… Tem de tudo. E vejo apenas indignação nas redes sociais e nas conversas. É justo.

Quero, aqui, que façamos um exercício. O que cada um de nós tem a ver com isso tudo? 

Você que fuma maconha, que defende sua legalização, acha que nada tem a ver com isso tudo? Você, aliás, que usa qualquer tipo de entorpecente EVENTUALMENTE tem, sim, responsabilidade. Ainda é crime. E, enquanto for, você é culpado, também pelos estupros e mortes e toda forma de violência.

Você que tem gato da TV a cabo, de luz, também é responsável. Por quê? Porque gera renda na ilegalidade e deixa de pagar imposto. E não é pelo imposto! É pelo certo, pelo justo, pela lei. Enquanto houver quem financie o mundo paralelo, haverá crime.

Você que empresta carro para o filho que sabe dirigir mais ainda não tem carteira de motorista; você que bebe e dirige; você também é culpado. A sensação de impunidade que você tem é a mesma dos “bandidos” profissionais.

Você que compra peças de carro no desmanche, que compra celular roubado, que usa um perfil fake para acusar é disseminar boatos na internet… Todos são responsáveis por esse drama que vivemos.

Você, que há poucos dias comemorava a violência enquanto era “bandido matando bandido” também tem responsabilidade. Não se celebra a morte de ninguém. Violência nunca foi e nunca será solução.

Governantes têm culpa é muita. Não geram emprego, não geram renda, não garante o que manda a Constituição. Mas colocar a culpa apenas nele é repetir um modelo padrão de distanciamento: o medo me atinge, mas a responsabilidade não.

O tráfico de drogas movimenta milhões e milhões de reais. É um mundo imenso e organizado. Ou damos um fim no consumidor, no cara que financia esse sistema, ou não teremos chance. Não terceirize a culpa. Uma mudança na sociedade não depende do governo A ou B, da política ou de qualquer setor isolado. Depende de todos, absolutamente todos.

Até onde vamos? Motoristas podem “furar” sinaleiras depois das 22h

Somos cada dia mais reféns da violência, da falta de ação e de planejamento. A cada dia vemos nos jornais notícias e relatos de assaltos, latrocínios, mortes. Até quando? Será que a violência em Porto Alegre pode aumentar? Será que vivermos sob o regime do medo?

Desde o início do ano, 24 pessoas morreram vítimas de assaltantes em Porto Alegre. Por conta disso, há uma série de medidas que estão sendo “liberadas”. Por exemplo, passar no sinal vermelho após às 22h. Mais, há uma lista de “cuidados” que a população deve tomar:

– Procure guiar, sempre que possível, na pista central porque as laterais ficam mais propícias ao ataque.

– Mantenha os vidros fechados.

– Durante o trajeto, procure seguir por ruas movimentadas.

– Procure locais iluminados para estacionar.

– Ao chegar à garagem, verifique se não há pessoas suspeitas no entorno. Se for necessário, dê uma volta.

– Evite ficar aguardando alguém no interior do veículo. É preferível circular até seu passageiro chegar ou estacionar em local seguro.

– Evite ostentar joias, dinheiro e aparelhos celulares.

– Procure estar atento a tudo que está acontecendo ao seu redor, se não há alguém lhe seguindo.

– Estabeleça um roteiro iluminado e movimentado. De preferência, ande acompanhado.

– Evite passar junto ou atrás de terrenos baldios e matas.

– Evite manter o estabelecimento aberto em horários de menor movimento.

– Tenha um tipo de apoio, como câmeras de segurança.

– Mantenha a porta da garagem sempre fechada.

– Atenda à porta somente depois de prévia identificação.

– Não deixe a luz acesa durante o dia.

– Revise as fechaduras, principalmente à noite.

– Evite ostentar joias, dinheiro e aparelhos celulares.

– Mantenha-se sempre atento ao que está ocorrendo dentro do transporte coletivo.

 

Eu me pergunto: quais os cuidados que o poder público está tomando? Se é para evitarmos vias escuras, por que os governos não iluminam as ruas? Por que é sempre o cidadão que tem pagar a conta, mudar os hábitos?

Sigo acreditando que o melhor enfrentamento para a crise é a geração de emprego e renda. A violência diminui quando as pessoas têm oportunidade e escolha. Ou Porto Alegre e o RS mudam de caminho e de postura, ou os índices de violência aumentarão muito e cada vez mais. Chega de divulgar listas de cuidados que nós devemos ter. É hora de vermos uma lista de medidas efetivas para mudarmos a situação.

Poa aparece na imprensa internacional: mas pela violência

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Somos notícia fora do Brasil! Mas não há o que comemorar. O mundo está percebendo o que nós vivemos há anos, mais intensamente há meses. Cada dia pior. A insegurança.

Na última sexta-feira, aconteceu um tiroteio na frente do hospital Cristo Redentor. Jornais do país inteiro repercutiram. Tanto que chegou ao exterior, mais precisamente à Inglaterra. Diz o jornal britânico que “a polícia brasileira atirou em um suspeito, enquanto ele tenta levantar os braços em sinal de rendição”. O que pode ser visto nas imagens.

A política tem culpa? Agiu errado? Não sei! Sei que nossos policiais ganham pouco e recebem salário parcelado. Só isso já é motivo para que estejam desestabilizados. Sei que nossa polícia tem armas muito inferiores às armas dos bandidos.

Isso tem um responsável: o poder público. Enquanto não pensarmos a segurança pública de forma estratégica, seremos reféns da bandidagem. Ou investimos de forma séria em gestão, ou esqueçam, o RS será terra de ninguém.

Eu tenho medo. E sei que o medo é parte da vida de milhares e milhares de pessoas. Está mais do que hora de vermos o Estado agir, mudar de rumo. Pelo bem dos gaúchos, pelo bem dos agentes de segurança, pelo bem da vida.

 

Levantamento realizado pelo Instituto Methodus revela que 9 em cada 10 moradores da capital mudaram hábitos por medo da insegurança

Pesquisa do Instituto Methodus foi divulgada nesta quarta-feira (11)

Pesquisa do Instituto Methodus foi divulgada nesta quarta-feira (11)

A sensação de aumento da violência e o medo fazem parte das preocupações dos moradores de Porto Alegre. Agora, tudo isso foi comprovado em um levantamento realizado pelo Instituto Methodus.

Dos 431 entrevistados que responderam às perguntas, 45 % do total foi vítima de algum tipo de crime neste ano. Mais de 90% conhece alguém que sofreu violência em 2015. Sobre os tipos de violência, o roubo a mão armada é o mais citado, onde um em cada cinco entrevistados afirma ter sido roubado deste o início do ano. Para evitar passar por alguma situação de perigo, mais de 88% dos porto-alegrenses afirmam ter mudado hábitos, como evitar andar a pé pela cidade, reduzir as saídas à noite, festas e restaurantes. A preferência por compras em shoppings, em detrimento das lojas de rua, também foi registrada por 68% dos participantes.

Para o diretor do Instituto Methodus, Jefferson Jaques, os números encontrados revelam não só o difícil cotidiano dos porto-alegrenses, mas também as consequências ecnômicas da falta de segurança. 

“A mudança de hábitos é algo que eu acredito que esteja afetando, inclusive a atividade econômica, porque 89% das pessoas está evitando sair à noite. As pessoas saíam para jantar, para dançar, para fazer atividades sociais. Se as pessoas não estão mais fazendo isso, ou se estão fazendo em bem menor número, isso afeta a atividade econômica”, explicou Jaques.

A sensação de insegurança na cidade é outro fator predominante. 82% dos porto-alegrenses afirmam que se sentem nada ou pouco seguros. Quando perguntados pelo mesmo sentimento no bairro onde moram os índices caem um pouco, chegando a 62% dos entrevistados. Ainda, 54% acreditam que a violência em Porto Alegre é maior do que em outras capitais brasileiras. Um levantamento recente do Grupo Bandeirantes mostra que Porto Alegre tem 9 assaltos para cada mil habitantes, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo registram 6 assaltos para cada mil habitantes.

Jefferson Jaques, afirma que esses resultados explicam uma mudança no modo em que os moradores observam a cidade. “Historicamente, por outras pesquisas de outros anos, a gente tinha que Porto Alegre era um pouco resguardada daquela violência toda que se via no Rio de Janeiro ou em São Paulo, e hoje as pessoas estão achando que a gente já passou do ponto dessas cidades”, observou o diretor do Instituto Methodus.

Sobre questões polêmicas, os porto-alegrenses estão divididos: cerca de 30% são totalmente contra a pena de morte, enquanto outros 30% são a favor. O panorama equilibrado se repete quanto à opinião sobre a maior facilidade no porte de armas aos cidadãos. Os entrevistados, porém, se mostraram a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, com mais de 60% a favor da mudança.

Quanto a esses resultados, o diretor do Instituto Methodus ressalta que os assuntos pedem maior discussão na sociedade. “Quando a gente olha os números intermediários, existe 25% que é parcialmente a favor, enquanto apenas 10% é parcialmente contra. Então existe um balanço muito maior pelo favorecimento da pena de morte, mas é um assunto muito turbulento, muito questionado, e se entrasse numa votação ou num plebiscito, eu não sei se passaria, porque eu acho que haveria um grande debate nacional em relação a isso”, ponderou Jefferson Jacques.

Apesar do sentimento de falta de segurança, a maioria dos entrevistados, entre 64% e 70%, afirmou confiar na Brigada Militar e na Polícia Civil. A maioria também acredita que a Guarda Municipal poderia auxiliar no combate à criminalidade em Porto Alegre. Os entrevistados apoiam ainda a vinda do Exército na tentativa de solução do problema, com 71% sendo pelo menos parcialmente a favor da intervenção. Consequentemente, para 42% dos entrevistados, a medida mais eficiente para reduzir a violência na Capital é o aumento do efetivo policial.

O levantamento foi exposto na internet e 431 porto-alegrenses responderam aos questionamentos, sendo 83% com idade entre 25 a 59 anos.

Fonte: http://goo.gl/TPS7uf

Laura Becker – Rádio Bandeirantes

Quando a periferia será o lugar certo, na hora certa?

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As fotos do 13 de agosto mostram mulheres lavando o sangue dos mortos com rodo, como nos filmes B de terror. Se o rio vermelho escorre pelos degraus, as palavras ecoam para além da extensa fila de cadáveres. Elas matam lentamente, como balas em câmera lenta, que perfuram os corpos, se espatifam por dentro e vão corroendo os órgãos. Dia após dia, dia após dia, dia após dia. Mata-se e morre-se também na linguagem. As palavras silenciam os mortos para além da morte. E calam os vivos, mesmo quando eles pensam gritar.

1) “Estava no lugar errado, na hora errada”

“Ele nunca teve nada a ver com crime. Era pacato, de família.Estava no lugar errado na hora errada. O nome Deivison foi porque meu pai gostava das motos Harley-Davidson.”

(Jorge Henrique Lopes Ferreira, 31, técnico de celulares, sobre o irmão, Deivison Lopes Ferreira, 26, assassinado em 13 de agosto. O pai de ambos foi assassinado há 18 anos, no mesmo bairro, da mesma maneira, num crime jamais esclarecido.)

“O Thiago estava desempregado havia um mês, mas era uma pessoa excelente e infelizmente estava na hora errada, no lugar errado.”

(Alessandra de Lima, 37, dona de casa, sobre o irmão Thiago Marcos Damas, 32, assassinado.)

“Eu vou ter de voltar à normalidade, seguir a minha vida. Perdi um companheiro e um amigo. Por mais que eu queira, infelizmente não posso mudar de casa. Foi o caso de estar no lugar errado e na hora errada.”

(Jean Fábio Lopes, 34, ajudante em lanchonete, sobre o companheiro, Eduardo Oliveira dos Santos, 41, artesão, assassinado)

“Foi muito rápido e muito trágico. Estava no lugar errado e na hora errada.”

(Alberto Martins, sobre o irmão, Fernando Luiz de Paula, 34, pintor, assassinado)

“Estava no lugar errado e na hora errada” foi o comentário mais frequente dos familiares dos 18 mortos, seis feridos, na periferia de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, na maior chacina de 2015. A expressão dá conta de uma máxima: “na periferia há preto ladrão, branco ladrão e aquele que está no lugar errado e na hora errada”. A frase também culpa, ainda que indiretamente, aquele que morre.

Por que, afinal, ele estava aonde não deveria de estar, do lado de fora, na rua? Não tinha nada de estar ali. Para não estar na hora errada, no lugar errado, é preciso ficar trancado dentro de casa. Se estivesse trancado dentro de casa, estaria vivo. Comentários como estes são escutados o tempo todo nas periferias, tanto que se tornaram um clichê. Cada vez mais acuados, aqueles que não querem morrer se resignam a desistir do espaço público.

É a vida dos escravos, sonhada por seus senhores: de casa pro ônibus lotado, do ônibus lotado pro trabalho, do trabalho pro ônibus lotado, do ônibus lotado pra casa. Gente pobre não precisa de lazer ou o lazer é ver TV em casa, preferencialmente programas em que apresentadores, alguns deles com ambições eleitorais, criminalizam pobres e ofertam a imagem de seus corpos no altar midiático. Quem frequenta bar, sabe que pode morrer, é este o recado. Como na noite de 13 de agosto, como em tantas outras noites.

Como pode ser lugar errado e hora errada estar num bar perto de casa antes da meia-noite? Mas assim é. Se há um lugar errado e uma hora errada, supõe-se que existiria então um lugar certo e uma hora certa. Mas a periferia nunca é o lugar certo. Na periferia nunca há hora certa. Já nos bairros nobres de São Paulo, no centro expandido, todo bar é um lugar certo, toda hora é certa. Também na noite de 13 de agosto.

Nenhum dos homens e mulheres de classe média e alta que lotaram os bares da Vila Madalena ou do Itaim Bibi, na mesma noite e hora, jamais precisou pensar sobre a possibilidade de que encapuzados pudessem entrar e executá-los. Nem que as faxineiras no dia seguinte, elas que vêm do outro lado do rio, tivessem de limpar seu sangue com rodo. Não é preciso pensar nisso, nem faz qualquer sentido. Ser encurralado por encapuzados e executado a tiros nunca é a possibilidade no lugar certo e na hora certa.

Ao se depararem com o corpo de filhos, pais, maridos, irmãos, o que os pobres dizem? Ao se confrontarem com o cadáver de quem amam estirado no asfalto, à espera de ser recolhido, ou estendido numa maca no pátio aberto do Instituto Médico Legal, porque faltou geladeira para todos, o que eles afirmam? “Estava no lugar errado, na hora errada”. É a frase com que a mãe espera convencer a sociedade, pela derradeira vez, de que seu filho era inocente e não merecia ser morto a balas. Em seguida, o absurdo se naturaliza na matéria de jornal e vira normalidade: “A maioria dos familiares disse que as vítimas trabalhavam e não viu motivo para execuções”. Isso é quase tão desesperador quanto a morte, porque também é um tipo de morte. E também mata.

2) “Foi parecido com os outros crimes, por que não considerar?”

Qual é o número de assassinados que a sociedade paulista e também a brasileira considera motivo de alarme? Qual é o número de pobres e de pretos executados que atinge nossa sensibilidade seletiva? De quantos corpos é preciso para fazer uma manchete? Sabemos que, se o morto for morador dos bairros nobres, um já causa escândalo, como deve ser diante de uma vida destruída pela violência. Na periferia, é preciso muitos. Acabamos de descobrir que 18 é um número que impressiona. Para ser considerado chacina pelo Governo é necessário pelo menos três mortos. Só nos primeiros seis meses deste ano foram 10 chacinas no estado de São Paulo e 38 mortos,conforme levantamento do Instituto Sou da Paz, baseado em números oficiais, obtidos através da lei de acesso à informação. Neste ano, o número de chacinas duplicou, se comparado ao anterior, e o de vítimas triplicou. Segundo a Ponte, agência independente de reportagem, especializada em direitos humanos e segurança pública, as estatísticas são ainda piores. Só na Grande São Paulo foram 72 mortes em 2015. Em 7 de março, por exemplo, 10 pessoas foram assassinadas no Parque Santo Antônio, na zona sul da capital. Em 18 de abril, oito foram mortas na quadra da torcida organizada Pavilhão Nove, em Osasco, quando se preparavam para um jogo entre Corinthians e Palmeiras. Mas foi preciso um número maior, 18, para causar uma comoção que já começa a ser esquecida.

É perfurante o comentário de um amigo da vítima que foi tirada da lista. Sandro Afonso, 34 anos, ajudante geral, foi morto com quatro tiros em Itapevi, cidade próxima a Osasco e Barueri, na mesma noite. Ele seria o décimo-nono, mas o Governo considerou que o caso não tinha relação com a chacina. “Foi parecido com os outros crimes, por que não considerar?”, lamentou um amigo anônimo. A esperança desta família era que “o seu” fosse incluído no crime que dá notícia, para não ser mais um morto ignorado, o que multiplica as chances de um assassinato impune. Saiu da lista visível, entrou na lista quilômetros mais longa, a dos invisíveis. Seu assassinato perdeu o interesse público e midiático. Arrancado da vida, dificilmente será arrancado do silêncio na morte. Quando a esperança de quem chora o morto é de que ele entre na lista de uma chacina, a sociedade apodreceu.

3) “Ele era trabalhador”

“Era um trabalhador. Saiu para comprar salgadinho para a irmã e não voltou.”

(Tia de uma das vítimas assassinados)

“Ele nunca deu problema com a polícia, gostava de ficar em casa com a mulher, que está grávida de três meses.”

(Viviane de Lima, 27 anos, sobre o irmão, Rodrigo Lima da Silva, 16, assassinado)

“Ele nunca se meteu com nada de errado.” (Tânia Cristina César, sobre o irmão, Eduardo Bernardino César, 26, assassinado)

“Não usava drogas, era um homem trabalhador.”

(Ângela Maria Pereira, sobre o marido, Jonas de Santos Soares, 33 anos, operador de máquinas, três filhos pequenos, assassinado)

O desespero dos familiares para afirmar que seu filho, pai, marido, irmão, amigo morto, estirado no chão, com balas no corpo e sangrando, não era “bandido”, mas “trabalhador” aparece nos vídeos e nas declarações aos jornais. A afirmação expõe, ao mesmo tempo, a deformação e o derradeiro ato de amor. Nessa afirmação está implícito que, se fosse bandido, haveria uma justificativa para a execução. Quando a imprensa valoriza o fato de que 12 dos 18 mortos não tinham antecedentes criminais, é possível justificar o destaque dado à informação porque ela tornaria, em tese, mais distante a hipótese de acertos do crime organizado, assim como de mortes com identidades previamente determinadas, e não aleatórias, como parece ter sido. Mas também reproduz a ideia amplamente disseminada em todas as camadas da população de que criminosos podem – e devem – morrer, ainda que no Brasil não exista oficialmente a pena de morte.

Se tinha ou não antecedentes criminais é, afinal, a mesma interrogação dos assassinos de 13 de agosto. Ao chegarem ao local, segundo testemunhas, os encapuzados perguntavam quem tinha antecedentes criminais. Em alguns casos, teriam matado aqueles que responderam que já haviam cometido delitos. Em seguida, são os jornalistas que perguntam. Logo depois, é a vez da população, que comenta a tragédia, e decide a partir dessa informação se cabe ou não compaixão. A lógica reproduzida por todos os atores dessa história macabra é a mesma, portanto. E o fato de ser a mesma é aterrador. E se 18 dos 18 mortos tivessem antecedentes criminais, isso significaria que a chacina seria menos terrível ou que o assassinato de alguns pode ser tolerado pela sociedade, quando não desejado? Como o comentário do filho adolescente de uma amiga, ao chegar de uma das escolas de elite mais incensadas de São Paulo, excitado com a notícia: “Mãe, a polícia matou 20 ladrões em Osasco!”.

É doloroso testemunhar o desespero dos familiares, ao explicar e explicar e explicar mais uma vez, aos repórteres, que seu morto era “trabalhador”, era “bom”, era “família”. Fazem a defesa pungente da memória dos que amavam, reproduzindo no ato todo o discurso que os aniquila há séculos. Como repórter, uma das cenas que mais me dilacera e que se repete quase toda vez que piso pela primeira vez na casa de alguém que mora na periferia é quando me estendem sua carteira de trabalho para provar que não são bandidos. Homens e mulheres sofridos, assinalados pela vida dura, que sabem que já nasceram sob suspeição porque são pobres, e mais suspeitos tornam-se se ainda por cima forem também negros. E eu, branca e jornalista, sou decodificada como uma autoridade a quem também é preciso estender a carteira de trabalho. Recuso, digo que não precisa, repito que não devem. Insistem. Eu pego, morro um pouco. Neste gesto, toda a falência do Brasil é consumada.

4) “Quando morre um policial, pode saber que em até 15 dias vai ter uma chacina. Nunca vai mudar.”

A principal linha de investigação do massacre de 13 de agosto aponta para a vingança, por parte de policiais militares, pela morte de um colega durante um assalto, ocorrido na semana anterior, na mesma região. Na maioria das demais chacinas, também há suspeita de envolvimento de policiais. O 13 de agosto prova, mais uma vez, que as periferias paulistas vivem sob estado de terror, provocado por uma guerra não declarada. Nela, tombam os mais pobres, a maioria deles negros.

Em 2014, a Polícia Militar paulista matou 926 pessoas, no trabalho ou fora dele – e 75 policiais foram mortos. É a maior letalidade policial desde 1995, quando os dados começaram a ser divulgados pelo Governo. Com informações do Centro de Inteligência e da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, o repórter André Caramante mostrou que a PM mata uma pessoa a cada 10 horas em São Paulo, cinco a cada dois dias. Só no primeiro semestre deste ano, segundo a Folha de S. Paulo, 358 pessoas foram mortas no estado por policiais militares e civis no exercício da função – e 11 policiais morreram.

As mortes fora de serviço são chamadas, na gíria da polícia, de “caixa 2”, como mostra outro jornalista especializado em segurança pública, Bruno Paes Manso. Em blogs e redes sociais, policiais exibem fotos de suspeitos e estimulam a violência não como exceção, mas como regra. Como comportamento e forma de atuação, aberta e cotidianamente. É comum a morte de suspeitos, “os malas”, corruptela de “malacos”, serem divulgadas e comemoradas pelo WhatsApp: “Mala bom é assim, mala morto”. Ou, meses atrás: “Os três vermes, agora há pouco, deitaram no mármore gelado do IML. Vagabundos perigosos. Parabéns aos policiais envolvidos na ocorrência”.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirma que o mais importante é esclarecer a série de crimes e prender os assassinos da chacina de 13 de agosto. Não basta. Se for comprovado que os autores da noite mais violenta de São Paulo são policiais, é hora de enfrentar com seriedade a necessidade de refundar as polícias. Passou da hora, já que o envolvimento de policiais, especialmente militares, em grupos de extermínio, é bem conhecido. Uma polícia militar num regime democrático já é uma contradição em si. A deformação estrutural prejudica os bons policiais – sim, eles existem – e mergulha a população das periferias no horror cotidiano, vítimas de uma guerra não declarada oficialmente, colocada em curso por agentes do Estado, cuja rotina de vinganças é exibida sem pudor em manifestações nas redes sociais, por parte dos membros da corporação, e tolerada por quem deveria puni-la. É preciso enfrentar a estrutura. É preciso formar uma polícia que cumpra a lei e proteja os cidadãos, em vez de assassiná-los.

É isso ou assumir o estado de terror expressado nesta frase: “Quando morre um policial, pode saber que em até 15 dias vai ter uma chacina. Nunca vai mudar”. A afirmação foi feita por uma mulher de 50 anos, costureira, amiga de uma das vítimas. Há três anos ela perdeu o filho em outra chacina na cidade. Se ela já sabe qual é o modo de operação de uma parcela da polícia, como o Governo não sabe e não toma providências antes do fato consumado? O mais brutal dessa frase, porém, é a certeza dessa mulher de que nada vai mudar e que os seus continuarão morrendo. Essa certeza é um dado da sua vida, tão imutável quanto a Terra girar ao redor do Sol. E ainda mais brutal do que isso é que ela tem razão. Não há nenhum fato, nem agora nem no passado, que se possa apresentar a ela para provar que, sim, algo vai mudar. Há promessas. Fatos, até agora, não há.

O discurso que atravessou o sepultamento das vítimas pode ser resumido pela frase de outra mulher, esta irmã de Eduardo Bernardino César. Ela disse, ao enterrá-lo: “Se forem mesmo (PMs), não vai ter investigação, porque a polícia não vai atrás de polícia”.

Esta é a credibilidade da polícia e do governo de São Paulo entre os mais pobres. Uma convicção construída e comprovada no cotidiano. Dia após dia.

5) “Meu filho morreu. Continuarei meus corres”

O massacre dentro do massacre, a morte no interior da morte, o assassinato além da carne é a frase de uma mãe. Zilda Maria de Paula perdeu Fernando, 34 anos. Ele era pintor de paredes. Estava tomando cerveja com os amigos, pouco antes das 21 horas, num bar de Osasco, quando os encapuzados entraram e ele tombou ao lado de outros sete. Era a primeira execução da noite de 13 de agosto. Sua mãe disse à reportagem dos jornais Folha de S. Paulo e Agora:

– Só sei que meu filho morreu. Não vou usar camiseta com a foto dele, não vou pedir justiça. Continuarei meus corres porque ninguém vai me ajudar.

Neste domingo, ela foi a única familiar a participar de um ato contra o genocídio na periferia, em Osasco, que reuniu apenas 50 pessoas, num cenário de ruas esburacadas, escassas árvores raquíticas e casas de tijolos aparentes. Vários parentes das vítimas do 13 de agosto teriam se recusado a comparecer por medo de retaliação policial. Zilda planeja uma missa de sétimo dia: “Estou aceitando a morte do meu filho, mas não como foi. Ele tinha dois metros de altura. Só pôde se proteger colocando a mão na cabeça e se escondendo atrás de uma máquina. Quero reunir quem está junto na mesma dor. Fazer algo civilizado, para não dar motivo para a polícia reprimir”.

Perto dela, uma mulher que não quis se identificar afirmou: “Quando acabar o ato aqui, o que vai acontecer? O silêncio vai voltar”.

6) Epílogo: na Avenida Paulista, selfies com a polícia

Nesta mesma tarde de domingo, 16 de agosto, a alguns quilômetros dali, era outra a cena. As pessoas “de bem” que se manifestavam pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff reeditavam sua admiração e confiança em uma das polícias que mais mata no mundo. Apertavam a mão de policiais, davam parabéns pelo bom trabalho. Depois, tiravam selfies. Abraçadas aos PMs, fazendo sinal de positivo. Não foram registrados protestos contra a chacina de três dias antes.

Na larga Paulista, a avenida-símbolo da pujança de São Paulo, ocupada por cerca de 135.000 manifestantes, a maioria deles homens, autodeclarados brancos e com curso superior, segundo pesquisa do Datafolha, era como se nada tivesse acontecido do outro lado do rio, as pontes dinamitadas também por mais esse gesto. Era como se não existissem 18 corpos furados à bala e chorados por dezenas nos cemitérios das periferias da Grande São Paulo. Os cadáveres não foram lembrados nem por compaixão, nem por decência. Nem mesmo por vergonha. A suspeita de que o massacre tenha sido cometido por policiais não parece ter abalado os manifestantes. A maioria sequer parecia perceber a obscenidade do seu gesto ao pedir um selfie, esquecendo-se ou fingindo esquecer-se de que cada policial ali representa não a si mesmo, mas a instituição marcada por uma letalidade criminosa.

Executar pobres a tiros nas periferias parece não ser considerado corrupção pelos manifestantes da Paulista. Faz todo o sentido. É essa polícia que garante que só morram os do lugar errado, hora errada. As pessoas “de bem” estão no lugar certo, hora certa. Clamam contra a corrupção vestidas com a camiseta da corrupta CBF, o que de novo faz todo o sentido. E vão à Paulista também para garantir que continuem a estar sempre no lugar certo, hora certa.

Eliane Brum

 

VÍDEO mostra tiroteio à luz do dia na Restinga

Um morador gravou em vídeo um tiroteio em plena luz do dia no bairro Restinga, um dos maiores de Porto Alegre e enviou ao Diário Gaúcho. Virou notícia. Mais uma notícia que comprova a sensação de insegurança que vivemos. Alguns insistem em dizer que é tudo mídia e tudo é culpa da imprensa. O medo que nós, cidadãos de bem sentimos é real. Não passa pelos jornais, pela televisão ou pela internet. É hora de encararmos de frente esse problema! Ou o Brasil vence a luta contra o tráfico e a reprime a violência, ou seremos reféns de uma forma irreversível.

Desde o último sábado circula pelas redes sociais um tiroteio em plena luz do dia no Bairro Restinga. Os disparos teriam sido registrados na esquina entre as ruas Doutor Arno Horn e João Dentice, na Restinga Velha, em um provável confronto entre gangues de tráfico atuantes na região.

De acordo com a Brigada Militar, o tiroteio registrado em vídeo não aconteceu no último final de semana, quando não aconteceu nenhum registro de disparos na região. A suspeita é de que o crime tenha acontecido durante o verão, provavelmente entre integrantes das gangues dos Carro Velho e dos Miltons, que atuam naquela área.

— Mesmo que não tenha acontecido agora, é uma situação que tem nos preocupado muito. Estamos reagindo como nos é possível, mas o fluxo de armas que tem entrado na Restinga é fora do normal — afirma o comandante do 21º BPM, tenente-coronel José Henrique Botelho.

Nos últimos meses, a cada semana é registrado pelo menos um tiroteio na região. Segundo o oficial, uma arma é apreendida na região e cada três dias. E desde o começo do ano, 600 pessoas já foram presas na área de atuação do batalhão.

Em 2013, o Diário Gaúcho fez um levantamento de 17 gangues atuando na Restinga. Grupos como os Alemão, que aparecem no Facebook com integrantes exibindo-se com armamento pesado. Neste ano, estima o comandante, já seriam mais de 20 quadrilhas agindo na Restinga.

— São alianças com grupos de fora do bairro, que tentam se estabelecer na área e entram em constante confronto com os rivais locais — explica.

A página Restinga Urgente, no Facebook, postou imagens que mostram os bandidos ostentando o armamento no bairro.

Fonte: Diário Gaúcho.

Brasil, o país da impunidade

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Amanhã, terça-feira, 27 de janeiro, completarão-se 2 anos da tragédia da boate Kiss, de Santa Maria. Fora a dor imensa dos pais, familiares e amigos das vítimas, a força para vencer daqueles que sobreviveram, o que mais temos? Impunidade. Ninguém foi punido. Isso que o inquérito aponta que a boate nunca funcionou com todas as licenças necessárias, que o alvará foi obtido com endereço adulterado e houve, sim, uma sequência de negligências. Quem pagará por esse crime?

Não acredito que houve premeditação. Jamais, penso eu, algum dos responsáveis pela boate achou que algo parecido poderia acontecer. Mas o mundo não está em nossas mãos. Fatalidades acontecem. E são potencializadas pela nossa responsabilidade ou irresponsabilidade. Nesse caso, foram 242 vítimas. E nenhum dos responsáveis está cumprindo pena por isso.

Me parece que, no Brasil, a certeza da impunidade, aliada à demora irritante da Justiça, favorece os criminosos. Pensem comigo: 2 anos após a morte de 242 jovens e nada ocorreu; traficantes comandam o tráfico dentro de presídios “de segurança máxima”; balas perdidas matam crianças e ninguém é preso; o pai acoberta o crime de um filho e após 5 anos a Justiça os condena (caso do filho de Cissa Guimarães); os mensaleiros passaram meses na prisão e obtiveram o direito de cumprir pena em casa e Dirceu jamais deixou de ter poder, mesmo preso… Onde vamos parar?

Não quero perder a fé, não quero deixar de acreditar. Mas é difícil ver milhões de cidadãos de bem trabalhando e dando duro para cumprir seus deveres, enquanto a Justiça falha recorrentemente. Tudo é lento demais. Quem comete crimes sabe disso. Sabe que nada lhe acontecerá. Por que, então, deixarão de roubar, matar ou descumprir a lei?

Ou o Brasil dá uma guinada e surgem mais juízes como Sergio Moro, ou em poucos anos seremos terra de ninguém, comandados oficialmente por bandidos.

Não podemos desistir do Brasil

Dos Santos is being induced into a coma following seven hours of surgery.

Que começo de ano, meus amigos. Ao mesmo tempo em renovamos nossas esperanças ao fim do ano passado (ao fim de cada ano, na verdade), que retomamos nossas vidas dispostos a fazer tudo melhor, a mudar o que está errado, a aprimorar o que pode ser melhorado, estamos sendo testados a cada dia. A morte do jovem surfista Ricardo dos Santos, ontem, me fez refletir sobre isso. Onde vamos parar? Vamos resistir a tanta notícia ruim? Ou vamos desistir?

2015 chegou nos mostrando o quanto pode ser difícil. E, embora eu não queira ser pessimista, está difícil reagir e achar boas novas para destacar em meio a tantos fatos tristes. Ver um jovem ser vítima da violência gratuita, cujo principal suspeito é um policial, me faz questionar nossa segurança. Será que nossos policiais estão preparados? Será que alguém que já demonstrou em outras ocasiões não estar preparado para portar armas e nos defender, pode ser policial? Será que seremos reféns do tráfico e dos usuários de drogas até mesmo em nossas casas?

Eu sonho com um país digno para minhas filhas viverem. Sonho que elas possam criar meus netos na rua, brincando, pois não posso fazer isso com elas. Sonho que elas vivam em um Brasil de verdade, com segurança, saúde e educação. Mas parece que isso é apenas sonho… um sonho cada vez mais distante da realidade.

Parece que os Ricardos estão cada vez mais comuns no Brasil… Mas os Ricardos vítimas. Eu queria que mais Ricardos vivos fossem comuns. Queria Ricardos levando o nome do Brasil para fora, defendendo nossa bandeira, falando da nossa natureza, protegendo nossas praias, levando uma vida saudável. Está difícil acreditar nas mudanças, está difícil renovar – a cada dia – as esperanças. Mas vamo que vamo! A gente entristece, sente raiva, não entende, mas não pode desistir do Brasil.

Sensação de insegurança?

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Ontem, ao ler o jornal Zero Hora, me deparei com o artigo que reproduzo abaixo, de Fernando Souza, médico e professor universitário. O que nós temos em comum com Fernando? Tudo.  O Rio Grande do Sul registrou 29 homicídios em cinco dias do feriadão de Carnaval. Na terça-feira foram cinco mortes. Na sexta-feira, o dia mais violento, oito pessoas foram assassinadas. Mas, claro, tentam nos dizer que é exagero, que não há tanta insegurança. Vivemos atrás de grades por incompetência do Estado. Nós, cidadãos, nos tornamos reféns em nossas próprias casas e trabalho. Até quando viveremos essa onde crescente de violência? Deixo vocês com o artigo.

O brutal assassinato do publicitário Lairson Kunzler, de grande repercussão no Estado, nos faz refletir sobre o estado atual das coisas, sobre as limitações que sofremos no nosso cotidiano. Não podemos, jamais, e aí talvez tenha sido seu erro, sacar dinheiro vivo nos caixas dos bancos, porque, provavelmente, vai haver um olheiro dentro do banco a sinalizar para seus colegas no lado de fora que irão efetuar o assalto.

Não podemos trafegar de carro e muito menos a pé, em ruas de pouco movimento e mal iluminadas, à noite ou de madrugada, nem parar nos seus semáforos.

Não podemos deixar de cercar nossas casas ou apartamentos com aparelhos eletrônicos, trancar nossas portas e gradear nossas janelas.

Não podemos passear de carro com nossa família relaxadamente porque temos de vigiar os motociclistas, principalmente em dupla, pelo retrovisor do carro e ficar pensando se não seria melhor um carro blindado.

Não podemos jantar fora em um restaurante sem ficar com a preocupação do assalto no cardápio.

Não podemos, não podemos.

O governo argumenta que não é uma insegurança real, mas somente uma sensação provocada pela grande divulgação dos crimes pela imprensa.

O que há de verdade em tudo isso? Será que o governo tem razão, é somente uma sensação?

Vamos aos números: a ONU considera aceitável uma taxa de homicídios de 10 casos para cada 100 mil habitantes. Nosso Brasil apresenta 27 casos, o que nos coloca entre os 20 países mais violentos do mundo.

Muito bem, parece esclarecida a dúvida. Então, da próxima vez que você for assaltado, não se alarme, porque não será um assalto, será somente a sensação.

Sensacional.

Insegurança total: um latrocínio a cada 41 horas em fevereiro

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Lendo a Zero Hora de hoje, vi em números a sensação de insegurança que sinto e que sei que muitos sentem todos os dias. Infelizmente, chegamos ao índice de um latrocínio (roubo seguido de morte) a cada 41 horas em fevereiro. Isso no Rio Grande do Sul. 11 pessoas assassinadas em apenas 19 dias. O número de vítimas vem crescendo. E há os casos que sequer entram para as estatísticas… Em contrapartida, o que vemos de ação dos governos para conter essa insegurança? Temos o fevereiro mais violento desde 2003 e ainda não chegamos ao fim.

Segundo a Zero Hora, 7 dos crimes em fevereiro ocorreram entre a noite e a madrugada; 4 vítimas trabalhavam no comércio; e 5 latrocínios aconteceram com invasão de moradias. Na maioria dos casos, as vítimas teriam reagido ou se negado a entregar pertences aos criminosos.

Enquanto os bandidos seguem livres, nós nos cercamos em casa, com medo. Grades e cercas elétricas nos separam das ruas. Crianças seguras somente dentro de casa e espaços cercados, nada de brincar na rua. Os verdadeiros reféns da violência somos nós. E o trabalhador, aquele que precisa estar na rua, em sua loja, supermercado, farmácia… Eles não podem fugir e uma grade não os afasta da violência gratuita e cada vez maior.

Que rumo estamos tomando? Daqui a pouco muros e vidros blindados não serão mais suficientes. Daqui a pouco teremos que parar nossas vidas para preservar, parece loucura, nossas vidas… E nada de atitude, nada de valorização e preparação da polícia… Tempos de mudanças precisam vir logo.

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