Posts Tagged ‘protesto’

Protesto em Porto Alegre tem atos de vandalismo e conflito com a polícia

foto2_1
Um protesto em alusão ao Dia dos Professores terminou com conflito entre manifestantes e a polícia na noite desta terça-feira (15) em Porto Alegre. O prédio onde mora o prefeito José Fortunati foi alvo de vandalismo. Segundo a Brigada Militar, ninguém foi preso até o momento.

Segundo estimativa do Centro Integrado de Comando da Cidade de Porto Alegre (Ceic), cerca de 150 manifestantes reuniram-se em frente ao Paço Municipal por volta das 18h, com faixas e cartazes. De lá, saíram em caminhada por vias do centro da cidade, como Júlio de Castilhos, Voluntários da Pátria e Salgado Filho.

Pouco depois, os manifestantes se concentraram em frente ao edifício onde reside o prefeito da capital gaúcha, na esquina das ruas Jerônimo Coelho e Espírito Santo. Usando máscaras e roupas para cobrir o rosto, uma parte do grupo começou a arrancar os tapumes de madeira que protegiam a fachada do prédio contra o vandalismo. Algumas vidraças do prédio foram quebradas.

Moradores do prédio relataram que alguns manifestantes seguravam barras de ferro. Em seu perfil em uma rede social, Fortunati criticou o vandalismo. “Enquanto participava da abertura dos Jogos Atletismo Mundial os vândalos dos Black Bloc depredavam o prédio onde moro. Eles arrancaram os tapumes e quebraram toda a frente do prédio semeando o terror entre os meus vizinhos na sua maioria pessoas idosas”, escreveu o prefeito, em duas postagens.

Uma parte do grupo de manifestantes se dirigiu ainda ao Palácio Piratini, a sede do governo estadual, onde entraram em conflito com a Brigada Militar. Segundo o major André Luís Córdova, comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento do centro da capital, os manifestantes atiraram rojões em direção ao palácio, ao prédio da Assembleia Legislativa e contra o policiamento, que reagiu com bombas de efeito moral e granadas de gás lacrimogêneo.

Após o conflito com a polícia, os manifestantes seguiram pela Borges de Medeiros em direção ao Largo Zumbi dos Palmares. Lá, atearam fogo em um colchão de um morador de rua, mas as chamas foram rapidamente controladas pelo Corpo de Bombeiros, diz o Ceic. Por volta das 21h, os manifestantes se dispersaram do local.

Fonte: G1 RS

Catedral, museu e agências são depredadas em protesto

thumb (1)
Manifestantes encapuzados quebraram, no início da noite desta quinta-feira, uma agência do Banco do Brasil e uma do Itaú, no Centro de Porto Alegre. Metade dos ativistas protestou com o rosto coberto com touca ninja, de acordo com o relato visual da reportagem da Rádio Guaíba. Sob escolta da Brigada Militar e Batalhão de Choque, o grupo deixou a Prefeitura e, ao passar pelo condomínio onde mora o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, queimou um boneco e parte do tapume que protegia o prédio, na rua Jerônimo Coelho.

Os participantes protestaram em frente ao Palácio Piratini e alguns integrantes atiraram pedras contra a Catedral Metropolitana, quebrando algumas vidraças. O grupo também queimou as bandeiras que ficam junto ao Museu Júlio de Castilhos, na rua Duque de Caxias, além de destruírem vidros do prédio. Na avenida Borges de Medeiros, também foi depredado parte dos vidros da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).

O Bloco de Luta pelo Transporte Público convocou o protesto. Segundo a página do grupo na rede social Facebook, o ato é para lembrar os 1.000 dias do governo Tarso Genro, classificado pelo movimento como “um governo de conciliação de classe, que ataca os direitos dos trabalhadores”.

Fonte: Correio do Povo

Estudantes protestam por segurança em escola na zona Norte de Porto Alegre

Durou quase uma hora o segundo protesto, em menos de uma semana, dos alunos do Colégio Estadual Professor Elmano Lauffer Leal, localizado na zona Norte de Porto Alegre. O grupo, de cerca de 40 estudantes, interditou de forma intercalada  o sentido Norte-Sul da avenida Baltazar de Oliveira Garcia, na noite desta quinta-feira.

De acordo com o vice-diretor da escola de Ensino Médio, Everton Nobre, os jovens exigem mais segurança e iluminação no entorno da escola, já que somente nos oito primeiro meses, no turno da noite, oito estudantes já foram assaltados e um espancando. “Há um clima de insegurança na escola o que afeta os 850 alunos. Desde o primeiro protesto começaram a surgir mais policiais. No entanto, não podemos ficar fazendo protestos toda a semana”, reclamou Nobre.

Fonte: Correio do Povo

Protesto reúne 5 mil e termina com 8 presos e 3 feridos em Porto Alegre

mascaradopoa

Dois policiais precisaram ser atendidos no Hospital de Pronto Socorro.
Durante a maior parte do protesto, o clima foi calmo na capital.

 

Após mais uma noite de reivindicações em Porto Alegre, o protesto desta quinta-feira (27) terminou com um saldo menor do que os anteriores tanto em número de manifestantes quanto de presos e feridos. Cinco mil pessoas participaram da concentração na Praça da Matriz, no Centro da capital. De acordo com a Brigada Militar, oito foram detidos e encaminhados à Academia de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Três pessoas precisaram ser atendidas pelo Hospital de Pronto Socorro (HPS), sendo dois policiais e uma jovem menor de idade.

 

O grupo se reuniu em frente à sede do governo do estado após as 17h e por lá permaneceu durante a maior parte do ato, já que não havia caminhada prevista. O clima era calmo. Uma banda tocava no carro de som, enquanto as pessoas dançavam, tomavam quentão e bebiam cerveja. Foram três horas de manifestação pacífica.

 

O governador do RS, Tarso Genro, recebeu 11 líderes de movimentos sociais no Palácio Piratini. Eles pediram apoio do governo na identificação de manifestantes que realizam atos violentos, além de entregar uma lista de reivindicações, reclamar do inquérito que investiga ações em redes sociais e questionar as ações da Brigada Militar nos últimos atos.

 

Com a dispersão das pessoas, houve tumulto. Manifestantes jogaram pedras e provocaram a polícia, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo. Grupos saíram pelas ruas tentando vandalizar objetos e prédios, e houve confronto com a BM. Segundo o Centro Integrado de Comando da cidade, quatro contêineres foram estragados, três na Avenida Duque de Caxias e um na Travessa do Carmo. Cerca de 50 garis devem limpar as ruas durante a madrugada desta sexta-feira (28).

 

No Largo Zumbi dos Palmares, um grupo depredou contêineres de lixo e bicicletas do sistema de aluguel de Porto Alegre. Jovens provocaram a polícia e chegaram a arremessar pedras e garrafas em direção à Brigada Militar, que não reagiu.

 

Em um dos momentos mais tensos da noite, na altura da Avenida João Pessoa, manifestantes cercaram um carro e começaram a chutá-lo. Houve tentativa de abrir a porta do veículo, que conseguiu sair do local de marcha ré, com a ajuda de outras pessoas que abriram caminho.

 

Os próprios manifestantes se desentenderam entre si diversas vezes. Após confusão, muitos deram as mãos e cantaram o hino do Brasil. Eles pediam calma aos que ali estavam.

 

Enquanto isso, um grupo permaneceu na Praça da Matriz. Alguns manifestantes gritavam “Sem violência” e apedrejavam policiais. Garrafas também foram jogadas no Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar que estava no local, sem reação.

Grades foram colocadas na Rua Duque de Caxias, em frente ao Palácio Piratini, para separar os manifestantes da BM. Participantes empurraram os objetos e avançaram sobre outras pessoas, que pediam que a violência cessasse. Um deles soltou um rojão.

 

Um bombeiro voluntário decidiu intervir no conflito. Com máscara para se proteger de gás lacrimogênio, Deivid Becker saiu por entre a tropa de choque e foi até a grade que havia sido derrubada e depois reerguida pelos próprios manifestantes.

Becker pediu “calma” para um grupo de encapuzados que provocava os policiais, inclusive atirando pedras para provocar um confronto. “Eles queriam confronto, mas não é assim. Não se combate violência com vandalismo. Só quero que ninguém se machuque, eu amo a vida”, disse o bombeiro ao G1. A ação de Becker evitou uma briga.

 

Após os momentos de tensão no protesto de Porto Alegre, o governador Tarso Genro falou com o pelotão da Brigada Militar. Ao final da conversa, Tarso aplaudiu os policiais (confira no vídeo ao lado).

Os três feridos foram liberados do hospital no fim da noite. A adolescente teve intoxicação devido ao gás lacrimogêneo. Um dos policiais havia sido atingido por uma pedra, enquanto outro caiu da motocicleta.

No protesto da última segunda-feira (24), cerca de 10 mil pessoas participaram e mais de 50 foram presas. Na ocasião, pelo menos 8 ficaram feridos.

Tarde de quinta-feira

Mais cedo, um grupo de manifestantes do Sindicato dos Municipários da capital (Simpa) fez uma passeata pelas principais ruas do Centro até a Praça da Matriz. A caminhada seguiu pela Avenida Borges de Medeiros e foi aplaudida pelos moradores do bairro.

Entre os pedidos, está a valorização educação e a não violência por parte da Brigada Militar durante os atos que acontecem na cidade. Eles exibiam uma faixa com o escrito: “Oi, eu sou a educação. Finge que eu sou a Copa e investe em mim!”. O projeto de “cura gay” e o preconceito contra as mulheres também foram tema de cartazes de protesto.

 

Roberto Mazzocco, de 46 anos, foi um dos participantes que critica a ação dos oficiais. “Não é com repressão ou bomba de gás. O movimento popular quer passe livre, melhorias. Nunca vi um governo assim. Olha a arma deles”, disse ao G1, apontando para a guarnição que faz a segurança no local. Toda a área da Praça da Matriz está cercada.

Passagem de Porto Alegre foi mantida em R$ 2,85
Em julgamento realizado na tarde desta quinta-feira (27) na 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, foi negado o recurso da Associação de Transportadores de Passageiros (ATP) que pretendia suspender a liminar que reduziu a tarifa do transporte público em Porto Alegre. Com a decisão, o valor da passagem do ônibus na capital gaúcha segue em R$ 2,85.

Na próxima segunda-feira (1) a Câmara de Vereadores de Porto Alegre vota um Projeto de Lei encaminhado pela prefeitura que isenta o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e sugere que o preço da passagem de ônibus na capital gaúcha seja de R$ 2,80. Na quarta-feira (26), duas comissões da Câmara deram parecer favorável ao projeto do Executivo. Se a isenção for aprovada, o município vai deixar de arrecadar R$ 15 milhões por ano, segundo a prefeitura.

 

Fonte: G1

 

Manifestantes querem passar aos parlamentares responsabilidade por mudanças

WDO_5456
Depois de ocupar as ruas em protesto por melhorias nos serviços públicos e contra a corrupção, um grupo de manifestantes pretende hoje (26) passar simbolicamente aos parlamentares a responsabilidade pelas mudanças exigidas pela população. Para isso, voluntários posicionam, desde o início desta manhã, 594 bolas de futebol no gramado em frente ao Congresso Nacional.

De acordo com o presidente da organização não governamental (ONG) Rio de Paz, responsável pelo ato, Antônio Carlos Costa, as bolas representam os 594 deputados e senadores.

“A ideia é passar a bola para o Congresso, saber o que ele vai fazer a partir de agora. Queremos um Legislativo que fiscalize o Executivo, mas não o boicote, que desengavete projetos de lei de grande interesse popular e que não se sujeite a lobbies que visam apenas ao interesse próprio e não da nação”, explicou Costa.

Ele disse ainda que entre as reivindicações do grupo está o afastamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do cargo até que o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronuncie sobre as acusações que ele sofre de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso, além de compromissos mais concretos por parte das autoridades em relação à segurança pública.

Costa ressaltou que as 594 bolas, que receberão cruzes pintadas em vermelho ao longo do dia, também simbolizam o número de assassinatos que ocorrem no país. Segundo estimativa da entidade, 550 brasileiros morrem dessa forma a cada quatro dias.

“Estamos vivendo um momento histórico no Brasil, em que, pela primeira vez, o fator medo está sendo observado nos governantes. Eles estão com medo do povo e é preciso aproveitar este momento para promovermos uma reforma profunda no país, no modo de fazer política”, destacou. “Queremos um Brasil padrão Fifa”, acrescentou.

Ainda como parte da mobilização, está previsto para as 17h30 um chute coletivo das bolas posicionadas no gramado em direção ao Congresso.

Ato semelhante foi feito no sábado passado (22) no Rio de Janeiro, quando 500 bolas foram fincadas, também por voluntários ligados à ONG, na Praia de Copacabana, na zona sul.

Fonte: Agência Brasil

Porto Alegre vive mais um dia de protestos e de violência

127648_GER_8377
O cenário mudou, mas a história não. De diferente na manifestação realizada ontem, em Porto Alegre, só o itinerário escolhido pelos militantes. O final da história foi o mesmo dos demais protestos: enquanto a multidão marchava pacificamente pelas ruas da Capital, não houve problemas. Depois que pequenos grupos entraram em conflito com a Brigada Militar (BM), foi um passo para o início das depredações. Entre contêineres incendiados e lojas saqueadas, a noite de segunda-feira na Capital terminou com uma série de confrontos na Cidade Baixa e no Centro. O saldo de presos bateu um recorde. Segundo a BM, pelo menos 80 pessoas foram detidas. E em um universo menor de manifestantes: dessa vez, cerca de 10 mil enfrentaram a chuva e saíram às ruas – nas anteriores foram 20 mil e 15 mil.

Os ativistas se reuniram no Paço Municipal erguendo bandeiras contra diversos temas: a PEC 37 (que retira do Ministério Público o poder de investigação criminal), a “cura gay” e os gastos com as obras na Copa do Mundo eram apenas alguns deles. Havia, ainda, gente defendendo os direitos dos animais e dos índios, e até exigindo que o governo revisse a decisão de trazer médicos do exterior. Os que defendem valores mais justos para as passagens do transporte público – demanda que impulsionou os protestos -, também se fizeram presentes.

Não fossem os cartazes, a concentração em frente ao Paço poderia se confundida com uma grande festa ao ar livre. Enquanto as pessoas iam chegando e se aglomerando nas proximidades do Mercado Público, ambulantes aproveitavam para fazer um dinheirinho extra, vendendo churrasquinho, bebidas, capas de chuva e bandeiras do Brasil. Diante da prefeitura, um batalhão da BM permanecia impassível diante da multidão.

Por volta das 18h30min, a marcha partiu pela rua Júlio de Castilhos até a avenida Mauá, em um percurso diferente dos anteriores. Os ativistas seguiram na direção da Usina do Gasômetro, sempre de forma pacífica e sem tumultos. Quando subiram a avenida Loureiro da Silva, alguns ficaram em dúvida sobre qual o rumo que o grupo tomaria. A expectativa de alguns era de que se retomasse parte do trajeto seguido nas demais passeatas, indo pela avenida João Pessoa até a Ipiranga. Mas a marcha decidiu tomar o sentido contrário, em direção ao Centro, entrando na avenida Borges de Medeiros.

Segundo a Brigada Militar, pelo menos 80 pessoas foram detidas ontem

Na Esquina Democrática, os militantes pararam. O cheiro de vinagre (usado para atenuar os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela BM) tornou-se forte. Pode-se dizer que nesse momento, por volta das 20h30min, a passeata terminou. Um pequeno grupo entrou em atrito com a BM, que desde o meio da tarde fazia um cerco às ruas que desembocam no Palácio Piratini. O gás se espalhou rapidamente, provocando pânico e um corre-corre no viaduto da Borges.
“Sem violência! Sem violência!”, gritavam os manifestantes. Mas já era tarde. O regimento montado da Brigada se espalhava por diversas ruas transversais, dispersando a multidão. Com a passeata “desmanchada”, só ficaram na rua os depredadores e aqueles que não sabiam como voltar para casa.

Segunda-feira foi de clima apreensivo no Centro

Quando a Brigada Militar fechou as ruas no entorno do Palácio Piratini, ontem, no meio da tarde, a tensão tomou conta dos moradores do Centro. Afinal, o prédio do Executivo estadual já havia sido alvejado por vândalos, mas nunca tinha sido o destino final das manifestações até então.

Devido aos atos de depredação registrados nas mobilizações anteriores, vários estabelecimentos comerciais resolveram antecipar o encerramento das atividades. Depois das 17h, era difícil encontrar lojas e bares abertos na região próxima ao possível trajeto da marcha. Temendo serem alvos de vandalismo, órgãos públicos municipais, estaduais e federais tiveram expediente mais curto.

A impressão é de que o horário de pico do trânsito foi antecipado em uma hora. A pressa de muitas pessoas em garantir condução de volta para casa denotava preocupação com a provável falta de ônibus após o início da passeata, embora o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, tenha garantido que todas as linhas seguiriam funcionando normalmente, com pequenas alterações no trajeto, se fosse necessário.

No final da noite, pessoas que estavam na manifestação tentavam tomar ônibus ou táxi, mas sem sucesso. A cavalaria da BM fechou algumas das principais ruas do Centro e da Cidade Baixa, limitando as alternativas para quem queria voltar para casa. O jeito foi seguir a pé, tomando cuidado a cada esquina para não dar de cara com o “choque”.

Sem foco específico, protesto volta a reunir milhares na Capital

Os protestos realizados na noite de ontem em Porto Alegre tiveram um início pacífico. Sob chuva constante e, em alguns momentos, até forte, pelo menos cinco mil pessoas se concentraram em frente à prefeitura municipal e cobraram avanços e melhorias para o País.

A manifestação, quando convocada pela rede social Facebook, convidava a população a protestar contra um transporte público de má qualidade e contra a aprovação da PEC 37 pelo Congresso. No entanto, durante o ato, as bandeiras se perderam diluídas pela violência e vandalismo.

Os manifestantes eram os mais diversos no que se trata de perfil. Idosos, adolescentes, jovens e adultos mostaram sua insatisfação com pontos que acreditam merecer maior atenção por parte dos governos.

O Jornal do Comércio realizou uma enquete com os manifestantes ontem. Foram entrevistadas 57 pessoas, de forma aleatória, sobre o motivo que as levou à passeata.

Os pontos educação e passe livre tiveram 17 votos cada. O item reforma política obteve seis indicações, enquanto que saúde teve cinco. Contra a PEC 37 foram quatro votos. Melhorias no transporte, saída de Renan Calheiros e fim da corrupção tiveram dois votos cada. Falta de valores e contra a cura gay ganharam dois votos.

O aposentado Ibanez Ferreira, de 63 anos, espera que as manifestações consigam combater a corrupção. “Eu vim pela segunda vez protestar. E também estou aqui porque sou aposentado e precisamos de mais respeito com os aposentados, inclusive, no transporte público”, diz. Seu filho, Franco Ferreira, de 21 anos, estuda Economia e foi participar da caminhada contra a PEC 37. “Olha, eu ouvi o comandante da Brigada Militar dizendo que eles só reagiram depois que os manifestantes agrediram os policiais. Isso é mentira. Também estou aqui por isso”, afirma.

Assim como pai e filho, o casal de estudantes de Farmácia, Cristiano Larini, de 48 anos, e Luana Cardoso, de 31, acreditam que a ação da Brigada Militar (BM) acaba por incitar mais raiva na população, o que gera mais vontade de ir para a rua protestar. Eles esperam que o movimento alcance uma reforma política. “Podia começar aqui em Porto Alegre, na Câmara de Vereadores e na prefeitura. Acho ideal que o protesto aconteça em frente ao Palácio Piratini”, argumenta Larini.

“Nós trabalhamos para os ricos e para os bancos. A Dilma reduz o IPI dos carros, mas nem estrada nós temos! A saúde está falida. É preciso acabar com a corrupção urgente e com esse governo fraco. E tem mais: achei ótimo que vamos para o Palácio Piratini. Devíamos também ir para a frente do Palácio da Polícia para acabar com a impunidade”, declarou Jorge Lampert, de 39 anos, que é portador de deficiência e vem participando das manifestações. Segundo ele, na última passeata acabou sendo “salvo” por pessoas que retiraram sua cadeira de rodas do meio da avenida Ipiranga. “Não fosse isso, eu teria sido atropelado pelo grupo que corria fugindo da BM e por este pessoal que fica quebrando tudo.”

Na Praça Montevidéu, em frente à prefeitura, a banca de livros de Juarez Araújo da Silva, de 62 anos, expõe entre as revistas o cartaz de As 5 Causas, divulgada por um grupo anônimo em resposta às mídias de rádio e TV que alegam que as manifestações não têm uma causa específica, o que pode enfraquecer o movimento.

Além da PEC 37, um grupo distribuiu panfletos e cartazes pedindo a saída de Renan Calheiros da presidência do Senado e a criação de uma lei que torne a corrupção crime hediondo. “Minha banca foi pichada. Deixo o cartaz aqui porque quero mudanças no País. Esses que depredam as coisas se espelham nos deputados”, analisa Silva.

Tribunal de Justiça julga recurso da ATP contra redução da tarifa na Capital

A 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) julga nesta quinta-feira o recurso impetrado pela Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) contra a liminar que suspendeu o aumento da tarifa de ônibus em Porto Alegre.

A decisão, proferida no dia 4 de abril, pelo juiz Hilbert Maximiliano Obara, da 5ª Vara da Fazenda Pública, determinou que os valores cobrados nos ônibus da Capital retornassem a R$ 2,85, em vez dos R$ 3,05 aprovados pela prefeitura. A ação cautelar que resultou na medida é de autoria dos vereadores do P-Sol, Fernanda Melchionna e Pedro Ruas.

Fonte: Jornal do Comércio

Para 57% dos ouvidos pelo Ibope, polícia agiu de forma muito violenta

Grande maioria dos manifestantes, 66%, disse que depredações de bens públicos e privados nunca são justificadas

Durante as manifestações dos últimos dias, as equipes do Fantástico acompanharam de perto o vandalismo e a ação da polícia em vários estados. Depoimentos e imagens inéditas mostram esses dois lados dos protestos e o resultado da pesquisa do Ibope sobre o assunto.

Nas manifestações pelo Brasil, o Fantástico perguntou: o que você acha do vandalismo que aconteceu em alguns protestos?

“Essas pessoas que fazem vandalismo, que fazem violência, não nos representam”, diz a manifestante Perla Sampaio.

“Vandalismo não colabora em nada e, pior, tira o foco da manifestação”, comenta o manifestante Daniel Scopel.

País afora, dezenas de manifestações pacíficas. Mas também destruição.

Rio de janeiro, quinta-feira passada (20). Um vândalo usou até uma machadinha.

“Eram vândalos de oportunidade e vândalos que já buscaram as manifestações pacíficas com intuito de realizar ações de vandalismo, ações criminosas, de saques. Nós tínhamos vândalos certamente arregimentados pelo tráfico de drogas local”, analisa o comentarista de segurança Rodrigo Pimentel.

São Paulo, terça passada (18). Nossas equipes filmaram manifestantes, que não queriam violência, tentando impedir que baderneiros invadissem a Prefeitura. Mas o quebra-quebra seguia.

As imagens – obtidas pelo Fantástico – mostram quando os guardas metropolitanos se protegem dentro do prédio. Do lado de fora, a bandeira paulista é queimada. As bandeiras do Brasil e da cidade de São Paulo escapam.

Confira os resultados da pesquisa do Ibope em oito capitais. Agora, sobre o vandalismo.

A grande maioria dos manifestantes, 66%, disse que depredações de bens públicos e privados nunca são justificadas; 28% responderam que essas ações são justificadas somente em certas circunstâncias. E apenas 5% consideram que depredações são sempre justificadas; 1% não soube responder.

Vale lembrar que as perguntas foram feitas durante as manifestações de quinta-feira, e a pesquisa pode ter incluído participantes que fizeram ou tinham intenção de promover vandalismo.

“Os atos de vandalismo, apesar de terem dado muito prejuízo, foram isolados. Porque se a maioria fosse a favor, teria sido um cenário de guerra total, algo absolutamente incontrolável”, disse o psiquiatra forense do Hospital das Clínicas/SP, Daniel Martins de Barros.

E o que os manifestantes acham da atuação da polícia?

“A polícia tá aqui pra manter a ordem, pra fazer com que as coisas corram bem”, disse a manifestante de São Paulo Carolina Bergamo.

“Eu acho que a polícia tem agido violentamente, sim, contra os manifestantes”, disse o manifestante de Belo Horizonte Pedro Faria.

Estas são imagens exclusivas. Na capital paulista, dez dias atrás, a repórter da Folha de S. Paulo Giuliana Vallone levou um tiro de bala de borracha, disparado pela PM. Foi atingida no olho.

Uma manicure – que voltava do trabalho – explicou: “Na hora que eles apontaram na nossa direção, ela me puxou para dentro desse estacionamento, sendo que ela mesma não deu tempo de ela entrar”, disse Valdenice.

Quinta-feira passada, no Rio, nossas equipes registram outra situação em que a PM acabou atingindo quem não fazia baderna.

Mais uma bomba e a policia não deixa de agir, mesmo com as pessoas não oferecendo nenhuma resistência. Manifestantes tentaram se proteger numa lanchonete.

A estudante Carina Pazoto estava lá: “A polícia mirando na gente, como se a gente fosse, sei lá, bandido. A gente não estava fazendo nada de errado”.

Cinquenta e sete por cento dos entrevistados pelo Ibope, no Rio e em mais sete capitais, disseram que a polícia agiu de forma muito violenta; 24% afirmam que foi violenta, mas sem exageros; 15%, que a polícia agiu sem violência; e 4% não souberam ou não quiseram responder.

Os governos do Rio e de São Paulo investigam possíveis excessos policiais.

“Importantíssimo frisar que democracia precisa de polícia. E polícia forte, mas polícia forte não é polícia violenta. Polícia violenta perde a legitimidade e faz com que, muitas vezes, você até dá mais combustível pras manifestações”, avalia Renato Sérgio de Lima do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Na quinta-feira, um PM do Rio foi ferido na cabeça por manifestantes.

“Eu fiquei desacordado. Ainda bem que os companheiros estavam lá”, conta o sargento Nilmar Avelino.

Ele falou à repórter Guacira Merlin.

Fantástico: Você não tem mágoa de quem te fez levar esses dez pontos na cabeça?
Nilmar: Por que teria? De repente, ele não sabe nem o que fez. Sempre vai haver os mais exaltados. Mas acho que as pessoas ali estão reivindicando é um país melhor. Quem não sonha? Eu sonho com um país melhor.

Fonte: Fantástico | G1

Decisões recentes entram nas reivindicações na Capital

Por Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Nem mesmo a chuva que caía desde o início da tarde sem parar impediu que mais de 20 mil pessoas de todas as idades e com as mais diversas motivações se dirigissem para a frente da prefeitura de Porto Alegre para uma nova manifestação. Às 18h, horário marcado pelo grupo Bloco de Luta pelo Transporte Público em sua página no Facebook, os manifestantes já estavam em grande número.

Por volta das 18h30min, eles começaram a marchar observados de perto pela tropa de choque da Brigada Militar, gritando em coro “O povo acordou” e “Sem violência”. Um grupo saiu pela avenida Júlio de Castilhos, outro pela Borges de Medeiros e um terceiro se manteve em frente ao Paço municipal.

Apesar de o prefeito José Fortunati ter anunciado na terça-feira o envio de um projeto para a Câmara Municipal com o objetivo de baixar a passagem de ônibus na Capital para R$ 2,80 e pedido ao governador Tarso Genro a isenção de 12% de ICMS – o que faria a tarifa dos coletivos ficar entre R$ 2,73 e R$ 2,75 -, as manifestações se mantiveram.

Sob a frase “Não é só por R$ 0,20!”, os protestos mantêm a linha de que todas as causas são importantes, como melhor educação, segurança pública e saúde e a não aceitação da PEC 37, do estatuto do nascituro e, até mesmo, a renúncia de Renan Calheiros como presidente do Senado.

E o que se viu nesta quinta-feira foi justamente isso: um protesto marcado pela diversidade das reivindicações. Boa parte dos manifestantes concorda que o valor da passagem foi apenas o estopim para estourar o descontentamento total da população e fazê-la sair às ruas. Entre as reivindicações, não expostas nos cartazes devido à chuva, mas bradadas nos gritos de ordem, estavam tanto temas amplos como a saúde e a educação, quanto bem específicos, como a mudança de lugar dos camelôs no Centro da Capital.

A cientista política Soraia Ritten, de 40 anos, participou da manifestação com as duas filhas estudantes. O que as motivou a sair às ruas na noite chuvosa foi a desigualdade e a corrupção. “Os R$ 0,20 são uma representação da corrupção. É preciso uma grande mudança neste momento. A luta continua”, afirma ela, que participará na próxima semana de outro protesto contra a PEC 37.

A filha de Soraia, Michele Ritten, estudante de Biomedicina de 21 anos, explicou que sempre ouve pessoas comentando que não entendem o ato e acham uma bobagem. “Acho bem legal, porque os R$ 0,20 eram importantes, mas abriram espaço para uma coisa bem maior, com cada vez mais gente. Eu diria que agora, o mais importante neste momento é lutar contra o Ato Médico e a PEC 37, mas sem esquecer da educação e da saúde”.

Mauro Biedzicki, de 46 anos, é servidor público e se mobilizou contra os desmandos da administração pública. De acordo com ele, é preciso que as pessoas tomem essa atitude, de sair às ruas, para que os administradores vejam que a coisa está errada. “No tempo das campanhas eleitorais eu participava de protestos, mas estavam meio parados. Como estou vendo a juventude de novo, vim dar uma acompanhada. Essa é a primeira vez, mas continuarei participando das próximas”, contou.

Outro funcionário público que participou dos protestos desta quinta-feira e com uma lista extensa de reivindicações foi Célio Golin, de 51 anos. “Todas essas questões de privatização do espaço público, do dinheiro gasto na Copa, a questão da política institucional e o desgaste das instituições são temas que me tocam”, explicou. Porém, outro tema recente serviu de combustível para a sua participação. Segundo Golin, que é militante do movimento gay, um dos temas que devem ser abordados nas manifestações são as atividades da Comissão de Direitos Humanos, que inclui a chamada “cura gay”. “Já participei e organizei vários protestos na minha vida. Acredito que o maior ganho de toda essa mobilização vai ser a politização da sociedade civil, que vai fazer com que os poderes pensem melhor na hora das decisões, pois vão saber que a população estará fiscalizando as suas iniciativas”. Na opinião dele, as questões do transporte público são simbólicas, pois existem temas bem mais importantes para serem discutidos no Brasil.

O camelô Juliano Frippe, de 46 anos, foi em direção à prefeitura com um recado direto ao prefeito. “Queremos agradecer ao Fortunati pela insensibilidade que fez com que esse protesto começasse. Parabéns ao prefeito por ter sido tão ingrato com a população que acreditou nele”, criticou. Frippe afirma que sua maior luta é para que o espaço da Praça XV seja devolvido aos camelôs. De acordo com ele, muitos trabalhadores ficaram sem serviço com a privatização do camelódromo. “Agora o Brasil começou a mudar a sua cara. O Fortunati foi a principal pessoa que fez o gigante do Brasil se revoltar, quando ele decidiu pelo aumento da passagem. Isso foi a gota d’água”, ressaltou.

Já o estudante de Marketing Raul Dias, de 21 anos, participou do protesto com o objetivo de mudar o País. Essa foi a primeira vez que ele esteve nas manifestações e pretende continuar, devido à empolgação do ato. “Dinheiro para estádio tem, dinheiro para colocar na cueca tem, mas para mudar o Brasil nunca se tem. As autoridades precisam acordar e ver que não dá mais assim”, disse.

A marcha seguiu sem conflitos até as 20h30min. Grupos pequenos em diferentes pontos da cidade depredaram prédios comerciais. Cerca de 20 a 30 pessoas quebraram vitrines de lojas e cortinas de ferro e saquearam locais na avenida da Azenha e na Ipiranga. A tropa de choque usou bombas de gás lacrimogêneo. Na Lima e Silva, vidros foram quebrados por pedras. A cavalaria da Brigada tentou dispersar os manifestantes.

Bloco de Lutas denuncia abusos da polícia aos militantes

O Bloco de Lutas pelo Transporte 100% Público, grupo que organiza os protestos na Capital, convocou uma coletiva de imprensa antes da manifestação desta quinta-feira para divulgar uma carta com os seus principais objetivos e sobre os abusos que vem sofrendo por parte da polícia. Segundo Matheus Gomes, a criminalização ao movimento vem aumentando, com a perseguição de vários ativistas. Além disso, ele ressalta que uma grande confusão está sendo criada pelo governo e pela mídia sobre os temas que são defendidos pelo Bloco.

Segundo a carta, o grupo luta pelo Transporte 100% público, com a abertura das contas das empresas de transporte, e passe livre para estudantes, idosos e desempregados. Além disso, a mobilização também é contra o estado de exceção da Copa do Mundo de 2014, comandada pela Fifa. Outro tema que entrou na pauta foi a retirada imediata dos inquéritos movidos contra os manifestantes.

O advogado Onir de Araújo afirmou que as prisões têm sido feitas geralmente após as manifestações sem uma vinculação concreta com os supostos delitos. “Uma irregularidade que lembra o regime militar é que os policiais não estão identificados. Temos também comprovação de cenas de tortura dentro das delegacias. Seis pessoas ainda estão presas e os advogados não tiveram acesso aos inquéritos”, explicou.

Além disso, o advogado falou mal de determinado grupo de comunicação que noticiou informações sobre infiltrados internacionais insuflando os manifestantes. “Como se coloca em um veículo uma notícia dessas, neste clima em que a cidade está, com pessoas sendo arrastadas pelos cabelos, com bombas de gás lacrimogêneo sendo atiradas na frente de famílias. Queremos saber de onde veio essa informação”, criticou.

O Bloco de Lutas também disse que integrantes do grupo estão sendo monitorados pela polícia em suas casas. “Nos últimos meses, sofremos uma grande investida por parte da Polícia Civil contra manifestantes do nosso movimento. Jovens estão sofrendo investigações e acusações por se manifestarem na cidade”, dizia a carta.

Fonte: Jornal do Comércio

Mais de 20 mil vão às ruas em Porto Alegre

IMG_2915

Nem mesmo a chuva que caía desde o início da tarde sem parar impediu que mais de 20 mil pessoas de todas as idades e com as mais diversas motivações se dirigissem para a frente da prefeitura de Porto Alegre para mais uma manifestação. Às 18h, horário marcado pelo grupo Bloco de Luta pelo Transporte Público em sua página no Facebook, os ativistas já eram milhares.

Por volta das 18h30min, começaram a marchar observados de perto pela tropa de choque da Brigada Militar (BM), gritando em coro “O povo acordou” e “Sem violência”. Um grupo saiu pela avenida Júlio de Castilhos, outro pela Borges de Medeiros e um terceiro se manteve em frente ao Paço Municipal. A passeata voltou a reunir o grupo na avenida João Pessoa.

No percurso, o pequeno grupo de vândalos, que tem se posicionado alguns metros à frente dos manifestantes, gritava avisando que haveria vandalismo. “Melhor entrar”, avisavam para as pessoas que estavam nas suas casas olhando o movimento.

Em frente ao Jornal do Comércio, essa minoria ensaiou atos de depredação nas paradas de ônibus. Conforme o combinado pelo Facebook, os manifestantes sentaram no chão, deixando bem claro quem estava causando o tumulto – ajudando a BM a identificar “as individualidades”, como classificou o secretário da Segurança do Estado, Airton Michels, durante coletiva nesta semana.

No cruzamento da João Pessoa com a Ipiranga, o grupo que anunciava que haveria vandalismo dobrou à direita na pista Centro-bairro da Ipiranga. Os manifestantes pacíficos dobraram na mesma direção, mas na pista bairro-Centro, com o objetivo de caminhar até o Parque Marinha do Brasil. Muitos carregavam flores nas mãos e gritavam “Quem não pula quer o aumento” e “Vem prá rua”.

A caminhada prosseguiu sem incidentes até chegar na Ipiranga próximo à Azenha, por volta das 20h. Foi quando a BM passou a atirar bombas de efeito moral em direção aos manifestantes. Os policiais, que até então apenas acompanhavam a passeata, fizeram uma barricada humana impedindo o trânsito dos pedestres que se aproximavam da Azenha. Nesse momento, ficou evidente a separação entre quem estava na passeata para entrar em confronto e fazer depredações e quem estava fazendo um protesto contra o aumento das passagens de transporte público, a corrupção, os gastos com a Copa do Mundo de 2014, entre outras pautas.

Apesar dessa distinção entre a ala pacífica e a mais radical, a BM passou a atirar em qualquer pessoa que se aproximasse dos policiais. Michels e o governo do Estado garantiram que a polícia só iria agir em casos em que a integridade física das pessoas estivesse em risco. O pessoal cantava em coro “Sem violência” e vaiava a ação tanto da corporação quanto dos vândalos. Inúmeros ativistas foram alvo da ação sem terem enfrentado a polícia.

A partir daí começou o corre-corre. Enquanto o confronto ocorria, uma grande parte da manifestação ainda não havia nem chegado ao final da João Pessoa. A BM agiu para fazer todas as pessoas recuarem. Os vândalos passaram a saquear lojas, quebrar orelhões, arrancar placas de sinalização e atirar pedras e pedaços de pau contra os policiais e contra prédios públicos e privados.

A maioria dos manifestantes lamentava o fato. Pessoas mais velhas e as que estavam com crianças abandonaram o movimento com medo e por conta da quantidade de gás lacrimogêneo lançado pela polícia. No meio da correria, também havia gente chorando porque estava desde as 17h tentando chegar em casa e não conseguia pela falta de ônibus e pelo clima de guerra nas ruas. Quem se machucou no confronto passava carregado por amigos indignados com a situação.

Depredações e saques no Centro e Azenha

Perto das 21h, alguns manifestantes foram protestar em frente ao Palácio Piratini, ainda debaixo de chuva. Outros seguiam pela João Pessoa, reclamando da polícia e dos vândalos – mas, sobretudo, da polícia. A revolta foi visivelmente crescendo contra a BM a cada bomba de efeito moral.

Na João Pessoa, a agência do Banrisul foi novamente destruída pelos vândalos. A cavalaria entrou em ação. Em todos os cantos, atrás de árvores, de carros, as pessoas questionavam os brigadianos: “por que não nos deixam caminhar pela Ipiranga, da Azenha até a Beira-Rio, e permitem que os vândalos quebrem toda a cidade, com exceção desse trecho?”

Uma outra parte dos ativistas lamentava a violência e dizia não compreender o que está acontecendo no País. Mesmo assim, não arredavam pé das ruas, apesar do frio, da chuva e do gás lacrimogêneo. Declararam abertamente que gostariam de ter alguém que coordenasse e estipulasse outras rotas para não ficar junto dos vândalos. Em comum entre todos os grupos, a reclamação da ação policial.

Após o confronto na avenida João Pessoa, os manifestantes se dirigiram novamente à prefeitura e entraram em conflito mais vezes com a BM. A tropa de choque estava fazendo o isolamento do prédio, sem deixar que o pequeno grupo restante se aproximasse do local. Os enfrentamentos aconteceram na rua José Montaury, no Largo Glênio Peres, na Siqueira Campos e na Esquina Democrática. Diversas ruas do Centro da Capital foram bloqueadas pela polícia. Novas depredações e saques ocorreram no Centro, especialmente em lojas na avenida Voluntários da Pátria. Pelo menos 35 pessoas ficaram feridas, sendo um policial militar. Mais de 15 foram presos.

Fonte: Jornal do Comércio

Mais de um milhão deve ir às ruas hoje em 80 cidades

milhares-de-pessoas-tomam-o-centro-de-porto-alegre

RIO, PORTO ALEGRE E SÃO PAULO — Mesmo depois que São Paulo e Rio suspenderam os reajustes nas tarifas do transporte coletivo, mais de um milhão de pessoas se comprometeram, por meio das redes sociais, a comparecer aos protestos convocados para hoje em pelo menos 80 cidades do país, 17 delas capitais. Além das cidades grandes, as manifestações devem paralisar, ainda, municípios de médio porte. Em um esforço para frear atos de vandalismo — inclusive os saques — os próprios organizadores reforçam, na rede, o caráter pacífico das passeatas.

A reivindicação pelo cancelamento do reajuste das passagens de ônibus já está adaptada à realidade peculiar a cada cidade. As demandas variam entre exigência por mais segurança até construção de barragens. Enquetes checavam os principais pedidos. As pesquisas eram feitas também para sugerir roupas e palavras de ordem. Além do Rio, em Salvador os protestos vão ocorrer em meio aos jogos da Copa das Confederações.

Manifestações simultâneas

No Rio, 231 mil pessoas haviam confirmado presença pelo Facebook, até a noite de ontem. Em São Paulo, os confirmados chegavam a 153 mil. São os dois maiores atos, com base na movimentação virtual. Em seguida, aparecem Recife (97 mil) e Campinas (66 mil). Ao todo, 12 milhões de convites haviam sido distribuídos pelo Facebook — muitos recebem mais de um convite ou não são da cidade onde haverá o ato.

A maior parte das manifestações acontecerá simultaneamente e no horário de saída das pessoas do trabalho. No Rio, o protesto “Um milhão na rua”, com início às 17h, vai caminhar da Candelária até a prefeitura. Na capital paulista, a concentração será também às 17h, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista.

“Mesmo com a diminuição da passagem, o ato está confirmado. É muito mais que 20 centavos que queremos. Eduardo Paes afirmou que a redução será paga com recursos públicos (saúde, educação…). Queremos que seja paga do lucro dos empresários”, diz texto na página do Facebook que convoca para o protesto no Rio.

No Rio, é grande a preocupação para separar da manifestação pessoas que tenham como objetivo usar a concentração para promover quebra-quebra ou saques. Para tentar manter os manifestantes dentro do trajeto — na segunda-feira, um grupo se deslocou para atacar a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) —, eles vão levar para as ruas carros de som para manter a multidão concentrada e faixas com mensagens sobre as reivindicações que serão usadas para delimitar a área do percurso.

— Embora o nosso protesto seja pacífico, estamos preocupados com a segurança das pessoas. Vamos fazer o possível para manter o grupo coeso dentro do trajeto que foi votado em reunião e firmes nos nossos objetivos — disse Gabriel Siqueira, de 23 anos, professor de história que faz parte do Movimento do Passe Livre.

Fonte: O Globo

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien