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Movimento Passe Livre condena violência e fala em ‘revolta popular’

O MPL (Movimento Passe Livre) condenou os episódios de violência da noite de ontem durante as manifestações pela redução da tarifa do transporte público na capital e classificou o movimento como “revolta popular”.

“Se quiser manter a cidade em ordem e conter esse sentimento de revolta, vai ter de mudar”, disse à Folha um dos líderes do MPL, Marcelo Hotimsky

Segundo o MPL, os atos organizados pelo movimento nunca tem como alvo final sedes do poder executivo, como a prefeitura.

“A gente prefere passar pela frente para mostrar a força da população, mas encerrar em locais populares como terminais de ônibus.”

Para o secretário da Casa Civil do governador Geraldo Alckmin, Edson Aparecido (PSDB-SP), no entanto, as lideranças do MPL não podem ficar alheias aos atos de vandalismo nas manifestações.

“Eu sou responsável pelo que acontece de bom e pelo que acontece de ruim também.” Para ele, “estão romantizando muito as coisas.”

A Folha apurou que na prefeitura o sentimento também é o mesmo. Ou seja, como o movimento não tem comando nem controle, as tentativas de diálogo dificilmente conseguirão prosperar.

O MPL volta a realizar um protesto amanhã no centro de São Paulo. A manifestação está marcada para a praça do Ciclista, na Paulista, às 17h.

Hoje, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e o Movimento Periferia Ativa planejam parar ruas da periferia da Grande São Paulo para um protesto a favor das demandas dos trabalhadores.

Fonte: Folha Online

O Brasil nas ruas: Capitais já baixam tarifas de ônibus; protestos continuam

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Em SP, radicais e pacifistas medem forças em tentativa de invasão da prefeitura.

Cerca de 15 mil pessoas participaram de ato na capital paulista, mas ação de grupos isolados resultou em saques. Para especialistas, manifestações revelam insatisfação de jovens com corrupção e políticos.

Um dia depois da mobilização que levou 240 mil pessoas às ruas, prefeitos de nove capitais anunciaram redução de tarifas de ônibus ou cancelamento de reajustes. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) mudou o tom e admitiu que pode derrubar o aumento da tarifa, que este mês passou de R$ 3 para R$ 3,20. Enquanto cerca de 15 mil pessoas caminharam pacificamente da Praça da Sé à Avenida Paulista, um grupo isolado tentou invadir a prefeitura, sendo contido pelos próprios organizadores da marcha. Lojas foram saqueadas. No Rio, onde a manifestação pacífica de anteontem também terminou em depredação, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) fala em negociar. A presidente Dilma Rousseff disse que a voz das ruas é um alerta a todos os governos e que o Brasil tem orgulho dos manifestantes. Novo ato está previsto para amanhã em vários estados.

Em mais um dia de protesto, São Paulo se divide entre paz e atos de vandalismo

Manifestantes agiram para conter grupo que atacou prefeitura e provocou destruição, incêndios e saques na cidade

No dia seguinte à manifestação que registrou como único incidente a tentativa de invasão à sede do governo paulista, São Paulo ficou dividida. De um lado, milhares de pessoas protestaram pacificamente na Praça da Sé, seguindo tranquilamente por avenidas do Centro até chegar à Paulista. Do outro, um grupo de jovens foi às ruas para transformar a cidade em praça de guerra. Sem o aval da liderança do movimento, parte dos manifestantes que estava na Sé seguiu até a prefeitura. Lá, eles quebraram vidraças, picharam o prédio com palavras de ordem, viraram e tocaram fogo em um veículo da TV Rercord e, com rostos tapados, ainda queimaram uma cabine de polícia naquela área. Do outro lado da rua, o grupo destruiu portas e caixas automáticos de um banco privado.

Manifestantes entram em choque

Pelas ruas quase sem a presença de policiais, o grupo seguiu saqueando o comércio local, levando roupas e televisores. Trens foram depredados em uma das linhas da CPTM, fazendo com que o governo suspendesse a operação. Durante a noite, milhares de pessoas ainda se concentravam, pacificamente, na Avenida Paulista e os saques e incêndios prosseguiam na região da prefeitura. Oito pessoas foram presas até o fechamento desta edição.

A confusão começou quando alguns manifestantes romperam o cordão de isolamento do prédio da prefeitura. A fachada foi apedrejada e pichada. Grades que cercavam o local foram atiradas contra a prefeitura e vidraças e holofotes, destruídos. Diante da situação, os próprios manifestantes tentaram conter a ação do grupo mais violento.

Alguns recolocaram as grades de proteção em frente à prefeitura, mas o clima foi tenso durante a noite. Os guardas municipais recuaram e se protegeram dentro do saguão do prédio, enquanto manifestantes jogavam pedras e grades contra o prédio.

Coordenadora de um dos grupos organizados para o protesto, Karen Maria disse que estava na prefeitura durante o quebra-quebra.

– A gente não estava com liderança suficiente para segurar todo mundo. A primeira vez que pegaram uma grade eu tentei impedir. Mas o número de pessoas que queriam quebrar tudo era muito maior – afirmou.

Muitos manifestantes que estavam na prefeitura seguiram para a Paulista.

– Vim pra manifestação pela segunda vez porque gostei do clima pacífico de ontem (anteontem). Saí da prefeitura porque o clima pesou e fui para a Paulista. Não queremos vandalismo queremos mudar o Brasil – contou o estudante de medicina Carlos Bonasso.

Entre os manifestantes houve briga. Um rojão explodiu, e um mendigo que estava no meio do grupo desmaiou, sendo socorrido por estudantes. Algumas pessoas tentavam expulsar do protesto o rapaz que estava com a bomba. Um carro de uma emissora de TV que estava estacionado em frente à prefeitura foi incendiado por manifestantes, por volta das 20h. Mais cedo, uma repórter da TV Bandeirantes foi agredida.

O prefeito Fernando Haddad (PT) não estava na prefeitura durante os protestos. Enquanto o prédio era alvo de vandalismo, Haddad estava reunido com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula no saguão reservado às autoridades no aeroporto de Congonhas. Ninguém divulgou a pauta do encontro. Funcionários públicos ficaram presos dentro do prédio por horas.

Guarda não solicitou apoio da PM

A assessoria do governador Geraldo Alckmin (PSDB) informou ontem que o apoio da PM não foi solicitado pela Guarda Civil Municipal para conter os vândalos. A PM somente chegou ao local quando os manifestantes começaram a depredar o comércio da região. Depois de mais de duas horas de quebra-quebra, a Tropa de Choque foi acionada e, com bombas de gás, os policiais começaram a dispersar os manifestantes.

No outro ponto da cidade, na Avenida Paulista, a multidão tomou conta das pistas. Sem qualquer registro de violência, caminharam pela via fechando os dois sentidos. Algumas pessoas circulavam pela região em clima de festa, dançando e cantando. Por volta das 22h, a Avenida Paulista ainda estava tomada pelo protesto.

Centenas de manifestantes também interditaram a Rodovia Raposo Tavares para protestar, sem tumultos.

Palco do comício da Diretas Já, em 1984, a Praça da Sé começou a ser ocupada pelos manifestantes por volta das 16h. Durante a espera cantaram palavras de ordem e empunharam bandeiras e faixas com reivindicações diversas.

Em nota, o grupo diz que a prefeitura e o governo estadual “continuam a fechar os olhos e os ouvidos para a vontade da população”. E ainda: “Mais um dia se passou e o aumento não foi revogado. Mais de 100 mil pessoas foram para as ruas e mesmo assim a Prefeitura e o governo do Estado continuam a fechar os olhos e os ouvidos para a vontade da população. Hoje estaremos novamente ocupando as ruas para barrar o aumento”, diz o texto.

Anteontem, a passeata organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) reuniu cerca de 65 mil pessoas, segundo o Instituto Datafolha, e transcorreu de forma pacífica por vias importantes da cidade. O único episódio de violência foi registrado em frente à sede do Palácio dos Bandeirantes, à noite, quando um grupo tentou invadir a sede do governo e foi reprimido pela polícia.

Temendo problemas, o governo de São Paulo, em nota oficial, já havia convocado as lideranças para que mantivessem “contato contínuo” com oficiais da PM que acompanhariam. O secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, foi quem pediu para que o grupo mantenha o acordo firmado com o governo para evitar problema.

Fonte: O Globo

O RECADO DOS JOVENS

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A história está repleta de datas que sintetizam espíritos e épocas. Sem esperar pelo veredicto da posteridade, já é possível afirmar que o 17 de Junho é o retrato de um novo Brasil. O país que foi para as ruas protestar na segunda-feira reflete um novo estado de ânimo de uma ampla parcela da população: rejeição à corrupção e ao descaso com a coisa pública, desconfiança de governantes e partidos, indignação com a desproporção entre os gastos com grandes eventos, por um lado, e com saúde, educação e transporte, por outro. O país que tomou praças e avenidas sente os efeitos da alta de preços de alimentos e serviços. A nação que tomou a palavra antevê, para além dos sinais incipientes de turbulência econômica, os percalços de um futuro que parece menos auspicioso do que há alguns anos. Sua voz ergue-se também contra governos, parlamentares, corporações e meios de comunicação. Pode-se saudar ou rejeitar a emergência desse Brasil do 17 de Junho. Mas não se pode ignorá-lo.

É utópico imaginar que dezenas de milhares de pessoas decidam se manifestar por fora dos canais até hoje existentes no interior do Estado de direito, por meio de ida massiva às ruas, sem que isso implique riscos para a segurança e até mesmo distúrbios isolados. É preciso separar a manifestação legítima e democrática da maioria das depredações, incêndios e pichações promovidos por uma ínfima minoria oportunista. Toda sorte de vandalismo pode e deve ser investigada, e os envolvidos, enquadrados criminalmente na forma da lei. O fato de tais atitudes terem prosperado nos primeiros dias do movimento reflete o fato de não haver objetivos, líderes e organização claras.

O mais importante é que a nação seja capaz de retirar ensinamentos dos acontecimentos. Em síntese, os jovens nas ruas estão enviando um recado para toda a sociedade, incluindo governantes, políticos, empresários e imprensa. O sentimento da maioria é, como bem sublinhou a presidente Dilma Rousseff ao citar o cartaz “Desculpem o transtorno, estamos mudando o Brasil”, carregado de civismo e boas intenções. É positivo que milhões de pessoas com menos de 30 anos estejam se dispondo a assumir um papel de protagonistas na história. Trata-se de uma geração que jamais viveu períodos de exceção ou de cerceamento de liberdades. Para o bem do país, esse aprendizado deve ocorrer de forma serena. A sociedade tem de saudar e acolher esse verdadeiro despertar jovem, zelando para que fortaleça o Estado democrático de direito. Não resta dúvida de que todos seremos testemunhas dos reflexos concretos do que está acontecendo hoje daqui a pouco mais de um ano, nas eleições presidenciais de 2014. É desejável que a experiência histórica de cada geração se reflita na participação eleitoral por meio do embate entre ideias, programas e concepções.

Fonte: ZH | Editorial

Motivos para dizer não

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Tenho usado todos os meus escassos neurônios para compreender os protestos dos estudantes. Vamos lá. Penso melhor me questionando. Perguntando, por exemplo:

O que é líquido e indiscutível?

Resposta: que os protestos são legítimos.

Sim, são. Se as pessoas se sentem injustiçadas, têm de protestar. O que não significa, evidentemente, que estejam de fato sendo injustiçadas. Mas legítimos, são; disso não há quem discorde.

Outro ponto indiscutível: as pessoas estão descontentes. Óbvio, ou não protestariam.

Com o que estão descontentes? Quais as razões dos protestos?

Aí complicou.

As manifestações foram desencadeadas devido ao preço das passagens dos ônibus e já desaguaram na corrupção, nos gastos com a Copa e nas deficiências de educação, saúde e custo de vida. Tudo que se sabe que está errado no Brasil.

Eles reclamam de tudo, pois. Um problema. Quem reclama de tudo, não ganha nada. O tudo é o mais próximo que existe do nada.

Talvez encontre uma resposta se tomar as queixas pontualmente.

Vamos lá de novo.

Intriga que as manifestações começaram com questões de transporte e, logo em seguida, de saúde. Bem. Sabe-se que nunca tanta gente comprou carro, no Brasil, como nos últimos anos. Da mesma forma, nunca tanta gente adquiriu planos de saúde.

As ruas ficaram engarrafadas e os planos de saúde não conseguem mais atender a demanda. O que incomoda quem já tinha carro e plano de saúde, mas será que incomoda quem não tinha, a ponto de sair à rua para protestar? Duvido.

É um protesto de quem já tinha, portanto. O que não lhe rouba a legitimidade, nem a justiça. Quem tem pode protestar tanto quanto quem não tem.

E os gastos com a Copa? E os estádios que foram construídos em cidades de quase nenhum futebol, como Brasília e Manaus? Uma boa causa, mas por que ninguém protestou quando os estádios estavam sendo erguidos do chão? Agora o dinheiro já está gasto…

Há uma confusão de causas. Quais serão as consequências?

A corrupção não vai acabar por causa disso. Corrupção não acaba por deliberação política. Nem vão melhorar a educação ou a saúde. E a Copa do Mundo será realizada, decerto que sim.

O que vai acontecer, então?

O governo será atingido, isso é outro ponto indiscutível. O PT talvez perca votos e Dilma talvez não seja reeleita. O próximo presidente pode ser do PSDB ou do PP ou do PSTU, sabe-se lá.

Mas isso, realmente, não importa.

O que importa, nos protestos, não são suas causas difusas nem suas consequências vagas. O que importa, nos protestos, são os protestos.

Há 20 anos os jovens não protestavam. Há 20 anos, ajudaram a derrubar um presidente da República. Era uma causa bem identificável. De 20 anos para cá, a moeda se estabilizou, o desemprego diminuiu, dezenas de milhões ascenderam de classe social, os brasileiros elegeram um sociólogo, um operário e uma mulher.

Ainda há muita coisa errada? Sim! Mas isso não interessa. O que interessa é que o jovem de hoje saiu à rua e está participando de algo grandioso, algo que quebra a cabeça da polícia e picha a parede do palácio, algo que é contra, seja lá contra o que for. Não importa, o que importa é dizer não.

O jovem diz não e se orgulha de dizer não, mesmo que não saiba exatamente para o que está dizendo não. Daqui a 20 anos ele verá as fotos e os filmes dos movimentos de agora, e inflará o peito ao contar que estava lá.

– Eu estava lá. Eu disse não – dirá para seu filho.

E o filho dele vai admirá-lo e vai também sentir vontade de sair à rua e, por algum motivo, qualquer motivo, gritar: não!

Fonte: ZH | David Coimbra

Brasileiros tomam as ruas do país contra corrupção, gastos públicos na Copa das Confederações e por mobilidade urbana

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Uma série de manifestações mobilizou milhares de brasileiros em diferentes cidades do país nesta segunda-feira (17). Em São Paulo, os protestos reuniram pelo menos 30 mil pessoas. No Rio de Janeiro, ainda não há estimativas oficiais, mas a Cinelândia ficou tomada de manifestantes. Em Belo Horizonte, entre 18 mil e 20 mil pessoas. Em Brasília, cerca de 10 mil pessoas estão concentradas na Esplanada dos Ministérios e parte dos manifestantes chegou a subir a rampa e está neste momento na cobertura do Congresso Nacional.

Com o mote “Não são apenas 0,20 centavos”, além de se posicionar contra o preço do transporte público, os protestos criticaram a condução da política brasileira, a corrupção, os gastos públicos com as obras para as copas das Confederações e do Mundo de 2014.

As manifestações começaram a tomar corpo na última semana após as ações da Polícia Militar (PM), em São Paulo, que reagiram aos manifestantes contrários ao aumento da tarifa de transporte público na capital paulista. O episódio levou a Defensoria Pública do Estado de São Paulo a questionar a atitude da PM.

Em São Paulo, os manifestantes se concentraram no Largo da Batata e depois ocuparam as oito faixas da Avenida Brigadeiro Faria Lima.

Ao contrário do que ocorreu na última manifestação, na quinta-feira (13) – quando a presença da PM foi ostensiva – ativistas e policiais entraram em acordo e, até o momento, não houve registro de conflito.

No Rio de Janeiro, as dezenas de milhares de manifestantes marcharam pela Avenida Rio Branco e se dirigiram à Cinelândia, na região central da cidade, onde ocuparam as escadarias da Biblioteca Nacional e da Câmara de Vereadores. De lá, seguiram pela Avenida Almirante Barroso em direção à Avenida Presidente Antonio Carlos até a Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). Houve confronto com a polícia e algumas pessoas queimaram um carro e depredaram uma viatura da PM.

Na capital mineira, a concentração do protesto teve início na Praça 7, no centro da capital. De lá, os manifestantes se dirigiram à Arena Mineirão, onde foi disputada nesta segunda a partida entre Nigéria X Taiti, pela Copa das Confederações.

Em Brasília, o protesto começou às 17h. Os manifestantes se concentraram em frente ao Museu da República e, de lá, marcharam em direção ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. No momento, eles estão na cobertura do Congresso e tomam também o gramado em frente ao Parlamento.

Apesar do caráter pacífico das manifestações, ressaltado pela palavra de ordem “Sem violência”, entoada em todos os protestos, confrontos entre policiais e manifestantes foram registrados em Belo Horizonte, emBrasília e no Rio de Janeiro.

Também houve registro de protestos em Fortaleza, em Curitiba, em Porto Alegre, em Salvador, em Belém e Campinas. Nós próximos dias, as manifestações, convocadas por meio das redes sociais, devem prosseguir.

Fonte: Agência Brasil

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