Posts Tagged ‘occupy brasil’

Debates decidirão rumo dos protestos em Porto Alegre

127648_GER_8377

 

No encontro desta segunda-feira, organizadores de marchas no Rio Grande do Sul avaliarão os atos realizados até agora

Reunião marcada para hoje pelo grupo Bloco de Luta pelo Transporte Público, às 18h30min, tem como objetivo avaliar as marchas já realizadas. O encontro será no Largo Zumbi dos Palmares.

Manifestantes que transformaram os protestos do mês de junho em um importante capítulo da história brasileira dão início à agenda de julho com debates sobre o futuro do movimento em Porto Alegre.

Assembleias programadas para hoje e quarta-feira serão essenciais para a definição do que virá a seguir.

O Bloco de Luta pelo Transporte Público, um dos principais organizadores de marchas no Rio Grande do Sul, convocou reunião para hoje, às 18h30min, no Largo Zumbi dos Palmares. O objetivo é avaliar os atos realizados até agora, identificar os avanços e discutir as iniciativas subsequentes. Na quarta-feira, estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) estarão reunidos em mais uma assembleia convocada pelo Diretório Central de Estudantes (DCE), na Faculdade de Educação, com pauta semelhante.

– É hora de sentar um pouco, com a população, e conversar sobre os próximos passos. Debater política e os rumos do movimento – explica Lucas Maróstica, integrante do bloco.

A reunião do Bloco de Luta insere uma pausa no cronograma de protestos, realizados geralmente nas segundas e quintas-feiras. No Facebook, membros do grupo, que congrega militantes de esquerda, estudantes e organizações apartidárias, dividiram-se durante o final de semana: havia os apoiadores da assembleia, justificando que a discussão fortalecerá as mobilizações, e os contrários ao evento, sob a alegação de que poderá haver uma dispersão, desconectando Porto Alegre dos demais Estados. “Por que assembleia se o resto do país estará se manifestando?”, questionou o estudante de Matemática Odair Gomes, provocando 218 comentários. “Por que não assembleia?”, “Organização é o mínimo”, “Quermesse de novo NÃO. O que temos dos governantes são promessas. Vamos comemorar quando tivermos algo real e concreto” e “Tá muito ato em cima de ato, acho que uma reflexão é bom também” surgiram entre os argumentos postados.

Lucas Fogaça, da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel), divide-se entre as provas de final de semestre do curso de Letras na UFRGS e uma série de atividades nos próximos dias. Um dos compromissos é o Ocupa Busão, na quarta-feira, momento em que membros da entidade abordarão passageiros, motoristas e cobradores para alertar para a importância da implantação do passe livre. Fogaça aposta na diversificação das expressões de insatisfação para que a tomada das ruas continue garantindo a atenção das autoridades e angariando adeptos.

– O que aconteceu na Praça da Matriz (na última quinta-feira) tinha um pouco essa proposta. Temos que reinventar, procurar novas formas. Os estudantes chilenos, talvez os que mais lutam na América Latina, já fizeram um beijaço – exemplifica o universitário.

Brigada pronta para evitar vandalismo

A possibilidade de um novo protesto, hoje, mobiliza as forças de segurança e deixa apreensiva a comunidade do bairro Cidade Baixa.

A Brigada Militar garante estar preparada para evitar mais quebra-quebra na região, enquanto comerciantes e moradores, que se armaram com paus, facões e barras de ferro para enfrentar vândalos na última quinta-feira, prometem agir, caso ocorra um novo arrastão.

– A cada evento, a BM vai se aprimorando. Estamos tentando melhorar para atender esta comunidade – garante o subcomandante-geral da BM, coronel Silanus Melo.

A BM vai reforçar o policiamento no bairro como fez no entorno da Avenida Azenha, após lojas da região terem sido, por duas vezes seguidas, alvos de depredações e saques.

Mesmo sem a certeza de mais uma manifestação, e temendo falta de segurança, mensagens de convocação dos resistentes do Cidade Baixa são postadas nas redes sociais. Uma delas foi enviada pelo eletricista Frederico de Souza Lamachia via Facebook.

– Se tiver algum protesto, vamos nos reunir na Travessa do Carmo para tentar fazer um bloqueio ali. Em função de não ter policiamento, a gente precisa defender o que é nosso – diz o comerciante Edson Feldmann.

Centrais sindicais confirmam greve para o dia 11

A greve nacional de trabalhadores convocada por oito centrais sindicais brasileiras está marcada para 11 de julho. Ontem, presidentes regionais de duas entidades afastaram qualquer possibilidade de paralisação para hoje como consta em páginas na internet.

– Desconhecemos esta greve de amanhã (hoje). Estamos desestimulando a participação nela e convocando os trabalhadores para o dia 11– afirmou Guiomar Vidor, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-RS).

Conforme ele, a movimentação mais imediata será uma panfletagem amanhã, no aeroporto Salgado Filho, explicando os motivos da paralisação do dia 11 para políticos que costumam embarcar para Brasília nas terças-feiras pela manhã.

Claudir Nespolo, presidente da Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul (CUT-RS), reiterou que a greve está marcada para o dia 11.

As secretarias de Educação da Capital e do Estado informaram desconhecer qualquer orientação para o dia 11 de julho. Hoje, estão previstos dias letivos normais. Na rede particular, as atividades também serão mantidas. Amanhã, o Sindicato do Ensino Privado (Sinepe/RS) discutirá uma possível paralisação em 11 de julho.

Nas redes sociais, membros de uma página que convoca protestos comentavam ontem que a data válida é a da semana que vem. “Amanhã (hoje) é o dia daquela greve fake da direita”, disse um internauta. “A greve geral puxada pelas centrais e movimentos sociais será dia 11”, esclareceu outro. “Greve de Facebook é f…”, desdenhou um terceiro.

Fonte: Diário Gaúcho

 

Câmara pode votar já a reforma, diz Fontana

Defensor da reforma política, o deputado federal gaúcho Henrique Fontana (PT) foi relator do conjunto de propostas que acabou barrado em abril no Congresso Nacional. Ele anunciou que irá tentar retomar a votação do texto na Câmara dos Deputados. Para isso, precisa reunir 257 assinaturas de deputados que apoiem o texto. A reforma instituiria o financiamento público de campanha, o voto em lista – sistema belga -, o fim das coligações proporcionais e uma data única para eleições municipais e gerais, assim como para as posses.

O anúncio da presidente Dilma Rousseff (PT) propondo a convocação de plebiscito para a criação de uma Assembleia Nacional Constituinte com objetivo específico de produzir a reforma em período determinado, na avaliação de Fontana não exclui a possibilidade de que o Congresso vote a matéria. Para o parlamentar, que é vice-líder do governo na Câmara, a inciativa da presidente só reforça a necessidade de deputados federais e senadores atenderem aos anseios da população por mudanças no sistema vigente.

Nesta entrevista, ele também prega que, caso seja aprovada a criação de uma Constituinte para criar a nova legislação, ela terá de ser exclusiva para apreciar a reforma política. Fontana ainda avalia que as manifestações não irão abalar o prestígio da presidente junto à população.

JC – Como o senhor está se mobilizando para viabilizar novamente a reforma política?

Fontana – Vou trabalhar em três frentes. Primeiramente, vou coleta as assinaturas individualmente de cada deputado para um requerimento de urgência na Câmara dos Deputados. São necessárias 257 assinaturas. Se a Câmara quiser, pode votar imediatamente essa matéria. Segundo, se o tema não for votado até 5 de outubro – e vou lutar muito para que seja votado –, aí tem que entrar em cena uma Assembleia Constituinte exclusiva. Será um sinal definitivo de que o Parlamento não vota essa matéria. O importante é que a Constituinte exclusiva tem de ser só para o sistema político e eleitoral.

JC – O senhor acredita que a Constituinte seja a tendência mais forte no cenário?

Fontana – O Congresso vai sofrer pressões no sentido de votar a reforma e, se não votar, evidentemente cresce a possibilidade de Constituinte. O que diminuiria a possibilidade de constituinte seria o Congresso decidir se pautar e votar, que é o que vou defender em primeira instância. Mas já trabalho com os outros dois cenários. A terceira frente é a de menor impacto, mas ajuda também. É que, se por ventura atravessar 5 de outubro sem votar, então teremos eleições de 2014 com a regra do financiamento privado, a mesma que temos hoje. Nesse caso, existe uma lei que permite a regulamentação da legislação já em vigor, que diz que até maio do ano da eleição – ou seja, de 2014 – o Congresso deverá votar teto de gastos para as eleições. Enquanto o teto não for votado, cada partido apresentará seu teto. Estou trabalhando também na redação, que seria também uma maneira de coibir o uso do poder econômico.

JC – A continuidade das manifestações pode aumentar o apelo à reforma?

Fontana – O recado dos movimentos que estão nas ruas tem um conjunto de significados. Lemos nos cartazes e acompanhamos a necessidade do combate à corrupção, de melhorar a política de transportes, saúde, educação, baratear preços. Aparece, inclusive, diretamente a pauta da reforma política, mas mesmo quando ela não aparece diretamente, para mudar o que a população pede, o freio principal que vivenciamos é um freio de um sistema político que gera uma governabilidade muito difícil e o tema também do impacto que tem o financiamento privado. As mesmas empresas que negociam com o setor público financiam campanhas. Então, não há dúvida que o cenário se abre positivamente para a reforma política.

JC – O senhor, que defende que o Congresso tome a frente nas negociações pela reforma, percebeu alguma mudança com relação aos parlamentares que barraram a proposta em abril?

Fontana – Já eram necessidades muito grandes do País. E agora se tornaram necessidades maiores ainda. É evidente que se há milhares de jovens se manifestando. E, mesmo que haja ajustes necessários a fazer, foi divulgada uma pesquisa do Ipobe, 85% dos jovens dizem que os partidos não os representam. É um sinal de que os partidos estão com baixa credibilidade, e a política está com baixa credibilidade. O que gera uma baixa credibilidade da política perante a sociedade? É só a sorte ou o azar de ter elegido os certos ou errados, ressalvado aqueles que merecem o respeito da população e se reelegem? Evidente que não. Esse distanciamento que uma parcela da população crescente está tendo com a política é porque o sistema político afasta as pessoas. Tem de ter um grande consenso do Congresso de que o sistema atual não pode continuar. Esse é um dos sinais fundamentais desse movimento que nós políticos temos de ouvir. Estamos escalados para isso, porque o poder emana do povo.

JC – Como analisa o impacto das críticas nas manifestações à gestão Dilma Rousseff?

Fontana – Está cheio de gente querendo instrumentalizar o movimento, como bem coloca a Carta Capital desta semana. Na realidade, existe, sim, um movimento de setores que estão por dentro de um movimento que surgiu para criticar temas importantes, como o transporte coletivo urbano. Mas setores mais ligados a uma ala conservadora, que quer a vitória do Aécio (Neves, pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto), procuram amplificar uma crítica à presidenta Dilma, como se o País não tivesse melhorando na área da educação, por exemplo, como se estivesse um caos. Inclusive, muitos querem tirar do cenário os limites de governabilidade a que um governo está submetido. Acredito que essa tentativa não vai ser bem-sucedida, a ideia desse movimento fora-Dilma vai dar com os burros n’água, porque a presidenta tem prestígio.

Fonte: Jornal do Comércio

Porto Alegre vive mais um dia de protestos e de violência

127648_GER_8377
O cenário mudou, mas a história não. De diferente na manifestação realizada ontem, em Porto Alegre, só o itinerário escolhido pelos militantes. O final da história foi o mesmo dos demais protestos: enquanto a multidão marchava pacificamente pelas ruas da Capital, não houve problemas. Depois que pequenos grupos entraram em conflito com a Brigada Militar (BM), foi um passo para o início das depredações. Entre contêineres incendiados e lojas saqueadas, a noite de segunda-feira na Capital terminou com uma série de confrontos na Cidade Baixa e no Centro. O saldo de presos bateu um recorde. Segundo a BM, pelo menos 80 pessoas foram detidas. E em um universo menor de manifestantes: dessa vez, cerca de 10 mil enfrentaram a chuva e saíram às ruas – nas anteriores foram 20 mil e 15 mil.

Os ativistas se reuniram no Paço Municipal erguendo bandeiras contra diversos temas: a PEC 37 (que retira do Ministério Público o poder de investigação criminal), a “cura gay” e os gastos com as obras na Copa do Mundo eram apenas alguns deles. Havia, ainda, gente defendendo os direitos dos animais e dos índios, e até exigindo que o governo revisse a decisão de trazer médicos do exterior. Os que defendem valores mais justos para as passagens do transporte público – demanda que impulsionou os protestos -, também se fizeram presentes.

Não fossem os cartazes, a concentração em frente ao Paço poderia se confundida com uma grande festa ao ar livre. Enquanto as pessoas iam chegando e se aglomerando nas proximidades do Mercado Público, ambulantes aproveitavam para fazer um dinheirinho extra, vendendo churrasquinho, bebidas, capas de chuva e bandeiras do Brasil. Diante da prefeitura, um batalhão da BM permanecia impassível diante da multidão.

Por volta das 18h30min, a marcha partiu pela rua Júlio de Castilhos até a avenida Mauá, em um percurso diferente dos anteriores. Os ativistas seguiram na direção da Usina do Gasômetro, sempre de forma pacífica e sem tumultos. Quando subiram a avenida Loureiro da Silva, alguns ficaram em dúvida sobre qual o rumo que o grupo tomaria. A expectativa de alguns era de que se retomasse parte do trajeto seguido nas demais passeatas, indo pela avenida João Pessoa até a Ipiranga. Mas a marcha decidiu tomar o sentido contrário, em direção ao Centro, entrando na avenida Borges de Medeiros.

Segundo a Brigada Militar, pelo menos 80 pessoas foram detidas ontem

Na Esquina Democrática, os militantes pararam. O cheiro de vinagre (usado para atenuar os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela BM) tornou-se forte. Pode-se dizer que nesse momento, por volta das 20h30min, a passeata terminou. Um pequeno grupo entrou em atrito com a BM, que desde o meio da tarde fazia um cerco às ruas que desembocam no Palácio Piratini. O gás se espalhou rapidamente, provocando pânico e um corre-corre no viaduto da Borges.
“Sem violência! Sem violência!”, gritavam os manifestantes. Mas já era tarde. O regimento montado da Brigada se espalhava por diversas ruas transversais, dispersando a multidão. Com a passeata “desmanchada”, só ficaram na rua os depredadores e aqueles que não sabiam como voltar para casa.

Segunda-feira foi de clima apreensivo no Centro

Quando a Brigada Militar fechou as ruas no entorno do Palácio Piratini, ontem, no meio da tarde, a tensão tomou conta dos moradores do Centro. Afinal, o prédio do Executivo estadual já havia sido alvejado por vândalos, mas nunca tinha sido o destino final das manifestações até então.

Devido aos atos de depredação registrados nas mobilizações anteriores, vários estabelecimentos comerciais resolveram antecipar o encerramento das atividades. Depois das 17h, era difícil encontrar lojas e bares abertos na região próxima ao possível trajeto da marcha. Temendo serem alvos de vandalismo, órgãos públicos municipais, estaduais e federais tiveram expediente mais curto.

A impressão é de que o horário de pico do trânsito foi antecipado em uma hora. A pressa de muitas pessoas em garantir condução de volta para casa denotava preocupação com a provável falta de ônibus após o início da passeata, embora o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, tenha garantido que todas as linhas seguiriam funcionando normalmente, com pequenas alterações no trajeto, se fosse necessário.

No final da noite, pessoas que estavam na manifestação tentavam tomar ônibus ou táxi, mas sem sucesso. A cavalaria da BM fechou algumas das principais ruas do Centro e da Cidade Baixa, limitando as alternativas para quem queria voltar para casa. O jeito foi seguir a pé, tomando cuidado a cada esquina para não dar de cara com o “choque”.

Sem foco específico, protesto volta a reunir milhares na Capital

Os protestos realizados na noite de ontem em Porto Alegre tiveram um início pacífico. Sob chuva constante e, em alguns momentos, até forte, pelo menos cinco mil pessoas se concentraram em frente à prefeitura municipal e cobraram avanços e melhorias para o País.

A manifestação, quando convocada pela rede social Facebook, convidava a população a protestar contra um transporte público de má qualidade e contra a aprovação da PEC 37 pelo Congresso. No entanto, durante o ato, as bandeiras se perderam diluídas pela violência e vandalismo.

Os manifestantes eram os mais diversos no que se trata de perfil. Idosos, adolescentes, jovens e adultos mostaram sua insatisfação com pontos que acreditam merecer maior atenção por parte dos governos.

O Jornal do Comércio realizou uma enquete com os manifestantes ontem. Foram entrevistadas 57 pessoas, de forma aleatória, sobre o motivo que as levou à passeata.

Os pontos educação e passe livre tiveram 17 votos cada. O item reforma política obteve seis indicações, enquanto que saúde teve cinco. Contra a PEC 37 foram quatro votos. Melhorias no transporte, saída de Renan Calheiros e fim da corrupção tiveram dois votos cada. Falta de valores e contra a cura gay ganharam dois votos.

O aposentado Ibanez Ferreira, de 63 anos, espera que as manifestações consigam combater a corrupção. “Eu vim pela segunda vez protestar. E também estou aqui porque sou aposentado e precisamos de mais respeito com os aposentados, inclusive, no transporte público”, diz. Seu filho, Franco Ferreira, de 21 anos, estuda Economia e foi participar da caminhada contra a PEC 37. “Olha, eu ouvi o comandante da Brigada Militar dizendo que eles só reagiram depois que os manifestantes agrediram os policiais. Isso é mentira. Também estou aqui por isso”, afirma.

Assim como pai e filho, o casal de estudantes de Farmácia, Cristiano Larini, de 48 anos, e Luana Cardoso, de 31, acreditam que a ação da Brigada Militar (BM) acaba por incitar mais raiva na população, o que gera mais vontade de ir para a rua protestar. Eles esperam que o movimento alcance uma reforma política. “Podia começar aqui em Porto Alegre, na Câmara de Vereadores e na prefeitura. Acho ideal que o protesto aconteça em frente ao Palácio Piratini”, argumenta Larini.

“Nós trabalhamos para os ricos e para os bancos. A Dilma reduz o IPI dos carros, mas nem estrada nós temos! A saúde está falida. É preciso acabar com a corrupção urgente e com esse governo fraco. E tem mais: achei ótimo que vamos para o Palácio Piratini. Devíamos também ir para a frente do Palácio da Polícia para acabar com a impunidade”, declarou Jorge Lampert, de 39 anos, que é portador de deficiência e vem participando das manifestações. Segundo ele, na última passeata acabou sendo “salvo” por pessoas que retiraram sua cadeira de rodas do meio da avenida Ipiranga. “Não fosse isso, eu teria sido atropelado pelo grupo que corria fugindo da BM e por este pessoal que fica quebrando tudo.”

Na Praça Montevidéu, em frente à prefeitura, a banca de livros de Juarez Araújo da Silva, de 62 anos, expõe entre as revistas o cartaz de As 5 Causas, divulgada por um grupo anônimo em resposta às mídias de rádio e TV que alegam que as manifestações não têm uma causa específica, o que pode enfraquecer o movimento.

Além da PEC 37, um grupo distribuiu panfletos e cartazes pedindo a saída de Renan Calheiros da presidência do Senado e a criação de uma lei que torne a corrupção crime hediondo. “Minha banca foi pichada. Deixo o cartaz aqui porque quero mudanças no País. Esses que depredam as coisas se espelham nos deputados”, analisa Silva.

Tribunal de Justiça julga recurso da ATP contra redução da tarifa na Capital

A 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) julga nesta quinta-feira o recurso impetrado pela Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) contra a liminar que suspendeu o aumento da tarifa de ônibus em Porto Alegre.

A decisão, proferida no dia 4 de abril, pelo juiz Hilbert Maximiliano Obara, da 5ª Vara da Fazenda Pública, determinou que os valores cobrados nos ônibus da Capital retornassem a R$ 2,85, em vez dos R$ 3,05 aprovados pela prefeitura. A ação cautelar que resultou na medida é de autoria dos vereadores do P-Sol, Fernanda Melchionna e Pedro Ruas.

Fonte: Jornal do Comércio

Dilma reúne STF, Senado e OAB para discutir proposta de plebiscito

Nesta terça-feira (25), a presidente Dilma Rousseff se reunirá com os presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinicius Furtado Coelho, do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, e do Senado, Renan Calheiros (PMDB), para discutir a proposta anunciada na tarde desta segunda-feira (24), de convocar um plebiscito para instalar uma Assembleia Constituinte exclusiva para a reforma política. As reuniões começam às 10h e se estendem até o fim do dia.

Dilma também tem reuniões marcadas com representantes de movimentos urbanos, no Palácio do Planalto. O objetivo dessas reuniões, que ocorrem desde o início da tarde de ontem, é encontrar soluções para as reivindicações populares e terminar com a onda de protestos que acontece em todo o país.

Paralelamente, várias manifestações estão programadas para esta terça-feira em todo o país. Nas redes sociais, os líderes dos movimentos organizam assembleias para a definição de mais protestos.

Em Cristalina (GO), moradores da comunidade Marajó prometem fechar os principais trechos da BR-251, uma das vias de acesso ao Distrito Federal (DF). Os moradores protestam por melhores condições de saúde, educação e segurança. Eles também pedem a emancipação da região.

No Rio de Janeiro, um grupo de manifestantes mantém o acampamento perto da residência oficial do governador do estado, Sérgio Cabral. Eles só devem deixar o local depois de serem recebidos pelo governador. O grupo reivindica maior transparência nas contas públicas. Em São Paulo há três atos de protesto na capital – na zona sul, no Largo do Campo Limpo e no metrô Capão Redondo, assim como na zona leste.

Fonte: Revista Época

Michel Maffesoli:‘Vejo esses movimentos como Maios de 68 pós-modernos’

com mais de 20 obras publicadas no Brasil — como “A transfiguração do político” e “A dinâmica da violência” —, o sociólogo Michel Maffesoli vê o país como um “laboratório” no fim dos tempos modernos e diz não ter sido surpreendido com a eclosão das manifestações em diversas cidades brasileiras. Conhecedor do Brasil, para onde viaja há mais de 30 anos para conferências e intercâmbios intelectuais, Maffesoli disse que vai “dar uma passada” na manifestação de brasileiros que ocorrerá no fim da tarde de hoje, em Paris, em solidariedade ao movimento. Na sua opinião, manifestações como as do Brasil e da Turquia podem ser vistas como “Maios de 68 pós-modernos”, de curta duração, mas com marcas indeléveis.

Como o senhor analisa estes movimentos no Brasil?
É um bom exemplo destas sublevações pós-modernas que se desenvolvem em vários lugares. É uma revolta bastante disseminada, que não se origina de um projeto político preciso e programático, mas, ao contrário, propaga-se como um fogo rápido a partir de um pequeno pretexto, como R$ 0,20 de aumento da passagem de ônibus. É algo que pode ser comparado com o exemplo turco, onde a partir de algo anódino — construir algo ou não num parque — se criou uma sublevação que se alastrou. Vivemos o fim de uma época, e umas das manifestações disso é que algo cotidiano suscita um movimento que questiona o sistema.

Para o senhor, é o fim de um modo de se fazer política?
É o fim da política moderna. Tive como professor na França o sociólogo Julien Freund (1921-1993), também conhecido no Brasil, que dizia que o político é a ideia de um projeto, de um programa, da dimensão racional, seja de esquerda ou de direita. O objetivo programático é mobilizar energias para alcançar o fim desejado. Era a grande ideia marxista dos sistemas socialistas do século XIX, das políticas conservadoras etc. Vemos que há uma saturação, um tipo de indiferença, esses jovens não se reconhecem mais num programa, num partido ou sindicato. Não é mais programático, mas, sim, emocional. A modernidade é racional, e a pós-modernidade é emocional. Com o que ocorre no Brasil temos uma boa ilustração disso.

O senhor se surpreendeu pelo fato de essas manifestações ocorrerem agora no Brasil?
Vejo o Brasil como um laboratório da pós-modernidade. Algo assim não vejo ocorrer na França, onde espírito, clima e intelligentsia permanecem muito racionais. Não vejo surpresa neste tipo de explosão, forte, mesmo brutal, num país como o Brasil.

Não se trata de revolução. Como o senhor definiria este movimento?

A palavra “revolução” significa uma ruptura. Etimologicamente significa “revolvere” em latim, voltar a coisas que acreditávamos superadas. Não é uma revolução no sentido moderno do termo, como ruptura. Mas no sentido etimológico vemos voltar essa ideia de fraternidade, de estar juntos, das tribos. Por isso o Brasil é um país importante, porque vejo que resta essa velha ideia, que vem das culturas ancestrais, de comunidade, de solidariedade de base. Vejo uma espécie de ilustração da minha teoria de tribos urbanas. E, quando há um tal ajuntamento, os políticos ficam perdidos, desamparados, porque ultrapassa suas categorias, que permanecem programáticas. Vemos uma sublevação, um tsunami das tribos urbanas.

As redes sociais também têm um papel importante nessas sublevações…
Brinco dizendo que neste caso não se deve mais fazer sociologia, mas epidemiologia, pois é algo viral. É a sinergia do arcaico com o desenvolvimento tecnológico. Arcaico são as tribos; desenvolvimento tecnológico, a internet. Há mobilidade graças às redes sociais. As tribos urbanas se tornam comunidades interativas. Há essa expressão em inglês, “flash mob” (abreviação de flash mobilization, movimentação relâmpago). De repente surge uma mobilização que desampara as instituições. Como não é programático, há o risco de murchar como um suflê, de forma rápida. Mas é algo que deixa marcas.

O movimento pode degenerar?

Não se faz omelete sem quebrar ovos. Não podemos atuar como moralistas. Mesmo que os participantes se manifestem contra a violência, é algo que não é controlável. Não se pode prever, mas é quase certo que haverá algum dano. Está na natureza humana, quando ocorre algo que quebra a ordem das coisas é certo que haverá desvios.
Como compara o que ocorre no Brasil com outros países? Teria alguma relação com Maio de 68?
Não se pode comparar com a Primavera Árabe, a não ser pelo uso de tecnologias e redes sociais. Acho que é mais comparável com a Turquia. Vejo esses movimentos como Maios de 68 pós-modernos: emoção coletiva, que provoca o contágio e se alastra de forma incontrolável. Poderá secar, mas com um verdadeiro corte, e o depois não poderá ser como o antes.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/michel-maffesolivejo-esses-movimentos-como-maios-de-68-pos-modernos-8786658#ixzz2XEMAbqjX
© 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Para 57% dos ouvidos pelo Ibope, polícia agiu de forma muito violenta

Grande maioria dos manifestantes, 66%, disse que depredações de bens públicos e privados nunca são justificadas

Durante as manifestações dos últimos dias, as equipes do Fantástico acompanharam de perto o vandalismo e a ação da polícia em vários estados. Depoimentos e imagens inéditas mostram esses dois lados dos protestos e o resultado da pesquisa do Ibope sobre o assunto.

Nas manifestações pelo Brasil, o Fantástico perguntou: o que você acha do vandalismo que aconteceu em alguns protestos?

“Essas pessoas que fazem vandalismo, que fazem violência, não nos representam”, diz a manifestante Perla Sampaio.

“Vandalismo não colabora em nada e, pior, tira o foco da manifestação”, comenta o manifestante Daniel Scopel.

País afora, dezenas de manifestações pacíficas. Mas também destruição.

Rio de janeiro, quinta-feira passada (20). Um vândalo usou até uma machadinha.

“Eram vândalos de oportunidade e vândalos que já buscaram as manifestações pacíficas com intuito de realizar ações de vandalismo, ações criminosas, de saques. Nós tínhamos vândalos certamente arregimentados pelo tráfico de drogas local”, analisa o comentarista de segurança Rodrigo Pimentel.

São Paulo, terça passada (18). Nossas equipes filmaram manifestantes, que não queriam violência, tentando impedir que baderneiros invadissem a Prefeitura. Mas o quebra-quebra seguia.

As imagens – obtidas pelo Fantástico – mostram quando os guardas metropolitanos se protegem dentro do prédio. Do lado de fora, a bandeira paulista é queimada. As bandeiras do Brasil e da cidade de São Paulo escapam.

Confira os resultados da pesquisa do Ibope em oito capitais. Agora, sobre o vandalismo.

A grande maioria dos manifestantes, 66%, disse que depredações de bens públicos e privados nunca são justificadas; 28% responderam que essas ações são justificadas somente em certas circunstâncias. E apenas 5% consideram que depredações são sempre justificadas; 1% não soube responder.

Vale lembrar que as perguntas foram feitas durante as manifestações de quinta-feira, e a pesquisa pode ter incluído participantes que fizeram ou tinham intenção de promover vandalismo.

“Os atos de vandalismo, apesar de terem dado muito prejuízo, foram isolados. Porque se a maioria fosse a favor, teria sido um cenário de guerra total, algo absolutamente incontrolável”, disse o psiquiatra forense do Hospital das Clínicas/SP, Daniel Martins de Barros.

E o que os manifestantes acham da atuação da polícia?

“A polícia tá aqui pra manter a ordem, pra fazer com que as coisas corram bem”, disse a manifestante de São Paulo Carolina Bergamo.

“Eu acho que a polícia tem agido violentamente, sim, contra os manifestantes”, disse o manifestante de Belo Horizonte Pedro Faria.

Estas são imagens exclusivas. Na capital paulista, dez dias atrás, a repórter da Folha de S. Paulo Giuliana Vallone levou um tiro de bala de borracha, disparado pela PM. Foi atingida no olho.

Uma manicure – que voltava do trabalho – explicou: “Na hora que eles apontaram na nossa direção, ela me puxou para dentro desse estacionamento, sendo que ela mesma não deu tempo de ela entrar”, disse Valdenice.

Quinta-feira passada, no Rio, nossas equipes registram outra situação em que a PM acabou atingindo quem não fazia baderna.

Mais uma bomba e a policia não deixa de agir, mesmo com as pessoas não oferecendo nenhuma resistência. Manifestantes tentaram se proteger numa lanchonete.

A estudante Carina Pazoto estava lá: “A polícia mirando na gente, como se a gente fosse, sei lá, bandido. A gente não estava fazendo nada de errado”.

Cinquenta e sete por cento dos entrevistados pelo Ibope, no Rio e em mais sete capitais, disseram que a polícia agiu de forma muito violenta; 24% afirmam que foi violenta, mas sem exageros; 15%, que a polícia agiu sem violência; e 4% não souberam ou não quiseram responder.

Os governos do Rio e de São Paulo investigam possíveis excessos policiais.

“Importantíssimo frisar que democracia precisa de polícia. E polícia forte, mas polícia forte não é polícia violenta. Polícia violenta perde a legitimidade e faz com que, muitas vezes, você até dá mais combustível pras manifestações”, avalia Renato Sérgio de Lima do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Na quinta-feira, um PM do Rio foi ferido na cabeça por manifestantes.

“Eu fiquei desacordado. Ainda bem que os companheiros estavam lá”, conta o sargento Nilmar Avelino.

Ele falou à repórter Guacira Merlin.

Fantástico: Você não tem mágoa de quem te fez levar esses dez pontos na cabeça?
Nilmar: Por que teria? De repente, ele não sabe nem o que fez. Sempre vai haver os mais exaltados. Mas acho que as pessoas ali estão reivindicando é um país melhor. Quem não sonha? Eu sonho com um país melhor.

Fonte: Fantástico | G1

Decisões recentes entram nas reivindicações na Capital

Por Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Nem mesmo a chuva que caía desde o início da tarde sem parar impediu que mais de 20 mil pessoas de todas as idades e com as mais diversas motivações se dirigissem para a frente da prefeitura de Porto Alegre para uma nova manifestação. Às 18h, horário marcado pelo grupo Bloco de Luta pelo Transporte Público em sua página no Facebook, os manifestantes já estavam em grande número.

Por volta das 18h30min, eles começaram a marchar observados de perto pela tropa de choque da Brigada Militar, gritando em coro “O povo acordou” e “Sem violência”. Um grupo saiu pela avenida Júlio de Castilhos, outro pela Borges de Medeiros e um terceiro se manteve em frente ao Paço municipal.

Apesar de o prefeito José Fortunati ter anunciado na terça-feira o envio de um projeto para a Câmara Municipal com o objetivo de baixar a passagem de ônibus na Capital para R$ 2,80 e pedido ao governador Tarso Genro a isenção de 12% de ICMS – o que faria a tarifa dos coletivos ficar entre R$ 2,73 e R$ 2,75 -, as manifestações se mantiveram.

Sob a frase “Não é só por R$ 0,20!”, os protestos mantêm a linha de que todas as causas são importantes, como melhor educação, segurança pública e saúde e a não aceitação da PEC 37, do estatuto do nascituro e, até mesmo, a renúncia de Renan Calheiros como presidente do Senado.

E o que se viu nesta quinta-feira foi justamente isso: um protesto marcado pela diversidade das reivindicações. Boa parte dos manifestantes concorda que o valor da passagem foi apenas o estopim para estourar o descontentamento total da população e fazê-la sair às ruas. Entre as reivindicações, não expostas nos cartazes devido à chuva, mas bradadas nos gritos de ordem, estavam tanto temas amplos como a saúde e a educação, quanto bem específicos, como a mudança de lugar dos camelôs no Centro da Capital.

A cientista política Soraia Ritten, de 40 anos, participou da manifestação com as duas filhas estudantes. O que as motivou a sair às ruas na noite chuvosa foi a desigualdade e a corrupção. “Os R$ 0,20 são uma representação da corrupção. É preciso uma grande mudança neste momento. A luta continua”, afirma ela, que participará na próxima semana de outro protesto contra a PEC 37.

A filha de Soraia, Michele Ritten, estudante de Biomedicina de 21 anos, explicou que sempre ouve pessoas comentando que não entendem o ato e acham uma bobagem. “Acho bem legal, porque os R$ 0,20 eram importantes, mas abriram espaço para uma coisa bem maior, com cada vez mais gente. Eu diria que agora, o mais importante neste momento é lutar contra o Ato Médico e a PEC 37, mas sem esquecer da educação e da saúde”.

Mauro Biedzicki, de 46 anos, é servidor público e se mobilizou contra os desmandos da administração pública. De acordo com ele, é preciso que as pessoas tomem essa atitude, de sair às ruas, para que os administradores vejam que a coisa está errada. “No tempo das campanhas eleitorais eu participava de protestos, mas estavam meio parados. Como estou vendo a juventude de novo, vim dar uma acompanhada. Essa é a primeira vez, mas continuarei participando das próximas”, contou.

Outro funcionário público que participou dos protestos desta quinta-feira e com uma lista extensa de reivindicações foi Célio Golin, de 51 anos. “Todas essas questões de privatização do espaço público, do dinheiro gasto na Copa, a questão da política institucional e o desgaste das instituições são temas que me tocam”, explicou. Porém, outro tema recente serviu de combustível para a sua participação. Segundo Golin, que é militante do movimento gay, um dos temas que devem ser abordados nas manifestações são as atividades da Comissão de Direitos Humanos, que inclui a chamada “cura gay”. “Já participei e organizei vários protestos na minha vida. Acredito que o maior ganho de toda essa mobilização vai ser a politização da sociedade civil, que vai fazer com que os poderes pensem melhor na hora das decisões, pois vão saber que a população estará fiscalizando as suas iniciativas”. Na opinião dele, as questões do transporte público são simbólicas, pois existem temas bem mais importantes para serem discutidos no Brasil.

O camelô Juliano Frippe, de 46 anos, foi em direção à prefeitura com um recado direto ao prefeito. “Queremos agradecer ao Fortunati pela insensibilidade que fez com que esse protesto começasse. Parabéns ao prefeito por ter sido tão ingrato com a população que acreditou nele”, criticou. Frippe afirma que sua maior luta é para que o espaço da Praça XV seja devolvido aos camelôs. De acordo com ele, muitos trabalhadores ficaram sem serviço com a privatização do camelódromo. “Agora o Brasil começou a mudar a sua cara. O Fortunati foi a principal pessoa que fez o gigante do Brasil se revoltar, quando ele decidiu pelo aumento da passagem. Isso foi a gota d’água”, ressaltou.

Já o estudante de Marketing Raul Dias, de 21 anos, participou do protesto com o objetivo de mudar o País. Essa foi a primeira vez que ele esteve nas manifestações e pretende continuar, devido à empolgação do ato. “Dinheiro para estádio tem, dinheiro para colocar na cueca tem, mas para mudar o Brasil nunca se tem. As autoridades precisam acordar e ver que não dá mais assim”, disse.

A marcha seguiu sem conflitos até as 20h30min. Grupos pequenos em diferentes pontos da cidade depredaram prédios comerciais. Cerca de 20 a 30 pessoas quebraram vitrines de lojas e cortinas de ferro e saquearam locais na avenida da Azenha e na Ipiranga. A tropa de choque usou bombas de gás lacrimogêneo. Na Lima e Silva, vidros foram quebrados por pedras. A cavalaria da Brigada tentou dispersar os manifestantes.

Bloco de Lutas denuncia abusos da polícia aos militantes

O Bloco de Lutas pelo Transporte 100% Público, grupo que organiza os protestos na Capital, convocou uma coletiva de imprensa antes da manifestação desta quinta-feira para divulgar uma carta com os seus principais objetivos e sobre os abusos que vem sofrendo por parte da polícia. Segundo Matheus Gomes, a criminalização ao movimento vem aumentando, com a perseguição de vários ativistas. Além disso, ele ressalta que uma grande confusão está sendo criada pelo governo e pela mídia sobre os temas que são defendidos pelo Bloco.

Segundo a carta, o grupo luta pelo Transporte 100% público, com a abertura das contas das empresas de transporte, e passe livre para estudantes, idosos e desempregados. Além disso, a mobilização também é contra o estado de exceção da Copa do Mundo de 2014, comandada pela Fifa. Outro tema que entrou na pauta foi a retirada imediata dos inquéritos movidos contra os manifestantes.

O advogado Onir de Araújo afirmou que as prisões têm sido feitas geralmente após as manifestações sem uma vinculação concreta com os supostos delitos. “Uma irregularidade que lembra o regime militar é que os policiais não estão identificados. Temos também comprovação de cenas de tortura dentro das delegacias. Seis pessoas ainda estão presas e os advogados não tiveram acesso aos inquéritos”, explicou.

Além disso, o advogado falou mal de determinado grupo de comunicação que noticiou informações sobre infiltrados internacionais insuflando os manifestantes. “Como se coloca em um veículo uma notícia dessas, neste clima em que a cidade está, com pessoas sendo arrastadas pelos cabelos, com bombas de gás lacrimogêneo sendo atiradas na frente de famílias. Queremos saber de onde veio essa informação”, criticou.

O Bloco de Lutas também disse que integrantes do grupo estão sendo monitorados pela polícia em suas casas. “Nos últimos meses, sofremos uma grande investida por parte da Polícia Civil contra manifestantes do nosso movimento. Jovens estão sofrendo investigações e acusações por se manifestarem na cidade”, dizia a carta.

Fonte: Jornal do Comércio

Manifestações levam 1 milhão de pessoas às ruas em todo país

As manifestações realizadas nesta quinta-feira levaram cerca de 1 milhão de pessoas às ruas em 25 capitais do país. Em ao menos 13 delas foram registrados confrontos. O Rio de Janeiro foi a capital com maior número de pessoas, 300.000.

Em nove das capitais com confronto, houve também ataques ou tentativas de destruição de prédios públicos, como sedes de prefeituras e de governo e prédios da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça.

Os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público começaram no início do mês e foram ganhando força em todo o país, sendo registrados vários casos de confrontos e vandalismo. Com isso, 14 capitais e diversas outras cidades anunciaram entre ontem e hoje a redução das passagens.

Em Brasília, um grupo de manifestantes forçou a barreira policial montada na entrada do Congresso Nacional, iniciando um confronto com a Polícia Militar, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo.

No Rio, o protesto ficou tenso no início da noite. O problema ocorreu com chegada dos manifestantes em frente à prefeitura, no centro da cidade, ponto final da passeata.

Por volta das 18h50, morteiros foram disparados pelos manifestantes. Em resposta, a polícia disparou bombas de efeito moral. A cavalaria da PM avançou para dispersar pessoas que tentavam invadir a sede da administração municipal.

Em Natal (RN), cerca de 400 pessoas entraram no Centro Administrativo do Estado, que reúne os principais órgãos públicos. Houve concentração de manifestantes em frente à Governadoria.

Um grupo menor, de rostos tapados, queimou objetos, formando uma fogueira na frente da rampa de acesso ao prédio. Também arrancaram placas de sinalização e começaram a jogar algumas na fogueira.

Bombas e pedras foram atiradas contra os policiais. A polícia revidou com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Houve prisões.

Manifestantes tentaram invadir, em Fortaleza (CE), o Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará, e depredaram o prédio. O local virou uma praça de guerra entre vândalos e Polícia Militar, com balas de borracha de um lado e coquetéis molotov de outro. Ao menos 30 pessoas foram presas, segundo a PM.

Também foram registradas situações de confrontos e depredações em Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Salvador (BA), Vitória (ES), Belém (PA), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Teresina (PI) e Macapá (AP).

Após as manifestação, a presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu convocar uma reunião de emergência para as 9h30 de amanhã com seus principais ministros para discutir os efeitos das manifestações por todo o Brasil.

Na reunião, Dilma irá avaliar relatos da extensão dos atos nas cidades brasileiras. A partir daí será decidida uma conduta de governo, como por exemplo medidas ao alcance do Ministério da Justiça ou até um pronunciamento oficial da presidente.

Fonte: Folha de S. Paulo

Mais de 20 mil vão às ruas em Porto Alegre

IMG_2915

Nem mesmo a chuva que caía desde o início da tarde sem parar impediu que mais de 20 mil pessoas de todas as idades e com as mais diversas motivações se dirigissem para a frente da prefeitura de Porto Alegre para mais uma manifestação. Às 18h, horário marcado pelo grupo Bloco de Luta pelo Transporte Público em sua página no Facebook, os ativistas já eram milhares.

Por volta das 18h30min, começaram a marchar observados de perto pela tropa de choque da Brigada Militar (BM), gritando em coro “O povo acordou” e “Sem violência”. Um grupo saiu pela avenida Júlio de Castilhos, outro pela Borges de Medeiros e um terceiro se manteve em frente ao Paço Municipal. A passeata voltou a reunir o grupo na avenida João Pessoa.

No percurso, o pequeno grupo de vândalos, que tem se posicionado alguns metros à frente dos manifestantes, gritava avisando que haveria vandalismo. “Melhor entrar”, avisavam para as pessoas que estavam nas suas casas olhando o movimento.

Em frente ao Jornal do Comércio, essa minoria ensaiou atos de depredação nas paradas de ônibus. Conforme o combinado pelo Facebook, os manifestantes sentaram no chão, deixando bem claro quem estava causando o tumulto – ajudando a BM a identificar “as individualidades”, como classificou o secretário da Segurança do Estado, Airton Michels, durante coletiva nesta semana.

No cruzamento da João Pessoa com a Ipiranga, o grupo que anunciava que haveria vandalismo dobrou à direita na pista Centro-bairro da Ipiranga. Os manifestantes pacíficos dobraram na mesma direção, mas na pista bairro-Centro, com o objetivo de caminhar até o Parque Marinha do Brasil. Muitos carregavam flores nas mãos e gritavam “Quem não pula quer o aumento” e “Vem prá rua”.

A caminhada prosseguiu sem incidentes até chegar na Ipiranga próximo à Azenha, por volta das 20h. Foi quando a BM passou a atirar bombas de efeito moral em direção aos manifestantes. Os policiais, que até então apenas acompanhavam a passeata, fizeram uma barricada humana impedindo o trânsito dos pedestres que se aproximavam da Azenha. Nesse momento, ficou evidente a separação entre quem estava na passeata para entrar em confronto e fazer depredações e quem estava fazendo um protesto contra o aumento das passagens de transporte público, a corrupção, os gastos com a Copa do Mundo de 2014, entre outras pautas.

Apesar dessa distinção entre a ala pacífica e a mais radical, a BM passou a atirar em qualquer pessoa que se aproximasse dos policiais. Michels e o governo do Estado garantiram que a polícia só iria agir em casos em que a integridade física das pessoas estivesse em risco. O pessoal cantava em coro “Sem violência” e vaiava a ação tanto da corporação quanto dos vândalos. Inúmeros ativistas foram alvo da ação sem terem enfrentado a polícia.

A partir daí começou o corre-corre. Enquanto o confronto ocorria, uma grande parte da manifestação ainda não havia nem chegado ao final da João Pessoa. A BM agiu para fazer todas as pessoas recuarem. Os vândalos passaram a saquear lojas, quebrar orelhões, arrancar placas de sinalização e atirar pedras e pedaços de pau contra os policiais e contra prédios públicos e privados.

A maioria dos manifestantes lamentava o fato. Pessoas mais velhas e as que estavam com crianças abandonaram o movimento com medo e por conta da quantidade de gás lacrimogêneo lançado pela polícia. No meio da correria, também havia gente chorando porque estava desde as 17h tentando chegar em casa e não conseguia pela falta de ônibus e pelo clima de guerra nas ruas. Quem se machucou no confronto passava carregado por amigos indignados com a situação.

Depredações e saques no Centro e Azenha

Perto das 21h, alguns manifestantes foram protestar em frente ao Palácio Piratini, ainda debaixo de chuva. Outros seguiam pela João Pessoa, reclamando da polícia e dos vândalos – mas, sobretudo, da polícia. A revolta foi visivelmente crescendo contra a BM a cada bomba de efeito moral.

Na João Pessoa, a agência do Banrisul foi novamente destruída pelos vândalos. A cavalaria entrou em ação. Em todos os cantos, atrás de árvores, de carros, as pessoas questionavam os brigadianos: “por que não nos deixam caminhar pela Ipiranga, da Azenha até a Beira-Rio, e permitem que os vândalos quebrem toda a cidade, com exceção desse trecho?”

Uma outra parte dos ativistas lamentava a violência e dizia não compreender o que está acontecendo no País. Mesmo assim, não arredavam pé das ruas, apesar do frio, da chuva e do gás lacrimogêneo. Declararam abertamente que gostariam de ter alguém que coordenasse e estipulasse outras rotas para não ficar junto dos vândalos. Em comum entre todos os grupos, a reclamação da ação policial.

Após o confronto na avenida João Pessoa, os manifestantes se dirigiram novamente à prefeitura e entraram em conflito mais vezes com a BM. A tropa de choque estava fazendo o isolamento do prédio, sem deixar que o pequeno grupo restante se aproximasse do local. Os enfrentamentos aconteceram na rua José Montaury, no Largo Glênio Peres, na Siqueira Campos e na Esquina Democrática. Diversas ruas do Centro da Capital foram bloqueadas pela polícia. Novas depredações e saques ocorreram no Centro, especialmente em lojas na avenida Voluntários da Pátria. Pelo menos 35 pessoas ficaram feridas, sendo um policial militar. Mais de 15 foram presos.

Fonte: Jornal do Comércio

Mais de um milhão deve ir às ruas hoje em 80 cidades

milhares-de-pessoas-tomam-o-centro-de-porto-alegre

RIO, PORTO ALEGRE E SÃO PAULO — Mesmo depois que São Paulo e Rio suspenderam os reajustes nas tarifas do transporte coletivo, mais de um milhão de pessoas se comprometeram, por meio das redes sociais, a comparecer aos protestos convocados para hoje em pelo menos 80 cidades do país, 17 delas capitais. Além das cidades grandes, as manifestações devem paralisar, ainda, municípios de médio porte. Em um esforço para frear atos de vandalismo — inclusive os saques — os próprios organizadores reforçam, na rede, o caráter pacífico das passeatas.

A reivindicação pelo cancelamento do reajuste das passagens de ônibus já está adaptada à realidade peculiar a cada cidade. As demandas variam entre exigência por mais segurança até construção de barragens. Enquetes checavam os principais pedidos. As pesquisas eram feitas também para sugerir roupas e palavras de ordem. Além do Rio, em Salvador os protestos vão ocorrer em meio aos jogos da Copa das Confederações.

Manifestações simultâneas

No Rio, 231 mil pessoas haviam confirmado presença pelo Facebook, até a noite de ontem. Em São Paulo, os confirmados chegavam a 153 mil. São os dois maiores atos, com base na movimentação virtual. Em seguida, aparecem Recife (97 mil) e Campinas (66 mil). Ao todo, 12 milhões de convites haviam sido distribuídos pelo Facebook — muitos recebem mais de um convite ou não são da cidade onde haverá o ato.

A maior parte das manifestações acontecerá simultaneamente e no horário de saída das pessoas do trabalho. No Rio, o protesto “Um milhão na rua”, com início às 17h, vai caminhar da Candelária até a prefeitura. Na capital paulista, a concentração será também às 17h, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista.

“Mesmo com a diminuição da passagem, o ato está confirmado. É muito mais que 20 centavos que queremos. Eduardo Paes afirmou que a redução será paga com recursos públicos (saúde, educação…). Queremos que seja paga do lucro dos empresários”, diz texto na página do Facebook que convoca para o protesto no Rio.

No Rio, é grande a preocupação para separar da manifestação pessoas que tenham como objetivo usar a concentração para promover quebra-quebra ou saques. Para tentar manter os manifestantes dentro do trajeto — na segunda-feira, um grupo se deslocou para atacar a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) —, eles vão levar para as ruas carros de som para manter a multidão concentrada e faixas com mensagens sobre as reivindicações que serão usadas para delimitar a área do percurso.

— Embora o nosso protesto seja pacífico, estamos preocupados com a segurança das pessoas. Vamos fazer o possível para manter o grupo coeso dentro do trajeto que foi votado em reunião e firmes nos nossos objetivos — disse Gabriel Siqueira, de 23 anos, professor de história que faz parte do Movimento do Passe Livre.

Fonte: O Globo

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien