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A violência gratuita que atinge inocentes

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(Foto: Agência O Globo)

Recebi estarrecido a notícia da morte cerebral do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da TV Bandeirantes. Andrade foi mais uma vítima da intolerância e da violência gratuita que toma conta das ruas do Brasil. Enquanto trabalhava, foi atingido na cabeça por um rojão, semana passada, durante um confronto entre manifestantes e policiais no centro do Rio de Janeiro. Os manifestantes gritavam contra o aumento da passagem de ônibus. Os policiais acompanhavam. Andrade trabalhada. E marginais extrapolavam limites. Sim, porque só posso acreditar que são marginais irresponsáveis os autores desse homicídio. Quem protesta com paus, pedras, rojões? Qual cidadão de bem, ao lutar por direitos sociais, mata alguém que está sozinho, com uma câmera na mão, indefeso, de costas?

Que tristeza saber que centenas de pessoas se escondem atrás de máscaras e tapam seus rostos com panos para, anônimos, extrapolarem na violência.

Como pai, penso na filha e enteados de Andrade. Como marido, penso na dor de sua esposa. Como filho, penso na dor de seus pais. Como amigo, penso no tamanho da ausência de sua presença. Como brasileiro tenho vergonha. Até quando teremos que conviver com isso? Andrade teve sua morte anunciada e narrada em rede nacional. Quantos Andrades morrem a cada dia? Até quando a segurança será empurra-empurra? Até quando permitiremos que marginais estejam impunemente lado a lado com manifestantes?

Hoje é um dia de luto, mais um dia de luto. Hoje é um dia de vergonha e de tristeza.

Catedral, museu e agências são depredadas em protesto

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Manifestantes encapuzados quebraram, no início da noite desta quinta-feira, uma agência do Banco do Brasil e uma do Itaú, no Centro de Porto Alegre. Metade dos ativistas protestou com o rosto coberto com touca ninja, de acordo com o relato visual da reportagem da Rádio Guaíba. Sob escolta da Brigada Militar e Batalhão de Choque, o grupo deixou a Prefeitura e, ao passar pelo condomínio onde mora o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, queimou um boneco e parte do tapume que protegia o prédio, na rua Jerônimo Coelho.

Os participantes protestaram em frente ao Palácio Piratini e alguns integrantes atiraram pedras contra a Catedral Metropolitana, quebrando algumas vidraças. O grupo também queimou as bandeiras que ficam junto ao Museu Júlio de Castilhos, na rua Duque de Caxias, além de destruírem vidros do prédio. Na avenida Borges de Medeiros, também foi depredado parte dos vidros da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).

O Bloco de Luta pelo Transporte Público convocou o protesto. Segundo a página do grupo na rede social Facebook, o ato é para lembrar os 1.000 dias do governo Tarso Genro, classificado pelo movimento como “um governo de conciliação de classe, que ataca os direitos dos trabalhadores”.

Fonte: Correio do Povo

As manifestações nas ruas e os reflexos na política

Afinal, quantos são os temas apontados como prioridades no mundo político? Cito, rapidamente algumas que, há anos, são prioridades: as reformas urbana, tributária e política. O que foi feito? Nada. Outra dúvida: quantas áreas precisam ser reformuladas e repensadas estrategicamente para que a população tenha seus direitos constitucionais garantidos? Saúde, educação, segurança, transporte e saneamento são apenas alguns exemplos. E mais uma vez: o que foi feito? Muito pouco se levado em consideração às necessidades da população.

Esse foi o recado que as ruas deram ao país, em especial aos governos federal, estaduais e municipais. Recado que, infelizmente, parece ter sido ignorado pelos administradores públicos. De um lado vemos o povo cobrar respostas; de outro, propostas que são apresentadas, retiradas e reapresentadas com velocidade ímpar. Além de não planejadas, são inexequíveis. Ou seja: é discurso puro. Vimos, também, o pedido de combate à corrupção e pela transparência dos gastos públicos. Como resposta, a apresentação de uma minirreforma política que apenas privilegia a perpetuação dos maus políticos no poder. Não estão ouvindo direito a voz das ruas, é fato.

Há quantos anos não víamos manifestações em tamanha proporção no país? Há quantos anos vemos todos dizendo que a juventude está alienada? O Brasil que acordou há pouco se juntou ao Brasil que nunca dormiu. Aprendemos com Barack Obama e sua estratégia de campanha de 2008, que as redes sociais são lugar de fazer política, sim. E isso traz para o debate aqueles que antes detestavam e ignoravam a política.

Bom, mas se a luta é por mais direitos, mais representatividade, por uma política honesta e transparente, arrisco a dizer que o maior de todos os efeitos dessa onda de protestos ainda está por vir. E se dará nas urnas de outubro de 2014. Renovar a política é tarefa de cada um de nós. Não apenas dos que foram (e permanecem) às ruas, mas dos que se somaram aos movimentos através das redes sociais.

É responsabilidade de cada brasileiro procurar mudar a política no próximo ano. A coragem de ir às ruas deve ser refletida na hora do voto. É ele que pode representar a verdadeira revolução que se espera. Acredito que a população está cansada dos políticos que fazem da política uma profissão. É preciso renovar, ver a cara das ruas no Congresso, nas Assembleias e nos Palácios. O Brasil tem em mãos a chance de mudar de verdade o rumo de sua história. É esperar para ver.

Por Nelson Naibert

Protesto por passe livre em Porto Alegre termina em pancadaria

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O protesto pelo passe livre em Porto Alegre, realizado pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público nesta quarta-feira, terminou em pancadaria.

Por volta das 19h30min, na porta dos fundos da prefeitura, no lado da Rua Siqueira Campos, um pequeno grupo pedia para “abrir a Casa do povo”. Quando o grupo já se afastava, um mascarado começou a chutar a porta. Nesse momento, um policial militar tentou intervir para tirá-lo do local. O grupo de manifestantes, então, voltou para defender o mascarado e começou um tumulto. Mais PMs chegaram. Teve início uma pancadaria, com manifestantes utilizando pedaços de madeira e a Brigada Militar revidando e jogando uma bomba de gás lacrimogêneo.

O grupo se dispersou. Nesse momento, o grupo voltou a se reunir entre o Mercado Público e a prefeitura. A Tropa de Choque da BM faz o isolamento do prédio.

Em frente à prefeitura desde o início da noite, um grupo de cerca de 50 manifestantes exibia cartazes para pressionar o prefeito José Fortunati (PDT) a encaminhar o projeto de lei do passe livre municipal à Câmara de Vereadores. O documento foi elaborado durante à ocupação do plenário, em julho, e pede isenção das tarifas de transporte público a estudantes, desempregados, quilombolas e indígenas.

A Guarda Municipal isolava o prédio da prefeitura de Porto Alegre durante manifestação. “Pode chover, pode molhar. O passe livre eu quero já” era um dos cartazes exibidos na manifestação, que foi pacífica durante a maior parte do tempo.

Além do Bloco de Luta, outros grupos participam do protesto como o DCE da UFRGS, o Juntos e o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa).

Na segunda-feira, o Bloco de Luta realizou uma assembleia para definir as ações desta semana. Além do protesto na noite desta quarta-feira, na quinta-feira, o grupo se juntará aos professores do Cpers/Sindicato (que pedem o pagamento do piso do magistério), para uma ação em defesa da educação. Com concentração em frente ao Colégio Estadual Júlio de Castilhos, a manifestação deve acabar em frente ao Palácio Piratini.

Fonte: Zero Hora

Protesto reúne 5 mil e termina com 8 presos e 3 feridos em Porto Alegre

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Dois policiais precisaram ser atendidos no Hospital de Pronto Socorro.
Durante a maior parte do protesto, o clima foi calmo na capital.

 

Após mais uma noite de reivindicações em Porto Alegre, o protesto desta quinta-feira (27) terminou com um saldo menor do que os anteriores tanto em número de manifestantes quanto de presos e feridos. Cinco mil pessoas participaram da concentração na Praça da Matriz, no Centro da capital. De acordo com a Brigada Militar, oito foram detidos e encaminhados à Academia de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Três pessoas precisaram ser atendidas pelo Hospital de Pronto Socorro (HPS), sendo dois policiais e uma jovem menor de idade.

 

O grupo se reuniu em frente à sede do governo do estado após as 17h e por lá permaneceu durante a maior parte do ato, já que não havia caminhada prevista. O clima era calmo. Uma banda tocava no carro de som, enquanto as pessoas dançavam, tomavam quentão e bebiam cerveja. Foram três horas de manifestação pacífica.

 

O governador do RS, Tarso Genro, recebeu 11 líderes de movimentos sociais no Palácio Piratini. Eles pediram apoio do governo na identificação de manifestantes que realizam atos violentos, além de entregar uma lista de reivindicações, reclamar do inquérito que investiga ações em redes sociais e questionar as ações da Brigada Militar nos últimos atos.

 

Com a dispersão das pessoas, houve tumulto. Manifestantes jogaram pedras e provocaram a polícia, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo. Grupos saíram pelas ruas tentando vandalizar objetos e prédios, e houve confronto com a BM. Segundo o Centro Integrado de Comando da cidade, quatro contêineres foram estragados, três na Avenida Duque de Caxias e um na Travessa do Carmo. Cerca de 50 garis devem limpar as ruas durante a madrugada desta sexta-feira (28).

 

No Largo Zumbi dos Palmares, um grupo depredou contêineres de lixo e bicicletas do sistema de aluguel de Porto Alegre. Jovens provocaram a polícia e chegaram a arremessar pedras e garrafas em direção à Brigada Militar, que não reagiu.

 

Em um dos momentos mais tensos da noite, na altura da Avenida João Pessoa, manifestantes cercaram um carro e começaram a chutá-lo. Houve tentativa de abrir a porta do veículo, que conseguiu sair do local de marcha ré, com a ajuda de outras pessoas que abriram caminho.

 

Os próprios manifestantes se desentenderam entre si diversas vezes. Após confusão, muitos deram as mãos e cantaram o hino do Brasil. Eles pediam calma aos que ali estavam.

 

Enquanto isso, um grupo permaneceu na Praça da Matriz. Alguns manifestantes gritavam “Sem violência” e apedrejavam policiais. Garrafas também foram jogadas no Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar que estava no local, sem reação.

Grades foram colocadas na Rua Duque de Caxias, em frente ao Palácio Piratini, para separar os manifestantes da BM. Participantes empurraram os objetos e avançaram sobre outras pessoas, que pediam que a violência cessasse. Um deles soltou um rojão.

 

Um bombeiro voluntário decidiu intervir no conflito. Com máscara para se proteger de gás lacrimogênio, Deivid Becker saiu por entre a tropa de choque e foi até a grade que havia sido derrubada e depois reerguida pelos próprios manifestantes.

Becker pediu “calma” para um grupo de encapuzados que provocava os policiais, inclusive atirando pedras para provocar um confronto. “Eles queriam confronto, mas não é assim. Não se combate violência com vandalismo. Só quero que ninguém se machuque, eu amo a vida”, disse o bombeiro ao G1. A ação de Becker evitou uma briga.

 

Após os momentos de tensão no protesto de Porto Alegre, o governador Tarso Genro falou com o pelotão da Brigada Militar. Ao final da conversa, Tarso aplaudiu os policiais (confira no vídeo ao lado).

Os três feridos foram liberados do hospital no fim da noite. A adolescente teve intoxicação devido ao gás lacrimogêneo. Um dos policiais havia sido atingido por uma pedra, enquanto outro caiu da motocicleta.

No protesto da última segunda-feira (24), cerca de 10 mil pessoas participaram e mais de 50 foram presas. Na ocasião, pelo menos 8 ficaram feridos.

Tarde de quinta-feira

Mais cedo, um grupo de manifestantes do Sindicato dos Municipários da capital (Simpa) fez uma passeata pelas principais ruas do Centro até a Praça da Matriz. A caminhada seguiu pela Avenida Borges de Medeiros e foi aplaudida pelos moradores do bairro.

Entre os pedidos, está a valorização educação e a não violência por parte da Brigada Militar durante os atos que acontecem na cidade. Eles exibiam uma faixa com o escrito: “Oi, eu sou a educação. Finge que eu sou a Copa e investe em mim!”. O projeto de “cura gay” e o preconceito contra as mulheres também foram tema de cartazes de protesto.

 

Roberto Mazzocco, de 46 anos, foi um dos participantes que critica a ação dos oficiais. “Não é com repressão ou bomba de gás. O movimento popular quer passe livre, melhorias. Nunca vi um governo assim. Olha a arma deles”, disse ao G1, apontando para a guarnição que faz a segurança no local. Toda a área da Praça da Matriz está cercada.

Passagem de Porto Alegre foi mantida em R$ 2,85
Em julgamento realizado na tarde desta quinta-feira (27) na 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, foi negado o recurso da Associação de Transportadores de Passageiros (ATP) que pretendia suspender a liminar que reduziu a tarifa do transporte público em Porto Alegre. Com a decisão, o valor da passagem do ônibus na capital gaúcha segue em R$ 2,85.

Na próxima segunda-feira (1) a Câmara de Vereadores de Porto Alegre vota um Projeto de Lei encaminhado pela prefeitura que isenta o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e sugere que o preço da passagem de ônibus na capital gaúcha seja de R$ 2,80. Na quarta-feira (26), duas comissões da Câmara deram parecer favorável ao projeto do Executivo. Se a isenção for aprovada, o município vai deixar de arrecadar R$ 15 milhões por ano, segundo a prefeitura.

 

Fonte: G1

 

Manifestantes querem passar aos parlamentares responsabilidade por mudanças

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Depois de ocupar as ruas em protesto por melhorias nos serviços públicos e contra a corrupção, um grupo de manifestantes pretende hoje (26) passar simbolicamente aos parlamentares a responsabilidade pelas mudanças exigidas pela população. Para isso, voluntários posicionam, desde o início desta manhã, 594 bolas de futebol no gramado em frente ao Congresso Nacional.

De acordo com o presidente da organização não governamental (ONG) Rio de Paz, responsável pelo ato, Antônio Carlos Costa, as bolas representam os 594 deputados e senadores.

“A ideia é passar a bola para o Congresso, saber o que ele vai fazer a partir de agora. Queremos um Legislativo que fiscalize o Executivo, mas não o boicote, que desengavete projetos de lei de grande interesse popular e que não se sujeite a lobbies que visam apenas ao interesse próprio e não da nação”, explicou Costa.

Ele disse ainda que entre as reivindicações do grupo está o afastamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do cargo até que o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronuncie sobre as acusações que ele sofre de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso, além de compromissos mais concretos por parte das autoridades em relação à segurança pública.

Costa ressaltou que as 594 bolas, que receberão cruzes pintadas em vermelho ao longo do dia, também simbolizam o número de assassinatos que ocorrem no país. Segundo estimativa da entidade, 550 brasileiros morrem dessa forma a cada quatro dias.

“Estamos vivendo um momento histórico no Brasil, em que, pela primeira vez, o fator medo está sendo observado nos governantes. Eles estão com medo do povo e é preciso aproveitar este momento para promovermos uma reforma profunda no país, no modo de fazer política”, destacou. “Queremos um Brasil padrão Fifa”, acrescentou.

Ainda como parte da mobilização, está previsto para as 17h30 um chute coletivo das bolas posicionadas no gramado em direção ao Congresso.

Ato semelhante foi feito no sábado passado (22) no Rio de Janeiro, quando 500 bolas foram fincadas, também por voluntários ligados à ONG, na Praia de Copacabana, na zona sul.

Fonte: Agência Brasil

Porto Alegre vive mais um dia de protestos e de violência

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O cenário mudou, mas a história não. De diferente na manifestação realizada ontem, em Porto Alegre, só o itinerário escolhido pelos militantes. O final da história foi o mesmo dos demais protestos: enquanto a multidão marchava pacificamente pelas ruas da Capital, não houve problemas. Depois que pequenos grupos entraram em conflito com a Brigada Militar (BM), foi um passo para o início das depredações. Entre contêineres incendiados e lojas saqueadas, a noite de segunda-feira na Capital terminou com uma série de confrontos na Cidade Baixa e no Centro. O saldo de presos bateu um recorde. Segundo a BM, pelo menos 80 pessoas foram detidas. E em um universo menor de manifestantes: dessa vez, cerca de 10 mil enfrentaram a chuva e saíram às ruas – nas anteriores foram 20 mil e 15 mil.

Os ativistas se reuniram no Paço Municipal erguendo bandeiras contra diversos temas: a PEC 37 (que retira do Ministério Público o poder de investigação criminal), a “cura gay” e os gastos com as obras na Copa do Mundo eram apenas alguns deles. Havia, ainda, gente defendendo os direitos dos animais e dos índios, e até exigindo que o governo revisse a decisão de trazer médicos do exterior. Os que defendem valores mais justos para as passagens do transporte público – demanda que impulsionou os protestos -, também se fizeram presentes.

Não fossem os cartazes, a concentração em frente ao Paço poderia se confundida com uma grande festa ao ar livre. Enquanto as pessoas iam chegando e se aglomerando nas proximidades do Mercado Público, ambulantes aproveitavam para fazer um dinheirinho extra, vendendo churrasquinho, bebidas, capas de chuva e bandeiras do Brasil. Diante da prefeitura, um batalhão da BM permanecia impassível diante da multidão.

Por volta das 18h30min, a marcha partiu pela rua Júlio de Castilhos até a avenida Mauá, em um percurso diferente dos anteriores. Os ativistas seguiram na direção da Usina do Gasômetro, sempre de forma pacífica e sem tumultos. Quando subiram a avenida Loureiro da Silva, alguns ficaram em dúvida sobre qual o rumo que o grupo tomaria. A expectativa de alguns era de que se retomasse parte do trajeto seguido nas demais passeatas, indo pela avenida João Pessoa até a Ipiranga. Mas a marcha decidiu tomar o sentido contrário, em direção ao Centro, entrando na avenida Borges de Medeiros.

Segundo a Brigada Militar, pelo menos 80 pessoas foram detidas ontem

Na Esquina Democrática, os militantes pararam. O cheiro de vinagre (usado para atenuar os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela BM) tornou-se forte. Pode-se dizer que nesse momento, por volta das 20h30min, a passeata terminou. Um pequeno grupo entrou em atrito com a BM, que desde o meio da tarde fazia um cerco às ruas que desembocam no Palácio Piratini. O gás se espalhou rapidamente, provocando pânico e um corre-corre no viaduto da Borges.
“Sem violência! Sem violência!”, gritavam os manifestantes. Mas já era tarde. O regimento montado da Brigada se espalhava por diversas ruas transversais, dispersando a multidão. Com a passeata “desmanchada”, só ficaram na rua os depredadores e aqueles que não sabiam como voltar para casa.

Segunda-feira foi de clima apreensivo no Centro

Quando a Brigada Militar fechou as ruas no entorno do Palácio Piratini, ontem, no meio da tarde, a tensão tomou conta dos moradores do Centro. Afinal, o prédio do Executivo estadual já havia sido alvejado por vândalos, mas nunca tinha sido o destino final das manifestações até então.

Devido aos atos de depredação registrados nas mobilizações anteriores, vários estabelecimentos comerciais resolveram antecipar o encerramento das atividades. Depois das 17h, era difícil encontrar lojas e bares abertos na região próxima ao possível trajeto da marcha. Temendo serem alvos de vandalismo, órgãos públicos municipais, estaduais e federais tiveram expediente mais curto.

A impressão é de que o horário de pico do trânsito foi antecipado em uma hora. A pressa de muitas pessoas em garantir condução de volta para casa denotava preocupação com a provável falta de ônibus após o início da passeata, embora o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, tenha garantido que todas as linhas seguiriam funcionando normalmente, com pequenas alterações no trajeto, se fosse necessário.

No final da noite, pessoas que estavam na manifestação tentavam tomar ônibus ou táxi, mas sem sucesso. A cavalaria da BM fechou algumas das principais ruas do Centro e da Cidade Baixa, limitando as alternativas para quem queria voltar para casa. O jeito foi seguir a pé, tomando cuidado a cada esquina para não dar de cara com o “choque”.

Sem foco específico, protesto volta a reunir milhares na Capital

Os protestos realizados na noite de ontem em Porto Alegre tiveram um início pacífico. Sob chuva constante e, em alguns momentos, até forte, pelo menos cinco mil pessoas se concentraram em frente à prefeitura municipal e cobraram avanços e melhorias para o País.

A manifestação, quando convocada pela rede social Facebook, convidava a população a protestar contra um transporte público de má qualidade e contra a aprovação da PEC 37 pelo Congresso. No entanto, durante o ato, as bandeiras se perderam diluídas pela violência e vandalismo.

Os manifestantes eram os mais diversos no que se trata de perfil. Idosos, adolescentes, jovens e adultos mostaram sua insatisfação com pontos que acreditam merecer maior atenção por parte dos governos.

O Jornal do Comércio realizou uma enquete com os manifestantes ontem. Foram entrevistadas 57 pessoas, de forma aleatória, sobre o motivo que as levou à passeata.

Os pontos educação e passe livre tiveram 17 votos cada. O item reforma política obteve seis indicações, enquanto que saúde teve cinco. Contra a PEC 37 foram quatro votos. Melhorias no transporte, saída de Renan Calheiros e fim da corrupção tiveram dois votos cada. Falta de valores e contra a cura gay ganharam dois votos.

O aposentado Ibanez Ferreira, de 63 anos, espera que as manifestações consigam combater a corrupção. “Eu vim pela segunda vez protestar. E também estou aqui porque sou aposentado e precisamos de mais respeito com os aposentados, inclusive, no transporte público”, diz. Seu filho, Franco Ferreira, de 21 anos, estuda Economia e foi participar da caminhada contra a PEC 37. “Olha, eu ouvi o comandante da Brigada Militar dizendo que eles só reagiram depois que os manifestantes agrediram os policiais. Isso é mentira. Também estou aqui por isso”, afirma.

Assim como pai e filho, o casal de estudantes de Farmácia, Cristiano Larini, de 48 anos, e Luana Cardoso, de 31, acreditam que a ação da Brigada Militar (BM) acaba por incitar mais raiva na população, o que gera mais vontade de ir para a rua protestar. Eles esperam que o movimento alcance uma reforma política. “Podia começar aqui em Porto Alegre, na Câmara de Vereadores e na prefeitura. Acho ideal que o protesto aconteça em frente ao Palácio Piratini”, argumenta Larini.

“Nós trabalhamos para os ricos e para os bancos. A Dilma reduz o IPI dos carros, mas nem estrada nós temos! A saúde está falida. É preciso acabar com a corrupção urgente e com esse governo fraco. E tem mais: achei ótimo que vamos para o Palácio Piratini. Devíamos também ir para a frente do Palácio da Polícia para acabar com a impunidade”, declarou Jorge Lampert, de 39 anos, que é portador de deficiência e vem participando das manifestações. Segundo ele, na última passeata acabou sendo “salvo” por pessoas que retiraram sua cadeira de rodas do meio da avenida Ipiranga. “Não fosse isso, eu teria sido atropelado pelo grupo que corria fugindo da BM e por este pessoal que fica quebrando tudo.”

Na Praça Montevidéu, em frente à prefeitura, a banca de livros de Juarez Araújo da Silva, de 62 anos, expõe entre as revistas o cartaz de As 5 Causas, divulgada por um grupo anônimo em resposta às mídias de rádio e TV que alegam que as manifestações não têm uma causa específica, o que pode enfraquecer o movimento.

Além da PEC 37, um grupo distribuiu panfletos e cartazes pedindo a saída de Renan Calheiros da presidência do Senado e a criação de uma lei que torne a corrupção crime hediondo. “Minha banca foi pichada. Deixo o cartaz aqui porque quero mudanças no País. Esses que depredam as coisas se espelham nos deputados”, analisa Silva.

Tribunal de Justiça julga recurso da ATP contra redução da tarifa na Capital

A 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) julga nesta quinta-feira o recurso impetrado pela Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) contra a liminar que suspendeu o aumento da tarifa de ônibus em Porto Alegre.

A decisão, proferida no dia 4 de abril, pelo juiz Hilbert Maximiliano Obara, da 5ª Vara da Fazenda Pública, determinou que os valores cobrados nos ônibus da Capital retornassem a R$ 2,85, em vez dos R$ 3,05 aprovados pela prefeitura. A ação cautelar que resultou na medida é de autoria dos vereadores do P-Sol, Fernanda Melchionna e Pedro Ruas.

Fonte: Jornal do Comércio

Para 57% dos ouvidos pelo Ibope, polícia agiu de forma muito violenta

Grande maioria dos manifestantes, 66%, disse que depredações de bens públicos e privados nunca são justificadas

Durante as manifestações dos últimos dias, as equipes do Fantástico acompanharam de perto o vandalismo e a ação da polícia em vários estados. Depoimentos e imagens inéditas mostram esses dois lados dos protestos e o resultado da pesquisa do Ibope sobre o assunto.

Nas manifestações pelo Brasil, o Fantástico perguntou: o que você acha do vandalismo que aconteceu em alguns protestos?

“Essas pessoas que fazem vandalismo, que fazem violência, não nos representam”, diz a manifestante Perla Sampaio.

“Vandalismo não colabora em nada e, pior, tira o foco da manifestação”, comenta o manifestante Daniel Scopel.

País afora, dezenas de manifestações pacíficas. Mas também destruição.

Rio de janeiro, quinta-feira passada (20). Um vândalo usou até uma machadinha.

“Eram vândalos de oportunidade e vândalos que já buscaram as manifestações pacíficas com intuito de realizar ações de vandalismo, ações criminosas, de saques. Nós tínhamos vândalos certamente arregimentados pelo tráfico de drogas local”, analisa o comentarista de segurança Rodrigo Pimentel.

São Paulo, terça passada (18). Nossas equipes filmaram manifestantes, que não queriam violência, tentando impedir que baderneiros invadissem a Prefeitura. Mas o quebra-quebra seguia.

As imagens – obtidas pelo Fantástico – mostram quando os guardas metropolitanos se protegem dentro do prédio. Do lado de fora, a bandeira paulista é queimada. As bandeiras do Brasil e da cidade de São Paulo escapam.

Confira os resultados da pesquisa do Ibope em oito capitais. Agora, sobre o vandalismo.

A grande maioria dos manifestantes, 66%, disse que depredações de bens públicos e privados nunca são justificadas; 28% responderam que essas ações são justificadas somente em certas circunstâncias. E apenas 5% consideram que depredações são sempre justificadas; 1% não soube responder.

Vale lembrar que as perguntas foram feitas durante as manifestações de quinta-feira, e a pesquisa pode ter incluído participantes que fizeram ou tinham intenção de promover vandalismo.

“Os atos de vandalismo, apesar de terem dado muito prejuízo, foram isolados. Porque se a maioria fosse a favor, teria sido um cenário de guerra total, algo absolutamente incontrolável”, disse o psiquiatra forense do Hospital das Clínicas/SP, Daniel Martins de Barros.

E o que os manifestantes acham da atuação da polícia?

“A polícia tá aqui pra manter a ordem, pra fazer com que as coisas corram bem”, disse a manifestante de São Paulo Carolina Bergamo.

“Eu acho que a polícia tem agido violentamente, sim, contra os manifestantes”, disse o manifestante de Belo Horizonte Pedro Faria.

Estas são imagens exclusivas. Na capital paulista, dez dias atrás, a repórter da Folha de S. Paulo Giuliana Vallone levou um tiro de bala de borracha, disparado pela PM. Foi atingida no olho.

Uma manicure – que voltava do trabalho – explicou: “Na hora que eles apontaram na nossa direção, ela me puxou para dentro desse estacionamento, sendo que ela mesma não deu tempo de ela entrar”, disse Valdenice.

Quinta-feira passada, no Rio, nossas equipes registram outra situação em que a PM acabou atingindo quem não fazia baderna.

Mais uma bomba e a policia não deixa de agir, mesmo com as pessoas não oferecendo nenhuma resistência. Manifestantes tentaram se proteger numa lanchonete.

A estudante Carina Pazoto estava lá: “A polícia mirando na gente, como se a gente fosse, sei lá, bandido. A gente não estava fazendo nada de errado”.

Cinquenta e sete por cento dos entrevistados pelo Ibope, no Rio e em mais sete capitais, disseram que a polícia agiu de forma muito violenta; 24% afirmam que foi violenta, mas sem exageros; 15%, que a polícia agiu sem violência; e 4% não souberam ou não quiseram responder.

Os governos do Rio e de São Paulo investigam possíveis excessos policiais.

“Importantíssimo frisar que democracia precisa de polícia. E polícia forte, mas polícia forte não é polícia violenta. Polícia violenta perde a legitimidade e faz com que, muitas vezes, você até dá mais combustível pras manifestações”, avalia Renato Sérgio de Lima do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Na quinta-feira, um PM do Rio foi ferido na cabeça por manifestantes.

“Eu fiquei desacordado. Ainda bem que os companheiros estavam lá”, conta o sargento Nilmar Avelino.

Ele falou à repórter Guacira Merlin.

Fantástico: Você não tem mágoa de quem te fez levar esses dez pontos na cabeça?
Nilmar: Por que teria? De repente, ele não sabe nem o que fez. Sempre vai haver os mais exaltados. Mas acho que as pessoas ali estão reivindicando é um país melhor. Quem não sonha? Eu sonho com um país melhor.

Fonte: Fantástico | G1

Decisões recentes entram nas reivindicações na Capital

Por Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Nem mesmo a chuva que caía desde o início da tarde sem parar impediu que mais de 20 mil pessoas de todas as idades e com as mais diversas motivações se dirigissem para a frente da prefeitura de Porto Alegre para uma nova manifestação. Às 18h, horário marcado pelo grupo Bloco de Luta pelo Transporte Público em sua página no Facebook, os manifestantes já estavam em grande número.

Por volta das 18h30min, eles começaram a marchar observados de perto pela tropa de choque da Brigada Militar, gritando em coro “O povo acordou” e “Sem violência”. Um grupo saiu pela avenida Júlio de Castilhos, outro pela Borges de Medeiros e um terceiro se manteve em frente ao Paço municipal.

Apesar de o prefeito José Fortunati ter anunciado na terça-feira o envio de um projeto para a Câmara Municipal com o objetivo de baixar a passagem de ônibus na Capital para R$ 2,80 e pedido ao governador Tarso Genro a isenção de 12% de ICMS – o que faria a tarifa dos coletivos ficar entre R$ 2,73 e R$ 2,75 -, as manifestações se mantiveram.

Sob a frase “Não é só por R$ 0,20!”, os protestos mantêm a linha de que todas as causas são importantes, como melhor educação, segurança pública e saúde e a não aceitação da PEC 37, do estatuto do nascituro e, até mesmo, a renúncia de Renan Calheiros como presidente do Senado.

E o que se viu nesta quinta-feira foi justamente isso: um protesto marcado pela diversidade das reivindicações. Boa parte dos manifestantes concorda que o valor da passagem foi apenas o estopim para estourar o descontentamento total da população e fazê-la sair às ruas. Entre as reivindicações, não expostas nos cartazes devido à chuva, mas bradadas nos gritos de ordem, estavam tanto temas amplos como a saúde e a educação, quanto bem específicos, como a mudança de lugar dos camelôs no Centro da Capital.

A cientista política Soraia Ritten, de 40 anos, participou da manifestação com as duas filhas estudantes. O que as motivou a sair às ruas na noite chuvosa foi a desigualdade e a corrupção. “Os R$ 0,20 são uma representação da corrupção. É preciso uma grande mudança neste momento. A luta continua”, afirma ela, que participará na próxima semana de outro protesto contra a PEC 37.

A filha de Soraia, Michele Ritten, estudante de Biomedicina de 21 anos, explicou que sempre ouve pessoas comentando que não entendem o ato e acham uma bobagem. “Acho bem legal, porque os R$ 0,20 eram importantes, mas abriram espaço para uma coisa bem maior, com cada vez mais gente. Eu diria que agora, o mais importante neste momento é lutar contra o Ato Médico e a PEC 37, mas sem esquecer da educação e da saúde”.

Mauro Biedzicki, de 46 anos, é servidor público e se mobilizou contra os desmandos da administração pública. De acordo com ele, é preciso que as pessoas tomem essa atitude, de sair às ruas, para que os administradores vejam que a coisa está errada. “No tempo das campanhas eleitorais eu participava de protestos, mas estavam meio parados. Como estou vendo a juventude de novo, vim dar uma acompanhada. Essa é a primeira vez, mas continuarei participando das próximas”, contou.

Outro funcionário público que participou dos protestos desta quinta-feira e com uma lista extensa de reivindicações foi Célio Golin, de 51 anos. “Todas essas questões de privatização do espaço público, do dinheiro gasto na Copa, a questão da política institucional e o desgaste das instituições são temas que me tocam”, explicou. Porém, outro tema recente serviu de combustível para a sua participação. Segundo Golin, que é militante do movimento gay, um dos temas que devem ser abordados nas manifestações são as atividades da Comissão de Direitos Humanos, que inclui a chamada “cura gay”. “Já participei e organizei vários protestos na minha vida. Acredito que o maior ganho de toda essa mobilização vai ser a politização da sociedade civil, que vai fazer com que os poderes pensem melhor na hora das decisões, pois vão saber que a população estará fiscalizando as suas iniciativas”. Na opinião dele, as questões do transporte público são simbólicas, pois existem temas bem mais importantes para serem discutidos no Brasil.

O camelô Juliano Frippe, de 46 anos, foi em direção à prefeitura com um recado direto ao prefeito. “Queremos agradecer ao Fortunati pela insensibilidade que fez com que esse protesto começasse. Parabéns ao prefeito por ter sido tão ingrato com a população que acreditou nele”, criticou. Frippe afirma que sua maior luta é para que o espaço da Praça XV seja devolvido aos camelôs. De acordo com ele, muitos trabalhadores ficaram sem serviço com a privatização do camelódromo. “Agora o Brasil começou a mudar a sua cara. O Fortunati foi a principal pessoa que fez o gigante do Brasil se revoltar, quando ele decidiu pelo aumento da passagem. Isso foi a gota d’água”, ressaltou.

Já o estudante de Marketing Raul Dias, de 21 anos, participou do protesto com o objetivo de mudar o País. Essa foi a primeira vez que ele esteve nas manifestações e pretende continuar, devido à empolgação do ato. “Dinheiro para estádio tem, dinheiro para colocar na cueca tem, mas para mudar o Brasil nunca se tem. As autoridades precisam acordar e ver que não dá mais assim”, disse.

A marcha seguiu sem conflitos até as 20h30min. Grupos pequenos em diferentes pontos da cidade depredaram prédios comerciais. Cerca de 20 a 30 pessoas quebraram vitrines de lojas e cortinas de ferro e saquearam locais na avenida da Azenha e na Ipiranga. A tropa de choque usou bombas de gás lacrimogêneo. Na Lima e Silva, vidros foram quebrados por pedras. A cavalaria da Brigada tentou dispersar os manifestantes.

Bloco de Lutas denuncia abusos da polícia aos militantes

O Bloco de Lutas pelo Transporte 100% Público, grupo que organiza os protestos na Capital, convocou uma coletiva de imprensa antes da manifestação desta quinta-feira para divulgar uma carta com os seus principais objetivos e sobre os abusos que vem sofrendo por parte da polícia. Segundo Matheus Gomes, a criminalização ao movimento vem aumentando, com a perseguição de vários ativistas. Além disso, ele ressalta que uma grande confusão está sendo criada pelo governo e pela mídia sobre os temas que são defendidos pelo Bloco.

Segundo a carta, o grupo luta pelo Transporte 100% público, com a abertura das contas das empresas de transporte, e passe livre para estudantes, idosos e desempregados. Além disso, a mobilização também é contra o estado de exceção da Copa do Mundo de 2014, comandada pela Fifa. Outro tema que entrou na pauta foi a retirada imediata dos inquéritos movidos contra os manifestantes.

O advogado Onir de Araújo afirmou que as prisões têm sido feitas geralmente após as manifestações sem uma vinculação concreta com os supostos delitos. “Uma irregularidade que lembra o regime militar é que os policiais não estão identificados. Temos também comprovação de cenas de tortura dentro das delegacias. Seis pessoas ainda estão presas e os advogados não tiveram acesso aos inquéritos”, explicou.

Além disso, o advogado falou mal de determinado grupo de comunicação que noticiou informações sobre infiltrados internacionais insuflando os manifestantes. “Como se coloca em um veículo uma notícia dessas, neste clima em que a cidade está, com pessoas sendo arrastadas pelos cabelos, com bombas de gás lacrimogêneo sendo atiradas na frente de famílias. Queremos saber de onde veio essa informação”, criticou.

O Bloco de Lutas também disse que integrantes do grupo estão sendo monitorados pela polícia em suas casas. “Nos últimos meses, sofremos uma grande investida por parte da Polícia Civil contra manifestantes do nosso movimento. Jovens estão sofrendo investigações e acusações por se manifestarem na cidade”, dizia a carta.

Fonte: Jornal do Comércio

Manifestações levam 1 milhão de pessoas às ruas em todo país

As manifestações realizadas nesta quinta-feira levaram cerca de 1 milhão de pessoas às ruas em 25 capitais do país. Em ao menos 13 delas foram registrados confrontos. O Rio de Janeiro foi a capital com maior número de pessoas, 300.000.

Em nove das capitais com confronto, houve também ataques ou tentativas de destruição de prédios públicos, como sedes de prefeituras e de governo e prédios da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça.

Os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público começaram no início do mês e foram ganhando força em todo o país, sendo registrados vários casos de confrontos e vandalismo. Com isso, 14 capitais e diversas outras cidades anunciaram entre ontem e hoje a redução das passagens.

Em Brasília, um grupo de manifestantes forçou a barreira policial montada na entrada do Congresso Nacional, iniciando um confronto com a Polícia Militar, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo.

No Rio, o protesto ficou tenso no início da noite. O problema ocorreu com chegada dos manifestantes em frente à prefeitura, no centro da cidade, ponto final da passeata.

Por volta das 18h50, morteiros foram disparados pelos manifestantes. Em resposta, a polícia disparou bombas de efeito moral. A cavalaria da PM avançou para dispersar pessoas que tentavam invadir a sede da administração municipal.

Em Natal (RN), cerca de 400 pessoas entraram no Centro Administrativo do Estado, que reúne os principais órgãos públicos. Houve concentração de manifestantes em frente à Governadoria.

Um grupo menor, de rostos tapados, queimou objetos, formando uma fogueira na frente da rampa de acesso ao prédio. Também arrancaram placas de sinalização e começaram a jogar algumas na fogueira.

Bombas e pedras foram atiradas contra os policiais. A polícia revidou com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Houve prisões.

Manifestantes tentaram invadir, em Fortaleza (CE), o Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará, e depredaram o prédio. O local virou uma praça de guerra entre vândalos e Polícia Militar, com balas de borracha de um lado e coquetéis molotov de outro. Ao menos 30 pessoas foram presas, segundo a PM.

Também foram registradas situações de confrontos e depredações em Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Salvador (BA), Vitória (ES), Belém (PA), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Teresina (PI) e Macapá (AP).

Após as manifestação, a presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu convocar uma reunião de emergência para as 9h30 de amanhã com seus principais ministros para discutir os efeitos das manifestações por todo o Brasil.

Na reunião, Dilma irá avaliar relatos da extensão dos atos nas cidades brasileiras. A partir daí será decidida uma conduta de governo, como por exemplo medidas ao alcance do Ministério da Justiça ou até um pronunciamento oficial da presidente.

Fonte: Folha de S. Paulo

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