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Revista Voto: A ousadia que garante o sucesso

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Existem alternativas para os gestores municipais enfrentarem a burocracia e as limitações financeiras e atraírem investimentos. O economista e consultor Nelson Naibert mostra que as prefeituras, mesmo as de menor porte, podem virar o jogo, como fez o pequeno município de Saquarema, na Região dos Lagos, no Rio. Há sete anos, após mudança de posicionamento e na lei de concessão de incentivos fiscais, atraiu investimentos consideráveis – 10 fábricas de diversos segmentos – e cerca de 5 mil empregos diretos, transformando-a em referência na área de desenvolvimento no estado carioca.

Sócio da empresa Rosa,Naibert com sedes no Rio de Janeiro e Porto Alegre, ele presta consultorias a várias cidades brasileiras. Em investimentos foram quase R$ 900 milhões. Com experiência de uma década na área de desenvolvimento sustentável, o economista avalia os principais erros cometidos pelos gestores e a falta de diagnóstico dos municípios e diz que os prefeitos precisam adotar uma postura arrojada em relação a temas um tanto controversos, como incentivos fiscais e diversificação econômica.

O que os municípios podem fazer para promover a economia?

É preciso ter clara a noção de polo de desenvolvimento econômico. É um termo amplo porque envolve ao mesmo tempo indústria, distribuidora e prestadora de serviço. Aquela herança dos polos industriais ficou de lado, porque não deram certo no Brasil. O conceito agora é ir além do que já existe. Os municípios precisam diversificar as suas economias. Ao mesmo tempo, é preciso que os governos sejam empreendedores. Cito o exemplo de Bom Jardim, no Rio. Era um município com 25 mil habitantes e totalmente rural. A Prefeitura estava quebrada financeiramente. Os problemas eram grandes, com atraso no pagamento dos servidores e falta de condições para realizar obras. Agora, com a presença de oito indústrias ligadas à química, gerou 2 mil empregos e se tornou um importador de mão de obra. Hoje é um município industrializado e que leva a sério a questão do meio ambiente. Porque, diferente do que se diz, é possível unir sustentabilidade e desenvolvimento. Para isso é preciso definir que tipo de perfil de negócios você quer atrair. Neste caso, as empresas não podiam ser de um porte grande, mas existe uma região de mata muito grande. Além disso, foram identificadas as potencialidades do município. A cidade tinha boa localização porque está perto ao Complexo Gás-Químico Rio Polímeros. Junto com isso, o governo do estado colaborou com um programa de incentivos fiscais arrojados e o Poder Executivo local estava disposto a negociar. O último e talvez mais importante fator foi a Prefeitura não prometer aquilo que não poderia cumprir. Em busca de vantagem política, muitos gestores prometem e caem em armadilhas, que é o de não cumprir. Isso quebra confiança e afasta as empresas.

E a questão do incentivo fiscal?

O incentivo fiscal é um item de decisão do empresário no momento em que ele vai escolher onde investir. É um instrumento que compensa o fato de os estados não fazerem o seu dever de casa, que são as melhorias, por exemplo, em infraestrutura e logística. Quer dizer, se o empresário recebe incentivo, não se preocupa tanto com as outras dificuldades que terá. É uma relação compensatória. Essa é a verdade. Tanto que há um projeto tramitando na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados que prevê maiores incentivos ao segmento industrial. Isso quer dizer que os próprios secretários de Fazenda dos estados sabem que, se acabarem os incentivos, os estados vão quebrar. Ao mesmo tempo, é preciso atenção sobre o impacto desses benefícios para que não ocorra uma concorrência desleal. Isso significa dar incentivo e criar uma concorrência para a empresa que já está instalada. Se você fizer isso, vai falir com o negócio existente. Então, o governo estadual precisa fazer uma legislação que atraia, mas também proteja. Uma maneira de evitar isso é oferecer o mesmo incentivo para a empresa que já está instalada. Existem formas de equilibrar, mas os governos não querem discuti-las.

O que mais as administrações precisam?

É preciso um diagnóstico adequado para identificar potenciais áreas para a instalação das empresas, sem esquecer de levar em consideração a questão logística. O perfil dos trabalhadores é importante porque deve estar de acordo com polo de desenvolvimento, assim como promover a qualificação para atender às futuras necessidades do mercado. Agora, há dificuldades que são internas. O processo de desenvolvimento econômico é endógeno, mas eles não são geridos. Um exemplo é o município de Viamão, Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ali, 80% dos investimentos que foram anunciados recentemente estavam na cidade. Eram empresas que buscavam expandir. Só que as administrações anteriores não conseguiam dar vazão para os pedidos. E isso existe muito no País. Indústrias que querem crescer, mas não são escutadas pela Prefeitura. E daí chega outro município mais disposto e puxa para si o empreendimento.

Mas neste ponto entra a atuação dos municípios.

Na minha avaliação, os municípios não são coadjuvantes, como ocorre hoje. Ao contrário, acho que o ator principal na atração do investimento é o município. Só que há fatores externos. Primeiro é a questão política. O governo do estado não vai querer incentivar uma empresa para se instalar num município que é adversário político. Então, as Prefeituras precisam ser mais independentes dos estados. Ao mesmo tempo, a Prefeitura não se organiza para se vender no mercado. Quando o empresário está pensando em construir uma fábrica, busca o governo local. Se ele encontra um campo amistoso, está ganhando. Só que muitas vezes os governos mantêm uma posição burocrática e inviabilizam as negociações. Imagina o empresário chegar numa cidade e não conseguir falar com alguém da Prefeitura para apresentar o seu projeto. Ele não volta.

Por que os políticos não são mais empreendedores, mais receptivos e menos burocráticos nessas negociações?

Os políticos ainda não compreendem o ganho dessa postura mais empreendedora. Quando isso ocorrer, a visão deles vai mudar. Quer dizer, as reivindicações da população são as mesmas. As pessoas querem mais saúde, educação e segurança. Mas isso só é possível com recursos. E para isso é preciso atrair investimentos. Com um município mais forte, também se garante a manutenção da população, que não terá a necessidade de buscar serviço em outras cidades. Os benefícios com a atração de investimento industrial são grandes. Os impostos gerados são locais. Outro ponto importante é a geração de empregos. Com mais renda, esse trabalhador vai consumir serviços na cidade, como escola e saúde. Isso resulta em um impacto econômico e social positivo.

Fonte: Revista Voto

Desenvolvimento econômico de Caxias do Sul

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Na semana passada, estive em Caxias do Sul, um dos principais pólos econômicos do Rio Grande do Sul, para me reunir com o prefeito da cidade, Alceu Barbosa Velho. Participou do encontro, o secretário Francisco de Assis Spiandorello, responsável pela pasta de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego. Apresentei o trabalho da Rosa,Naibert e os excelentes resultados que obtivemos em cidades como Saquarema e Viamão, mais recentemente. Fico feliz de poder voltar meu trabalho ao meu Estado e ajudar as prefeituras a buscar o desenvolvimento sustentável, já que isso tem reflexo direto na melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e suas famílias.

Os desafios da economia municipal seguem os mesmos

No fim de 2012, escrevi um artigo alertando para os desafios dos prefeitos. Fazer dos municípios protagonistas na tarefa de atrair investimentos é necessário para a saúde financeira e social das cidades. Naquele artigo, fiz uma provocação afirmando que era necessário mais vontade, mais protagonismo e mais visão empreendedora por parte dos gestores públicos. Disse que eles deveriam acompanhar o ritmo da economia para serem menos dependentes dos recursos federais e estaduais. Passados 12 meses, vejo os municípios vivendo um período de economia instável e dependente das politicas de estímulo econômico do governo federal. Além de não haver atração de investimentos adequada, no Rio Grande do Sul, alguns municípios tiveram uma queda de até 22% na arrecadação. Pesquisa divulgada nesse domingo mostra que esse cenário é nacional: só 8% dos municípios brasileiros arrecadam mais do que gastam. Ou seja, 92% gastam mais do que arrecadam. É cada vez mais necessária a atração de investimentos adequada com a realidade de cada município, além da descoberta e da potencialização de vocações locais.

Mas, como na vida, há quem reclame e espere pelas soluções paliativas e há aqueles que agem. No início de 2013, conversei com representantes de quatro municípios no Estado. Ouvi suas colocações sobre desenvolvimento, mas não ouvi nada sobre a implementação e medidas concretas. A economia, para eles, fica no campo das ideias, apenas. Viamão, porém, mostrou-se diferente, pois a visão do desenvolvimento econômico local é semelhante a que se vê em cidades que se colocaram como indutoras do desenvolvimento.

Entendemos, durante as conversas, que Viamão precisava criar o ambiente para atrair investimentos consistentes, com visão de sustentabilidade e geradores de emprego e renda (dado que pelo menos 60% das pessoas que vivem em Viamão trabalham e geram renda em municípios vizinhos, mas usam os serviços públicos locais). Viamão quis criar esse novo ambiente e tornou esse desafio o principal de 2013. O Poder Executivo agiu de forma rápida, elaborou a proposta legislativa necessária. A Câmara Municipal respondeu também com rapidez e a aprovou.

Em seis meses, foram analisados todas as propostas, cada processo recebeu uma resposta, as empresas foram visitadas e todos receberam as informações necessárias para a tomada de decisão precisa. Ao final de 2013, foram aprovados R$ 51 milhões em investimentos, com geração de 1200 empregos diretos e pelo menos 3 mil indiretos. Outros R$ 20 milhões serão investidos em uma segunda etapa. É possível, é viável, basta assumir o papel de protagonista.

Nelson Naibert
Economista

Jovens estão estudando mais e atrasando entrada no mercado de trabalho

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Reportagem do jornal Zero Hora dessa terça-feira traz um cenário sobre o qual precisamos refletir: nossos jovens estão se dedicando com exclusividade aos estudos e entram para o mercado de trabalho cada vez mais tarde. Isso tem o lado bom e uma parte complicada. De toda forma, o que temos que comemorar, sem dúvida, é que os jovens estão estudando. Meu trabalho me dá muito orgulho porque já ouvi de muitos pais que a melhor recompensa por terem um emprego e uma renda fixa é poder proporcionar aos seus filhos os estudos que não tiveram. Tem sido assim por todas as cidades que passo, ajudando na política de desenvolvimento econômico, ajudando na geração de renda e emprego.

Se nossos jovens estudam mais e com dedicação exclusiva, temos profissionais mais capacitados para o mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego diminui a cada ano. Porém, esse cenário acaba gerando falta de mão de obra no mercado e isso traz muitas dificuldades para aqueles que precisam contratar.

Vamos a alguns números: a geração de vagas tem crescido pouco (os dados são de outubro de cada ano):

2008 6,9% | 2009 -1,2% | 2010 3,4% | 2011 1,5% | 2012 -1,1% | 2013 1,1%

A quantidade de pessoas disputando vagas é menor

2008 4,7% | 2009 -1,4% | 2010 1% | 2011 0,3% | 2012 -1,2% | 2013 0,2%

O que precisamos entender é que o mercado precisa de pessoas qualificadas, sem dúvida. Mas não se pode projetar o futuro de grandes oportunidades se as que existem hoje não forem bem aproveitadas. Em outras palavras, precisamos de pessoas capazes atuando hoje para que o mercado siga em alta e proporcione a esses jovens boas oportunidades quando deixarem de estudar.

O Brasil precisa aprender a valorizar o ensino técnico, fundamental na trajetória de sucesso de países desenvolvidos. A economia de qualquer país precisa de técnicos. É tempo de olharmos para isso e corrigirmos o curso da nossa história. Estudar é fundamental, afinal, a educação é a melhor arma de transformação social. Precisamos saber usá-la a favor de nosso país, de nossa economia, de nosso desenvolvimento.

 

Viamão: Emprego como critério

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Estou muito feliz por começar 2014 com essa grande notícia para o município de Viamão. Em 2013 alertei, através de um artigo no jornal Zero Hora, sobre os desafios dos prefeitos gaúchos. Enquanto a economia ficar apenas no plano das ideias, sem ação, as cidades perderão investimentos e serão cada vez mais dependentes das políticas econômicas dos governos federal e estadual. Os municípios devem ser autônomos, protagonistas. Fico realmente feliz por poder ajudar Viamão a mudar o rumo de sua história.

Como bem disse a jornalista Maria Isabel Hammes, é cada vez maior o movimento das empresas em busca de espaços para crescer na Região Metropolitana. Viamão percebeu esse espaço e correu atrás. Resultado: R$ 51 milhões investidos agora e mais R$ 20 milhões num segundo momento. A cláusula básica é a geração de empregos. Serão mais de 1200 diretos e aproximadamente 3 mil indiretos. Isso, na prática, é dignidade para a vida das famílias dos trabalhadores. Os pais que estiverem trabalhando nesse novo polo de desenvolvimento poderão dar educação a seus filhos e, sabemos, educação é a base de tudo. Em algumas cidades do país, especialmente do estado do Rio de Janeiro, já ajudei a criar mais de 10 mil empregos diretos. Fico mais feliz ainda por poder fazerm em meu Rio Grande do Sul. Espero seguir trabalhando muito pelos gaúchos.

 

A hora de mudar é agora!

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A época do ano em que mais promessas de mudanças são feitas é agora! Quem de nós nunca prometeu uma mudança radical na virada do ano? Talvez a esperança de podermos recomeçar seja o maior propulsor dos sonhos e desejos para os 365 dias que temos pela frente. O problema é que acabamos esbarrando, desde o início do ano, naquele famoso “amanhã eu começo”. Depois, muitos pensam: fica para o próximo mês, para o próximo…. E aquela mudança necessária acaba ficando para o ano que vem.

Mas 2014 é, sem dúvida, um ano para mudarmos o que precisamos e queremos mudar. Todos – ou boa parte das pessoas – dizem que 2013 foi um ano difícil. Então, devemos ser protagonistas das mudanças desde hoje e promovê-las a cada dia. Há sete anos eu vivi um período muito difícil. Foi a partir daquele momento que decidi tomar as rédeas da minha vida e ser persistente, jamais desistir. Revendo o filme “À procura da felicidade” relembrei muito aquele início de ano. Vejo hoje a diferença que fez a perseverança. Se eu pude fazer tudo diferente, é sinal de que todos podemos.

2014 é um caderno em branco em nossas mãos. Está em nós escrevermos a história de cada de dia. Depois de um ano difícil, cheio de tragédias do início ao fim, temos a chance de mudar, de renovar, de superar o que está ultrapassado e arriscar. 2014 é o ano para termos coragem de olhar para o futuro com esperança, sem apego ao passado. É ano de Copa do Mundo! Sonho ver o Brasil hexacampeão mundial em casa! É ano de eleição! Sonho ver o Brasil retomar o crescimento econômico e social, numa nova perspectiva, com um novo olhar. Sonho ver meu Rio Grande do Sul voltar a ser grande, porque estamos ficando para trás.

Se a virada do ano é tempo de promessas, então agora é a hora de mudar! Eu já comecei. E você?

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Dica da leitura: Ano eleitoral começa com várias restrições a autoridades públicas

 

Estado precisa encontrar alternativas para crescer

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O Mercosul poderia resgatar o Rio Grande do Sul da crise e diminuir as perdas com outros competidores, mas o bloco está enfraquecido

O Rio Grande do Sul enfrenta dificuldades econômicas e ficou para trás na comparação com o desenvolvimento de outros estados e do Brasil, admitiram os participantes do painel sobre a conjuntura estadual do Fórum de Economia, promovido ontem pela Fecomércio-RS. Porém, para entender essa realidade, mais do que atentar à retração no Produto Interno Bruto (PIB) e ao endividamento do Rio Grande do Sul, o ex-governador Germano Rigotto afirmou que é preciso admitir o enfraquecimento do Mercosul.

Mesmo afirmando que “o Estado anda menos para trás do que se apregoa”, Rigotto enfatizou que os gaúchos vêm, há alguns anos, pagando o preço pela localização geográfica, que poderia ser minimizado caso o Mercosul tivesse realmente dado certo. Segundo o ex-governador, não se pode esquecer que o Estado soube contornar isso e teve um alto nível de desenvolvimento, colaborando, inclusive, para a expansão de regiões de terras abandonadas a partir do esgotamento das fronteiras agrícolas.

Porém, atualmente a competição com as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste é muito difícil e a solução para que a localização ao Sul se tornasse algo positivo seria um bloco econômico forte. “Mas o Mercosul ‘foi para o saco’ e agora temos um desafio muito maior do que outros estados”, alega Rigotto.

Outro entrave para que a economia estadual deslanche é a polarização de opiniões já arraigada e a falta de capacidade para o diálogo definidas por Rigotto e pelo vice-presidente do Grupo Dimed Panvel, Denis Pizzato, como uma “grenalização”. “Qualquer iniciativa que exista tem sempre uma metade a favor e outra contra, tornando difícil um processo de melhoria contínua dentro do governo estadual”, pontua Pizzato.

No encontro também foram levantadas as dificuldades enfrentadas pelo Brasil, a exemplo da alta carga tributária, e apontadas demandas latentes do setor empresarial. Com um panorama pouco otimista da macroeconomia brasileira, o economista-chefe do Citibank, Marcelo Kfoury Muinhos, concordou com a projeção de crescimento do governo federal em torno de 2%, e garantiu que as medidas focadas unicamente no estímulo ao consumo, adotadas desde o governo Lula, não estão mais dando certo.

Representando tanto a indústria quanto o varejo, a presidente da camisaria Dudalina, Sônia Hess, afirmou que os entraves para o desenvolvimento dos dois setores são muitos, mas podem ser resumidos a uma legislação trabalhista desatualizada, a uma política tributária com altos impostos e complicada e à falta de um plano de governo sólido. Já as empresas precisam assumir maior protagonismo e investir mais em inovação.

A fundadora da Lemon e da FazInova, Bel Pesce, lembrou, tendo como base sua experiência no Massachussets Institute of Technology (MIT), que não tem como o País crescer sem investir na educação básica aliada à meritocracia. Defendendo que o governo brasileiro deveria adotar o Canvas – ferramenta estratégica e empresarial que serve como ponto de partida da gestão, mas vai se adaptando durante o processo. Bel entende que o  País precisa investir no potencial criativo e social dos jovens.

Fonte: Jornal do Comércio

Falta de competitividade prejudica a economia do RS, dizem empresários

A falta de vantagens competitivas prejudica a economia do Rio Grande do Sul, concluíram painelistas que participaram do Fórum de Economia da Fecomércio-RS, realizado nesta quarta-feira (9) em Porto Alegre. Sob o título de “Enfrentando Desafios, Encontrando Soluções”, o evento contou com a presença de empresários e gestores de destaque no cenário nacional.

Entre os entraves enfrentados pela economia gaúcha, estão os altos custos de produção e problemas de infraestrutura, como transportes. Estradas ruins e aeroporto defasado, por exemplo, prejudicam a expansão do segundo polo metal- mecânico mais importante do Brasil, em Caxias do Sul.

“Nós já concorremos com uma defasagem de no mínimo 13% se comparado com outros países que têm um custo de logística menor. Então, nós dependermos do transporte rodoviário de cargas com as rodovias que nós temos hoje é um contrassenso”, diz o diretor de infraestrutura da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, Nelson Sbabo.

Além do transporte, a pouca mão de obra especializada e sistemas deficitários de comunicação tiram as vantagens competitivas da produção gaúcha, apontam os empresários. Outro problema antigo é a elevada carga tributária elevada. Dados de institutos econômicos mostram que 36% do que se ganha são gastos com o pagamento de impostos.

Presidente de uma empresa de moda com atuação nacional, a empresária Sônia Hess afirmou as elevadas taxas cobradas pelo governo e a burocracia afetam a competitividade das empresas. Já o economista-chefe de um banco multinacional, Marcelo Kfoury, diz que buscar soluções para essas questões é fundamental para as empresas.

“A gente achava que dava pra crescer ate 4% sem inflacionar a economia, há uns cinco ou seis anos atrás. Agora, essa realidade mudou. Para a gente voltar a crescer, por exemplo, 3,5%, a gente tem que resolver esses entraves para o crescimento”, diz Marcelo.

Uma das lideranças jovens mais influentes do país defendeu no encontro a educação e a inovação para transformar ideias criativas em ganhos reais. Bel Pesce disse que, quando se pensa em inovação, é preciso melhorar o lado estrutural, mas também o modo de pensar.

“A gente é sempre ensinado a aprender as coisas como elas são. Só que inovação é exatamente o contrário. É pensar como as coisas podem ser melhoradas. É pegar tudo o que você aprendeu, pensar e trazer isso pra criar soluções que podem suprir uma necessidade”, disse a jovem empreendedora.

Fonte: G1 RS

Dívida com a União trava desenvolvimento do Estado

A dívida com a União foi apontada como um dos principais entraves para o desenvolvimento do Estado, durante reunião promovida pelo coordenador da bancada gaúcha no Congresso Nacional, deputado Alceu Moreira (PMDB). A fim de buscar soluções para os sérios problemas orçamentários enfrentados pelo Rio Grande do Sul, o encontro reuniu economistas e políticos que discutiram, principalmente, a necessidade de uma renegociação desta dívida e a revisão contratual.

O secretário adjunto da Fazenda, André Paiva, admitiu que o Estado passa por dificuldades e argumentou  que a principal causa é o alto gasto com o pagamento de dívidas do passado – que chega a 50% da receita total. Segundo Paiva, a renegociação é fundamental, pois a cobrança de 6% de juros ao ano e a anexação do IGP-DI (indexador das dívidas dos estados com a União) não permitirão a sustação até o ano previsto, 2028.

“Do jeito que estão as finanças, só temos receita para cobrir os gastos com o funcionamento da máquina, sobram poucos recursos para investimentos”, disse Paiva. A saída para o equilíbrio das finanças estaduais seria a aprovação no Congresso Nacional do Projeto de Lei Complementar 238/2013, que dispõe, entre outros itens, sobre critérios de indexação dos contratos de refinanciamento da dívida celebrados entre a União, estados e municípios.

Para o presidente da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Adalmir Marquetti, a situação é “realmente preocupante” se for levado em conta que somente em dois anos o Rio Grande do Sul apresentou crescimento igual ao dos juros, ou seja, período em que foi capaz de pagar a parcela. Além disso, Marquetti destacou que a situação econômica nacional do final dos anos 1990 é muito diferente da atual, logo, “há espaço para renegociação da dívida”.

Defendendo o “refazimento dos contratos das dívidas dos estados junto à União”, o representante da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), João Pedro Casarotto, defendeu a inconstitucionalidade do contrato. O economista afirmou que os juros praticados pelo governo federal são o principal vilão, mas práticas como anatocismo, exigência de garantias robustas e uma série de minúcias contratuais configuram a inconstitucionalidade do contrato.

Durante o evento também foram levantadas as perdas causadas pela Lei Kandir, Lei Complementar nº 87, de 1996, que isenta do pagamento do ICMS produtos e serviços destinados à exportação. O economista da FEE Liderau Marques Junior disse que, em vez de contribuir para o desenvolvimento econômico do Estado, a legislação diminuiu a receita. Conforme Marques Junior, o rombo nas contas chegou a aproximadamente R$ 17 bilhões, de 2006 a 2010, enquanto as transferências legais pagas pela União não chegaram a R$ 800 milhões.

Alceu Moreira destacou que discutir o endividamento do Estado, bem como a Lei Kandir, é fundamental para que o assunto passe a ser do conhecimento de todos e para que, desta forma, mudanças estruturais sejam realizadas. Para Moreira, falta poder de decisão nos Executivos, e é necessário que “os governadores tenham conforto político para dizer que a cirurgia dói, mas é necessária para retirar o tumor”.

Fonte: Jornal do Comércio

Santa Catarina e São Caetano do Sul se destacam em estudo sobre IDHM – E o RS?

O estado de Santa Catarina e a cidade de São Caetano do Sul (SP) se destacaram no Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A cidade paulista tem o maior índice de Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país, enquanto Santa Catarina emplaca vários municípios entre os primeiros colocados e se sobressai quando o assunto é longevidade.

O IDHM é resultado da média de três categorias: renda, educação e longevidade. São Caetano do Sul é a primeira colocada em renda e educação. Na cidade, por exemplo, 67,68% dos jovens de 18 a 20 anos têm ensino médio completo. A média nacional é 41,01%. Em longevidade, é a 19ª colocada entre 5.564 municípios brasileiros. No último quesito, a posição da cidade paulista só não é melhor por conta do desempenho de Santa Catarina. Nada menos do que as primeiras 11 colocadas são do estado, sendo que Rio do Sul, Blumenau, Balneário Camboriú e Brusque dividem o primeiro lugar, com 0,894 pontos.

O índice varia de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. Elaborado pelo Pnud, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro, o IDHM é resultado da análise de mais de 180 indicadores socioeconômicos, que têm por base os censos do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) de 1991, 2000 e 2010.

Dentre os destaques em Santa Catarina estão Florianópolis, com o terceiro maior IDHM; Balneário Camboriú, com o quarto maior índice; e Joaçaba, na oitava posição. A capital do estado, além de Balneário Camboriú, também estão entre as dez primeiras colocadas nas categorias renda e educação. No ranking estadual, Santa Catarina tem o terceiro maior IDHM do país, com 0,774 pontos e está entre os quatro primeiros nas três categorias.

Fonte: Agência Brasil

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