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Qualificação dos profissionais de turismo preocupa, alerta o Dieese

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Estudo mostra a existência de 191 mil trabalhadores do segmento na Região Metropolitana

A qualificação dos profissionais envolvidos nas atividades características do turismo (ACTs) é um dos principais desafios a serem enfrentados por Porto Alegre e suas cidades vizinhas nos próximos anos. Essa é a conclusão do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com base nos dados da sua Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), a entidade fez um estudo sobre a situação do trabalho no setor na Região Metropolitana. Às vésperas da Copa do Mundo de 2014, 191 mil profissionais estão atuando na área, sendo 77 mil na Capital.

“Só saberemos se essa quantidade é suficiente ou não para acolher os turistas que virão para a Copa do Mundo durante o evento. Mas o nosso quadro atual é, na média, muito preocupante em termos de qualificação desses profissionais”, aponta Lúcia Garcia, economista do Dieese e coordenadora nacional do sistema PED. Segundo o levantamento, as ACTs atingem 10,9% do mercado de trabalho da Região Metropolitana. A representatividade aumenta para 11,3% quando se analisa somente a situação de Porto Alegre.

Do total de empregados no ramo na Região Metropolitana, 68 mil atenderam visitantes em 2011, ano utilizado como parâmetro na análise. E as perspectivas para a recepção em grandes eventos é pouco alentadora. “No geral, nossa população que vai atender ao turista na Copa não é bem qualificada. Ela não entende outro idioma, não sabe dar informações, não sabe fazer um cálculo. Além disso, esse é um trabalhador mal remunerado e que trabalha excessivamente.”

De acordo com o estudo, a jornada de trabalho dos profissionais envolvidos com turismo é de 46 horas semanais, superando o padrão de 42 horas constatado em outras atividades. De quebra, a remuneração média fica em R$ 1.453,00, contra R$ 1.971,00 das demais ocupações. O sinal amarelo ainda aparece no grau de escolaridade. Apenas 13,4% dos trabalhadores têm Ensino Superior completo, conta 30,4% das demais atividades. A maioria (46,5%), porém, possui Ensino Médio completo e Superior incompleto. Além disso, o emprego ilegal (sem carteira assinada) atinge 10,3% da população enquadrada nas ACTs, contra 9,2% do público em geral.

Garçons, barmen, copeiros e sommeliers integram o grupo de maior representatividade nas ACTs (9,8%). Em seguida, aparecem motoristas de veículos de cargas (9%), motoristas de veículos de pequeno e médio porte (8,2%) e cozinheiros (7,9%). Por outro lado, os técnicos de turismo (contingente formado por organizadores de eventos, agentes de viagens e operadores de turismo) representam menos de 2% do total. O levantamento ainda aponta a carência de cursos de qualificação para profissionais como taxistas, comerciantes varejistas e gerentes administrativos.

Fonte: Jornal do Comércio

 

Infraero promete mais uma obra no Salgado Filho

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A primeira fase da ampliação do terminal 1 de passageiros do aeroporto Salgado Filho, o mais atrasado compromisso da Infraero para a Copa do Mundo, conseguiu ultrapassar uma etapa.

Em passagem nesta segunda-feira por Porto Alegre, o diretor de obras de engenharia da estatal, Jaime Henrique Caldas Parreira, revelou ter sido finalizado o projeto do empreendimento que vai elevar a capacidade de 13,1 milhões de usuários por ano para 18,9 milhões até maio de 2014.

– Estávamos com alguma dificuldade para concluir o projeto, mas acabamos. Com isso, atingimos a nossa meta. Esta é a última grande obra da Infraero para a Copa a ser contratada – diz Parreira.

A próxima etapa será lançar o edital para a contratação da obra, o que é previsto para ocorrer entre os dias 19 e 25 de junho. A intenção é iniciar a execução em setembro. O investimento estimado não é revelado porque a licitação será pelas regras do Regime Diferenciado de Contratação (RDC), modalidade mais rápida em relação à concorrência convencional. A segunda fase da ampliação do terminal está prevista para 2016.

Promessa de conclusão da pista agora passou para 2015

Prometida há mais de uma década e meia, a ampliação da pista do Salgado Filho ganhou novos prazos. O projeto, que ao longo dos últimos anos passou por sucessivas postergações, está em fase de readequação por ter sido entregue incompleto pelo Exército. Segundo Parreira, esta revisão deve ser concluída entre o fim de julho e o início de agosto e o edital para a contratação da obra é agora esperado para setembro. Mês passado, a promessa apontava maio como prazo para o edital. E o fim da obra, que já era esperado para depois do Mundial no Brasil, também passou a ter nova data.

– Queremos contratar a obra em novembro e terminá-la em julho de 2015 – assegura Parreira.

A extensão da pista de 2,2 mil para 3,2 mil metros é considerada essencial para a economia gaúcha. Devido ao tamanho atual, aviões cargueiros não podem decolar de Porto Alegre carregados a pleno. Com isso, produtos exportados via aérea têm de ir de caminhão até aeroportos paulistas.

– O Estado perde US$ 3,3 bilhões por ano em negócios. A obra sai, mas creio que só para 2016 – estima Paulo Menzel, coordenador do Fórum de Infraestrutura e Logística da Agenda 2020.

Parreira admite que a própria direção da Infraero chegou a discutir a viabilidade da ampliação da pista devido à possibilidade da construção do aeroporto 20 de Setembro, na Região Metropolitana. Um dos integrantes do movimento pelo novo terminal, o diretor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da

PUCRS, Elones Ribeiro, entende que, devido à projeção de crescimento do tráfego aéreo nas próximas décadas, o futuro aeroporto não exclui a necessidade de ampliação do Salgado Filho e tampouco levaria à necessidade de encerrar as operações do aeroporto da Capital.

Terminal de carga fica para fim de 2014

Outra obra do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, postergada é a do novo terminal de cargas, projeto com andamento considerado “preocupante” no balanço do PAC2, divulgado em fevereiro.

Orçada em R$ 98 milhões, a construção está parada desde novembro e a nova promessa da Infraero é retomá-la em julho. O prazo de conclusão, antes esperado para agosto do próximo ano, foi prolongado para dezembro.

Outra novela que envolve o aeroporto da Capital, a instalação do ILS2 (Instrument Landing System, em inglês) pelo menos por enquanto, não foi novamente adiada.

O equipamento permite pousos e decolagens sob baixa visibilidade, diminuindo o tempo que o Salgado Filho fica fechado, principalmente nos meses de maior ocorrência de neblina. A perspectiva segue para setembro deste ano e um prazo de mais 90 dias para que seja homologado. Atualmente, o terminal tem o ILS 1.

– Para a Copa, (o ILS 2) vai estar operacional – promete Jaime Henrique Caldas Parreira, diretor de obras de engenharia da Infraero.

Fonte: Zero Hora

Por que tudo atrasa no Brasil

Projetos malfeitos, licitações irreais, aditamentos, liminares, corrupção… a perversa combinação de fatores que nos transformou a “Terra do Nunca Fica Pronto”

Ninguém convive com mais cobranças sobre atrasos que o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, um dos responsáveis pelas obras da Copa do Mundo e da Olimpíada do Rio de Janeiro. E o que ele diz sobre o assunto? “O atraso é um de nossos problemas civilizatórios, faz parte de nossa cultura. Até reunião ministerial atrasa no Brasil”, afirma, com conhecimento de causa. Essa cultura se reflete sobretudo no mundo das obras públicas. O Brasil ostenta uma lista enorme delas, muitas sob a guarida da segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC-2. Cria da presidente Dilma Rousseff- a “mãe do PAC” -, o programa, em seu segundo ano, executou apenas 47,8% das obras previstas no pacote. Se nem as obras do PAC, com a cobrança férrea da presidente, são entregues no prazo, o que dizer das outras?

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Abaixo, uma lista dos fatores que compõem a cultura do atraso no Brasil – e algumas possíveis soluções.

PROJETOS APRESSADOS
Vive-se no Brasil uma cultura do curto prazo. Obra boa é aquela que fica pronta a tempo de ser inaugurada em ano eleitoral. Os governantes ficam nervosos quando uma obra fica muito tempo na fase de projeto. “Os governantes falam: não quero projeto, quero obra”, diz Roberto Kochen, diretor do Departamento de Infraestrutura do Instituto de Engenharia de São Paulo. Essa pressa para começar a obra, paradoxalmente, é um grande fator de atraso. Sem estudos técnicos de qualidade, o construtor acaba encontrando imprevistos na execução. Quando isso acontece, é preciso revisar os prazos – e, pior, o orçamento. As obras ficam mais caras e mais demoradas.

O pensamento de curto prazo é inerente às democracias, pois o governante eleito precisa mostrar serviço para ganhar eleições subsequentes. Em outros países, consegue-se conjugar esse pensamento a uma visão estratégica. “Nos Estados Unidos e na Europa, há todo um planejamento antes da execução de uma obra, que pode durar anos”, diz Kochen. Ele cita como exemplo uma das obras de engenharia mais famosas dos últimos tempos: o túnel sob o Canal da Mancha, que liga a França e a Inglaterra. A obra levou sete anos para ficar pronta. O projeto levou mais de dez.

Problemas de projeto resultam não só em atrasos, mas em obras malfeitas. Um exemplo recente é o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, 110 Rio de Janeiro. Ele foi interditado em março – apenas seis anos depois de sua inauguração por haver risco de a cobertura desabar. “Não fiz esse estádio. Não quero me eximir das obrigações de um prefeito, mas o Engenhão foi feito nas coxas”, disse na semana passada o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ao comentar a interdição. Por causa dela, a final do Campeonato Carioca, tradicionalmente um dos grandes momentos do calendário futebolístico do Rio de Janeiro, teve de ser realizada na cidade de Volta Redonda.

LICITAÇÕES MALFEITAS

A forma como são escolhidas as empresas que fazem as obras é outro motivo de atraso. O modelo de licitação adotado atualmente privilegia as empreiteiras que oferecem o menor preço ao governo (no caso de licitações) ou para a população (no caso, por exemplo, da concessão de rodovias). E um princípio correto, mas que no Brasil acaba gerando distorções. No afã de conseguir os menores preços, os editais são malfeitos e incorporam números irreais. O caso recente mais notório foi a concessão de rodovias e ferrovias, projeto lançado com estardalhaço pela presidente Dilma Rousseff. Trata-se de um exemplo importante, porque o Brasil vive um gargalo dramático nos investimentos em infraestrutura. Um estudo do professor Lucas Ferraz, da Fundação Getulio Vargas, mostra que nos anos 1970 o Brasil investia 5,4% de seu Produto Interno Bruto em obras de infraestrutura. Na década que vai de 2001 a 2011, o valor destinado a projetos da construção civil caiu para 2,1 %. Quando a lupa recai sobre a área dos transportes, a situação é pior. “Há 30 anos, investíamos 2%. Na última década, esse número caiu para 0,64%”, diz Ferraz, cujo estudo foi patrocinado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

O plano de concessões de rodovias de Dilma foi apresentado como uma porta de entrada para os investimentos privados na infraestrutura. As empresas, no entanto, não demonstraram interesse, já que o projeto limitava seu lucro em 5,5% – um número bem abaixo do rendimento garantido por qualquer investimento seguro, como uma caderneta de poupança. Anteontem essa taxa foi revista para 7,2%. Mas o problema persiste: querer limitar o lucro de uma empresa é a pior forma de tentar atrair capital. Por causa desse vaivém, o país amargou um atraso de mais de um ano.

Problemas ocorrem também quando os técnicos que julgam a licitação levam cm consideração apenas o critério do preço. Nesses casos, muitas vezes vencem empresas que não têm condição técnica para tocar a obra. De acordo com o Ministério dos Transportes, é comum a desistência de empresas no meio da obra, em razão de limitação operacional. Para evitar isso, adota-se nos Estados Unidos uma prática conhecida como “performance bond”, um seguro que cobre integralmente o valor de uma obra. Se a construtora quebrar, for declarada inidônea ou não tiver condições de concluir o projeto, caberá à seguradora terminar o serviço. Essa ideia nunca foi adotada no Brasil, porque só venceriam as grandes empreiteiras – e a concorrência saudável é importante para baixar os preços.

Na verdade, o efeito dessa concorrência entre grandes e pequenos pode ser o oposto.Um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, responsável por analisar e dar pareceres técnicos sobre a licitude e a legalidade das licitações, disse a ÉPOCA que muitas vezes as empreiteiras se unem para vencer com preços abaixo dos valores necessários. Como fazem depois para realizar a obra? Aí entra um terceiro fator de atraso, um procedimento que se tornou tão brasileiro quanto a jabuticaba ou o Zé Carioca: o aditamento.

A CULTURA DO ADITAMENTO

O aditamento funciona assim: a empresa vence a concorrência oferecendo um preço. Depois que começa a executar o serviço, ou a realizar a obra, alega que o custo é bem maior que o previsto inicialmente. Para cumprir o contrato, pede o aditamento, uma suplementação de verba que pode ser de até 25%, no caso de obras, serviços e compras, ou de 50%, para reformas de edifícios ou equipamentos. Isso sem contar a correção monetária. Resultado: o preço que permitiu à empresa ganhar a licitação fica só no papel. O Tribunal de Contas da União permite, ainda, que os valores ultrapassem 50% em situações que considera “excepcionalíssimas”. Muitas vezes esses processos de aditamento vêm acompanhados de prorrogação no prazo da entrega, já que se referem a procedimentos que não estavam previstos no projeto original. Tradução: mais atraso.

O mecanismo de aditamento deveria ser usado apenas diante de situações de aumento de custo que não poderiam ser previstas quando o contrato foi assinado. No Brasil, acabou se tornando comum em obras públicas. Países europeus têm códigos de ética para funcionários públicos e conselhos que fiscalizam os aditamentos, para evitar que se abuse desse recurso. No último caso, o governo pode cancelar os contratos. Um bom exemplo disso ocorreu recentemente na Inglaterra, país que organizou e abrigou os Jogos Olímpicos do ano passado. Diante da alta exagerada de alguns contratos públicos, o governo reestruturou todo o seu programa e adotou um modelo diferente, com Parcerias Público-Privadas.

BUROCRACIA EMPERRADA

Neste capítulo, é necessário prestar toda a atenção. Há uma reclamação generalizada no Brasil, de empreiteiros e construtores, em relação à burocracia nas obras públicas do Brasil. Os documentos exigidos para passar do projeto à execução são muitos. Entre eles, exigência de visto do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), atestado comprovando a experiência da empresa licitada, certidões comprovando a liquidez da empresa etc. Tais documentos são necessários para dar uma garantia mínima ao governo de que as empresas são capazes de realizar a obra. Não são os documentos que emperram as obras. O empecilho é a falta de pessoal especializado para analisar esses documentos e dar agilidade aos processos.

O presidente do Sindicato dos Construtores de São Paulo (Sinduscon), Luiz Antonio Messias, dá um exemplo de como isso funciona na prática. Na construção de rodovias em São Paulo, diz ele, o que mais atrapalha são as licenças ambientais. São necessários três documentos: a licença prévia, a licença de instalação e a licença de operação. Tais documentos são emitidos pela Cetesb, órgão responsável pelo saneamento básico no Estado. “Como há carência de pessoal especializado para analisar todos os casos, cria-se um gargalo muito sério. A aprovação de uma obra pode levar até 13 meses.”

De acordo com Paulo Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria de Construção, no passado, a culpa pelos atrasos em obras públicas no Brasil já foi de interferência política, falta de dinheiro e incapacidade técnica das empresas. Hoje, é da morosidade e da burocracia em diversos órgãos responsáveis pelos empreendimentos: prefeituras, cartórios, repartições de meio ambiente e corregedorias em todas as esferas de governo. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, diz que o que falta não é dinheiro, mas excelência em gestão pública e a redução da burocracia.

QUESTÕES JURÍDICAS

Eis o último gargalo, que exige também uma análise cuidadosa. Toda obra – com projeto, licitação com seus aditamentos e execução – é fiscalizada pelo Ministério Público e pela sociedade. Qualquer cidadão que se sentir prejudicado, mesmo na fase de projeto e desapropriação, pode recorrer à Justiça em busca de seus direitos. Trata-se de um processo democrático e saudável. Como a Justiça é lenta, os processos que envolvem obras públicas geram mais atrasos.

De acordo com Messias, no Sinduscon, os processos começam logo que a licitação sai. Os perdedores recorrem, tentando anular o resultado. Depois, os recursos jurídicos continuam. Segundo o próprio Ministério dos Transportes, em nota enviada a ÉPOCA, entre os principais fatores responsáveis pelo atraso nos projetos de infraestrutura ferroviária estão a desapropriação de áreas ocupadas, as decisões do Ministério Público e da Justiça e os pedidos de informações e outras determinações do Tribunal de Contas da União (TCU). Todas questões jurídicas.

Como todo fenômeno cultural, o atraso sistemático de obras no Brasil se deve a vários fatores. Não é o caso de diminuir exigências nem a fiscalização, mas de agilizar os processos. Nas outras fases são necessários projetos melhores, licitações mais realistas e a inibição da cultura do aditamento. Obras entregues no prazo-assim como reuniões ministeriais que começam na hora – fariam do Brasil um país melhor.

Fonte: Revista Época

‘O futebol brasileiro está bem atrasado’, diz Ronaldo

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Na Itália, Fenômeno faz alerta e diz que estrutura do futebol no País está muito defasada em relação à Europa e precisa passar por ampla reforma

O futebol brasileiro está “atrasado” e precisa passar por uma ampla reforma. Quem faz o alerta é Ronaldo, integrante do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo e, cada vez mais, um ator na estrutura do poder do futebol nacional. Em entrevista ao Estado, o ex-craque apresenta sua receita de reforma e alerta que o futebol parou no tempo, tanto em campo como em sua gestão. Ronaldo tem suas ideias até mesmo para a estrutura da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sugerindo uma abertura da entidade para debater o futuro do esporte.

Diplomático, Ronaldo evita criticar o presidente da entidade, José Maria Marin, envolvido em polêmicas e pressões. Mas não descarta assumir novas responsabilidades dentro do COL “se acontecer alguma coisa”.

Já com a entrevista concluída, o Fenômeno comentou ironicamente: “trabalhamos todos para o Marin aqui”. Eis os principais trechos da entrevista, concedida ontem em Turim onde o ex-craque fazia a promoção da Copa das Confederações em busca de torcedores estrangeiros para o evento.

Você acredita que José Maria Marin se sustenta no COL até a Copa do Mundo?
Ronaldo – Eu espero que sim porque, no Comitê, a organização vai de vento em popa. Temos uma equipe de produção e executiva muito boa. Todos cumprem suas funções. Não teremos nenhum problema.

Você estaria pronto para assumir o COL?
Ronaldo – Olha, eu estou aprendendo muito com minha função. Ainda não tenho ambição de ser mais do que eu sou. Se acontecer alguma coisa e eu tiver de assumir outro cargo, eu espero estar à altura e preparado para qualquer eventualidade. Mas, por enquanto, não vemos nenhum motivo ou problema grave na organização direta. As acusações que José Maria Marin (presidente do COL e da CBF) está recebendo e está sofrendo não afetam em absolutamente nada em nossa organização e cronograma. Portanto, independente do que ocorra com ele, a organização da Copa está garantida. Nós faremos o melhor.

Você acredita que está na hora de uma transição no futebol brasileiro, com você ou Romário assumindo um outro papel?
Ronaldo – Tudo é muito novo sobre nomes do futuro. Mas o futebol brasileiro está bem mais atrasado que o futebol europeu em termos de organização. Deveríamos ter muito mais debates sobre o futebol no Brasil. Começou só há pouco tempo esses congressos sobre futebol, onde os especialistas debatem o esporte. Acho que é muito importante discutirmos entre as pessoas envolvidas, jornalistas, treinadores, jogadores, presidentes de clubes, de federações, a própria CBF deveria ter um congresso próprio onde se discute maneiras de evolução no futebol, o uso de tecnologia, de calendário. Enfim, todos os problemas que enfrentamos, como torcidas organizadas. Existem vários aspectos que teríamos de discutir no País.

Na prática, você está propondo uma reforma da estrutura do futebol brasileiro?
Ronaldo – O futebol mudou muito pouco não só na organização, mas também na maneira de jogar. Hoje, vemos o Barcelona jogando de maneira diferente. Mas não vemos outros. A organização do futebol precisa mesmo melhorar. Vemos grandes empresas se reestruturarem, reverem tudo, fazer uso de tecnologias disponíveis no mundo e precisamos fazer com que o futebol também seja uma potência organizada, econômica. Não queremos ver os clubes com dificuldades financeiras, os jogadores com salários atrasados. Precisamos encontrar mecanismos para que o futebol funcione de maneira organizada.

Você acha que um envolvimento mais cedo do governo na organização da Copa teria evitado os problemas na preparação do Mundial?
Ronaldo – Acho que a preparação está indo muito bem, apesar das dúvidas que ainda existem, principalmente na mídia. Nós estamos muito contentes com o que estamos fazendo. Temos certeza que vamos conseguir, apesar dos problemas que vão aparecendo no meio do caminho. Mas vamos conseguir entregar o melhor para a Copa do Mundo e a Copa das Confederações. Concordo que, se tivesse essa interação muito antes, teria sido mais fácil e teríamos alcançado o sucesso mais rápido. Mas acho que ainda bem que conseguimos reverter e identificar os problemas e resolver esses problemas. A participação direta do governo dentro do Comitê tem sido fundamental. Economizamos muito tempo.

Promoção. Ex-jogador viaja à Europa para ajudar a divulgar a Copa das Confederações e atrair torcedores estrangeiros ao País.

Fonte: Estadão

 

Telecomunicações é o principal gargalo de Porto Alegre para Copa

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A Faculdade de Ciências Econômicas da Ufrgs sediou, ao longo do dia de ontem, uma série de reflexões sobre o desenvolvimento de Porto Alegre para a Copa de 2014. No encerramento da programação promovida pela Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor) da Câmara Municipal, secretários estaduais e municipais apresentaram um balanço das principais ações e obras de infraestrutura necessárias para a realização do Mundial no próximo ano.

Na avaliação do secretário municipal da Copa, João Bosco Vaz, um dos maiores gargalos da cidade, que ainda permanece sem solução, diz respeito ao setor de telecomunicações. Para ele, a chamada Lei das Antenas exige que o laudo de instalação seja concedido em no máximo 60 dias, mas não cobra das operadoras um percentual mínimo de propagação das transmissões. “Não se surpreendam se as operadoras montarem esquemas temporários para a Copa apenas no entorno do estádio e depois retirarem a infraestrutura”, considerou.

Vaz ainda destacou como o principal legado a necessidade de qualificação de 8 milhões de trabalhadores nos segmentos de serviços, hotelaria, gastronomia e comércio. O secretário chamou a atenção para a perspectiva de um movimento econômico superior a R$ 165 bilhões apenas no período de preparo do País para receber o evento. Além disso, a média de gastos dos visitantes estrangeiros na África do Sul, a sede de 2010, foi avaliada em US$ 11,4 mil. Segundo ele, a estimativa é de que o Brasil receba 600 mil turistas estrangeiros e registre movimento interno de mais de 3 milhões de pessoas.

Por volta das 18h, o barulho das buzinas dos automóveis se intensificava no lado de fora do auditório, na avenida João Pessoa, em razão das obras dos terminais dos BRTs, e o secretário municipal de Gestão, Urbano Schmitt, terminava suas considerações sobre as obras de mobilidade previstas na Matriz de Responsabilidade da sede gaúcha. Os investimentos de R$ 886,8 milhões, divididos entre obras (R$ 808 milhões) e desapropriações de moradias (R$ 78,8 milhões) – com prazos fixados em 12 meses, 18 meses e 22 meses -, impõem, desde o início de 2013, uma alteração de rotina em alguns dos principais vetores do trânsito porto-alegrense.

O conjunto total das 10 obras, que prevê, entre outras melhorias, a construção de corredores de ônibus, alargamentos de avenidas e alças elevadas sobre a Terceira Perimetral, entrou em fase de execução simultaneamente. Entretanto, segundo ele, o motivo não foi a falta de planejamento e todos os transtornos têm passado por monitoramentos constantes da EPTC. “As obras foram projetadas antes. Sabíamos que teríamos um momento mais difícil e isso ocorre agora. Em seguida, a tendência é de que sejam minimizadas. Tudo isso é em prol da cidade e realizamos levantamentos sobre a qualidade dos nossos desvios para controlar as alterações no trânsito”, afirmou.

Enquanto as inscrições em alguns cartazes colados na entrada do prédio contestavam aspectos da realização do evento na Capital, em função da necessidade de remoção de famílias e da falta de investimentos em saúde, a plateia formada por estudantes da universidade exigia explicações sobre o aumento das passagens de ônibus e o corte de árvores para a duplicação da avenida Beira-Rio.

O secretário estadual do Esporte e Lazer e coordenador-geral do Comitê Gestor da Copa 2014, Kalil Sehbe, traçou então um resumo dos R$ 1,4 bilhão estimados para as melhorias em energia, mobilidade, segurança e saúde. Entretanto, o montante ainda considerava R$ 752 milhões para o Aeroporto Internacional Salgado Filho, obra que foi retirada da matriz e permanece sem cronogramas definidos pela Infraero. Questionado, ele ressaltou os esforços do governo para obtenção de prazos junto ao órgão e garantiu, ao menos, a instalação do sistema antineblina (ILS II) para maio deste ano.

Mundial será prova de fogo à democracia, avisa argentino

Adriana Lampert

Convidado para expor sobre a experiência de Buenos Aires e o desenvolvimento econômico da Argentina na Copa de 1978, o professor PhD em Sociologia da Ufrgs Raul Rojo foi categórico ao destacar que o país vizinho se “afundou” em dívidas com o FMI após o evento mundial. Por isso, reiterou que é preciso estar atento para que não haja uma “instrumentalização” da Copa para o enriquecimento ilícito. “Será uma prova de fogo à democracia. Claro que as realidades (políticas e históricas) são diferentes, pois na Argentina o evento foi organizado pelo regime militar ditatorial, que inclusive utilizou o Mundial como uma estratégia para amenizar atrocidades, como as torturas e assassinatos que aconteciam a menos de 10 quadras dos jogos”, ponderou.

Rojo ressaltou que, “se há algo que se pode aprender com a experiência argentina, é como não fazer as coisas”. Ele citou os “elefantes brancos”, como alguns estádios criados unicamente para o evento, que foram superfaturados e que atualmente recebem de um a dois jogos por ano. “O campeonato de 1978 foi orçado originalmente em US$ 70 milhões, e no final, custou US$ 700 milhões. Este dinheiro não foi utilizado em infraestrutura, mas, sim, para os bolsos de pessoas ligadas à organização do evento, que inclusive quadruplicaram sua fortuna, após a Copa”, disparou.

O presidente da Cefor, vereador Valter Nagelstein, lembrou que não estão ocorrendo investimentos públicos do município em estádios. “Estamos aproveitando a vinda do campeonato para fazer coisas que precisavam ser feitas havia décadas.”

Formação profissional desafia preparação da Capital gaúcha

Formar funcionários de ponta – garçons, camareiras, recepcionistas, cozinheiros, barmen – para bem atender aos turistas que visitarem a Capital tem sido uma das metas do Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre (Sindpoa). Intensificada a partir de 2009 (quando se confirmou que o Brasil sediaria a próxima Copa do Mundo), a iniciativa ganhou novos turnos e horários, que ampliaram as alternativas de cursos oferecidos pelo Centro de Qualificação Empresarial da entidade. A estratégia já formou mais de 16 mil pessoas desde 2002 e abrange a capacitação também de empresários do setor. Outra iniciativa prepara esses mesmos profissionais para orientarem e repassarem dicas aos visitantes da cidade durante a Copa de 2014.

Fonte: Jornal do Comércio

Porto Alegre: a prioridade dos investimentos em infraestrutura

Cada cidade, região, estado possui suas prioridades. Quem mais as conhece é quem vive nos locais, enfrentando no cotidiano, os gargalos. Entre várias prioridades que possui, penso que Porto Alegre necessita urgentemente de uma reforma na infraestrutura. Sabemos que, devido ao movimento “Copa do Mundo”, cidades de todo o Brasil começaram suas obras, inclusive Porto Alegre. No entanto, questiono a demora na realização dessas obras, já que boa parte está apenas no papel ou é recém saída dos projetos.

Na primeira quinzena de janeiro de 2013, por exemplo, passamos por uma situação mais que estressante, onde o ponto culminante foi uma vitima fatal devido à forte chuva que, mais uma vez, alagou nossa cidade. O prejuízo é geral é incalculável, pois o que vemos nos noticiários são os fatos extremos que somados às demais ocorrências. Impossível inaceitável e continuar omisso. Claro que é preciso levar em consideração o alto volume de chuvas. Mas, se algumas partes de Porto Alegre suportaram, é sinal de que investimentos trazem resultados, sim. Sem investimentos vimos casas alagadas, carros destruídos e sonhos de muitos trabalhadores perdidos, além do foco comercial e industrial, ou seja, afetando todas as classes e categorias da população.

Sabemos que os orçamentos para a realização de obras públicas possuem custos elevados. Da mesma forma, sabemos os prejuízos causados por obras iniciadas com longos prazos para a concretização e, em alguns casos, inacabadas. Isso fere o bolso de todos os cidadãos.

Poderia enumerar muitos outros problemas. No entanto, queremos solução, queremos ter uma perspectiva positiva para o futuro, pois o caos originado pelas chuvas torrenciais ocorre de uma maneira devastadora e sem aviso. São fatos naturais. Agora, as chuvas de porte leve, que produzem alagamentos em vários pontos da cidade deveriam chamar a atenção das autoridades competentes há muito tempo, pois, como comentei anteriormente, este tema já é velho. Exemplos do descaso com o investimento em infraestrutura podem ser visto todos os anos pelos noticiários. As notícias se repetem. Como porto-alegrense tenho o sonho de não ver mais isso em minha cidade.

Por Rubens Santos

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