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“Quem conquistar os jovens pode ganhar a eleição”

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Mais do que conquistar a simpatia da classe C, os candidatos têm que dar atenção aos jovens, diz Renato Meirelles, do Data Popular.

O contexto mudou e a nova classe média já não é tão nova assim. Em tempos de economia desaquecida, não é possível impor sobre ela a responsabilidade de continuar impulsionando o crescimento no ritmo acelerado de anos atrás, diz Renato Meirelles, diretor-presidente do Data Popular, instituto especialista em pesquisas sobre o comportamento das classes C, D e E.

Ainda assim, a nova classe C permanece consumindo em patamar elevado. Ela movimenta R$ 1 trilhão por ano em compras, quase o dobro da quantia registrada pelo instituto em 2006, de R$ 550 bilhões anuais.

Nesse meio tempo, cresceu o número de integrantes e também a renda salarial, o que garante musculatura a essa fatia da população. “O Brasil é o único país entre os BRICs que cresce de baixo para cima”, salienta Meirelles. Sobre a nova classe C, pesa a inflação.

O aumento dos preços dos serviços, até então um “privilégio” dos mais ricos, hoje corrói o orçamento de um número maior de consumidores. Para reivindicar os direitos recém-descobertos, a nova classe média se uniu à elite, das classes A e B, e elegeu os jovens como formadores de opinião e porta-vozes.

Mais do que conquistar a simpatia da classe C, os candidatos têm que dar atenção aos jovens, porque as eleições tendem a ser definidas por eles. “É preciso escutá-los”, diz Meirelles.

Há algum tempo, pesquisas com a nova classe C já revelam descontentamento com saúde e educação. Faltou ao governo atenção a esses indicativos, que culminaram nas manifestações?

Quando você estuda mais, ganha mais dinheiro e tem mais acesso aos serviços privados, você muda sua régua de qualidade. O cara que queria cesta básica, agora quer um plano de banda larga. Estamos falando de brasileiros que passaram a fazer parte do emprego formal e a pagar imposto diretamente retido na fonte. Aí eles começam a entender que a contrapartida dos governos pelos impostos não é favor, mas obrigação. Na prática, vemos que o que trouxe o Brasil até aqui não vai ser o suficiente para nos levar mais para frente.

Qual o perfil dos manifestantes identificado nas pesquisas do Data Popular?

Metade da classe média e metade da classe A e B. A grande maioria era jovem. O jovem da classe A e B não vê a renda da sua família crescer na mesma velocidade que a renda do restante do Brasil. O colega que era filho da empregada está indo no mesmo cinema, tem um tablet e um conjunto de produtos. A outra metade é de jovens da classe C. Esses não têm a memória da melhora de vida que os pais tiveram. Porque o pai passou fome e não tinha emprego e, por isso, têm gratidão. Os mais jovens, não. A memória histórica deles é dos últimos cinco anos, quando o Brasil não melhorou. A sensação dele é de perda de perspectiva de crescimento. O que aconteceu no Brasil é muito positivo para a democracia. É uma crise de representatividade.

A classe C será o foco dos candidatos nas próximas eleições?

Sim, por ser metade do eleitorado brasileiro, mas principalmente os jovens. Ele é o novo formador de opinião da classe média brasileira. O jovem já representa um terço do eleitorado. Quem conseguir captar a vontade desses jovens, que na sua maioria estudaram mais que os pais, contribuíram com a renda da família e, por ter uma memória mais curta, pensam mais no futuro do que no passado, tem grande chance de conquistar essa fatia do eleitorado.

Boa parte da nova classe média é simpática aos programas sociais do governo Lula. Essa simpatia foi transferida para a presidente Dilma Rousseff?

Não tenho dúvida que se a eleição fosse hoje ela seria reeleita. Boa parte da classe média enxerga nela a herdeira natural do presidente Lula. Mas, por mais que você goste do herdeiro, ele não gera o mesmo sentimento do original. Não confundam aprovação momentânea com lastro afetivo e gratidão construída ao longo dos anos. Isso é patrimônio do Lula.Um dos argumentos utilizados para evitar o plebiscito da reforma política foi que a população , principalmente das classes C, D e E, teria dificuldade em opinar sobre o tema.

A reforma política está na cabeça desse grupo?

O que está por trás da argumentação é o preconceito. O proposto é que eles nem votem. Deveríamos, então, ter um grupo de intelectuais e sábios para decidir o futuro da democracia brasileira. Não existe nada tão antidemocrático quanto subestimar a capacidade do povo brasileiro em decidir o seu futuro. O que está por trás desse discurso é a incapacidade da classe política de traduzir a discussão da reforma política para a maioria da sociedade brasileira. É papel da classe política explicar o que é voto distrital, de uma forma que essa classe entenda, e incentivar o debate.

Em pesquisas, entrevistados chegaram a abordar o plebiscito?

A forma como o plebiscito foi apresentado para a população é mais ou menos como quando você está com o carro quebrado. Você vai ao mecânico e não entende nada de carro. Aí pergunta qual o problema. Ele diz que é a “repimboca da parafuseta”. Você desconfia: se ele está falando complicado, está tentando enganar. Foi essa a leitura que o tema reforma política teve da população. Se a pergunta fosse “Você é a favor que a população vote e decida sobre uma nova forma de representação política?”, todos seriam favoráveis. O brasileiro é a favor de chamar para si a decisão sobre o seu futuro. Em uma pesquisa na véspera das passeatas, 53% dos jovens colocaram que acreditam em si mesmos para conquistar um futuro melhor. Depois vinha Deus e lá atrás, com menos de 5%, o governo. Qual o sinal? Eles querem ser protagonistas da própria história. Cabe à classe política se reconectar e se mostrar um agente confiável.

Como políticos e empresas conseguirão se conectar aos jovens?

O jovem dá muito valor às informações que ele busca. Anúncios de 30 segundos na TV não fazem sentido para ele. Quando quer saber sobre algo, procura no Google ou pergunta na rede social se alguém já teve experiência com aquela marca ou político. Esse jovem vive a era da conectividade. Por isso, nas passeatas, as redes sociais foram mais importantes que os partidos. Isso é um desafio para a empresa e para o político. O Brasil não precisa mais de salvadores da pátria, mas de canais diretos de diálogo. Que não só falem, mas principalmente escutem.

Qual a percepção atual do mercado sobre a nova classe média?

Durante muito tempo existia um preconceito do mercado em admitir que vendia para a classe C, que era vista como consumidor de segunda classe. Para classe C, eu não quero vender, mas para a média, eu quero. Média é um conceito econômico. Não estou dizendo do ponto de vista sociológico e não estou tratando de classe social. É um conceito estatístico. Boa parte das pessoas se julga da classe média, pessoas que pertencem ao extrato mais rico da população brasileira. O conceito é que rico é o Antônio Ermírio de Morais. Mas vivemos em uma sociedade com renda desigual, em que a renda per capita da fatia 1% mais rica é de R$ 6 mil. Não é possível chamar essa parcela da população de classe média, porque ela não é média de nada. Uma família de quatro pessoas significaria uma renda familiar de R$ 24 mil. É muito dinheiro? É, mas não é nenhuma fortuna.

Nova classe média é realmente o termo adequado para tratar do novo grupo de consumidores?

Há várias formas de chamar. A primeira pessoa que falou nisso foi o Neri (Marcelo, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; na época, economista da Fundação Getúlio Vargas), considerando o critério de renda. No início do ano passado, passou a ter essa discussão na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, que hoje é interinamente ocupada pelo Marcelo. Ele trabalha com o conceito de renda per capita familiar, que vai de R$ 291,00 a 1.019 por pessoa da família. Estamos falando de uma renda familiar média em torno de R$ 2.500 e R$ 3.000. Não é classe social, é classe econômica. Quando se fala de classe social é uma forma de avaliar a sociedade, são conceitos muito mais ligados à sociologia do que realmente ao poder de compra das pessoas.

Desde que foi definida a nova classe média o país passou por mudanças importantes, com o desaquecimento da economia. Mudou para essa classe média também?

Tem mudado em alguns aspectos. Primeiro alguns fatores que explicam um processo de desaceleração. Durante muito tempo essa classe média estava desassistida de alguns produtos e serviços. Esse cara não tinha televisão, não tinha computador, não tinha acesso a um conjunto de produtos e serviços que era acessível à parcela mais rica da população. Com isso, houve um boom de consumo de geladeiras, televisores. Mas as pessoas não precisam trocá-los todos os dias. Parte da desaceleração da economia se deve à saturação de alguns mercados. O segundo aspecto está ligado a um processo efetivo de aumento do endividamento das pessoas, não de inadimplência. Os índices de inadimplência continuam os mesmos dos últimos dez anos. A inadimplência de pessoa física varia de 6% a 7%. Só que a quantidade de dívida cresceu. O terceiro aspecto é que o Brasil passou por um processo de redução da pobreza, um processo de criação de empregos formais, que foi sem dúvida a mola propulsora da classe média. E por mais que o Brasil ainda esteja com índices de desemprego muito baixos, o crescimento da geração de vagas não consegue ser o mesmo, pois já tem muita gente empregada. Então,não é fácil ter uma economia em crescimento contínuo, na mesma velocidade.

O processo de expansão do consumo nesse grupo chegou ao limite?

Não diria limite, mas é natural que desacelere. Para crescer, é necessário que a economia continue avançando. É preciso resolver gargalos profundos. Se o salário cresce acima da inflação por decisão do governo, tem que haver uma contrapartida de produtividade.

O gargalo da produtividade é especialmente preocupante no setor de serviços, justamente o que mais empregou a nova classe média.

Sim, mas há também um novo modelo de inflação que atinge essa nova classe média. Durante anos, era a inflação de alimentos que impactava e comia a renda dos mais pobres. Essa nova classe média que passou a ter computador em casa, passou a assinar plano nacional de banda larga. Ela comprou TV de LCD e passou a ter plano de TV por assinatura, passou a viajar de avião, e a frequentar universidades. De dez anos para cá, temos mais três milhões de universitários no Brasil. Tudo isso é gasto com serviços. A inflação de serviços passou a pesar mais na nova classe média. Há uma década, de cada R$ 100 gastos, R$ 49 eram gastos com serviços. Hoje, são R$ 65. Por outro lado, se tenho muita gente querendo comprar geladeiras, é possível importar. Mas isso não vale para manicure e recepcionistas de supermercado. O aumento da produtividade controla a inflação pela oferta, pois se produz mais com um número menor de pessoas. Assim é possível segurar os preços e controlar a inflação.

A inflação, entre todos os problemas econômicos atuais, é o que mais prejudica a nova classe média?

Do ponto de vista da economia, sim, principalmente a inflação dos produtos e de serviços para a classe média mais ascendente. A renda cresceu em uma velocidade superior à da escolaridade. E isso impacta diretamente na produtividade. Se a massa trabalhadora dos brasileiros tivesse um ano a mais de estudo, isso iria significar US$ 109 bilhões a mais na economia.

Qual o perfil das classes C, D e E, hoje?

Vamos começar pela D e E, as mais baixas. Parte considerável está no mercado informal de trabalho, ou seja, não tem acesso a uma série de benefícios trabalhistas. Em geral, são pessoas com baixa escolaridade e com presença maior na zona rural do que na urbana. A classe C, por sua vez, está nas cidades. São pessoas que passaram a ter um trabalho formal. Algumas estão na informalidade, mas tendem a se formalizar, como as empregadas domésticas e trabalhadores da construção civil. E que, graças ao aumento real do salário mínimo, subiram de classe. Temos três protagonistas nessa nova classe média. O primeiro é a mulher. A ida da mulher ao mercado de trabalho, em especial na classe média, foi a grande protagonista da mudança. O segundo são os jovens, com escolaridade muito melhor que a dos seus pais. É um jovem conectado, que aparece como novo formador de opinião da nova classe média. É muito comum nas nossas pesquisas etnográficas, em que vamos morar na casa das pessoas da classe C, ver um pai falando que pensou em comprar celular, mas precisa da opinião do filho.

O que diferencia as classes médias?

A nova classe média é mais otimista que a tradicional, dá mais valor àquilo que paga, então, pesquisa mais preço e é mais fiel aos produtos e marcas que confia. Diferentemente da classe média do passado, ela tem mais orgulho da sua história. Vale também comentar sobre a nova elite que está surgindo. Hoje 44% das classes A e B são a primeira geração de pessoas com dinheiro na família. E não estou falando só do jogador de futebol ou de um cantor que ficou famoso de uma hora para outra. É o dono da padaria, do mercadinho. São milhões de brasileiros que têm bolso de classe A e jeito de pensar da classe C.

Então, quem é a elite brasileira, hoje?

Estou falando das classes A e B, que tem uma renda per capita acima de R$ 1.019. Essa camada da população brasileira é de 20%.

Isso significa que está ocorrendo uma ascensão de patamar das classes sociais?

O Brasil é o único país entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China, considerados emergentes) que cresce de baixo para cima.

Isso permanece na atual conjuntura econômica ou é um processo estagnado?

Não estagnou por algumas razões. Os motivos que levam ao enfraquecimento da economia não atingem o colchão de sustentação das classes D e E. Continua existindo o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo tem piso por lei. O que há é uma redução na velocidade do crescimento da classe média, o que é natural pelo desaquecimento da economia, mas não há nenhuma chance de essas pessoas regredirem. Elas estão estudando mais e o mercado interno ainda segura o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) com algumas categorias de produtos. As geladeiras, todos os lares já possuem, mas metade ainda não tem acesso à máquina de lavar.

Mas, para quem está nas classes D e E, está complicado ascender?

Todo momento em que a economia não cresce na velocidade que todos gostariam, dificulta a mudança de classe.

Há um grupo de vulneráveis. Ele aumentou atualmente?

São as classes D e E. O Brasil durante anos desenvolveu um conjunto de políticas públicas que, na prática, não permite que a população volte à extrema miséria.

O que esperar de mudança na classe média daqui para frente?

A classe média, que está em torno de 52% da população brasileira, deve chegar a 57% a 58% na próxima década. É uma estabilidade comparada ao crescimento dos últimos anos. Se é fato que a carteira assinada nos trouxe até aqui, talvez o que faça com que as pessoas cresçam seja o empreendedorismo. Vai ser um crescimento mais lento, gradual, mas sólido. Para isso, o Brasil precisa ter uma política forte de incentivo. Seja através de redução dos impostos, seja pela diminuição de burocratização.

O fato de ter uma classe C avançando não significa que a renda está sendo melhor distribuída. A impressão é que a antiga classe média está sendo comprimida…

Se o crescimento de quem tem mais dinheiro é menor do que o de quem tem menos dinheiro, prossegue o processo de distribuição de renda. É possível que uma camada da população que se intitula classe média, mesmo fazendo parte da camada mais rica, comece a se incomodar com isso. Essas pessoas estão sofrendo mais com a desaceleração da economia e a inflação de serviços.

Uma crítica recorrente ao conceito de nova classe C é de que se trata de um grupo econômico sem acesso a avanços sociais e cultura.É uma questão de tempo?

Há uma visão preconceituosa do que é cultura. Hoje mais de 60% dos estudantes universitários pertencem à classe C. Mais de 70% das pessoas que frequentam salas de cinema são da classe C. O fato é que primeiro cresceu a renda e, em seguida, avançaram os hábitos culturais.

Passado o período de acesso a uma série de bens, o que seria hoje o sonho de consumo da nova classe média?

Há uma preferência pelo que chamamos de produtos e serviços plataformas, que servem de meio para continuar mudando de condição de vida. O computador não é visto como um produto de luxo, mas uma forma de ter um ‘doutor’ dentro da família. Os gastos com estudo são uma forma efetiva de ter aumento real nos salários. Mesmo alguns produtos que os economistas chamam de supérfluos, como produtos de beleza, são plataforma. Quando conversamos com as mulheres, quatro das cinco profissões são de atendimento ao público. A aparência é um requisito para ter sucesso profissional. Isso é difícil para os economistas homens entenderem.

O consumo é uma plataforma ou um status?

O status vale em especial para as classes A e B. Enquanto a elite compra buscando exclusividade, a nova classe média compra produtos que a ajude a romper com o preconceito social, que ainda existe. Mas também compra marcas que funcionam como selo de garantia. Ela topa pagar um pouco mais caro por produtos que justifiquem seu preço. Diferentemente do que pensa o senso comum, as classes A e B compram mais produtos piratas. Enquanto a classe C prefere parcelar em dez vezes no cartão.

O preconceito dificulta a ascensão da classe C?

Não tenho dúvida. Quanto mais a elite estiver preparada para as diferenças étnicas e valores de cultura, mais a classe C vai poder crescer e se desenvolver economicamente.

O mercado também está tendo menos preconceito e está produzindo mais para a classe C?

Essa é a boa notícia. A classe C hoje movimenta R$ 1 trilhão por ano, com mais de 100 milhões de pessoas. Esse poderio tem feito com que as empresas olhem cada vez mais para essa classe média brasileira. Você tem a popularização das viagens aéreas, o processo da criação de concursos de beleza em favelas, a busca por uma linguagem mais popular. O mercado está se mexendo. Se o dinheiro mudou de mão, o mercado está tentando atingir o interesse dessa nova parcela de consumidores, que não é mais um nicho de mercado, mas um verdadeiro mercado brasileiro.

Em 2006, uma pesquisa do Data Popular falava em R$ 550 bilhões. Mudou tanto assim?

Mudou, porque aumentou o número de pessoas na classe média e houve aumento real do salário. E essa pesquisa de 2006 era massa de renda, agora estamos falando de consumo. O Brasil gasta hoje R$ 2,1 trilhões.

Pensando na outra protagonista das mudanças: a mulher. O que ela trouxe ao mercado e à política brasileiros?

A partir do momento em que a mulher passa a contribuir com a renda da família, ela passa a decidir mais o consumo da família. A mulher deixou de ser a dona de casa e passou a ser a dona da casa. Ela passa a influenciar boa parte das decisões de consumo do marido. É a mulher que faz o filho estudar mais. Há dez anos, a mulher que ia para o mercado de trabalho colocava ombreira e falava grosso, utilizando os mesmos artifícios dos homens para impor respeito. Essa nova mulher brasileira é da política do consenso e com jeitinho tenta conseguir o que quer. O importante é que as coisas aconteçam do jeito dela.

Fonte: Brasil Econômico

Em Porto Alegre, 91% das pessoas estão insatisfeitas com impostos

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Pesquisa aponta que 1 em cada 4 não sabe quanto paga em tributos. Foram entrevistadas 400 pessoas na capital entre os dias 9 e 18 de julho.

Os moradores de Porto Alegre estão insatisfeitos com a utilização dos recursos públicos municipais, estaduais e federais. É o que revela uma pesquisa encomendada pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) da capital gaúcha, que revelou que mais de 91% da população local acreditam que os valores arrecadados com os tributos não são totalmente bem administrados pelos governos. Além disso, 63% disseram estar insatisfeitos com os benefícios gerados pelos tributos que pagam. Em uma pesquisa realizada em 2005, o grau de total insatisfação com o benefício dos impostos era de 48%.

A pesquisa aponta, ainda, que um em cada quatro porto-alegrense não sabe quanto paga em impostos, e 55% não acreditam que uma redução nos tributos prejudicaria os benefícios dos serviços custeados por eles. Foram entrevistadas 400 pessoas em Porto Alegre entre os dias 9 e 18 de julho de 2013.

De acordo com o presidente da CDL Porto Alegre, Gustavo Schifino, o objetivo foi identificar o nível de conhecimento e consciência da população da capital em relação à carga tributária praticada na cidade, no estado e no país. “Pretendemos despertar no consumidor uma melhor percepção sobre o peso desses impostos em cada mercadoria ou serviço adquirido, bem como a aplicabilidade dos recursos arrecadados. Acreditamos que um consumidor consciente é mais ativo e responsável pelo setor como um todo”, afirma Schifino.

A consciência sobre quais impostos são mais significativos no dia a dia do consumidor está bem longe da realidade, mostrou o estudo. Quando questionados sobre quais impostos mais lembram, 30% dos contribuintes citaram o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), responsável por menos de 2% da arrecadação. Outro dado que surpreendeu os pesquisadores é que 10% dos entrevistados disseram não lembrar de nenhum imposto pago.

Moradores poderão ter melhor controle dos gastos com tributos

A Câmara dos Dirigentes Lojistas da capital quer medir a arrecadação municipal, estadual e federal e divulgá-la para os habitantes de Porto Alegre. O controle se dará inicialmente através do site da instituição. Depois, um placar será instalado em uma rua da cidade, e os moradores poderão acompanhar diariamente os números pelo Impostômetro RS.

Fonte: G1

Com um poder de compra estimado em R$ 506 bilhões, os jovens entre 18 e 30 anos estão obrigando as empresas a rever suas estratégias

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Um dos momentos de lazer da paulistana Renata Bertolucci, 27 anos, é quando ela dirige seu HB20, estalando de novo, pelas ruas do bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, onde vive com a família. As prestações do veículo que ela divide com os pais são pagas com o resultado de seu trabalho. O salário ganho por Renata na função de auxiliar de escritório na sede do banco Safra, na avenida Paulista, um dos centros financeiros da capital, tem uma importância ainda maior para sua família. Além de ajudar nas compras de alimentos, é ela quem paga a mensalidade do serviço de internet banda larga instalado em casa.

Renata faz parte de um grupo de jovens na faixa etária entre 18 e 30 anos que está sob o escrutínio de agências de publicidade, fabricantes de produtos de consumo e prestadores de serviços. Afinal, trata-se de uma massa composta por 42,1 milhões de pessoas, com renda anual estimada em R$ 506,6 bilhões, de acordo com estudo do Data Popular, instituto paulistano especializado em pesquisas. A cesta de compras dessa turma vai muito além do telefone celular e do notebook. O estudo do Data Popular mostra que suas prioridades de compras para os próximos 12 meses recaem sobre itens como móveis, tevês e geladeiras (veja quadro ao final da reportagem).
Com uma renda maior que a de seus pais, mais escolaridade e domínio dos meios digitais, essa moçada sub 30 vem mexendo com as estratégias de marketing das empresas e com a criatividade das agências de publicidade. “Eles não são fiéis às marcas”, afirma Renato Meirelles, sócio-fundador do Data Popular. “Na hora de decidir o que comprar, esses jovens levam em conta componentes emocionais e racionais, mas, acima de tudo, querem ser ouvidos.” Para Meirelles, esses componentes são típicos de uma cultura do gosto-não gosto-troco, fomentada com a popularização das redes sociais. A operadora de telefonia TIM é uma das empresas que estão se esforçando para entender esse consumidor.

Para isso, incorporou ferramentas do mundo virtual à sua política de desenvolvimento de serviços. Um bom exemplo dessa preocupação é o TIM Beta, um plano dedicado ao público jovem que está sendo construído por meio de plataforma colaborativa, o crowdsourcing. Com isso, cada integrante da rede pode opinar sobre os itens que deveriam ser incluídos no pacote. A seleção dos clientes também segue uma lógica diferente. “Esse chip não está sendo comercializado e são os usuários do Beta que escolhem quem vai participar”, diz Roger Solé, diretor de marketing da TIM. “Quanto mais ativo for o perfil nas redes sociais, mais ele pontua, tendo acesso ao melhor que o plano pode oferecer.”
Outro exemplo de mudanças na estratégia de produtos e de comunicação pode ser visto na PepsiCo. Lá, o trabalho vem sendo feito com mais força na linha de salgadinhos Doritos, direcionada ao público entre 18 e 24 anos. Desde o começo do mês, o slogan “Para os Fortes” passou a ser grafado nas embalagens do produto. “Antes, o Doritos tinha como mote a sua divisão com os amigos”, afirma a vice-presidente de marketing da PepsiCo no Brasil, Patrícia Kastrup. “Agora, apostamos na afirmação da personalidade do consumidor.” O novo posicionamento foi uma decisão global. Mas é preciso cuidado. Afinal, apenas um slogan pode não ser o suficiente para fisgar esse consumidor.

“A marca tem de fazer parte da vida e da cultura do jovem, não apenas fingir que faz,” afirma Guga Ketzer, vice-presidente de criação da agência de publicidade Loducca. Qualidade também é fundamental. “Prefiro pagar um pouco mais caro e levar para casa um produto no qual confio”, diz o paulistano Willy Provedelli dos Santos, 27 anos, também morador da zona leste de São Paulo e graduado em psicologia. Opiniões como a de Santos têm sido cada vez mais decisivas na hora de as famílias adquirirem produtos de consumo. “Esses jovens estão influenciando nas compras mais importantes”, diz Samuel Matsuyama Rodegheri, diretor de produtos da paranaense Positivo Informática, líder do mercado nacional de computadores.

“São eles que fazem pesquisa de preço e checam os melhores modelos. Tudo pela internet”, afirma Meirelles, do Data Popular. Além de manejar essas ferramentas virtuais, esse contingente, especialmente o das classes C, D e E, tornou-se referência porque boa parte tem uma educação formal melhor que a dos parentes mais velhos. “Meus pais sempre pedem a minha opinião”, diz Ignes Barcelar dos Santos, de 27 anos. “Mesmo se não conheço determinado produto, eles sabem que tenho mais acesso à informação e vou pesquisar a respeito.” Formada em administração e logística, ela cursa pós-graduação em gestão de qualidade. Ignes é filha de uma cuidadora de idosos e de um metalúrgico e mora com os pais em Guarapiranga, bairro da zona sul de São Paulo.

A infidelidade desses consumidores em relação a marcas funciona como combustível para quem desembarcou há pouco tempo por aqui, como a montadora japonesa Nissan. “Com 12 anos de atuação no Brasil, podemos dizer que somos uma marca adolescente”, afirma Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan. “Os jovens têm mais liberdade para escolher uma marca nova do que os seus pais.” Isso tem dado resultados principalmente com o seu compacto March. Atualmente, 24% das vendas desse modelo são para motoristas entre 18 e 30 anos. Nesse contexto, não se pode atribuir a uma mera coincidência o fato de o primeiro carro da bancária Renata também exibir o logotipo da Hyundai, que começou a produzir localmente há menos de seis anos.

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Fonte: IstoÉ

Emprego mais estável é próximo desafio da nova classe média

O aumento do emprego formal foi crucial para formar uma nova classe média no país, que viu sua renda per capita aumentar em 50% na última década.

Mas novos avanços desse grupo social – de renda familiar entre R$ 1 mil e R$ 5 mil por mês – agora passam por empregos mais estáveis, menos rotativos e mais produtivos, aponta estudo divulgado nesta segunda-feira pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) do governo federal.

Entre 2001 e 2011, foram gerados 16 milhões de postos de trabalho. E a renda per capita da classe média cresceu 50%, de R$ 382 por mês para R$ 576 – puxada, sobretudo, pelo aumento do emprego formal e dos salários e, em menor medida, pelos programas de transferência de renda (como Bolsa Família) e pelo fato de as famílias terem menos crianças e, ao mesmo tempo, mais adultos trabalhando.

Entretanto, se o emprego formal nunca esteve em nível tão alto como agora, o mesmo pode ser dito da rotatividade dos trabalhadores.

O governo diz que 40% dos trabalhadores trocam de emprego em um ano, porcentagem que chega a 80% nos trabalhadores que ganham até 2 salários mínimos (ou cerca de R$ 1,3 mil). E esses números, que já estão entre os mais altos do mundo, estão aumentando.

Vínculos frágeis

“Os vínculos de trabalho duram pouco, e os postos de trabalho são pouco estáveis”, disse nesta segunda o ministro interino de Assuntos Estratégicos, Marcelo Néri, ao apresentar o estudo, chamado Vozes da Nova Classe Média.

O problema disso, acrescentou o ministro, é que esse trabalhador “rotativo” adquire poucos conhecimentos durante seu trabalho e também recebe poucos investimentos de seu empregador.

“São relações fugazes, em que ninguém investe em ninguém (nem trabalhador, nem empregador). Isso gera custos e causa perda de conhecimentos específicos. É um problema crescente perante padrões internacionais”, declarou Néri.

Para os cofres públicos, um efeito colateral é o grande número de pedidos de seguro-desemprego, também em níveis recordes atualmente.

E o país como um todo também perde em produtividade, considerada um dos maiores empecilhos para a competitividade internacional brasileira.

Propostas

A Secretaria de Assuntos Estratégicos apresentou duas propostas para aumentar os vínculos dessas relações de trabalho.

A primeira é aumentar a oferta de cursos de aprimoramento profissional para quem já está empregado – em vez de focar apenas em quem está procurando emprego.

Néri propõe a adoção de cursos de 40 horas que sejam pagos na metade pelo empregador e na outra metade pelo empregado, para incentivar o elo entre ambos.

A proposta visa combater a alta rotatividade e também as deficiências educacionais da mão de obra brasileira: a escolaridade média dos trabalhadores aumentou 27% em dez anos, mas a educação ainda é baixa – passou de 6,7 anos em 2001 para 8,5 anos em 2011.

A segunda proposta consiste em reformular políticas já existentes de benefícios para trabalhadores de baixa remuneração (1 a 2 salários mínimos), como o abono salarial (pago anualmente pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador) e o salário família (concedido pela empresa, mediante descontos no pagamento do INSS, em proporção ao número de filhos de um trabalhador de baixa renda).

Néri sugeriu unificar os benefícios em pagamentos mensais, que, segundo os cálculos da Secretaria de Assuntos Estratégicos, poderiam aumentar em até 13% o salário de um trabalhador que recebe o mínimo e ajudariam a incentivar esse empregado a permanecer em seu posto.

As propostas ainda estão sendo debatidas e não foram formalmente apresentadas dentro do governo federal, segundo Néri. Mas o ministro sustenta que elas não trariam custos adicionais porque apenas redirecionariam recursos já existentes.

Sonhos

Para Ricardo Paes de Barros, subsecretário de ações estratégicas da SAE, o trabalhador de baixa renda do país tem feito a transição de uma “estratégia de sobrevivência” – em que o trabalho é transitório e serve apenas para garantir a subsistência – a uma “estratégia de vida”.

Nela, o trabalho passa a ser visto como uma opção de carreira, e o trabalhador começa a ter planos e sonhos de longo prazo.

“Se o sonho da década passada era o emprego de carteira assinada e o salário maior, o sonho para a próxima década é esse mesmo emprego formal e mais bem pago, porém mais estável e produtivo”, afirmou Paes de Barros.

Fonte: BBC Brasil

Garoto de 12 anos é flagrado no tráfico

Um adolescente de 12 anos foi apreendido com crack e dinheiro proveniente da venda de drogas, às 22h30min de sexta-feira, no bairro Restinga, zona sul de Porto Alegre. Uma viatura da Brigada Militar passava pela Rua Coliseu, perto de uma zona conhecida como boca do Alemão, quando viu o garoto.

Ele tentou se esconder em uma casa, mas foi pego pelos policiais. Na abordagem, os policiais militares encontraram R$ 167 em notas de baixo valor e moedas em um dos bolsos do moletom do menino. No outro bolso, dentro de uma embalagem de confetes, havia 99 pedras de crack.

De acordo com a soldado do 21º Batalhão de Polícia Militar Oriana Burin, o garoto disse que havia começado a vender drogas na sexta-feira:

– Ele comentou que só queria sustentar os irmãos.

De acordo com a Brigada, o adolescente tem cinco irmãos. Ele foi encaminhado ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca). Avisada, a mãe dele compareceu ao local.

Fonte: Zero Hora

44,2% dos jovens entre 16 e 24 anos são católicos, diz Data Popular

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37,6% são protestantes/evangélicos; 6,7% de outras e 11,5% sem religião.

Censo 2010 apontou que 63% dos jovens entre 15 e 24 eram católicos.

Menos da metade dos brasileiros entre 16 e 24 anos são católicos, aponta pesquisa do Data Popular. Segundo o levantamento, 44,2% dos jovens entrevistados se declararam católicos, 37,6% protestantes/evangélicos, 6,7% de outras religiões e 11,5% afirmaram não possuir religião.

A pesquisa mostra que, entre os brasileiros com mais de 50 anos, o percentual dos que se dizem católicas é bem maior. Nessa faixa etária, 57,9% se declararam católicos, 27% evangélicos/protestantes, 11,1% de outras e 4% sem religião.

A queda do percentual de católicos no país e o crescimento do número das pessoas que se declaram “sem religião” estão entre os desafios do Papa Francisco, que desembarca nesta segunda-feira (22) no Brasil para Jornada Mundial da Juventude.

O Data Popular ouviu 1.501 pessoas, no mês de maio, nas áreas urbanas de 100 cidades de todas as regiões do país. Segundo o instituto, a margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Os números mostram uma grande diferença em relação aos do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontava para um percentual de 63% de católicos entre os jovens com idades entre 15 e 24 anos. Dos 190,7 milhões brasileiros, 34,1 milhões são jovens entre 15 e 24 anos. O país tem 123,3 milhões de católicos, sendo 21,8 milhões jovens. Segundo o IBGE, o percentual de católicos no país recuou de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010.

Diferenças metodológicas

Segundo o presidente do Data Popular, Renato Meirelles, os números da pesquisa confirmam a tendência já apontada pelo Censo 2010. “Estamos falando de quase 3 anos de diferença. Essa queda se acentuou e não parou. A pesquisa confirma essa tendência detectada pelo IBGE e confirma que a queda é mais forte entre os mais jovens do que entre os mais velhos”, diz.

Ele explica, entretanto, que as entrevistas do Data Popular foram feitas apenas nas áreas urbanas – que representam cerca de 85% da população – e no formato de autodeclaração, o que difere da metodologia utilizada no Censo, pela qual o responsável pelo domicílio é quem responde o questionário pela família.
“O pai pode achar que o filho é católico, mas o filho pode não se identificar como católico. Na forma autodeclarada procuramos identificar o quanto a pessoa efetivamente se identifica ou não com a religião”, diz Meirelles.

Crescimento dos evangélicos
A pesquisa do Data Popular ponta também uma diferença considerável de percepção entre os mais jovens e os mais velhos quando o assunto é religião. O apego às crenças é proporcionalmente maior entre os mais velhos: 88,3% dos entrevistados com 50 anos ou mais concordam que é importante ter uma religião ao passo que entre os jovens entre 16 e 24 anos esse percentual caiu para 76%.

“Esse é o foco principal da visita do papa ao Brasil: tentar conquistar uma parcela da população que está afastada da Igreja Católica, seja porque está seguindo uma outra religião, ou por não ter uma”, destaca o presidente do Data Popular.

Segundo Meirelles, entre os desafios da Igreja Católica está também um novo modelo evangelização que consiga dialogar com os códigos dos jovens. “As igrejas evangélicas entraram mais fortemente nas classes C e D, que possuem o maior número de jovens, se valendo de novas formas de tecnologia e de evangelização. Hoje você vê funk gospel, samba gospel – modelos que só mais recentemente começamos ver na Igreja Católica”, avalia.

Católicos são menos assíduos à igreja
Os católicos são proporcionalmente os menos assíduos à igreja entre os brasileiros com 18 anos ou mais, segundo a pesquisa. Entre os católicos, 48% afirmaram não ter ido nenhuma vez à igreja no último mês, 45% disseram ter ido de uma a quatro vezes e 7% mais de quatro vezes. Entre os evangélicos e protestantes, 52% responderam ter ido mais de quatro vezes no mês, 34% de uma aquatro vezes e 14% nenhuma. Entre os de outras religiões, 34% foram mais de 4 vezes no último mês, 50% de uma a quatro vezes e 16% nenhuma.

O percentual de católicos que depositam na religião a esperança de melhorar de vida é também menor: 27% dos católicos afirmaram concordar com a frase ‘Deus ou minha fé é a principal responsável por minha vida melhorar’. Entre os evangélicos/protestantes o percentual foi de 45% e, entre os de outras religiões, 33%.

Aborto e pena de morte
No que diz respeito a temas polêmicos como aborto, pena de morte, legalização do uso de drogas leves e acesso a direitos por casais de mesmo sexo, a pesquisa mostra que nem sempre os fiéis seguem a risca o que pregam os líderes religiosos.

Entre os católicos, 25% afirmaram ser a favor do aborto. Já entre os evangélicos/protestantes o percentual ficou em 15%. Entre os de outras religiões, 13% são a favor e, entre agnósticos, ateus e sem religião, 37%.

Questionados sobre a pena de morte, 45% dos católicos afirmaram ser a favor. Entre os evangélicos/protestantes o percentual ficou em 32%. Dos entrevistados de outras religiões, 35% disseram apoiar a pena de morte. Já entre os sem religião, a fatia foi de 62%.

A legalização da maconha recebeu o apoio de 19% dos católicos, 12% dos evangélicos/protestantes, 29% dos de outras religiões e de 34% dos sem religião.
O Data Popular perguntou ainda se os entrevistados concordavam com a frase: “Sou a favor que casais do mesmo sexo tenham o mesmo direito de casais tradicionais”. Entre os católicos, 48% se disseram a favor, percentual superior do que o declarado por evangélicos/protestantes: 26%. Entre os de outras religiões, 54% afirmaram ser favoráveis e, entre os sem religião, 49%.

Fonte: G1

Pesquisa relaciona obesidade infantil a tempo que as crianças permanecem na frente da TV

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Pesquisa divulgada nesta semana pela Universidade de Coimbra indica que pode haver relação entre a obesidade infantil e o tempo em que as crianças assistem à televisão ou usam o aparelho de TV para brincar com jogos eletrônicos. Feita na década passada, a pesquisa ouviu 17.424 crianças de 3 a 11 anos e seus parentes em todas as regiões de Portugal.

O estudo mostra que, apesar de Portugal ter sistema integral de ensino, com as crianças passando a manhã e a tarde na escola, 28% de meninos e 26% de meninas assistem a mais de duas horas de televisão por dia. Nos fins de semana, a proporção sobe significativamente: 75% meninos e 74% meninas. O parâmetro de duas horas é sugerido pela Academia Americana de Pediatria.

Em Portugal, três de cada dez crianças (6 a 10 anos) são consideradas acima do peso e 14% são classificadas como obesas. De acordo com a coordenadora do Centro de Investigação em Antropologia da Saúde, da Universidade de Coimbra, Cristina Padez, o problema do alto consumo da TV está relacionado ao comportamento sedentário. “Não é só a TV, é preciso observar a alimentação, o estilo de vida e a organização dos pais”, disse à Agência Brasil.

Dados divulgados pela Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (Apcoi), assinalam que 57% das crianças que vivem no país não caminham para ir à escola; 90% comem lanches tipo fast food quatro vezes por semana e apenas 2% consomem frutas todos os dias.

Segundo Cristina Padez, os indicadores de Portugal são semelhantes aos de outros países do Sul da Europa, como a Espanha, a Itália e a Grécia, e guardam semelhança com o que acontece no Brasil. “O mundo é globalizado. Há um conjunto de maneiras de viver semelhantes. Todos esses problemas são consequência do desenvolvimento econômico e social”, enfatizou Cristina.

A cientista social ressaltou ainda que a vida em grandes cidades, com poucos lugares para atividades de crianças ao ar livre, ou sob risco de violência, faz com que muito meninos e meninas passem horas vendo TV. As emissoras de televisão, com o avanço tecnológico e o interesse no consumo infantil, “tornaram-se mais apelativas” para as crianças, com programas e canais dirigidos ou acopladas ao jogo eletrônico.

“A indústria aproveita a situação. O problema é que nosso corpo não está adaptado e precisa ser mais ativo”, destaca Cristina Padez. Apesar das restrições, ela não recomenda que os pais proíbam os filhos de ver televisão, nem de fazer lanches rápidos. “Os pais devem cuidar da alimentação sem proibir; é importante haver regras.”

A obesidade infantil pode favorecer o aparecimento futuro de doenças como diabetes e hipertensão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,6 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa da obesidade ou do sobrepeso. A OMS calcula que, em todo o mundo, mais de 1 bilhão de adultos estão acima do peso. Destes, 300 milhões (o equivalente à população dos Estados Unidos) são obesos.

Fonte: Agência Brasil

 

ONGs internacionais ampliam arrecadação no Brasil e miram classe C

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Impulsionadas pelo aumento da renda média da população brasileira e pela crise econômica nos Estados Unidos e na Europa, algumas das ONGs de maior projeção internacional ampliaram significativamente nos últimos cinco anos suas receitas e captações de recursos no Brasil.

Segundo um levantamento feito pela BBC Brasil, seis importantes ONGs internacionais instaladas no país – WWF, ActionAid, Fundação Abrinq – Save the Children, Conservação Internacional, Médicos sem Fronteiras e Greenpeace –, além do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), aumentaram a receita total e a captação de doações em dinheiro de pessoas físicas desde 2008.

O aumento médio real (descontada a inflação) das receitas das sete organizações ficou em 28,8% no período até 2012. Em termos de captação de dinheiro de pessoas físicas, a média de aumento foi de 424,64% entre 2008 e 2012, uma cifra influenciada especialmente por grandes aumentos reais da Conservação Internacional (1.223,69% nos últimos cinco anos) e da ActionAid (1.419,16%).

As duas ONGs decidiram começar os esforços de captação de recursos de pessoas físicas no Brasil apenas em 2007. Também procurada pela BBC Brasil, a Anistia Internacional, que há cerca de dez anos não possuía um escritório no país, voltou a tê-lo no ano passado.

O aumento da atuação das ONGs no Brasil também fica claro devido às campanhas realizadas por elas para arrecadar doações em dinheiro nas grandes cidades brasileiras.
A diversificação das plataformas usadas nessas campanhas – como o uso de agentes pedindo doações nas ruas e a veiculação de propagandas na TV – reflete os esforços cada vez maiores de algumas das ONGs em buscar doações das camadas mais pobres da população, como a Classe C, de olho no aumento de seu poder aquisitivo.

Cenário

Uma pesquisa divulgada em 2011 pela consultoria RGarber revelou que, por ano, o brasileiro doa US$ 5,2 bilhões para organizações da Sociedade Civil. Além disso, 17 milhões de pessoas, ou aproximadamente 9% da população, colaboram com ONGs.

Patrícia Mendonça, coordenadora de um estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre o assunto, explica que o brasileiro sempre teve a tradição de doar, mas geralmente de forma informal – ajudando pessoas necessitadas na rua, por exemplo – ou colaborando com a igreja.

“Só recentemente, especialmente com o aumento da renda, e especialmente nas grandes cidades, tem surgido espaço para a canalização de doações mais institucionais”, destaca.

“Neste sentido, grandes ONGs com ‘marcas’ reconhecidas têm larga vantagem, não só por serem reconhecidas, mas por terem estrutura para fazer investimentos iniciais para a criação de um portfólio de captadores”, diz.

Devido a tal mudança no Brasil e também ao panorama no exterior – a crise econômica nos países desenvolvidos e a priorização de outros países para campanhas das ONGs –, essas organizações estão mudando a forma de atuar no Brasil.

“Historicamente, as ONGs internacionais aplicavam recursos em projetos ou em apoio a projetos locais no Brasil”, continua Patrícia. “Este papel passa a se inverter. Algumas ONGs internacionais deixam de atuar no Brasil, outras continuam atuando, mas com parceiros locais, o que reduz o curso de operação e implica em algum tipo de captação local.”

“Outras ainda priorizam a captação local como forma de sustentação das atividades locais e há ainda casos em que a captação local no Brasil é redirecionada para projetos globais.”

Autossuficientes

As ONGs procuradas pela reportagem da BBC Brasil reconheceram que há um clima favorável para a atuação e captação de recursos dessas organizações no Brasil.

“O Brasil está com uma economia muito mais pujante”, diz André Guimarães, diretor executivo da Conservação Internacional no Brasil. “Além disso, o país passou a ter muito mais capacidade de gerir projetos. Então não estamos precisando importar de outros países tecnologia, conhecimento nem pessoas.”

Nesse contexto, algumas das ONGs expressam abertamente o anseio de deixar de receber por completo apoio financeiro de seus quartéis-generais no exterior, passando a se manter exclusivamente com dinheiro captado no Brasil.

Essa já uma realidade para a Médicos Sem Fronteiras, que desde 2010 não mais recebe aportes de sua sede na Bélgica, e em 2012 teve seu orçamento quase que inteiramente (98%) constituído de doações de pessoas físicas.

No momento, a ONG veicula propagandas na TV com atores da Rede Globo que são eles próprios doadores da Médicos Sem Fronteiras e se dispuseram a abrir mão do cachê. A verba de publicidade em mídias tradicionais da ONG foi, em 2012, de R$ 1,5 milhão.

Do Brasil para o mundo

Outra estratégia para buscar doadores, comum na Europa, que tem sido cada vez mais usada pelas ONGs internacionais no Brasil é o chamado face-to-face (“cara a cara”, em tradução livre), em que agentes abordam pessoas nas ruas, muitas vezes na saída de estações de metrô ou trem, para divulgar a ONG e pedir doações.

“No campo da captação de recursos, mantemos o foco em nossos canais prioritários: face-to-face, telefone e web”, explica Samantha Federici, coordenadora de captação de recursos do Greenpeace.

Recém-instalada com escritório no Brasil (apesar de atuar há anos no país), a Anistia Internacional ainda avalia possíveis estratégias, mas também pretende usar o corpo a corpo nas ruas e a internet no seu esforço de captação de recursos.

“Esperamos que nos próximos anos sejamos capazes não apenas de sustentar integralmente nosso trabalho no Brasil a partir do apoio obtido no país, mas também contribuir, no futuro, para a sustentação do nosso trabalho em países menos favorecidos economicamente”, diz Átila Roque, diretor da Anistia no Brasil.

ActionAid, Unicef e MSF informaram que já usam o dinheiro doado por brasileiros em iniciativas exterior. A ActionAid, por exemplo, começou em 2011 a direcionar recursos captados no país para projetos no Haiti, na Guatemala e na África.

Classe C na mira
Embora a maior parte das doações em dinheiro a ONGs no Brasil ainda venha das classes A e B, a classe C já é hoje, proporcionalmente à renda, a que mais doa. O estudo da Rgarber revela que, enquanto que a Classe A teve uma variação na doação mensal per capita de -13,5% no período 2003-2010, a classe C teve um crescimento de 10% no mesmo período.

Parte das ONGs internacionais ouvidas pela BBC reconheceu já estarem tratando essa parcela da população como um alvo importante no Brasil.

“Temos um foco na diversidade, mas acreditamos sim que a classe C pode sim realizar a sua contribuição filantrópica”, diz Nadia Lemos Costa, do departamento de marketing do WWF.

Bruno Benjamin, gestor de captação de recursos da ActionAid Brasil, explica que desde 2011 a ONG tem a campanha Mulheres do Brasil, “que busca exatamente o público classe C, com um valor de doação mínimo de R$ 20″, quase a metade do valor mínimo de doação para apadrinhar uma criança (R$ 45), um dos destaques da ONG.
“Além disso, focamos esta campanha em canais de recrutamento que visam atingir este público-alvo”, completa.

Por outro lado, duas das ONGs consultadas – a Fundação Abrinq – Save the Children e a Conservação Internacional – não trabalham no momento com estratégias para a classe C, enquanto que o Greenpeace diz que o desafio, neste momento, é justamente buscar os mais ricos.

“Ao invés de todo o mercado, que hoje está tentando atingir as classes C e D, historicamente já trabalhamos com elas. Nosso desafio é chegar às classes A e B e dar continuidade ao trabalho com as classes C e D”, afirma Andre Bogsan, diretor de captação do Greenpeace.

Fonte: BBC

Manuel Castells: ‘O povo não vai se cansar de protestar’

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Para o sociólogo catalão Manuel Castells, boa parte dos políticos é de “burocratas preguiçosos”. Ele é um dos pensadores mais influentes do mundo, com suas análises sobre os efeitos da tecnologia na economia, na cultura e, principalmente, no ativismo. Conhecido por sua língua afiada, o espanhol falou ao GLOBO por e-mail sobre os protestos.

Os protestos no Brasil não tinham líderes. Isso é uma qualidade ou um defeito?

Claro que é uma qualidade. Não há cabeças para serem cortadas. Assim, as redes se espalham e alcançam novos espaços na internet e nas ruas. Não se trata, apenas, de redes na internet, mas redes presenciais.

Como conseguir interlocução com as instituições sem líderes?

Eles apresentam suas demandas no espaço público, e cabe às instituições estabelecer o diálogo. Uma comissão pode até ser eleita para encontrar o presidente, mas não líderes.

Como explicar os protestos?

É um movimento contra a corrupção e a arrogância dos políticos, em defesa da dignidade e dos direitos humanos — aí incluído o transporte. Os movimentos recentes colocam a dignidade e a democracia como meta, mais do que o combate à pobreza. É um protesto democrático e moral, como a maioria dos outros recentes.

Por que o senhor disse que os protestos brasileiros são um “ponto de inflexão”?

É a primeira vez que os brasileiros se manifestam fora dos canais tradicionais, como partidos e sindicatos. As pessoas cobram soberania política. É um movimento contra o monopólio do poder por parte de partidos altamente burocratizados. É, ainda, uma manifestação contra o crescimento econômico que não cuida da qualidade de vida nas cidades. No caso, o tema foi o transporte. Eles são contra a ideia do crescimento pelo crescimento, o mantra do neodesenvolvimentismo da América Latina, seja de direita, seja de esquerda. Como o Brasil costuma criar tendências, estamos em um ponto de inflexão não só para ele e o continente. A ideologia do crescimento, como solução para os problemas sociais, foi desmistificada.

O que costuma mover esses protestos?

O ultraje, causado pela desatenção dos políticos e burocratas do governo pelos problemas e desejos de seus cidadãos, que os elegem e pagam seus salários. O principal é que milhares de cidadãos se sentem fortalecidos agora.

O senhor acha que eles podem ter sucesso sem uma pauta bem definida de pedidos?

Acho inacreditável. Além de passarem por uma série de problemas urbanos, ainda se exige que eles façam o trabalho de profissional que deveria ser dos burocratas preguiçosos responsáveis pela bagunça nos serviços. Os cidadãos só apontam os problemas. Resolvê-los é trabalho para os políticos e técnicos pagos por eles para fazê-lo.

Com organização horizontal, esse movimento pode durar?

Vai durar para sempre na internet e na mente da população. E continuará nas ruas até que exigências sejam satisfeitas, enquanto os políticos tentarem ignorar o movimento, na esperança que o povo se canse. Ele não vai se cansar. No máximo, vai mudar a forma de protestar.

Outra característica dos protestos eram bandeiras à esquerda e à direita do espectro político. Como isso é possível?

O espaço público reúne a sociedade em sua diversidade. A direita, a esquerda, os malucos, os sonhadores, os realistas, os ativistas, os piadistas, os revoltados — todo mundo. Anormal seriam legiões em ordem, organizadas por uma única bandeira e lideradas por burocratas partidários. É o caos criativo, não a ordem preestabelecida.

Há uma crise da democracia representativa?

Claro que há. A maior parte dos cidadãos do mundo não se sente representada por seu governo e parlamento. Partidos são universalmente desprezados pela maioria das pessoas. A culpa é dos políticos. Eles acreditam que seus cargos lhes pertencem, esquecendo que são pagos pelo povo. Boa parte, ainda que não a maioria, é corrupta, e as campanhas costumam ser financiadas ilegalmente no mundo inteiro. Democracia não é só votar de quatro em quatro anos nas bases de uma lei eleitoral trapaceira. As eleições viraram um mercado político, e o espaço público só é usado para debate nelas. O desejo de participação não é bem-vindo, e as redes sociais são vistas com desconfiança pelo establishment político.

O senhor vê algo em comum entre os protestos no Brasil e na Turquia?
Sim, a deterioração da qualidade de vida urbana sob o crescimento econômico irrestrito, que não dá atenção à vida dos cidadãos. Especuladores imobiliários e burocratas, normalmente corruptos, são os inimigos nos dois casos.

Protestos convocados pela internet nunca tinham reunido tantas pessoas no Brasil. Qual a diferença entre a convocação que funciona e a que não tem sucesso?

O meio não é a mensagem. Tudo depende do impacto que uma mensagem tem na consciência de muitas pessoas. As mídias sociais só permitem a distribuição viral de qualquer mensagem e o acompanhamento da ação coletiva

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7 regras (e um contraponto) para administrar a Geração Y

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Há mais de 20 anos, o Brasil não via uma juventude tão questionadora – ou, no mínimo, barulhenta. Concordando ou não com as manifestações e protestos, não dá para negar que há algo de diferente no comportamento dessa turma – seja na política ou no cotidiano profissional.

Quem está no mundo corporativo observando o comportamento desses jovens no dia a dia do trabalho já percebeu as diferenças há algum tempo. Autoridade e legitimidade, com eles, só se for conquistada. O chefe está com os dias contados – quem manda é o líder. E se eles não se sentirem honrados pelo seu esforço, saem em direção a outra empresa sem olhar para trás.

Em tempos de mão-de-obra escassa, muitas empresas não se dão ao luxo de perder os jovens talentos. Márcia Luz, psicóloga, autora do livro “Agora é pra Valer” (DVS Editora), dá sete sugestões para reter – e um bom motivo para demitir os famosos e temidos profissionais da Geração Y da sua equipe.

1 Não diga que ele está errado

Não adianta falar para jovem que ele está errado, tampouco mostrar todos os livros e experiências lidas e relidas para provar que uma ideia ou um projeto tem potencial para não dar certo. A orientação aqui é lançar mão das técnicas de coaching e ir conduzindo o raciocínio dos liderados.

“Faça perguntas fortes, que possam colocar a proposta dele em xeque, conforme ele for respondendo, ele verá que sua ideia pode estar mal fundamentada e procurará se informar e preparar melhor”, diz Márcia. “Provocando a reflexão através das perguntas, ele vai montando um plano de ação em mente.”

E se ele responder a todas as perguntas que pudessem conduzi-lo à desistência? “Dê uma chance. Pode ser que ele tenha descoberto, sim, uma saída para algo que não vinha funcionando como previsto”, afirma Márcia.

2 Busque decisões em equipe

Cabe à liderança conduzir e tomar todas as decisões. No entanto, os métodos poderão ser debatidos com o time, incluindo os mais jovens. “O líder levanta o problema e aponta o objetivo. Abrir a possibilidade debate sobre os caminhos para chegar ao alvo é um bom meio de valorizá-los”, diz Márcia, que acredita que decisões, quando tomadas em conjunto, ajudam a valorizar o potencial criativo dos mais novos e faz com que eles se sintam ouvidos.

3 Seja coerente

Esqueça os discursos pró-forma. Os mais novos cobrarão atitudes alinhadas com o que você afirma acreditar – por isso, não adianta dizer que não concorda com a decisão do altíssimo escalão, mas que cumprirá essas ordens porque “é melhor assim”. “O perfil da chefia vai ter de mudar, pois eles cobram coerência, não aceitam desrespeito nem decisões unilaterais”, diz Márcia.

4 Seja claro nos planos de carreira
Não é uma questão apenas de transparência. Eles querem saber exatamente o que você espera deles, para que consigam galgar postos (e salários) maiores. “Explique exatamente quais as possibilidades de desenvolvimento dentro da empresa e quais as competências e habilidades que ele precisará ter e conhecer para chegar em novos postos”, afirma.

5 Reduza a ansiedade

Se perceber que sua equipe de juniores muito afoita e ansiosa pelos próximos passos, Márcia sugere calma e um discurso conciliador. Somada à um feedback, uma boa conversa é infalível. “Eles precisam ouvir sempre que todo processo tem um tempo de maturação”, diz.

6 Ofereça (e peça) feedbacks

Regra de ouro para lidar com a turma mais jovem: não abra mão de dar o bom e velho feedback. “Eles querem saber onde estão errando e onde estão acertando”, diz Márcia. Eles usarão esse conhecimento a favor do próprio desempenho e, consequentemente, a favor da empresa.

7 Evite a frustração

Mais uma regra magna para a gestão de pessoas concentrada em jovens – crie mecanismos para observar o amadurecimento desses profissionais. Márcia menciona programas de estágio e de trainee. “Com essas ferramentas você consegue ter os mais novos dentro de casa pelo tempo suficiente para conhece-los e ver se eles têm, de fato, aderência com o perfil da empresa.”

O contraponto

No entanto, não tenha medo de demitir um jovem e estar perdendo a grande oportunidade de ter um Mark Zuckerberg dentro da sua equipe. “Uma empresa não precisa se apegar e achar que tem de aguentar até as últimas consquência”, defende Márcia.

Para saber se vale a pena dispensar, observe se há postura proativa – aí ofuscada pela ansiedade e pela falta de direcionamento. Márcia afirma que, se houver essa postura, bastará fornecer mais feedbacks para que a rebeldia seja canalizada em eficiência.

No entanto, se a postura é reativa, não vale o esforço. “Se você percebe que é um jovem que reclama de tudo, com uma postura sempre reativa, você terá uma maçã podre na equipe”, diz. “Demitir é a melhor opção para que a pessoa se encontre em uma empresa com seu perfil e não prejudique o time.”

Fonte: Exame

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