Posts Tagged ‘brasil’

Em editorial, The New York Times aponta Brasil como campeão da corrupção

1465220842861

Continuamos sendo notícia internacional. Ruim. Muito ruim, aliás. Um dos mais importantes jornais do mundo, o norte-americano The New York Times nos coloca como campeões mundiais da corrupção. Somos medalha de ouro em uma das piores práticas do mundo.

E, claro, todos nos sentimos ofendidos. Com razão. Mas será que todos podemos, mesmo, criticar a corrupção? Pense nas suas ações e cotidiano. Vamos refletir juntos. Veja se você costuma fazer algo da lista abaixo:

– furar fila

– ficar com o troco a mais que recebe

– colar nas provas

– falar ao celular enquanto dirige

– ultrapassar o limite de velocidade nas estradas

– beber e dirigir

– falsificar carteira de estudante para ter desconto em shows e eventos

– usar atestado médico falso

– roubas TV a cabo (aquela “net cat”)

– sonegar imposto

– comprar produtos piratas

Precisamos dar nosso exemplo pessoalmente.

Assassinamos nossa juventude e agora?

Em reportagem especial, Zero Hora traz dados impressionantes quanto à nossa juventude: 50 crianças e adolescentes foram mortos na Capital e na Região Metropolitana nos cinco primeiros meses de 2015. A cada três dias, um jovem é executado antes de chegar à maioridade. Houve um aumento de 61,2% em relação às 31 vítimas contabilizadas pela reportagem n o mesmo período de 2014. Os dados são divulgados justamente no dia em que celebramos os 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Me assusta essa realidade, porque a vi de perto em minha infância e adolescência. Sempre falo sobre isso e seguirei falando, porque muitos tomam a exceção como regra. E não é. Eu tive a felicidade de ser exceção. Mas tive a infelicidade de ver muitos amigos serem a regra. E qual a regra de quem vive na periferia? Violência, discriminação, drogas, falta de escola, alijamento… A maioria dos jovens não têm escolha. E não se trata de saber o que é certo ou errado. Se trata de sobrevivência. O que cada um de vocês faria para sobreviver? Essa é a pergunta que deveria ser feita a todos que julgam os jovens brasileiros.

A ausência do Estado, a sua ineficiência, o abandono a que submetem milhões de pessoas tem efeito gigante e duradouro. Onde o Estado não garante energia elétrica, o tráfico garante. Onde o Estado não garante segurança, o tráfico garante. Onde o Estado não garante nem o sabonete – presídios -, o tráfico garante. Ou seja, o tráfico ocupa o espaço vazio deixado pelo Estado (não confundam com governo!). A hora é agora: ou mudamos isso, ou desistimos de vez!

Ontem, vendo um programa especial da GloboNews sobre adoção, vi que estamos longe da mudança. Mas também vi bons exemplos. Duas famílias adotaram 5 irmãos e aceitaram conviver juntas. As crianças, negras e com problemas de desenvolvimento físico e emocional não seriam aceitas pelos padrões dos candidatos a pais e mães. Mas foram aceitas e acolhidas com amor. Mas são exceção. Assim como eu fui exceção ao escolher permanecer na escola e fugir da violência. A regra, nestes casos, é de bebês brancos e recém nascidos a serem adotados. Os demais, que fiquem nos abrigos até os 18 anos e depois, que se virem…

Nossa sociedade é cada vez mais egoísta. E isso agrava nossos problemas. O genocídio de jovens negros no Brasil mostram o tamanho do preconceito vigente. A agressão à jornalista Maju mostra que milhões de brasileiros ainda acreditam que os negros não podem ter sucesso. Há muito por mudarmos… Mas me assusta saber que aqueles que poderiam mudar o Brasil estão morrendo, sendo assassinados…

Não podemos desistir do Brasil

Dos Santos is being induced into a coma following seven hours of surgery.

Que começo de ano, meus amigos. Ao mesmo tempo em renovamos nossas esperanças ao fim do ano passado (ao fim de cada ano, na verdade), que retomamos nossas vidas dispostos a fazer tudo melhor, a mudar o que está errado, a aprimorar o que pode ser melhorado, estamos sendo testados a cada dia. A morte do jovem surfista Ricardo dos Santos, ontem, me fez refletir sobre isso. Onde vamos parar? Vamos resistir a tanta notícia ruim? Ou vamos desistir?

2015 chegou nos mostrando o quanto pode ser difícil. E, embora eu não queira ser pessimista, está difícil reagir e achar boas novas para destacar em meio a tantos fatos tristes. Ver um jovem ser vítima da violência gratuita, cujo principal suspeito é um policial, me faz questionar nossa segurança. Será que nossos policiais estão preparados? Será que alguém que já demonstrou em outras ocasiões não estar preparado para portar armas e nos defender, pode ser policial? Será que seremos reféns do tráfico e dos usuários de drogas até mesmo em nossas casas?

Eu sonho com um país digno para minhas filhas viverem. Sonho que elas possam criar meus netos na rua, brincando, pois não posso fazer isso com elas. Sonho que elas vivam em um Brasil de verdade, com segurança, saúde e educação. Mas parece que isso é apenas sonho… um sonho cada vez mais distante da realidade.

Parece que os Ricardos estão cada vez mais comuns no Brasil… Mas os Ricardos vítimas. Eu queria que mais Ricardos vivos fossem comuns. Queria Ricardos levando o nome do Brasil para fora, defendendo nossa bandeira, falando da nossa natureza, protegendo nossas praias, levando uma vida saudável. Está difícil acreditar nas mudanças, está difícil renovar – a cada dia – as esperanças. Mas vamo que vamo! A gente entristece, sente raiva, não entende, mas não pode desistir do Brasil.

Os caras-pintadas não foram ouvidos

foto2

Lentidão da Justiça brasileira provocou a absolvição do ex-presidente da República, e hoje senador, Fernando Collor. Lembro como se fosse hoje dos caras-pintadas que saíram às ruas, pedindo o impeachment dele, em 1992. Mais de 20 anos depois, a absolvição é a prova de que nossa voz não foi ouvida.

Estranho, porém, parte da população brasileira que o reconduziu ao Senado, ao poder. Hoje, Collor está entre os políticos mais poderosos e influentes do país. Também não fomos ouvidos por aqueles que o elegeram.

Qual o rumo queremos dar do Brasil com políticos assim? Qual rumo queremos tomar daqui pra frente? Culpar a Justiça pela morosidade é justo. Mas culpar aqueles que têm memória curta, também.

Reclamamos de corrupção e reelegemos os corruptos. Se há corruptores, há corrompidos. E se esses se mantêm no poder com aval do povo.

Collor não me representa. Sarney não me representa. Renan Calheiros não me representa. Boa parte dos que comandam o Brasil não me representam. Eles representam vocês? Representam o sonho de país que temos?

Está na nossa mão a chance de mudar isso tudo e fazer, hoje, o que a Justiça não fez em 20 anos.

Taxa de juros sobe mais uma vez. O que isso representa para o cidadão comum?

juros2

Ontem o Brasil se deparou com uma notícia que já está virando rotina. Uma rotina péssima, por sinal. Pela sétima vez o Banco Central decidiu aumentar a taxa de juros 9SELIC). A taxa, agora, é de 10,5%. Alta demais para os desafios que o Brasil enfrentar e não fugir. Com a nova taxa SELIC, estamos no topo do ranking mundial dos juros reais!

Aumentar a SELIC não é a melhor solução para enfrentarmos os problemas da política econômica do Brasil, nem tampouco a inflação. Uma das soluções necessárias e que seriam muito eficientes, com certeza, o governo federal não pensa em fazer: desinchar a máquina pública. Quantos milhões em recursos públicos são gastos anualmente? Quanto poderíamos economizar se o dinheiro público fosse usado com mais inteligência e responsabilidade? Não estou falando de diminuir os investimentos em infraestrutura, saúde, educação… Jamais! Estou falando em gastos supérfluos e desnecessários.

Consequências – Milhões de pessoas souberam dessa notícia pela TV ontem, mas não fazem ideia do que isso significa de mudança em suas vidas. De uma forma direta e objetiva, o aumento da SELIC segura a expansão do crédito, reduz o consumo e dificulta a criação de novos postos de trabalho. O comércio vem dando sinais de queda no consumo, o crescimento não tem sido o esperado. A mudança promovida pode significar uma maior dificuldade pro setor. Sem vendas, o número de vagas cai. Com mais pessoas fora do mercado de trabalho, o consumo cai ainda mais… E assim sucessivamente.

Além disso, o crédito para o brasileiro também está mais caro. Temos visto grandes volumes de recursos sendo liberados por empréstimos e isso vem ajudando a economia de consumo. Com a sétima alta, isso tende a mudar. Sem dinheiro circulando, o risco é grande.

Ou o governo federal faz a sua parte, ou essas altas serão medidas ineficazes. De nada adianta jogar o problema no colo do trabalhador e não fazer a sua parte. Não haverá redução da inflação sem redução de gastos públicos. Mas, claro, é preciso vontade política. E, em ano eleitoral, falta vontade política de trabalhar pelo país e sobra para trabalhar pela simples manutenção do poder. É hora de mudar, de avançar, de romper com essa velha forma de fazer política. Porque no fim das contas, o preço quem paga somos nós, cidadãos.

 

Mais impostos e quem paga é você!

16042772

Há tempos venho dizendo que precisamos alterar nossa política econômica. O trabalhador brasileiro está pagando cada dia mais e mais imposto. Em contrapartida, não recebe o mínimo em suas cidades e estados. Vivemos presos em casa, porque não temos segurança; mesmo com planos de saúde privados, enfrentamos horas nas filas de emergências; pagamos IPVA e pedágios e as estradas deixam a desejar… A inflação está aí, para quem quiser ver. Basta ir ao supermercado, à farmácia, ver a mensalidade escolar, tudo… Entre o ano de 2000 e 2013, os impostos cresceram 277%. Já parou para pensar quem está pagando essa conta?

Divido com vocês minha leitura de hoje, do Estadão.

A carga tributária per capita anual cresceu 277,3% entre 2000 (quando era de R$ 2.086,21) e 2013, quando chegou a R$ 7.872,14, de acordo com uma pesquisa do Instituto Assaf, que analisa a carga tributária brasileira, com base nos dados do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Segundo o levantamento, nos últimos 14 anos, a carga tributária brasileira saltou de R$ 350 milhões em 2000 para R$ 1,53 trilhão até 13 de dezembro de 2013. Um aumento de 334%.

Segundo o estudo, o Produto Interno Bruto (PIB) no período de 2000 a 2012 cresceu 273,3%. Na mesma base de comparação, o aumento na carga tributária per capita foi de 284,3%. “Se analisarmos a carga tributária como porcentual do PIB, esses impostos representam cerca de 35,3%. Em 2000 este porcentual era de 30,4%”, diz o levantamento.

De acordo com o Instituto Assaf, o arrocho promovido pela Receita Federal “no controle, checagem e confronto de informações cadastrais está contribuindo para que esses valores se mostrem cada vez mais altos tanto para os brasileiros quanto para as empresas”.

Em relação ao salário mínimo e levando em consideração de 2000 até o ano passado, o valor passou de R$ 151 para R$ 678, um aumento de 349%. No início deste ano, o mínimo subiu para R$ 724. O levantamento destaca que a inflação no mesmo período (2000 a 2013) medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 137,9%, “o que deixa o aumento real do salário mínimo em 88,8%”, diz.

A hora de mudar é agora!

persuitoofhappyness_940x529

A época do ano em que mais promessas de mudanças são feitas é agora! Quem de nós nunca prometeu uma mudança radical na virada do ano? Talvez a esperança de podermos recomeçar seja o maior propulsor dos sonhos e desejos para os 365 dias que temos pela frente. O problema é que acabamos esbarrando, desde o início do ano, naquele famoso “amanhã eu começo”. Depois, muitos pensam: fica para o próximo mês, para o próximo…. E aquela mudança necessária acaba ficando para o ano que vem.

Mas 2014 é, sem dúvida, um ano para mudarmos o que precisamos e queremos mudar. Todos – ou boa parte das pessoas – dizem que 2013 foi um ano difícil. Então, devemos ser protagonistas das mudanças desde hoje e promovê-las a cada dia. Há sete anos eu vivi um período muito difícil. Foi a partir daquele momento que decidi tomar as rédeas da minha vida e ser persistente, jamais desistir. Revendo o filme “À procura da felicidade” relembrei muito aquele início de ano. Vejo hoje a diferença que fez a perseverança. Se eu pude fazer tudo diferente, é sinal de que todos podemos.

2014 é um caderno em branco em nossas mãos. Está em nós escrevermos a história de cada de dia. Depois de um ano difícil, cheio de tragédias do início ao fim, temos a chance de mudar, de renovar, de superar o que está ultrapassado e arriscar. 2014 é o ano para termos coragem de olhar para o futuro com esperança, sem apego ao passado. É ano de Copa do Mundo! Sonho ver o Brasil hexacampeão mundial em casa! É ano de eleição! Sonho ver o Brasil retomar o crescimento econômico e social, numa nova perspectiva, com um novo olhar. Sonho ver meu Rio Grande do Sul voltar a ser grande, porque estamos ficando para trás.

Se a virada do ano é tempo de promessas, então agora é a hora de mudar! Eu já comecei. E você?

_____

Dica da leitura: Ano eleitoral começa com várias restrições a autoridades públicas

 

Findamos um ciclo para começarmos outro

feliz-2014
Chegamos à ultima segunda-feira de 2013. Um ano que marcou o Brasil, sem dúvida. Um ano em que paramos para ver e ouvir os brasileiros, que vimos tragédias inesquecíveis, que vimos imprudência e suas consequências… Um ano que vimos a força que temos diante do nos que é adverso. É sobre esse espírito que quero escrever aqui.

Durante todo o ano, usei o site para divulgar notícias importantes, para dividir informação e compartilhar dados. Nossa voz, para ser ouvida, precisa de conteúdo, de argumento. Isolados, não temos voz! Mas essa etapa se encerra para passarmos a uma nova. Quero dividir com vocês, diariamente, uma opinião crítica sobre o que lemos e vivemos.

Por quê? Porque 2014 pede isso, pede opinião, pede que sejamos atentos e críticos. 2014 é o ano que correrá mais que qualquer outro. É o ano da Copa do Mundo no Brasil, de eleições. Deve ser o ano que em as manifestações voltarão às ruas… A economia dá sinais de que precisa de rumo, é um ano decisivo para isso.

Então, ao invés de publicar as notícias, seguirei lendo (e as indicando com links) aqui. Mas dividirei com vocês minha impressão sobre o que acontece. Porque de nada adianta apenas lermos e estarmos informados. Temos que formar nossa opinião. E esse é um espaço para que todos possam fazer isso.

A todos, um feliz 2014. Que seja um ano de mudanças profundas, de reencontro com o que o Brasil tem de melhor, com mais desenvolvimento econômico e social, com menos violência e impunidade, com mais exemplos positivos, com mais manifestantes nass ruas, com menos vândalos nas ruas, com esperança renovada, com segurança e verdade em nossas palavras e ações.

 

Espionagem abre discussão sobre preparo do Brasil para uma guerra cibernética

130828124024_hacker_464x261_afp
Alvo de espionagem estrangeira, a presidente Dilma Rousseff disse em um discurso na ONU que “o Brasil sabe proteger-se” de ameaças vindas pela rede. O sistema de defesa cibernética do país, no entanto, ainda dá os primeiros passos e está longe de garantir segurança contra ataques, apesar de o tema já figurar como prioridade na Estratégia Nacional de Defesa.

Entre as medidas discutidas pelo governo, estão a criação de uma agência nacional de segurança cibernética, a instalação de uma escola nacional para o setor e a implementação de ações integradas entre os muitos órgãos envolvidos na proteção da rede de computadores brasileira.

De acordo com o general José Carlos dos Santos, chefe do Centro de Defesa Cibernética do Exército brasileiro (CDCiber), um dos dois principais órgãos responsáveis por garantir a segurança das redes no país, o país precisa se preparar para a possibilidade de uma “guerra em rede”.

Na tarde de domingo, a presidente Dilma Rousseff, anunciou ter determinando ao Serviço Federal de Processamento de Dados a implantação de “um sistema seguro de e-mail em todo o governo federal”, nas palavras dela, publicadas no Twitter. “É preciso + segurança nas mensagens p/ prevenir possível espionagem”, acrescentou.

Fragilidade

A fragilidade do sistema de segurança cibernético brasileiro foi escancarada em meio ao escândalo envolvendo o vazamento promovido por Edward Snowden, ex-colaborador da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês). Documentos mostraram que a presidente foi alvo de espionagem, assim como o Ministério das Minas e Energia a a gigante Petrobras, com suspeitas de espionagem comercial nesse último caso.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil reforçam que “nenhum país está 100% protegido” da ação de hackers, sejam eles ativistas, integrantes de grupos criminosos ou funcionários de agências de inteligência de outros países.

Todos também destacaram que o Brasil está dando passos importantes na construção de um sistema de defesa e segurança cibernética, embora esteja em um estado ainda inicial. Nenhum deles se disse surpreso pelos casos de espionagem revelados por Snowden.

A espionagem em si é sobretudo resultado de uma vulnerabilidade do sistema de segurança cibernética (que inclui a proteção de dados de instituições governamentais, privadas e de cidadãos em geral).

Há também o conceito de defesa cibernética, nos moldes militares. Redes de órgãos públicos e de empresas estratégicas podem ser vítimas – agora e, principalmente, no futuro – de ataques que se assemelham aos de uma campanha de guerra.

A fronteira entre segurança e defesa pode ser tênue. E as batalhas não são convencionais – travada na rede mundial de computadores, essa guerra silenciosa pode ter caráter destrutivo, mas os que estão no frontgeralmente não vestem o uniforme de um país, embora estejam a serviço de interesses de Estados nacionais.

Estratégia de guerra

Em 2008, a Estratégia Nacional de Defesa recomendou o “fortalecimento de três setores de importância estratégica: o espacial, o cibernético e o nuclear”.

Boa parte desta responsabilidade recai sobre o general José Carlos dos Santos, chefe do CDCiber, um dos dois principais órgãos responsáveis por garantir a segurança das redes no país.

“Baseados nas lições recentes, estamos plenamente conscientes de que isso é possível, uma guerra em rede”, disse o general, em entrevista à BBC Brasil.

Entre as “lições” mencionadas pelo general estão os ataques virtuais a sites do governo, de bancos e jornais da Ucrânia, em 2007. Outro caso similar ocorreu durante a invasão russa à Geórgia, quando a ex-república soviética sofreu um “apagão” virtual. Nos dois episódios, pesaram suspeitas sobre Moscou.

Outro caso emblemático foi o ataque às instalações nucleares de Natanz, no Irã. O vírus autorreplicante Stuxnet destruiu várias centrífugas, retardando o programa nuclear do país, segundo a narrativa de especialistas da área. Israel foi apontado como provável responsável pelo ataque.

“Temos quee estar preparados para essas eventualidades”, diz o general. Ele conta que as academias militares já incluíram programas de tecnologia e segurança da informação em seus currículos.Em 2009, segundo o general, o ministério da Defesa teve aprovado um orçamento de R$ 400 milhões a ser executado em quatro anos, apenas com a segurança e defesa cibernética. Já as verbas destinadas a operações especiais durante a Copa do Mundo são de R$ 40 milhões.

Vulnerabilidades

Para o professor Adriano Cansian, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José do Rio Preto, o principal desafio do Brasil é se proteger contra os chamados “ataques de negativa de serviço”.

Tais ataques ocorrem quando sistemas são bombardeados com falsos acessos, que acabam congestionando e derrubando sites.

Foi o que ocorreu em 2011, quando o site da Presidência e de vários ministérios e órgãos da administração federal foram alvo de ataques ao longo de vários dias. O braço brasileiro do movimento de hackersLulzSec assumiu a ofensiva que, segundo o grupo, tinha a intenção de mostrar a vulnerabilidade do sistema.

Cansiam diz que as redes de determinados órgãos podem requerer atenção especial por serem estratégias em caso de guerra virtual.

“Considero a infraestrutura física mesmo. Em caso de conflito, emissoras de TV, rádio, centrais elétricas, ramificações de fibra ótica e data center de grandes empresas precisam ser protegidas”, argumenta, apontando para alvos que também ficariam na linha de ataque em caso de guerras convencionais.

O pesquisador, que é consultor de segurança cibernética de órgãos governamentais, diz no entanto que “o maior problema é perder a conectividade da rede, por negativa de serviço”.

“Como criamos dependência muito grande da rede, seja no comércio, no setor de serviços e entretenimento, se um ataque se prolongar, as consequências podem ser danosas. Imagina se por causa de um ataque a China ficar impossibilitada de fazer comércio com o mundo durante 20 dias… Isso vai ser sentido em todo lado”, diz.

Fonte: BBC

Incerteza em relação à economia do país bate recorde

13275707
As apostas dos analistas para o crescimento da economia brasileira em 2015, quando terá início um novo mandato presidencial, variam atualmente de 0,5% a 4,5%.

Os quatro pontos percentuais que separam os extremos de otimismo e pessimismo do mercado revelam um nível recorde de incerteza em relação ao rumo do país em um horizonte de dois anos.

Já as previsões para 2014 oscilam entre 0,5% e 3,7%. Considerando as projeções feitas sempre no fim de setembro para o ano seguinte, a divergência atual entre os analistas só perde para a registrada em 2002, antes da eleição de Lula.

“Essa distância grande entre as projeções máximas e mínimas indica que o mercado está muito inseguro sobre o futuro da economia”, afirma Marcelo Fernandes, professor da FGV-SP e da Queen Mary University of London.

EFEITO DA INCERTEZA

As projeções feitas por economistas para o comportamento de indicadores como PIB, inflação e câmbio nem sempre são certeiras. Quanto mais distante o período analisado, maior se torna o risco de erro.

Apesar disso, as previsões são referências acompanhadas por governo, empresários e investidores. Apostas muito divergentes podem contribuir para o aumento de incerteza em relação ao desempenho da economia e a redução da confiança em uma possível recuperação.

“Essa incerteza refletida na grande dispersão das projeções é ruim porque afeta decisões de investimento”, diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores.

Com isso, segundo Borges e Fernandes, a insegurança em relação ao futuro acaba afetando o comportamento presente da economia.

“Em um ambiente incerto, a reação natural é reduzir riscos. As empresas cortam investimentos e isso dificulta o crescimento da economia”, diz Fernandes.

CAUSAS

A lista de fatores que têm contribuído para a grande divergência nas expectativas sobre o desempenho da economia brasileira é longa.

Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco, cita, entre outras causas, as recorrentes surpresas negativas em relação à recuperação da economia brasileira desde 2011.

A frustração em relação ao desempenho da economia global, a eleição presidencial de 2014 e a atitude mais intervencionista do governo nos últimos anos também são citadas por especialistas como motivos de insegurança.

Por outro lado, existe a possibilidade de que os grandes eventos esportivos que o Brasil sediará e as concessões de infraestrutura ao setor privado tenham forte impacto positivo sobre a recuperação.

Borges, da LCA, destaca que, dependendo do peso que atribuem a cada um desses fatores, os analistas chegam a uma conta diferente em relação ao potencial de crescimento da economia sem pressões inflacionárias.

O risco do atual cenário de forte divergência é que contribua para adiar ainda mais a recuperação econômica.

Fonte: Folha Online

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien