Os desafios dos novos prefeitos

O fim de 2012 é, para muitos políticos, a reta final da preparação antes de assumirem o cargo de prefeito(a). Com as novas legislações iniciando, 2013 começa com grandes expectativas para os prefeitos eleitos e para os reeleitos.

Este é, sem dúvida, um período importante. Tanto que o governo Federal já prepara suas ações para apresentar aos novos prefeitos os principais programas, especialmente aqueles que ainda não chegam à grande parte dos municípios gaúchos (como os que tratam da acessibilidade).

Mas, como cumprir todos os compromissos assumidos durante as campanhas e promover, ao mesmo tempo, o desenvolvimento e crescimento sustentáveis? Além das parcerias como os governos Federal e Estadual, os municípios precisam atrair investimentos e incentivar o empreendedorismo. É preciso – e possível – que os municípios tenham protagonismo. Na prática, isso significa reconhecer o potencial local (cidade e região), detectar o perfil dos trabalhadores e qualificá-los, ter claro a logística que cada investimento exige e, por fim, buscar investidores. Um bom prefeito precisa saber defender seu município como o melhor lugar para cada investidor.

Alguns podem se perguntar: é possível? Sim. A cidade de Saquarema (80 mil habitantes), no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, conseguiu atrair mais de 33 investimentos nos últimos anos, gerando 4.862 empregos diretos. Bom Jardim (26 mil habitantes), com cinco investimentos, gerou 630 empregos diretos e 1500 indiretos. Isso permitiu uma verdadeira revolução nas cidades, com investimentos diretamente relacionados com a vocação dos municípios.

O que é preciso para que isso aconteça no Rio Grande do Sul? Mais vontade, mais protagonismo e mais visão empreendedora. Velhas soluções para velhos problemas têm sido colocadas em prática à exaustão sem resultados satisfatórios. Ao mesmo tempo, a economia segue evoluindo em ritmo intenso. Os prefeitos precisam acompanhar o ritmo da economia para poderem garantir os direitos e a dignidade dos cidadãos.

No RS, os 50 municípios com maior PIB têm perfil completamente diferente e estão espalhados por todo o Estado. Cabe, portanto, a cada um deles, atrair um tipo de investimento. Isso fortalecerá a administração local na medida em que gerará emprego, renda e arrecadação. Que, em 2013, os novos prefeitos (e os reeleitos) entendam a grande importância que novos investimentos significam e que façam a escolha de alavancar o desenvolvimento local, valorizando o melhor de cada cidade, permitindo aos cidadãos permanecerem em seus municípios, ao invés de saírem em busca de melhores oportunidades. Ganham os municípios, ganha o estado.

 

Nelson Naibert

Economista e Consultor

Artigo publicado no jornal Zero Hora (04/12/2012)

 

A democracia pela participação política

 

Por Sandro Vicente

Desde a proclamação da República, em 1889, o povo brasileiro clama por democracia. Mas uma democracia plena, com direitos e deveres do cidadão bem estabelecidos, através de uma legislação justa e de um modelo político que objetiva o bem-estar social. Entretanto, durante os 123 anos que se passaram até a presente data, o processo de democratização do Brasil sofreu uma série de rupturas devido aos golpes militares e ditaduras. Com isso, o estabelecimento de uma democracia contínua ficou prejudicado, tendo que ser renovado a cada mudança de regime governamental. Importante salientar que, durante os diferentes e longos períodos de opressão, a participação política do povo brasileiro era intensa, através dos movimentos de classe, fossem eles estudantis, sindicais ou de organizações regionais.

O clamor pela liberdade e pela democracia, através da participação popular na escolha de políticas que de fato representasse o povo era o ideal para o futuro da nação. Em 1985, após o fim de um ciclo ditatorial militar, o presidente da República foi escolhido de forma indireta, apesar do clamor do povo brasileiro por eleições diretas, através da Emenda Constitucional Dante de Oliveira, que representou o movimento “Diretas Já”, frustrada na sua votação. Foi somente através da Constituição de 1988 que foi legitimada a eleição direta para presidente, que veio a ocorrer em 1989.

A partir desse momento, o processo de redemocratização foi instaurado e é contínuo até os dias de hoje. Podemos perceber, portanto, que a solidificação de uma democracia real no país é um fator que necessita de amadurecimento, tanto em função de tempo – afinal, são duas décadas apenas – como de conhecimento por parte da sociedade. Nós, brasileiros, não estamos acostumados a lidar com o direito de exigir nossos direitos com legitimidade, bem como de cumprir com nossos deveres de cidadãos democráticos. Consideramos que votar já é parte necessária a ser cumprida. Muitas vezes, esquecemos que a nossa participação no direcionamento do rumo das questões políticas não se resume somente ao voto. Por outro lado, as engessadas leis brasileiras, muitas delas ainda sancionadas nos períodos de regimes militares, não permitem, muitas vezes, a relação do cidadão com aspectos que influenciem na tomada de decisão governamental.

Outro fator importante nessa discussão sobre participação da sociedade brasileira nos assuntos políticos é o ainda baixo nível de educação da população. Com o advento da globalização, aliada ao crescimento econômico do Brasil, o foco nos interesses sociais passou a ser direcionado para o consumo. O saber, valor intrínseco adquirido através da educação, deixou de ser, para muitos, o bem mais importante. O que é levado em consideração é o quanto se pode ganhar através do conhecimento adquirido, no mercado de trabalho. Com isso, perde-se o significado do bem comum, que pode ser gerado na sociedade.

Portanto, se desejamos construir um país democrático, devemos direcionar esforços individuais e coletivos na busca do alcance dos direitos e no cumprimento de nossas obrigações sociais. A participação deve ser mais efetiva na determinação das políticas governamentais. Precisamos acompanhar de perto as ações e decisões que dão o rumo democrático no Brasil, atuando de diversas formas, agregando valor nesse processo. Atuar, cobrar e se responsabilizar politicamente são premissas indispensáveis no exercício da cidadania. Abrir mão disso compromete a soberania de um povo, e reflete diretamente no indivíduo.

Novos prefeitos

 

Com as novas legislações iniciando, 2013 começa com grandes expectativas para prefeitos eleitos e reeleitos. Esse é um período importante; tanto que o governo federal já prepara suas ações para apresentar aos novos governantes. Mas como cumprir todos os compromissos assumidos durante a campanha e promover, ao mesmo tempo, o desenvolvimento e crescimento sustentáveis da cidade? Além das parcerias com os governos federal e estadual, os municípios precisam atrair investimentos e incentivar o empreendedorismo.

Na prática, isso significa reconhecer o potencial local, detectar o perfil dos trabalhadores e qualificá-los. É fundamental ter clara a logística que cada investimento exige e, por fim, buscar investidores para esses fins. Um bom prefeito precisa saber defender seu município como o melhor lugar para cada investidor.

Alguns podem se perguntar: é possível? Sim. Saquarema, por exemplo, conseguiu atrair mais de 33 investimentos nos últimos anos, gerando 4.862 empregos diretos. Bom Jardim, com cinco investimentos, gerou 630 empregos diretos e 1.500 indiretos. Isso permitiu uma revolução nas cidades, com investimentos diretamente relacionados com a vocação desses municípios.

Os futuros prefeitos devem entender a importância dos novos investimentos e fazer a escolha de alavancar o desenvolvimento local, valorizando o melhor de cada cidade, permitindo aos cidadãos permanecerem em seus municípios, ao invés de sair em busca de oportunidades. Ganham os municípios, ganha o estado.

 

Nelson Naibert

Economista e Consultor

Artigo publicado no jornal O Dia (08/01/2013)

A união entre empresas e estado

O Brasil passa por transformações e melhorias na política e em seu ambiente macroeconômico. Nesse cenário, surgem os setores naval e petrolífero com investimentos da ordem de US$ 350 bilhões para os próximos 10 anos, segundo estudo da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip).

As encomendas para ambos os setores já são um referencial na criação e na consolidação da cadeia de fornecimento interno, o chamado ‘Conteúdo Local’, cujo objetivo é ampliar o suprimento de produtos e serviços. De início, o desafio é adequar tecnologia e escalas de produção para atender à demanda emergente.

A estratégia para absorver esse crescimento é a união. Para isso, empresários devem se aliar, buscando parcerias na produção, na implantação de tecnologia e nas escalas de produção. O antigo modelo de terceirização de mão de obra deve ser substituído pela ‘parceirização’, que é a divisão do trabalho e do lucro proporcional à atividade realizada.

Alguns executivos já enxergam isso. O modelo vem sendo adotado com sucesso no Arranjo Produtivo Local do Vale do Aço, em Minas Gerais. Lá, a indústria metal-mecânica voltou-se para as oportunidades criadas nos setores naval e petrolífero. Além da produção regional, as empresas vêm expandindo suas atividades.

Recentemente, produtores mineiros de blocos de navio — sem logística marítima — foram à Região Sul do País buscar parcerias. Não há dúvidas de que esse novo formato de negócio terá um importante desdobramento no futuro. Ele atende à demanda local e impulsiona o crescimento de empresas ‘gêmeas’ em regiões diferentes, e sem a concorrência predatória e a nociva guerra entre estados.

Nelson Naibert

Economista e Consultor

Artigo publicado no jornal O Dia (17/05/2012)

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