Uma história de superação

Em uma das reuniões que fiz – as tenho feito periodicamente – recebi um lindo depoimento. Acredito que a vida das pessoas é muito rica. E as histórias que cada um traz consigo nos enriquecem a cada dia.

Tenho tido exemplos muito positivos e que me incentivam a continuar minha luta. Que não é apenas minha. É de centenas de pessoas que, como eu, sonham e trabalham para mudar o que precisa ser mudado, para que todos tenham a chance de vencer na vida e tenham condições dignas de viver. Quando li o relato de Marcelo Medeiros Carvalho, vi, mais uma vez, que vale a pena lutar. E é esse depoimento que divido com vocês abaixo.

“Nasci em uma família humilde. Me criei na Cohab, onde conheci o Nei. Graças a Deus meu pai sempre me incentivou a estudar e pode pagar meus estudos. Assim, formei-me Técnico em Eletrotécnica, pelo Parobé. Dede então, trabalhei em empresas de telecomunicações como técnico em telecom, comecei a construir minha carreira profissional e atingi meus objetivos financeiros. Mas sentia que faltava algo.

Em 2005, resolvi entrar para a academia e, em 2012, me graduei em Administração de Empresas. Desde a formatura venho prestando consultoria em Social Media e trabalhando com projetos esportivos. Hoje, faço Pós-graduação em Gestão do Esporte e MBA em Gestão Empresarial. Sou muito inquieto e sonhador e foi isso que me levou a atingir meus objetivos. É isso, também, que faz com que eu continue sonhando e lutando por meus objetivos.

Em 2009 lancei o livro “Fragmentos – Contos da Vida Cotidiana”, mais um desafio em minha vida. Já escrevi um segundo livro, ainda não lancei. Será meu próximo passo.

Essa é um pouco da minha história e como você pode ver me identifiquei com tua história e tuas palavras por nossa origem e luta de vida.”

Por que não política?

Nos últimos anos, o país avançou em conquistas civis, sociais e políticas. Mas ainda há um longo caminho a percorrer. Apesar de gerações terem lutado por liberdade e por um Estado Democrático, ainda é possível encontrar um sem-número de pessoas avessas às questões políticas. Creio, no entanto, que esses grupos estejam desiludidos com o modo de se fazer política.

Com as eleições municipais de 2012, começamos o ano com um novo ciclo legislativo no país. Ciclo, aliás, que é o mais importante do ponto de vista da administração pública, pois são prefeitos e vereadores que estão diretamente ligados aos problemas do dia a dia das cidades e dos cidadãos. Ou seja, a política — certa ou errada — é refletida em nossa vida cotidiana.

Em tese, os espaços vazios são ocupados por aqueles que não têm apreço ao bem público. Portanto, politizar-se é uma das formas de lançar luz sobre o que nos cerca. Se a política chegou ao estágio de afastar os verdadeiros protagonistas desse processo — o cidadão —, é hora, então, de mudar. É hora de ultrapassar o limite da má-vontade e superar o que está equivocado ou errado.

A política não é apenas aquela dos acordos espúrios e da corrupção. Não! Ela é também a ação comunitária, solidária, administrativa e sustentável. É o que queremos que ela seja, mas, para isso, é fundamental agir, seja individualmente ou coletivamente. Há que se manter a imagem da utopia no horizonte. E como bem definiu o escritor Eduardo Galeano, a utopia serve “para que eu não deixe de caminhar”.

por Nelson Naibert
Artigo publicado no Jornal O Dia
http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/nelson-naibert-por-que-n%C3%A3o-pol%C3%ADtica-1.569987

241 de anos de Porto Alegre: um misto de celebrações e desafios

Lendo sobre o aniversário de Porto Alegre durante toda a semana, acompanhando a programação festiva do aniversário da nossa capital e lendo as notícias sobre a cidade, reforcei uma ideia que tenho há anos: da mesma forma como avançamos muito e temos, portanto, bons motivos para celebrarmos, ainda temos grandes desafios.

Os desafios, por certo, são marcas de toda cidade. Impossível vivermos em um local onde não haja algo a ser superado. Mas estamos longe do ideal, infelizmente. Uma cidade que tem mais de 40 mil pessoas vivendo na pobreza extrema e nada faz para mudar isso não pode celebrar. Um município onde quase 65% da população se sente insegura e cujos índices de homicídios crescem de forma significativa, não pode celebrar. Uma Porto Alegre que nega acesso à saúde e à educação a seus cidadãos não pode celebrar. E o que mais sinto nesse sentido, é ver que as iniciativas do poder público não são voltadas a mudar esse cenário.

Porto Alegre não é só isso, não é só problema. Teremos, em 2014, a Copa do Mundo e isso nos permite viver um período de grandes investimentos. Isso, sim, deve ser celebrado. Teremos voo direto para Miami, assim como já temos para Lisboa. Ou seja, estamos nos recolocando nas principais rotas turísticas, com ligação direta com EUA, América Latina e Europa.

Onde queremos chegar? Que cidade queremos ser? Qual nosso planejamento para o futuro de médio e longo prazo? Quais mudanças estruturantes estamos realizando? Que visão de desenvolvimento temos?

As perguntas são infinitas. As respostas ainda insuficientes. Se quisermos ser uma cidade boa para seus cidadãos, boa aqueles que realmente fazem Porto Alegre acontecer, é preciso mudar. Mudar o olhar, romper paradigmas, trocar de rumo, acertar o passo. Meu desejo, então, nesse 241 anos, é que Porto Alegre se reencontre, que valorize seus cidadãos garantindo-lhes o que é de direito, e buscando avançar com a perspectiva de ser e melhor cidade desse país?

Por Nelson Naibert

Promessas X discursos X conhecimento

Há muito tempo me pergunto o que motiva as relações entre as pessoas. Mais pontualmente, o que leva uma pessoa a procurar outra, com um discurso amplo e de solidariedade, quando a intenção é somente tirar proveito de uma situação. Pergunto-me por que ainda vemos tanta gente prometer o que é impossível ou não está ao seu alcance. Alguns logo devem relacionar meus questionamentos à política. Mas não é apenas nessa área que isso acontece. Vemos isso no cotidiano. Mas quero falar, aqui, sobre o que é senso comum, sobre o que tenho visto nas ruas, conversando com as pessoas.

Gosto de atribuir isto a falta de conhecimento de gestão. É uma das explicações. Falta de conhecimento de políticos e de cidadãos. Se nós, cidadãos, tivéssemos pleno conhecimento do papel de cada agente político, dos nossos direitos e deveres, jamais trocaríamos nosso voto por alguma promessa ou favor. Por outro lado, há quem prometa o que não é de sua competência por também desconhecer o papel quer exercer ou já exerce.

Muitos políticos que ouvi ao longo dos meus 40 anos de idade e, nos pelo menos 20 anos de discernimento político, me deram a impressão de conhecerem bem as reações do povo. Sabem o que dizer, sabem como dizer. Aliás, não é à toa que há anos o marketing político vem ganhando força e espaço. Já não basta mais ter ideais, é preciso saber chegar nas pessoas. Nessa busca – por vezes desmedida – vi muitos explorarem o emocional e a esperança da população. Vi, também, muitos aceitarem vender a esperança que ainda tinham.

Acredito, porém, que a população está mais atenta a isso. Cada vez mais vemos figuras públicas – como artistas e atletas – serem eleitos com votações significativas. É um sinal, sem dúvida. Quando um cidadão escolhe um ídolo do esporte, é porque vê nele a possibilidade de mudança, de algo diferente, de renovação. O voto, aqui, não é político, portanto. E tem dado certo, basta avaliarmos o trabalho do ex-jogador e hoje deputado federal Romário. Um dos mais assíduos da Câmara, com excelentes propostas e ações.

Esses “Romários” me servem de contraponto aos ditos “santinhos” que sempre se mostram com frases de efeito e grandes promessas. Eles descrevem exatamente o que a população quer ouvir ou ler. Embora muitas vezes sequer saibam como fazer os que prometeram. Por isso, acredito ser importante notarmos o quanto a política envelheceu e continua utilizando dos mesmos artifícios para eleger sempre os mesmos. Há quantos anos convivemos com Sarney e Renan Calheiros?!

Sempre digo e repito: a política é nosso cotidiano. Enquanto não nos empoderarmos, seguiremos reféns daqueles que usam o poder a seu favor. Proponho, então, começarmos uma campanha de qualificação dos candidatos. Estamos a pouco mais de um ano das próximas eleições. Tempo suficiente para sabermos o papel de cada cargo eletivo, para relembrarmos nossos últimos votos e buscarmos informações sobre tudo o que foi prometido há quatro anos. O conhecimento é a arma do eleitor. É preciso saber usá-la a favor das pessoas e das cidades, a favor das transformações sociais que o País precisa viver.

Por Nelson Naibert

O dia internacional da mulher: reviver o passado e construir o futuro

Historicamente, o 8 de março nos remete a momentos de lutas fundamentais das mulheres e, por conseguinte, da sociedade. A data foi escolhida como homenagem às mulheres que trabalhavam em uma empresa de tecelagem em Nova Iorque e que, ao reivindicarem uma jornada de trabalho digna e respeito, perderam a vida de forma violenta e trágica. Relembrar essa história – e a de Maria da Penha, por exemplo – a cada ano, nos mostra o quanto precisamos avançar.

Alguns ainda acham hipocrisia a data. Mas lembrar disso anualmente é preciso. Respeito quem pensa que é hipocrisia, mas acredito que, com um pouco mais de interesse pelo tema e conhecimento, entenderiam que ainda é necessário que tenhamos uma data para que o mundo volte seus olhos para as desigualdades, para a opressão, para o preconceito. Sim, nada disso deixou de existir. Muito do preconceito passou a ser velado, afinal, não se pode mais gritar o preconceito. Enquanto isso, milhões de mulheres sofrem toda sorte de violência física, psicológica, moral…

Será que esses que acreditam que seja hipocrisia a data sabem que a cada cinco minutos uma mulher é espancada no Brasil? Será que eles sabem que o salário das mulheres que desempenham a mesma função que homens chega a ser 70% menor que o deles? Será, realmente, que é hipocrisia ou necessário?

Dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), elaborada em conjunto por Dieese, FGTAS e FEE, aponta que a hora trabalhada permaneceu em R$ 7,48 para mulheres e, no caso dos homens, o índice passou de R$ 9,10 (em 2011) para R$ 9,43 (em 2012). O que justifica a diferença?

Entendo que as mulheres têm que lutar por seu espaço e que nós, homens, devemos respeitá-las. Se o Brasil cresceu nos últimos anos e temos hoje a nova classe média como uma potência, é porque as mulheres foram para o mercado de trabalho e passaram a ser chefes-de-família. Em Porto Alegre e região metropolitana, cresceu o número de casas chefiadas por mulheres: entre 2011 e 2012, o índice passou de 33,3% para 34,8%. Esse número no nordeste é ainda maior e, nas classes D e E maior ainda!

Se não voltarmos nossos olhos e ação para as políticas públicas que promovam a igualdade de gênero, o respeito e fim do preconceito, milhões de mulheres seguirão sendo humilhadas, torturadas, assediadas, violentadas a cada segundo. É nosso papel debater os problemas, nos inspirar nos bons exemplos e ter, a partir disso, metas e planos de ações. É papel de todos a luta pela igualdade de direitos e ainda estamos longe dessa conquista ser real e concreta.

Nelson Naibert

O enfrentamento aos problemas do cotidiano

Há algum tempo, quando pensei em lançar um site, uma das minhas principais motivações era criar um canal de comunicação, de acesso à informação, de troca com as pessoas. Ao trabalhar com o desenvolvimento de cidades, acabo conhecendo de perto a realidade de um país que vem mudando muito nos últimos anos, mas que ainda tem muitos compromissos fundamentais a cumprir com seus cidadãos. Compromissos básicos para o século em que vivemos: da tecnologia, da ciência, de inovação, da indústria criativa, das grandes obras viárias… 

Em Porto Alegre, através do site, recebi o convite dos moradores da rua Dorival Castilho Machado, Aberto dos Morros, Hípica. Junto com os moradores, percorri a rua, conheci famílias, vi os problemas de perto, ouvi histórias… O que é sempre igual em todos os lugares que vou: há esperança nos olhos das pessoas. Eles acreditam na mudança, acreditam que serão olhados, acreditam que serão contemplados, em algum momento, com as soluções que lhes são prometidas de tempos em tempos.

É possível que em pleno século 21 famílias convivam com esgoto a céu aberto, com animais que transmitem doenças em meio às crianças e com um córrego que, toda vez que tem uma chuva forte, inunda as casas e a rua? Na rua Dorival Castilho Machado, a cada chuva intensa, as famílias perdem o pouco que conseguiram conquistar com muita dificuldade. Mas, é importante deixar claro, a chuva não é a vilã desses casos. A ausência do poder público é. Ausência de anos, que piora com o passar do tempo.

Para pegar um ônibus que os levem fora do bairro, ou ao centro, por exemplo, as pessoas precisam caminhar no mínimo dois quilômetros, porque o ônibus que passa na região só transita internamente e a passagem não permite integração. Os alunos da rede pública caminham pelo menos 20 quadras até chegar à escola. Não transporte público escolar. Como garantir, então, que as crianças tenham frequência escolar? Onde chegamos sem educação?

Foram muitos os problemas relatados pelos cidadãos. Ao ouvi-los, perguntei-me: será que vivemos momentos onde tudo perdeu sentido, onde os órgãos responsáveis agem como simples fiscalizadores e não levam soluções onde o problema já foi constatado? Porque o problema está há mais de 30 anos lá! Ou seja, houve tempo de planejar e executar alguma solução com certeza.

Outra reclamação dos moradores é a sazonalidade das visitas que recebem. Segundo eles, em período eleitoral, são muitas as visitas e promessas. Após, o resultado das urnas, são novamente esquecidos. Não podemos conceber que algumas pessoas insistam na velha prática de prometer e sumir. Não podemos mexer com as expectativas das pessoas e torná-los reféns das circunstancias para a cada pleito. Renovar a esperança das pessoas é algo muito sério, mas que exige resultados concretos.

Com base na visita, vamos elaborar um documento pautado no que foi visto, anexando as fotos, depoimentos e filmagem do local. Encaminharemos às autoridades pertinentes, pois é inconcebível e inadmissível que Porto Alegre ainda tenha situações como essas. Neste momento somos a voz e o instrumento de atitude para mudar essa realidade que é muito maior do que este caso especifico.

Nelson Naibert

Emprego é a prioridade do povo

Os eventos internacionais que o Rio de Janeiro vai sediar a partir deste ano (Conferência Rio+20, Copa 2014 e Olimpíadas 2016) só serão um sucesso se forem capitalizados em prol da sociedade. O primeiro passo é identificar quais são os anseios e as expectativas da população. De acordo com recente pesquisa do Ipea, os brasileiros apontam como principais problemas do País a insegurança e a saúde. Entre os pobres e os jovens, surge outra preocupação: o desemprego.

Apesar de, nas estatísticas oficiais, a taxa de desocupação estar em queda, é fundamental ouvir a opinião dos menos favorecidos. Para as classes baixas, o desemprego é a principal causa da pobreza. Obviamente, há outros motivos, como falhas na educação e falta de estrutura familiar. Mas é certo também que, sem salário, ninguém tem acesso a serviços de qualidade nas mais diferentes áreas.

Portanto, é hora de o poder público entrar em ação e tomar as medidas que a sociedade espera. Os brasileiros ouvidos pelo Ipea sugerem que o governo aumente o salário mínimo, estimule novas contratações, apoie pequenos agricultores e incentive microempresários. Em resumo, que ajude a aquecer o mercado.

Felizmente, alguns municípios fluminenses parecem ter ouvido o clamor das ruas. Saquarema, por exemplo, conseguiu criar 4.500 empregos diretos e indiretos com a instalação de 29 indústrias. Bom Jardim, Carmo e Santa Maria Madalena também estão na lista das cidades que vêm atraindo empresas, para multiplicar vagas.

Às vésperas de tantos eventos importantes, os governantes não podem ignorar a voz do povo. E o recado da população é claríssimo: que o poder público aproveite esse momento único para atrair investimentos, gerando emprego e renda.

Nelson Naibert

Economista e Consultor

Artigo publicado no jornal O Dia (08/02/2012)

Por que não política?

Gosto muito do nosso tempo, por diversos motivos. Um deles diz respeito à maior liberdade que temos. Comparada há alguns anos ou décadas, avançamos muito na busca dessa liberdade, seja ela política, pessoal, de credo, de expressão, entre tantas outras. Assim como é certo que avançamos, é certo, também, que há muito a ser conquistado para a liberdade plena e universal de todos.

Mesmo nosso país tendo evoluído bastante quando o assunto é liberdade – é preciso lembrar que há poucas décadas vivíamos a ditadura e os Atos Institucionais – ainda há grandes preocupações e um longo caminho a percorrermos. Percebo isso principalmente nos discursos que exaltam o desinteresse político. Como pode termos visto gerações darem a vida pela liberdade política e convivermos com essa escolha simplista de não-participação? Justo agora, que temos tido mais acesso à informação, que temos visto casos de corrupção serem punidos…

A impressão que tenho é que essas pessoas se sentem mal não com a política de um modo geral, mas, sim, com um determinado modo de fazer política. Preferem, por isso, manter certa distância. Não é de todo errado. Mas talvez não seja a melhor escolha, porque nossas vidas estão diretamente ligadas à política. Há um entrelaçamento de tudo, das coisas mais simples do nosso cotidiano às coisas mais complexas debatidas no Congresso Nacional. A política – certa ou errada – é refletida em nosso dia a dia. Podemos escolher perceber isso quando algo nos toca isolada e diretamente (pelo individualismo), ou pela consciência coletiva (muito mais forte e capaz de provocar mudanças).

Sermos mais politizados é, nesse entendimento, uma das maneiras de lançarmos luz sobre essas teias invisíveis que nos dominam. Afinal, a omissão e a abstenção também são formas de posicionamento político. Mais fracas, talvez, porque espaços em teoria vazios são rapidamente ocupados justamente por aqueles que fazem a má política.

Se nossa política chegou nesse estágio, de afastar os seus verdadeiros protagonistas – cidadãos – é hora de repensar, de agir, de mudar. Não podemos simplesmente nos afastar pelo cansaço. É tempo de sermos teimosos, de insistirmos, de superarmos o que está errado. É possível começarmos uma nova vida e fazermos com que a política seja entendível, animada e interessante. É preciso que façamos isso. A política não é apenas a dos acordos espúrios e da corrupção. Não! A política é a ação comunitária, a aça solidária, a mudança nos bairros, nas ruas, nas cidades. A política é o que queremos que ela seja, desde que sejamos fortes o suficiente para superar a vontade de abstermos e passarmos a um novo estágio: de ação. Afinal, queremos a liberdade plena e universal para todos! Queremos direitos iguais e para todos.

Acredito que para mudarmos o estágio de repulsa que milhões de pessoas enfrentam, devemos usar o sentido de utopia definido por Eduardo Galeano: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. O horizonte pode ser uma meta ou um impedimento ou as duas coisas. Quem define o que é somos nós e nossas ações.

O meu desafio deste 2013 está dado: quero seduzir o cidadão a fazer política sem pensarmos que os políticos são nossos adversários. Precisamos estar imbuídos de uma compreensão de que juntos podemos fazer mais, fazer diferente; devemos mostrar que, através da organização, podemos agir e complementar as boas propostas que existem, bem como ser contra o que não serve para o todo. Para isso, vamos manter a imagem de utopia no horizonte, vamos caminhar numa direção única da busca do bem comum, da igualdade, da justiça.

Por Nelson Naibert

A ocupação de cargos públicos


Sandro Vicente

 

Alianças partidárias são formadas com o objetivo de eleger candidatos a determinados cargos, em determinadas eleições. Uma vez eleito, o candidato deve retribuir o apoio recebido através da concessão de cargos aos partidos que compõem sua base eleitoral. A situação preocupante que decorre, em muitos casos, é a forma como isso acontece. A distribuição de cargos e pastas na administração pública ocorre de sob viés político. Entretanto, se baseada ideia de responsabilidade social, deveria ser técnica.

Em meu ponto de vista, a interação partidária na busca de eleger um candidato em comum com vistas aos possíveis cargos que se disponibilizam não deve ser a única ou a maior preocupação dos envolvidos. Um planejamento de distribuição de cargos baseada na plataforma de governo deve ser elaborado de modo a contemplar os recursos disponíveis. Nesse caso, deve ser dada especial atenção aos recursos humanos. A ocupação de um cargo público deve exigir profissionalização, experiência de natureza técnica e empírica com a função a ser exercida. Na iniciativa privada, essa prática é utilizada e sua otimização é meta permanente. Tudo para que os objetivos sejam alcançados em êxito. A administração pública vem convergindo aos moldes da governança corporativa gradativamente.

Portanto, é importante a implementação de novos métodos de avaliação para a ocupação dos cargos públicos considerando a capacidade do indivíduo em cumprir as funções exigidas de maneira que atenda às expectativas das necessidades dos cidadãos. Entendo que os partidos recompensados com cargos devido ao comprometimento eleitoral devem apresentar candidatos habilitados para a composição das equipes de governo. Dessa forma, mesmo que um candidato não consiga montar uma equipe de sua confiança e através de sua escolha pessoal, ele terá um grupo de profissionais que atuará com base e respaldo técnico em cada uma das diversas áreas de atuação do governo, minimizando erros e desperdício de recursos públicos. Afinal, o objetivo da política, em sua essência, é a prestação de serviços administrativos e a promoção do desenvolvimento socioeconômico de uma unidade governamental. E, para que haja êxito na administração pública, a política é essencial, sim, mas aliada ao conhecimento técnico. Ou corre o risco de cair no vazio, no demagogo e ficar apenas no discurso, sem resultado.

Porto Alegre: a prioridade dos investimentos em infraestrutura

Cada cidade, região, estado possui suas prioridades. Quem mais as conhece é quem vive nos locais, enfrentando no cotidiano, os gargalos. Entre várias prioridades que possui, penso que Porto Alegre necessita urgentemente de uma reforma na infraestrutura. Sabemos que, devido ao movimento “Copa do Mundo”, cidades de todo o Brasil começaram suas obras, inclusive Porto Alegre. No entanto, questiono a demora na realização dessas obras, já que boa parte está apenas no papel ou é recém saída dos projetos.

Na primeira quinzena de janeiro de 2013, por exemplo, passamos por uma situação mais que estressante, onde o ponto culminante foi uma vitima fatal devido à forte chuva que, mais uma vez, alagou nossa cidade. O prejuízo é geral é incalculável, pois o que vemos nos noticiários são os fatos extremos que somados às demais ocorrências. Impossível inaceitável e continuar omisso. Claro que é preciso levar em consideração o alto volume de chuvas. Mas, se algumas partes de Porto Alegre suportaram, é sinal de que investimentos trazem resultados, sim. Sem investimentos vimos casas alagadas, carros destruídos e sonhos de muitos trabalhadores perdidos, além do foco comercial e industrial, ou seja, afetando todas as classes e categorias da população.

Sabemos que os orçamentos para a realização de obras públicas possuem custos elevados. Da mesma forma, sabemos os prejuízos causados por obras iniciadas com longos prazos para a concretização e, em alguns casos, inacabadas. Isso fere o bolso de todos os cidadãos.

Poderia enumerar muitos outros problemas. No entanto, queremos solução, queremos ter uma perspectiva positiva para o futuro, pois o caos originado pelas chuvas torrenciais ocorre de uma maneira devastadora e sem aviso. São fatos naturais. Agora, as chuvas de porte leve, que produzem alagamentos em vários pontos da cidade deveriam chamar a atenção das autoridades competentes há muito tempo, pois, como comentei anteriormente, este tema já é velho. Exemplos do descaso com o investimento em infraestrutura podem ser visto todos os anos pelos noticiários. As notícias se repetem. Como porto-alegrense tenho o sonho de não ver mais isso em minha cidade.

Por Rubens Santos

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