Por que adolescentes estão matando e roubando cada vez mais

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Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

O jornal Diário Gaúcho de hoje traz alguns dados impressionantes: em 10 anos, as internações de adolescentes por crimes violentos aumentaram 34% no RS. O número de internos por tentativa de homicídio subiu 70%, por homicídio, 55%, por roubo cresceu 27% e por latrocínio, 2%. Pela primeira vez em 10 anos, o número de internos por crimes violentos ultrapassou a marca dos mil. Historicamente, os roubos encabeçam as internações e, neste ano, também pela primeira vez, chegaram à marca dos 706. Cinco anos atrás, eram 310. Em relação a 2015, cresceram 31%.

Já o jornal Folha de S. Paulo, esta semana, afirma que 2 em cada 3 menores infratores em São Paulo não têm pai em casa.

O que podemos tirar de informação disso tudo? O que está escondido por trás desses números? O descaso, a falta de expectativa, a guerra perdida pelo Estado para a violência. Isso para citar alguns exemplos.

Eu sempre digo que sou exceção à regra. Cresci em uma casa sem pai. Minha mãe foi uma grande mulher, de fibra. Não cedemos. Não nos perdemos. Fomos firmes. Estudamos. Posso dizer o quanto é difícil isso tudo. E posso dizer, também, que é possível.

A maioria dos jovens, porém, não tem escolha. Alguns tornam-se violentos ao verem suas mães serem vítimas de violência doméstica. Como culpá-los por isso?

O que acredito ser preciso e urgente é garantir aos nossos jovens expectativa de vida. Isso se faz com educação, com trabalho, com dignidade, com segurança, com saúde. Ou seja, é papel do Estado. E quanto mais o Estado falhar, maiores serão os números da violência, mas, principalmente, das vidas perdidas para esse mal.

 

 

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