Mais de 100 milhões não possuem rede de esgoto

ESGOTO

 

Quando saneamento básico for prioridade para os políticos brasileiros, tenho convicção de que muitos problemas serão superados. Não há como vencer a guerra contra o mosquito da dengue, por exemplo, se não temos rede de esgoto universal.

O Brasil é gigante em números: 100 milhões não possuem rede de esgoto e 13 milhões são analfabetos. Talvez esses dados mostrem o tamanho do nosso desafio! Nosso, sim, porque somos nós que elegemos quem governa, quem legisla, quem determina onde será gasto o NOSSO dinheiro!

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Um total de 156,4 milhões de brasileiros que vivem em áreas urbanas tinha acesso à rede pública de abastecimento de água em 2014. O número equivale a 93% dos moradores das áreas urbanas do País. No quesito saneamento, 57,6% eram atendidos por redes coletoras de esgoto, o que significa 96,8 milhões de habitantes. Considerando que o Brasil tem mais de 205 milhões de habitantes, isso significa que mais de 100 milhões de brasileiros não possuem acesso à rede de esgoto.

 
Os dados são da 20ª edição do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos referentes ao ano de 2014. O levantamento do Ministério das Cidades buscou informações sobre o abastecimento de água em 5.114 municípios, que abrangem 168 milhões de pessoas (98% da população urbana do País). Sobre o esgoto sanitário, o estudo obteve dados de 4.030 cidades, nas quais vivem 158,5 milhões de brasileiros (92,5% da população urbana).
Segundo o diagnóstico, R$ 12,2 bilhões foram investidos efetivamente nos serviços de água e esgoto em 2014. O número representa um crescimento de 16,7% em relação a 2013. Os serviços de esgoto receberam 46% do total investido. No mesmo ano, mais de 2,4 milhões de pessoas foram incluídas no serviço de abastecimento e 3,5 milhões na área de saneamento.

O índice médio de dejetos coletados no Brasil chega a 70,9% do total gerado. Entretanto, quando se fala em esgoto tratado, esse percentual cai para 40,8%. O trabalho mostra que houve uma discreta evolução nesse ponto. O volume de esgotos tratados saltou de 3,624 bilhões de metros cúbicos em 2013 para 3,764 bilhões em 2014, um aumento de 3,9%.

O levantamento revelou que o consumo médio per capita de água no País foi de 162 litros por habitante ao dia, queda de 2,6% em relação a 2013. A população do Nordeste consumiu em média 118,9 litros (menor quantia do País), enquanto, no Sudeste, o consumo foi de 187,9 litros (maior do Brasil).

No Rio Grande do Sul, o consumo médio de água em 2014 foi de 162,9 litros por habitante. Nos últimos três anos, a média foi de 154,9 litros. O Estado, juntamente com Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rondônia, Acre, Distrito Federal e Amazonas, é um dos que consome mais que a média do País, de 162 litros por habitante ao dia.

Dos 497 municípios gaúchos, só 108 têm redes coletoras

A condição do atendimento de esgoto sanitário no Rio Grande do Sul ainda é precária. Das 497 cidades gaúchas, somente 108 possuem redes coletoras. Na prática, isso significa que 3,1 milhões dos mais de 11,2 milhões de gaúchos têm acesso a uma rede de esgoto. Apenas os moradores de 28% dos municípios gaúchos são atendidos por esgotamento sanitário.

Nas áreas urbanas, o índice sobe para 32%. Ainda assim, só 28,67% do esgoto gerado é coletado, e apenas 49,54% dos dejetos são devidamente tratados. É um dos piores índices do Brasil, ficando à frente dos estados do Pará (15,36%), do Maranhão (37,15%) e de Minas Gerais (49,34%).

Quanto ao abastecimento de água, a situação é melhor. No total, 450 municípios possuem acesso, o que corresponde a mais de 9,3 milhões de gaúchos. No total, 85% das cidades são atendidas. Quando o recorte se refere às áreas urbanas, o índice cresce para 94,96%.

O Estado apresentou queda no percentual de investimentos para a área de saneamento básico. Em 2013, foram R$ 428,3 milhões, o equivalente a 4,1% do total aplicado, contabilizando todas as áreas. Em 2014, embora o valor bruto tenha aumentado para R$ 431,3 milhões, o percentual caiu para 3,54%. Além disso, a tarifa cobrada por metro cúbico de água no Rio Grande do Sul em 2014, de R$ 4,52, foi a maior do País, fato que já tinha ocorrido em 2013.
Fonte: Jornal do Comércio

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