outubro 2015 archive

O menino que se apaixonou pela música

Dois anos atrás, ele não sabia a diferença entre o contrabaixo clássico e o elétrico. Na última terça-feira, Weslei Felix Ajarda realizou um sonho e subiu ao palco do Salão de Atos da UFRGS para tocar o instrumento junto à Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa). Confira em vídeo como foi a grande noite de Wesle.

Quatro cordas, um sonho
Foi por engano que Weslei Felix Ajarda entrou pela primeira vez no Conservatório Pablo Komlós. Os olhos escuros e curiosos ansiavam por aulas de contrabaixo elétrico, um complemento ao seu aprendizado com amigos. Com as mãos já acostumadas com as cordas do instrumento, ele preencheu a ficha de inscrição. Há cinco meses, o menino de 14 anos sequer sabia o que era música clássica, a ponto de confundir o contrabaixo elétrico com acústico.

Após passar na seleção, o primeiro instante foi de surpresa. O adolescente deparou com um instrumento da sua altura, mas duas vezes mais largo que ele. Quando os dedos seguraram o arco e o arrastaram pelas cordas grossas, não foi somente o som que o fez se afeiçoar: foi o sentimento. O menino guarda dentro de si a primeira sensação dos acordes. E todas as quartas-feiras à tarde, quando tem aula de contrabaixo clássico com o professor Eder Francisco Kinappe, ainda sente o mesmo estardalhaço dentro de si.

A vida do Weslei que estuda de manhã na escola Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Nancy Ferreira Pansera, no bairro Guajuviras, em Canoas, quase se separa da vida do Weslei que nas tardes de quarta-feira vai para Porto Alegre. A música é o elemento que contrasta as duas realidades. Quando acorda às 7h para ir à sala de aula, o boné vermelho e o uniforme escolar não indicam qualquer relação com a música clássica. O rosto brincalhão, que divide a atenção entre conversar com os colegas e absorver os conhecimentos, adquire uma expressão séria pouco depois do almoço, quando, às pressas, troca de roupa e anda rapidamente até a parada de ônibus. Weslei percorre parte do trajeto de trem, muitas vezes lotado. Quando desce na última estação, em Porto Alegre, apressa o passo para chegar a tempo na aula.

Diferentemente da escola, Weslei não perde o foco quando entra em uma das salas do segundo piso do Conservatório. Após cumprimentar o professor, se abaixa para pegar o instrumento e, de forma delicada, o ergue do chão. Se os olhos se focam no contrabaixo, os ouvidos, porém, prestam atenção à voz baixa e calma do instrutor. Em pouco menos de uma hora, o garoto tenta saciar a vontade de colocar nas cordas o sentimento que vibra dentro de si conciliando com a leitura da partitura.

De exemplo, um caminho parecido
A música é a inspiração para Weslei sonhar em fazer parte de uma orquestra. Nas poucas vezes em que vai assistir a um dos concertos da Ospa, além de sentir a melodia invadindo o teatro, sente o sonho pulsar dentro de si. Os olhos de Weslei se direcionam a Eder quase que do começo ao fim do concerto. O menino se imagina lá. Pensa no que se passa na mente dos músicos e alimenta ainda mais a esperança de um dia conquistar o teatro com as suas próprias notas.

– Eu vejo ele como um talento acima da média. O Weslei tem uma extrema facilidade para fazer música. É só ter a oportunidade e estudar o que precisa – revela Eder.

A reabertura do Conservatório
O sonho de Weslei também está em outros rostos e mãos tão cuidadosas quanto as dele com os instrumentos de orquestra. Está nos olhos de meninos e meninas que deixam seus lares e colocam de lado uma infância de brincadeiras para viver com a música. Empenhados em descobrir quão além o som do instrumento pode ir, convencem os pais a pagar o transporte até o Conservatório, o que para muitas famílias é um valor significante.

Entretanto, o sonho de Weslei ainda é uma partitura inacabada. Assim como a transformação do sonho para a realidade, ele precisa evoluir no contrabaixo, e este desenvolvimento está ligado com a prática e o estudo. Para o menino de 14 anos um dia poder estar no palco, o talento e a dedicação não são as únicas duas características determinantes.

– O instrumento em casa é imprescindível. Não tê-lo em casa inviabiliza o estudo – explica.

Para a família de Weslei o custo do instrumento é inviável. O mais barato e de baixa qualidade sai em torno de R$ 2,5 mil, e um de qualidade média está aproximadamente R$ 9 mil.

Desde que o Conservatório Pablo Komlós reabriu, em maio, depois de quase dez anos sem atividade, a escola realiza uma campanha para a doação de instrumentos. Segundo a diretora da instituição, Nisiane Franklin da Silva, muitas pessoas aderiram à campanha, mas as doações recebidas são dos instrumentos mais conhecidos, como violino. Ao todo, são 11 instrumentos disponibilizados na escola, quatro de cordas (violino, viola, violoncelo e contrabaixo), três de madeiras (oboé, clarinete e fagote) e quatro de metais (tuba, trompa, trombone e trompete).

A necessidade se torna ainda maior porque o Conservatório reabriu com um diferencial. Até 2004, quando ele foi desativado principalmente por falta de professores, o intermediário era o nível mais baixo para um aluno entrar, depois de realizar uma prova. Apenas alguns alunos de baixa renda, que se destacavam em outros projetos sociais, e que já dominavam algum instrumento, eram deslocados para a Ospa.

Neste ano, porém, optou-se por abrir vagas para crianças e adolescentes de baixa renda. Das 220 vagas, 44 eram específicas para este público.Assim como Weslei, a maioria dos alunos que entrou nesta condição não possui o instrumento para levar para casa e praticar.

Fonte: Zero Hora

 

5 de outubro de 2014

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Era 5 de outubro de 2014. Embora a perda de Eduardo Campos tivesse abalado o sonho de um novo Brasil, naquele domingo, 5 de outubro, ainda havia esperança. Mesmo que as pesquisas mostrassem o contrário eu ainda acreditava que Marina e Beto poderiam ir para o segundo turno e levar adiante tudo o que Eduardo despertou nas pessoas. Foi um dia difícil, ainda mais pra mim, que estreava em disputas eleitorais como candidato.
 
Não foi o domingo com que sonhei. Foi um domingo triste. Não por mim. Mas pelo que eu sabia que viria a acontecer com o Brasil. Fosse pelas mãos de Aécio, fosse pelas mãos de Dilma, haveria crise econômica e crise política. Haveria recessão e haveria caos. Tudo o que estamos vivendo hoje, naquele domingo eu temi. Por quê? Porque seria a política do revanchismo, uma guerra que o Brasil vive há décadas e que não nos leva a lugar algum. Ao contrário, nos faz caminhar para trás.

Como vocês devem saber, de tanto que falo, trabalho com geração de emprego e renda. Mas, na campanha, Dilma dizia que havia pleno emprego. Que não havia recessão. Que tudo ia bem.  Hoje, são mais de 8 milhões de desempregados. E esse número deve aumentar até o fim do ano. De concreto, nada tem sido feito. A disputa de poder ainda faz o Brasil estagnar. Quem manda no Planalto? Dilma? Temer? Lula? PMDB? Não sei e nem eles devem saber.
 
Sei apenas que há exatamente um ano, adiei o sonho de um Brasil melhor. Parabenizo Marina e Beto Albuquerque pela postura e coragem de enfrentarem aquele momento. Poucos conseguiriam superar tamanha dor e perda para levar adiante o sonho de milhões de pessoas. Parabéns a todos. Nossa luta ainda não terminou. Falo por mim: ela está mais forte a cada dia. Porque podemos mais e seremos mais.
 
Obrigado, Eduardo, por tudo. Pelos ensinamentos. Nós não vamos desistir. Nós vamos persistir. E outros 5 de outubro virão. Mas o resultado, tenho fé, será diferente!

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