agosto 2015 archive

Os ingredientes do caos

Vivemos o caos. Um caos cada vez mais ativado pela raiva humana. Estamos cegos. Não vemos um palmo diante do nariz. A raiva nos domina. Cansados de injustiças, queremos fazer justiça com nossas próprias mãos. Lendo a coluna do jornalista Túlio Milman, de domingo, lembrei do livro “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago. Temos o dom da visão, mas não sabemos enxergar. E por olharmos sem enxergar, estamos aprofundando as injustiças, aumentando o caos, potencializando as forças do mal. A solução de nenhum problema passa pela violência, pela raiva, pela coação. Nem na vida real, nem na política. Se buzinam pra ti no trânsito, não revide. Se te xingam, não revide. Não dê a cara à tapa gratuitamente. Responda com palavras, com exemplos. Ou, então, corremos o risco de virar o que tanto lutamos contra.

Garis jogam carro no Arroio Dilúvio após colegas serem atropelados. Manchete de Zero Hora na última semana.

Assaltante foi preso e solto 21 vezes. Manchete do Jornal do Almoço durante a mesma semana. Temo pelo que possa acontecer com esse bandido se, um dia, ele for pego pela população e não pela Brigada Militar.

Nada justifica fazer justiça com as próprias mãos. Nada. Mas existem circunstâncias que têm efeito de gasolina no incêndio. A impunidade é uma delas. A principal.

A ação do Estado funciona como freio à barbárie. A pena imposta por um juiz – e cumprida devidamente – é um poderoso exemplo coletivo, não apenas uma punição ao infrator. Quando isso falha, a civilização colapsa. O verniz que nos envolve começa a se romper.

Hoje, não há presídios, não há polícia, não há salários em dia.

Sem uma Justiça eficiente, a raiva cresce. E essa raiva, quando incitada, mesmo com uma única fagulha, pode explodir.

Esse motorista que atropelou os garis. Triste. Lamentável. Que seja processado, julgado e punido, se assim a Justiça entender. Os primeiros relatos apontavam sinais de embriaguez. Os testes mostraram que não.

O mal súbito que levou à morte de dois seres humanos indefesos e inocentes pode ter sido causado por remédios que, numa primeira análise, deveriam impedir o motorista de dirigir. Mas ele não estava bêbado.

Mesmo assim, quase foi linchado. Só não aconteceu porque, nesse caso, a Brigada agiu rapidamente. Mas a raiva explodiu.

E ficou maior porque, no Brasil, é praticamente impossível alguém ir para a cadeia por crime de trânsito. O juiz põe a culpa na lei, a lei ninguém lembra quem fez, o cidadão quer polícia, a polícia está sucateada, o presídio é desumano e sem vagas.

Eu tenho medo desse clima que está se formando entre nós. Nada funciona, nada serve, não há Justiça nem perspectiva. Nessas horas, sempre aparece alguém com soluções mágicas de força.

A gente precisa de segurança. Se o Estado não dá, alguém promete. E muita gente acaba acreditando nesses falsos messias. Sejam eles traficantes ou ditadores.

Governo central tem déficit primário de R$ 7,2 bi em julho

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A arrecadação em queda livre e o engessamento das despesas levaram o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) a registrar mais um déficit primário em 2015. Em julho, os gastos superaram as receitas em R$ 7,2 bilhões e a equipe econômica não conseguiu poupar nada para pagar juros da dívida pública. Esse é o terceiro déficit consecutivo do ano e o pior resultado para o mês registrado na série histórica do Tesouro, iniciada em 1997.

Equipe econômica prevê déficit fiscal no ano
A mediana das estimativas dos economistas consultados pela Bloomberg indicava um resultado negativo de R$ 6,8 bilhões. Portanto, o déficit primário do governo central em julho foi pior do que a expectativa.

Entre janeiro e julho, o governo central acumulou um déficit primário de R$ 9,1 bilhões. Esse também é o pior desempenho da série do Tesouro para os sete primeiros meses do ano. Os números indicam que será muito difícil para a equipe econômica conseguir atingir a meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) proposta para o setor público consolidado em 2015, de R$ 8,7 bilhões, ou 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Para o governo central, a meta é de R$ 5,8 bilhões, ou 0,1% do PIB.

Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Fazenda, a receita do governo central somou R$ 619,1 bilhões até julho, o que representa uma queda real da de 3,7% em relação ao mesmo período em 2014. Enquanto isso, a despesa atingiu R$ 627,8 bilhões, com leve alta de 0,4% na mesma comparação.

GASTOS COM SUBSÍDIOS CRESCERAM R$ 12,4 BILHÕES

O documento mostra que, em 2015, houve diminuição do recolhimento de tributos importantes como o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Além disso, foi observada uma retração nas receitas com dividendos (-R$ 8,2 bilhões) e com a participação especial pela exploração de petróleo e gás (-R$ 10,2 bilhões) em função da queda no preço internacional do petróleo.

Do lado das despesas, o governo reduziu gastos com investimentos e com auxílio à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Mas foi obrigado a desembolsar mais com subsídios e subvenções, especialmente para o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES. Esses gastos tiveram uma alta de R$ 12,6 bilhões, sendo R$ 7,4 bilhões somente para o PSI.

Houve ainda um incremento das despesas com Previdência Social. Essa conta chegou a R$ 239,3 bilhões e cresceu 2,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o relatório, esse comportamento se deveu principalmente ao aumento do número de benefícios pagos (3,1%).

SECRETÁRIO DO TESOURO INDICA FIM DAS PEDALADAS FISCAIS

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, os resultados fiscais negativos de julho e do ano foram bastante expressivos, mas isso não significa que o governo não esteja fazendo ajuste fiscal. Ele fez questão de ressaltar o aumento dos gastos com subsídios e subvenções:

— Tivemos um pagamento de R$ 7,2 bilhões com subsídios e subvenções em julho. Esse é exatamente o déficit que tivemos em julho.

A declaração de Saintive faz parte de um esforço da equipe do ministro Joaquim Levy para mostrar o fim das chamadas “pedaladas fiscais”. Essas manobras, que significaram adiar o pagamento de despesas para tentar melhorar artificialmente o resultado das contas públicas, foram muito usadas nos últimos anos pelo ex-secretário do Tesouro, Arno Augustin. Isso deteriorou a política fiscal e contribuiu para a redução da nota brasileira pelas agências de classificação de risco:

— Estamos buscando dar o tratamento adequado e fazer o pagamento tempestivo dessas despesas. Quando fazemos pagamentos e damos previsibilidade a eles, estamos melhorando expectativas e isso mostra uma mudança de sinal em relação à economia — disse o secretário.

Embora o resultado do governo central em 12 meses seja um déficit primário de R$ 43,9 bilhões, Saintive afirmou que a equipe econômica continua perseguindo a meta fixada para o ano (superávit de R$ 5,8 bilhões, ou 0,1% do PIB):

— Continuamos perseguindo a meta. O último quadrimestre pode ter performance melhor. Existem receitas de concessões para entrar.

Perguntado sobre a proposta em estudo no governo de recriar a CPMF para reforçar o caixa no ano que vem, o secretário fugiu do assunto:

— Estamos discutindo o orçamento de 2016 e a verdade é que você discute medidas tanto do lado da despesa quanto do lado da receita. Mas isso é um anúncio que será feito no dia 31 de agosto (quando a proposta orçamentária será encaminhada ao Congresso).

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/governo-central-tem-deficit-primario-de-72-bi-em-julho-17320476#ixzz3k71rJ5cf
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A caixa-preta do PT

Lula e Dilma fizeram explodir em seus mandatos o total de funcionários na administração pública federal. Juntos, os dois contrataram 129.641 servidores concursados (elevando o total para 615.621). Já o pessoal em cargos, funções de confiança e gratificações aumentou em 32.052 (para 99.850; +30%).

Depois de qualificar como “lorota” o plano da oposição na campanha eleitoral para reduzir ministérios, Dilma anuncia sem detalhamento que pode eliminar dez deles (de 39). E mil cargos de confiança. Ou seja, cortaria só 3% dos mais de 32 mil novos cargos, funções de confiança e gratificações que ela e Lula criaram.

SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NA ATIVA

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Cerca de 75% de tudo o que entra no caixa do governo federal hoje sai diretamente para o bolso de funcionários públicos, aposentados e beneficiários de programas sociais. O governo acaba atuando, portanto, como um simples controlador de uma “grande folha de pagamentos”. Entrou, saiu.

O motivo de tantos ministérios, sem que haja mais dinheiro livre para suas ações, seria um mistério não fossem eles usados apenas politicamente. Onde o pouco dinheiro livre que entra normalmente abastece aliados.

No caso de algumas pastas ligadas às áreas sociais, como a do Desenvolvimento Social, há funções claras, como averiguar se crianças do Bolsa Família vão à escola e postos de saúde. Nos da Saúde e Educação, também.

Mas não parece razoável tantos funcionários e cargos novos para lidar com apenas 25% do dinheiro que sobra da arrecadação depois dos repasses diretos.

O aumento, desproporcional aos avanços do país, é mais uma caixa-preta dos quase 13 anos do PT.

As nomenclaturas para cargos, funções de confiança e gratificações (47) são cifradas e herméticas, sem dar pistas do que toda essa gente faz, segundo documento enviado à Folha pela ONG Contas Abertas. Da quantidade de ministérios e relevância, até Dilma agora reconhece a excrescência.

O total de servidores concursados em massa é justamente uma das maiores dificuldades hoje para se reduzir despesas. Assim como fazer cortes nas 75% das despesas que são parte da “grande folha de pagamento”.

Consultado, o Ministério do Planejamento diz que o aumento foi “resultado do esforço a partir de 2003 para conter o déficit de pessoal gerado por longo período sem concursos públicos”. Teria havido também determinações do Ministério Público de Trabalho para substituir 22 mil terceirizados. E que as contratações “atendem às necessidades da administração pública, adequadas às condições orçamentárias e ao cenário econômico do país”.

Como sabemos, as “condições orçamentárias” e o “cenário econômico” requerem cortes profundos no momento. Eles poderiam ter sido iniciados há dez anos, quando Dilma ministra da Casa Civil qualificou como “rudimentar” proposta do Ministério da Fazenda para um plano de ajuste fiscal de longo prazo.

Coisa que a presidente quer fazer agora, de uma hora para a outra. Em condições bem mais adversas.

Sobre a crise, Dilma disse nesta semana que no final de 2014 “não tinha indícios de uma coisa dessa envergadura”. Na melhor das hipóteses, a presidente é mal informada.

Coluna de out./2014 já mostrava o buraco em que estávamos. Comparados aos números de hoje (inflação perto de 10%; dólar a R$ 3,60; PIB de -2%, superávit primário zero e dívida pública de 62% do PIB) até que não estávamos tão mal mesmo.

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Coluna de Fernando Canzian na Folha de S. Paulo

O Congresso, a Lava-Jato e você!

Estou aqui pensando em quem votei na última eleição para deputado estadual, federal, senador, governador e presidente da República. E vocês? Lembram de cada voto?

Felizmente, tenho a convicção de nenhuma de ninjas escolhas estará envolvida nessa operação que vem sacudindo o Brasil é gerando pânico nos políticos corruptos. Tenho convicção de que nenhum de meia escolhidos colocam dinheiro em garrafa de cachaça, usam igrejas para lavar dinheiro, ou fazem qualquer coisa desse tipo.

E vocês, têm essa mesma convicção? A escolha do nosso voto é muito séria. Você até pode vender seu voto por roupa, favor, cargo, dinheiro. Mas tenha a certeza de que o preço disso é caro demais. E o preço é pago por todos nós, que vemos irem pelo ralo bilhões de reais pagos em propinas, quando precisamos de escolas, segurança, hospitais… Se você vende seu voto, você é cúmplice dessa turma toda.

Ainda dá tempo de mudarmos o Brasil. Os velhos caminhos já não apontam mais soluções. A briga entre eles também não. É hora de um novo rumo, que não pode ser confundido com o “mais do mesmo” que vemos, todos os dias, guerreando na TV e aqui nas redes!

Segurança: o RS pede ação

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Tenho estudado alguns temas para poder opinar com mais propriedade. A política nos exige isso. A crítica pela crítica acaba não dando em nada. E, no momento que vivemos, a guerra virtual apequena o debate. Porém, não é hora de apequenarmos nada, ao contrário. É hora de virarmos a página e aprendermos com os bons exemplos.

Nesse sentido, daí dos estudos da economia e fui conhecer mais de perto o Pacto Pela Vida, programa de segurança pública implementado por Eduardo Campos em Pernambuco, quando era governador. Ele ousou, inovou. Mas, acima de tudo, teve coragem. E os resultados são impressionantes. Não apenas pelos números. Mas pelo alcance da política social.

Li o livro de Raimundo Rodrigues Pereira há poucos dias. Ele traz a visão em detalhes do PPV. Lembra, inclusive, do sonho de Campos de levar a todo o Brasil um programa como o Pacto Pela Vida. Quem puder ler, que o faça com atenção. Especialmente ao contraponto justo e detalhado sobre o PPV e as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) do RJ.

As UPPs eram a ação cinematográfica. Falharam. Antes, os moradores temiam a violência entre os traficantes. Hoje, teme a polícia. Já o PPV tem como base a mudança das polícias Civil e Militar. Parece simples. Mas não é. Eu, que morei em vila, sei a sensação que é ter sua casa invadida a pontapés por policiais. Coisa que não ocorre nos bairros de classe média. Eduardo mudou isso. Os resultados vieram.

Então me pergunto: por que não levarmos adiante a ideia? Por que não fazermos em Porto Alegre um Pacto Pela Vida? Por que não fazermos no RS? As eleições de 2016 estão chegando. Ou começamos a discutir de forma profunda os planos para a cidade, ou seguiremos andando a passos lentos e cada dia mais reféns da violência.

Há exemplos bem sucedidos. Se não temos criatividade e vontade de criar soluções, que tenhamos a humildade de reconhecer o que já deu certo e aplicarmos aqui.

Aumento do ICMS será protocolado hoje

A pauta de hoje é velha: aumento de ICMS. Já falei aqui há tempos sobre isso. O remédio pode não ser tão ruim, mas não conheço o projeto. Vamos ver… Convido a relerem meu texto: http://nelsonnaibert.com.br/2015/06/30/%E2%80%8Bimpostos-remedio-pode-nao-ser-tao-ruim/

Abaixo, reportagem do Jornal do Comércio.

O projeto de lei que aumenta a alíquota base do Imposto sobre Circulação de Bens e Serviços (ICMS) de 17% para 18% e as alíquotas especiais de 25% para 30% será protocolado hoje, na Assembleia Legislativa.

A proposta do Executivo estadual tem como justificativa a crise financeira do Estado, mas enfrenta resistências da base e a rejeição das entidades empresariais. Além do aumento de ICMS, outras medidas devem ser encaminhadas nesta quarta etapa do ajuste fiscal do governo de José Ivo Sartori (PMDB).

O dia de ontem foi marcado por reuniões entre o governador e dirigentes empresariais, no Palácio Piratini. Apesar do apelo contrário, o chefe do Executivo anunciou que a matéria será protocolada. Para os empresários, o aumento de impostos resultará em prejuízos para toda a cadeia econômica, especialmente no momento de crise atravessado pelo Brasil.

O presidente da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), Ricardo Russowsky, sustenta que a medida terá “impacto negativo na economia”.

“A entidade é contrária ao ?aumento não só por ser contra a ?elevação da carga tributária, mas por entender que estamos vivendo um cenário de recessão econômica, no qual o aumento de impostos vai se refletir em queda da atividade econômica e não em arrecadação, como pretende o governo”, analisou.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor José Müller, o histórico de ações de aumento de impostos no Estado demonstra o equívoco da ação. “Nos últimos 20 anos, a arrecadação do Rio Grande do Sul ? descontada a inflação ? cresceu 145%. Nesse mesmo período, o PIB do Estado cresceu apenas 56%, e a indústria gaúcha cresceu menos ainda, 28%. O tamanho do Estado não cabe mais no PIB. Temos que pensar em aumentar o PIB ou diminuir o tamanho do Estado”, disse.

Com o envio da matéria à Assembleia Legislativa, as federações empresariais vão pressionar os parlamentares pela rejeição. Os presidentes já realizaram encontros com o PP e com o PSDB – o primeiro definiu voto contrário à matéria e o segundo ainda não tem um posicionamento de toda bancada, apenas do líder Jorge Pozzobom, que também rejeitará a matéria.

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), Vitor Koch, afirma que a mobilização incluirá associados do interior do Estado. “Precisamos trabalhar com todos os deputados para que eles rejeitem a proposta do governo. Temos 152 câmaras de dirigentes lojistas no Estado e todas têm acesso aos deputados e aos líderes de bancadas”, disse.

O presidente da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer, também afirma que a entidade se mobilizará para conversar pessoalmente com cada um dos 55 deputados estaduais. “Na próxima terça-feira estaremos na Assembleia Legislativa, levando nossas posições. O aumento da alíquota do ICMS vai gerar uma economia negativa, especialmente o próximo ano”, declarou Noer.

Quando a periferia será o lugar certo, na hora certa?

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As fotos do 13 de agosto mostram mulheres lavando o sangue dos mortos com rodo, como nos filmes B de terror. Se o rio vermelho escorre pelos degraus, as palavras ecoam para além da extensa fila de cadáveres. Elas matam lentamente, como balas em câmera lenta, que perfuram os corpos, se espatifam por dentro e vão corroendo os órgãos. Dia após dia, dia após dia, dia após dia. Mata-se e morre-se também na linguagem. As palavras silenciam os mortos para além da morte. E calam os vivos, mesmo quando eles pensam gritar.

1) “Estava no lugar errado, na hora errada”

“Ele nunca teve nada a ver com crime. Era pacato, de família.Estava no lugar errado na hora errada. O nome Deivison foi porque meu pai gostava das motos Harley-Davidson.”

(Jorge Henrique Lopes Ferreira, 31, técnico de celulares, sobre o irmão, Deivison Lopes Ferreira, 26, assassinado em 13 de agosto. O pai de ambos foi assassinado há 18 anos, no mesmo bairro, da mesma maneira, num crime jamais esclarecido.)

“O Thiago estava desempregado havia um mês, mas era uma pessoa excelente e infelizmente estava na hora errada, no lugar errado.”

(Alessandra de Lima, 37, dona de casa, sobre o irmão Thiago Marcos Damas, 32, assassinado.)

“Eu vou ter de voltar à normalidade, seguir a minha vida. Perdi um companheiro e um amigo. Por mais que eu queira, infelizmente não posso mudar de casa. Foi o caso de estar no lugar errado e na hora errada.”

(Jean Fábio Lopes, 34, ajudante em lanchonete, sobre o companheiro, Eduardo Oliveira dos Santos, 41, artesão, assassinado)

“Foi muito rápido e muito trágico. Estava no lugar errado e na hora errada.”

(Alberto Martins, sobre o irmão, Fernando Luiz de Paula, 34, pintor, assassinado)

“Estava no lugar errado e na hora errada” foi o comentário mais frequente dos familiares dos 18 mortos, seis feridos, na periferia de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, na maior chacina de 2015. A expressão dá conta de uma máxima: “na periferia há preto ladrão, branco ladrão e aquele que está no lugar errado e na hora errada”. A frase também culpa, ainda que indiretamente, aquele que morre.

Por que, afinal, ele estava aonde não deveria de estar, do lado de fora, na rua? Não tinha nada de estar ali. Para não estar na hora errada, no lugar errado, é preciso ficar trancado dentro de casa. Se estivesse trancado dentro de casa, estaria vivo. Comentários como estes são escutados o tempo todo nas periferias, tanto que se tornaram um clichê. Cada vez mais acuados, aqueles que não querem morrer se resignam a desistir do espaço público.

É a vida dos escravos, sonhada por seus senhores: de casa pro ônibus lotado, do ônibus lotado pro trabalho, do trabalho pro ônibus lotado, do ônibus lotado pra casa. Gente pobre não precisa de lazer ou o lazer é ver TV em casa, preferencialmente programas em que apresentadores, alguns deles com ambições eleitorais, criminalizam pobres e ofertam a imagem de seus corpos no altar midiático. Quem frequenta bar, sabe que pode morrer, é este o recado. Como na noite de 13 de agosto, como em tantas outras noites.

Como pode ser lugar errado e hora errada estar num bar perto de casa antes da meia-noite? Mas assim é. Se há um lugar errado e uma hora errada, supõe-se que existiria então um lugar certo e uma hora certa. Mas a periferia nunca é o lugar certo. Na periferia nunca há hora certa. Já nos bairros nobres de São Paulo, no centro expandido, todo bar é um lugar certo, toda hora é certa. Também na noite de 13 de agosto.

Nenhum dos homens e mulheres de classe média e alta que lotaram os bares da Vila Madalena ou do Itaim Bibi, na mesma noite e hora, jamais precisou pensar sobre a possibilidade de que encapuzados pudessem entrar e executá-los. Nem que as faxineiras no dia seguinte, elas que vêm do outro lado do rio, tivessem de limpar seu sangue com rodo. Não é preciso pensar nisso, nem faz qualquer sentido. Ser encurralado por encapuzados e executado a tiros nunca é a possibilidade no lugar certo e na hora certa.

Ao se depararem com o corpo de filhos, pais, maridos, irmãos, o que os pobres dizem? Ao se confrontarem com o cadáver de quem amam estirado no asfalto, à espera de ser recolhido, ou estendido numa maca no pátio aberto do Instituto Médico Legal, porque faltou geladeira para todos, o que eles afirmam? “Estava no lugar errado, na hora errada”. É a frase com que a mãe espera convencer a sociedade, pela derradeira vez, de que seu filho era inocente e não merecia ser morto a balas. Em seguida, o absurdo se naturaliza na matéria de jornal e vira normalidade: “A maioria dos familiares disse que as vítimas trabalhavam e não viu motivo para execuções”. Isso é quase tão desesperador quanto a morte, porque também é um tipo de morte. E também mata.

2) “Foi parecido com os outros crimes, por que não considerar?”

Qual é o número de assassinados que a sociedade paulista e também a brasileira considera motivo de alarme? Qual é o número de pobres e de pretos executados que atinge nossa sensibilidade seletiva? De quantos corpos é preciso para fazer uma manchete? Sabemos que, se o morto for morador dos bairros nobres, um já causa escândalo, como deve ser diante de uma vida destruída pela violência. Na periferia, é preciso muitos. Acabamos de descobrir que 18 é um número que impressiona. Para ser considerado chacina pelo Governo é necessário pelo menos três mortos. Só nos primeiros seis meses deste ano foram 10 chacinas no estado de São Paulo e 38 mortos,conforme levantamento do Instituto Sou da Paz, baseado em números oficiais, obtidos através da lei de acesso à informação. Neste ano, o número de chacinas duplicou, se comparado ao anterior, e o de vítimas triplicou. Segundo a Ponte, agência independente de reportagem, especializada em direitos humanos e segurança pública, as estatísticas são ainda piores. Só na Grande São Paulo foram 72 mortes em 2015. Em 7 de março, por exemplo, 10 pessoas foram assassinadas no Parque Santo Antônio, na zona sul da capital. Em 18 de abril, oito foram mortas na quadra da torcida organizada Pavilhão Nove, em Osasco, quando se preparavam para um jogo entre Corinthians e Palmeiras. Mas foi preciso um número maior, 18, para causar uma comoção que já começa a ser esquecida.

É perfurante o comentário de um amigo da vítima que foi tirada da lista. Sandro Afonso, 34 anos, ajudante geral, foi morto com quatro tiros em Itapevi, cidade próxima a Osasco e Barueri, na mesma noite. Ele seria o décimo-nono, mas o Governo considerou que o caso não tinha relação com a chacina. “Foi parecido com os outros crimes, por que não considerar?”, lamentou um amigo anônimo. A esperança desta família era que “o seu” fosse incluído no crime que dá notícia, para não ser mais um morto ignorado, o que multiplica as chances de um assassinato impune. Saiu da lista visível, entrou na lista quilômetros mais longa, a dos invisíveis. Seu assassinato perdeu o interesse público e midiático. Arrancado da vida, dificilmente será arrancado do silêncio na morte. Quando a esperança de quem chora o morto é de que ele entre na lista de uma chacina, a sociedade apodreceu.

3) “Ele era trabalhador”

“Era um trabalhador. Saiu para comprar salgadinho para a irmã e não voltou.”

(Tia de uma das vítimas assassinados)

“Ele nunca deu problema com a polícia, gostava de ficar em casa com a mulher, que está grávida de três meses.”

(Viviane de Lima, 27 anos, sobre o irmão, Rodrigo Lima da Silva, 16, assassinado)

“Ele nunca se meteu com nada de errado.” (Tânia Cristina César, sobre o irmão, Eduardo Bernardino César, 26, assassinado)

“Não usava drogas, era um homem trabalhador.”

(Ângela Maria Pereira, sobre o marido, Jonas de Santos Soares, 33 anos, operador de máquinas, três filhos pequenos, assassinado)

O desespero dos familiares para afirmar que seu filho, pai, marido, irmão, amigo morto, estirado no chão, com balas no corpo e sangrando, não era “bandido”, mas “trabalhador” aparece nos vídeos e nas declarações aos jornais. A afirmação expõe, ao mesmo tempo, a deformação e o derradeiro ato de amor. Nessa afirmação está implícito que, se fosse bandido, haveria uma justificativa para a execução. Quando a imprensa valoriza o fato de que 12 dos 18 mortos não tinham antecedentes criminais, é possível justificar o destaque dado à informação porque ela tornaria, em tese, mais distante a hipótese de acertos do crime organizado, assim como de mortes com identidades previamente determinadas, e não aleatórias, como parece ter sido. Mas também reproduz a ideia amplamente disseminada em todas as camadas da população de que criminosos podem – e devem – morrer, ainda que no Brasil não exista oficialmente a pena de morte.

Se tinha ou não antecedentes criminais é, afinal, a mesma interrogação dos assassinos de 13 de agosto. Ao chegarem ao local, segundo testemunhas, os encapuzados perguntavam quem tinha antecedentes criminais. Em alguns casos, teriam matado aqueles que responderam que já haviam cometido delitos. Em seguida, são os jornalistas que perguntam. Logo depois, é a vez da população, que comenta a tragédia, e decide a partir dessa informação se cabe ou não compaixão. A lógica reproduzida por todos os atores dessa história macabra é a mesma, portanto. E o fato de ser a mesma é aterrador. E se 18 dos 18 mortos tivessem antecedentes criminais, isso significaria que a chacina seria menos terrível ou que o assassinato de alguns pode ser tolerado pela sociedade, quando não desejado? Como o comentário do filho adolescente de uma amiga, ao chegar de uma das escolas de elite mais incensadas de São Paulo, excitado com a notícia: “Mãe, a polícia matou 20 ladrões em Osasco!”.

É doloroso testemunhar o desespero dos familiares, ao explicar e explicar e explicar mais uma vez, aos repórteres, que seu morto era “trabalhador”, era “bom”, era “família”. Fazem a defesa pungente da memória dos que amavam, reproduzindo no ato todo o discurso que os aniquila há séculos. Como repórter, uma das cenas que mais me dilacera e que se repete quase toda vez que piso pela primeira vez na casa de alguém que mora na periferia é quando me estendem sua carteira de trabalho para provar que não são bandidos. Homens e mulheres sofridos, assinalados pela vida dura, que sabem que já nasceram sob suspeição porque são pobres, e mais suspeitos tornam-se se ainda por cima forem também negros. E eu, branca e jornalista, sou decodificada como uma autoridade a quem também é preciso estender a carteira de trabalho. Recuso, digo que não precisa, repito que não devem. Insistem. Eu pego, morro um pouco. Neste gesto, toda a falência do Brasil é consumada.

4) “Quando morre um policial, pode saber que em até 15 dias vai ter uma chacina. Nunca vai mudar.”

A principal linha de investigação do massacre de 13 de agosto aponta para a vingança, por parte de policiais militares, pela morte de um colega durante um assalto, ocorrido na semana anterior, na mesma região. Na maioria das demais chacinas, também há suspeita de envolvimento de policiais. O 13 de agosto prova, mais uma vez, que as periferias paulistas vivem sob estado de terror, provocado por uma guerra não declarada. Nela, tombam os mais pobres, a maioria deles negros.

Em 2014, a Polícia Militar paulista matou 926 pessoas, no trabalho ou fora dele – e 75 policiais foram mortos. É a maior letalidade policial desde 1995, quando os dados começaram a ser divulgados pelo Governo. Com informações do Centro de Inteligência e da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, o repórter André Caramante mostrou que a PM mata uma pessoa a cada 10 horas em São Paulo, cinco a cada dois dias. Só no primeiro semestre deste ano, segundo a Folha de S. Paulo, 358 pessoas foram mortas no estado por policiais militares e civis no exercício da função – e 11 policiais morreram.

As mortes fora de serviço são chamadas, na gíria da polícia, de “caixa 2”, como mostra outro jornalista especializado em segurança pública, Bruno Paes Manso. Em blogs e redes sociais, policiais exibem fotos de suspeitos e estimulam a violência não como exceção, mas como regra. Como comportamento e forma de atuação, aberta e cotidianamente. É comum a morte de suspeitos, “os malas”, corruptela de “malacos”, serem divulgadas e comemoradas pelo WhatsApp: “Mala bom é assim, mala morto”. Ou, meses atrás: “Os três vermes, agora há pouco, deitaram no mármore gelado do IML. Vagabundos perigosos. Parabéns aos policiais envolvidos na ocorrência”.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirma que o mais importante é esclarecer a série de crimes e prender os assassinos da chacina de 13 de agosto. Não basta. Se for comprovado que os autores da noite mais violenta de São Paulo são policiais, é hora de enfrentar com seriedade a necessidade de refundar as polícias. Passou da hora, já que o envolvimento de policiais, especialmente militares, em grupos de extermínio, é bem conhecido. Uma polícia militar num regime democrático já é uma contradição em si. A deformação estrutural prejudica os bons policiais – sim, eles existem – e mergulha a população das periferias no horror cotidiano, vítimas de uma guerra não declarada oficialmente, colocada em curso por agentes do Estado, cuja rotina de vinganças é exibida sem pudor em manifestações nas redes sociais, por parte dos membros da corporação, e tolerada por quem deveria puni-la. É preciso enfrentar a estrutura. É preciso formar uma polícia que cumpra a lei e proteja os cidadãos, em vez de assassiná-los.

É isso ou assumir o estado de terror expressado nesta frase: “Quando morre um policial, pode saber que em até 15 dias vai ter uma chacina. Nunca vai mudar”. A afirmação foi feita por uma mulher de 50 anos, costureira, amiga de uma das vítimas. Há três anos ela perdeu o filho em outra chacina na cidade. Se ela já sabe qual é o modo de operação de uma parcela da polícia, como o Governo não sabe e não toma providências antes do fato consumado? O mais brutal dessa frase, porém, é a certeza dessa mulher de que nada vai mudar e que os seus continuarão morrendo. Essa certeza é um dado da sua vida, tão imutável quanto a Terra girar ao redor do Sol. E ainda mais brutal do que isso é que ela tem razão. Não há nenhum fato, nem agora nem no passado, que se possa apresentar a ela para provar que, sim, algo vai mudar. Há promessas. Fatos, até agora, não há.

O discurso que atravessou o sepultamento das vítimas pode ser resumido pela frase de outra mulher, esta irmã de Eduardo Bernardino César. Ela disse, ao enterrá-lo: “Se forem mesmo (PMs), não vai ter investigação, porque a polícia não vai atrás de polícia”.

Esta é a credibilidade da polícia e do governo de São Paulo entre os mais pobres. Uma convicção construída e comprovada no cotidiano. Dia após dia.

5) “Meu filho morreu. Continuarei meus corres”

O massacre dentro do massacre, a morte no interior da morte, o assassinato além da carne é a frase de uma mãe. Zilda Maria de Paula perdeu Fernando, 34 anos. Ele era pintor de paredes. Estava tomando cerveja com os amigos, pouco antes das 21 horas, num bar de Osasco, quando os encapuzados entraram e ele tombou ao lado de outros sete. Era a primeira execução da noite de 13 de agosto. Sua mãe disse à reportagem dos jornais Folha de S. Paulo e Agora:

– Só sei que meu filho morreu. Não vou usar camiseta com a foto dele, não vou pedir justiça. Continuarei meus corres porque ninguém vai me ajudar.

Neste domingo, ela foi a única familiar a participar de um ato contra o genocídio na periferia, em Osasco, que reuniu apenas 50 pessoas, num cenário de ruas esburacadas, escassas árvores raquíticas e casas de tijolos aparentes. Vários parentes das vítimas do 13 de agosto teriam se recusado a comparecer por medo de retaliação policial. Zilda planeja uma missa de sétimo dia: “Estou aceitando a morte do meu filho, mas não como foi. Ele tinha dois metros de altura. Só pôde se proteger colocando a mão na cabeça e se escondendo atrás de uma máquina. Quero reunir quem está junto na mesma dor. Fazer algo civilizado, para não dar motivo para a polícia reprimir”.

Perto dela, uma mulher que não quis se identificar afirmou: “Quando acabar o ato aqui, o que vai acontecer? O silêncio vai voltar”.

6) Epílogo: na Avenida Paulista, selfies com a polícia

Nesta mesma tarde de domingo, 16 de agosto, a alguns quilômetros dali, era outra a cena. As pessoas “de bem” que se manifestavam pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff reeditavam sua admiração e confiança em uma das polícias que mais mata no mundo. Apertavam a mão de policiais, davam parabéns pelo bom trabalho. Depois, tiravam selfies. Abraçadas aos PMs, fazendo sinal de positivo. Não foram registrados protestos contra a chacina de três dias antes.

Na larga Paulista, a avenida-símbolo da pujança de São Paulo, ocupada por cerca de 135.000 manifestantes, a maioria deles homens, autodeclarados brancos e com curso superior, segundo pesquisa do Datafolha, era como se nada tivesse acontecido do outro lado do rio, as pontes dinamitadas também por mais esse gesto. Era como se não existissem 18 corpos furados à bala e chorados por dezenas nos cemitérios das periferias da Grande São Paulo. Os cadáveres não foram lembrados nem por compaixão, nem por decência. Nem mesmo por vergonha. A suspeita de que o massacre tenha sido cometido por policiais não parece ter abalado os manifestantes. A maioria sequer parecia perceber a obscenidade do seu gesto ao pedir um selfie, esquecendo-se ou fingindo esquecer-se de que cada policial ali representa não a si mesmo, mas a instituição marcada por uma letalidade criminosa.

Executar pobres a tiros nas periferias parece não ser considerado corrupção pelos manifestantes da Paulista. Faz todo o sentido. É essa polícia que garante que só morram os do lugar errado, hora errada. As pessoas “de bem” estão no lugar certo, hora certa. Clamam contra a corrupção vestidas com a camiseta da corrupta CBF, o que de novo faz todo o sentido. E vão à Paulista também para garantir que continuem a estar sempre no lugar certo, hora certa.

Eliane Brum

 

Motorista morre em tentativa de roubo a carro em Porto Alegre

A violência está cada dia mais próxima de nós todos. Basta abrirmos o jornal, ouvirmos o rádio, ou olharmos para o lado. Assalto, furto, roubo… Parece que em lugar algum estamos a salvo. Prédios com segurança 24 horas são invadidos, grupos de traficantes se matando, banco na secretaria de segurança é assaltado… e nada é feito. Até quando? A matéria abaixo, do Correio do Povo, é mais uma. Uma simples estatística. Um dado. Um número. Isso para o poder público. Porque para mim, para a família, para os amigos, é uma vida perdida, é uma vida a menos nessa guerra que vivemos todo santo dia. Até quando?

Um homem foi morto com um tiro na cabeça na noite desse domingo durante uma tentativa de roubo de carro no bairro Petrópolis, em Porto Alegre. De acordo com a Brigada Militar (BM), Iuberi Marinho Nunes foi abordado por volta das 20h na rua Lajeado.  

Nunes estava em uma BMW na frente de casa, acompanhado da esposa e de uma terceira pessoa. Dois homens anunciaram o assalto e um deles acabou atirando contra a vítima.

O motorista chegou a ser socorrido por um vizinho, mas não resistiu ao ferimento e morreu a caminho do hospital. Os criminosos fugiram do local sem levar nada.

16/08 – ir ou não às ruas?

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Emprego e renda em baixa. Inflação em alta. Esperança em baixa. Corrupção em alta. Economia em baixa. Reprovação de Dilma em ala. Política em baixa… Assim têm sido nossos dias: de altos e baixos.

Servidores com salários parcelados. Governador opta por rever a decisão e pagar em dia o atrasado (parece confuso!!). Dilma bloqueia as contas do RS. Isso significa servidores com salários, mas sem pelo menos R$ 60 milhões para a saúde. Altos e baixos.

E, nesse cenário, surge mais um chamado às ruas. Vamos protestar! Vamos dizer o que não queremos! Vamos mostrar que do jeito que tá, não nos serve! Viva a democracia! Viva a liberdade de expressão! Viva o povo nas ruas!!!

Esqueça o impeachment! Esqueça o presidente da CUT ameaçando sair armado às ruas para defender essa corja de ladrões corruptos. Faça a sua parte. Pinte o seu rosto. Pegue a sua bandeira. Faça o seu cartaz. Como a gente ouve muito: o caixa é único no país e quem abastece esse caixa somos nós, com nossos impostos e nosso voto! Não transfira a responsabilidade. Cada um de nós precisa fazer a sua parte.

Não somos um país dividido ao meio. Não somos PT ou PSDB. Não aprovamos Dilma, mas não defendemos impeachment sem provas. A vida não é feita de preto e branco; azul ou vermelho. A vida é uma infinidade de tons, cores, sons, vozes… Somos uma diversidade! Somos plurais! Chega da polarização que afundou o Brasil! É nas ruas que precisamos mostrar isso!

 

PSB debate gestão pública em Porto Alegre

Cartaz economia com chimarrão 2015

Uma das formas mais bonitas de homenagear alguém, é levar adiante o seu legado. Infelizmente perdemos cedo demais Eduardo Campos, um exemplo de gestor e de homem público. Felizmente ele nos deixou um legado muito importante. Campos viveu de forma muito intensa. Teve uma ascensão política como poucos. Aos 49 anos já concorria à Presidência da República e era, sem dúvidas, o candidato mais preparado. Poderia não ganhar, pois era uma coligação pequena brigando contra duas grandes máquinas. Máquinas estas que ajudaram o Brasil, mas que já esgotaram suas alternativas. Eduardo era a mudança. O novo. O novo com conteúdo, com propriedade, com trabalho consagrado, com capacidade, com empenho, com sonhos, com olhar no futuro.

Poder levar adiante esse legado é não desistir do Brasil. E, pra mim, é uma honra poder aprofundar as suas ações no governo de Pernambuco com os amigos socialistas!

#NãoVamosDesistirDoBrasil

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