maio 2015 archive

Dilma, Blatter e a corrupção que persiste

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Tenho pensado muito sobre os caminhos e os limites da corrupção. Parece que não há limite para os corruptos. A corrupção está em tudo. Basta abrirmos os jornais, olharmos televisão, conversarmos com o taxista, falarmos na fila da padaria, da escola, no elevador. Tudo o que nos cerca é corrupção!

Dilma está ilhada, não pode agir, é refém de um grande esquema. Está nas mãos dos aliados que mais parecem inimigos. Temos uma presidenta-refém! Pergunto: é possível governar um país assim?

No futebol, Blatter foi reeleito em meio a prisões cinematográficas. Os grandes figurões foram parar na cadeia! E dificilmente sairão livres, pois a justiça norte-americana é muito mais séria que a nossa. E me envergonho de dizer isso.

Mas o que Dilma e Blatter têm em comum? Ambos não sabiam de nada. Ambos comandavam um país e uma instituição poderosíssima sem saber de nenhum crime, nenhum sinal de corrupção. Ambos prometeram mudar o que já parece imutável. Não acredito que Dilma vença qualquer queda de braço com Renan ou Cunha ou mesmo com o PT. Não acredito que Blatter vá mudar o rumo da Fifa e seus bilionários contratos que tornaram o futebol um negócio promíscuo.

Eu sou daqueles que acredita na paixão do futebol e na política honesta. Pareço estar sozinho às vezes. Futebol virou negócio dos bons, ninguém mais veste a camisa de um clube por amor. Política virou poder e grana!

Dilma e Blatter terão de responder pela herança que eles mesmos criaram para si. Será que sobrevivem? Devem sobreviver sem um arranhão. E cada vez mais a política será grana e poder, e o futebol grana e poder. Nós seguiremos pagando impostos altíssimos e ingressos caríssimos sem ter nada em troca.

Estão nos tirando tudo: a paixão e a esperança. Já fomos a pátria de chuteiras; já fomos o país comandado por um metalúrgico. Tudo ruiu. Não temos mais futebol e o metalúrgico… bom esse vocês sabem melhor do que eu o que ele fez, comandou, liderou – mesmo sem saber de nada.

O que eu espero agora: fora Blatter, fora Dilma; me devolvam a esperança em meu país; me devolvam a paixão no meu futebol; me devolvam as peladas nas ruas com crianças jogando descalças; me devolvam a chance de acreditar que política ainda pode ser diferente.

 

Mercado de trabalho formal fecha 97 mil vagas em abril, mostra Caged

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Tenho dito, e não é de hoje, que o emprego no Brasil está em risco. Muitos desacreditavam, afinal, minha empresa vive de gerar empregos. Essa é minha especialidade e criamos mais de 20 mil empregos diretos nos últimos anos. Mas, justamente por viver essa realidade, por conhecer a economia e seus sinais, o alerta era claro e preciso. Números não mentem. A forma como são interpretados podem mentir, depende da intenção e do objetivo de quem os lê. O governo Dilma queria mentir, precisava mentir para se reeleger. Disseram que não havia crise, que havia pleno emprego, que não haveria recessão, que a inflação estava controlada, que a Petrobras daria lucro… Quem conhece um pouco mais essas áreas, sabia que eles mentiam. O resultado é esse que o jornal Estadão nos mostra: 97 mil vagas fechadas apenas em abril.
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A geração de empregos em abril veio negativa, em um resultado raro para este período do ano. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta sexta-feira, 22, foram fechados 97.828 postos de trabalho no mês passado. O número informado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é o pior da série histórica, iniciada em 1992.

No mesmo mês do ano passado, o saldo foi positivo em 105.384 pela série sem ajuste. O resultado de abril ficou muito abaixo das expectativas do mercado, coletadas pelo AE Projeções. O levantamento com 13 participantes apontava para um número que iria de 5 mil negativos a um total positivo de 95 mil, com mediana indicando a geração de 66 mil vagas de emprego, sem ajuste sazonal.

A série sem ajuste considera apenas o envio de dados pelas empresas dentro do prazo determinado pelo MTE. Após esse período, há um ajuste da série histórica, quando os empregadores enviam as informações atualizadas para o governo.

Emprego na indústria
Refletindo o cenário de deterioração da economia, a indústria de transformação foi a responsável pelo maior número de fechamento de vagas formais de trabalho em abril, segundo dados do Caged. No total, foram fechados 53.850 postos no setor, resultado de 267.759 admissões e 321.609 desligamentos no período.

Em segundo lugar como destaque negativo, a construção civil reduziu 23.048 postos, com 163.471 admissões e 186.519 demissões. O comércio fechou 20.882 vagas e o setor de serviços encerrou 7.530 empregos no mês.

O único setor com saldo positivo em abril foi a agricultura, com 8.470 novas vagas.

Ajustes
Segundo o economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, o resultado do Caged de abril é “bastante negativo”. “(O resultado) Mostra que há uma intensificação do ajuste no mercado trabalho, o movimento em si era esperado, mas surpreende pela intensidade”, afirmou.

Serrano acredita que o processo de alta no desemprego vai ajudar no processo “de correção do desequilíbrio da inflação”. “Uma parcela é inflação de serviços que era resultado de mercado de trabalho em patamares elevados. Ou seja, está havendo um ajuste”, disse.

Para Serrano, o processo de queda no rendimento real também reforça esse cenário de correção de inflação. “É a parte dolorosa, infelizmente.” Além disse, ele destaca que a queda no emprego terá como reflexo a desaceleração do consumo.

Nas estimativas do economista, o desemprego deve caminhar para a faixa dos 7%. “Esperávamos esse patamar no ano que vem, mas pode ser até neste ano, caso continue essa intensidade”, afirmou.

Para o economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, o resultado vem em linha com o objetivo implícito do governo de mexer nos salários. “É claro que o governo não vai admitir isso explicitamente, mas ao reduzir o mercado de trabalho, ele consegue mexer nos salários. Essa é a forma de se ajudar no processo de arrefecimento da inflação para levá-la ao centro da meta em 2016″, disse o economista.

Perfeito lembra que o Caged está reproduzindo o que a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE já havia mostrado no mesmo mês do ano passado, quando a taxa de desemprego subiu de 6,20%, em março, a 6,40%. Para o economista, dependendo do quanto o mercado de trabalho ajudar na redução da inflação, talvez, o ajuste da economia possa ser um pouco menos rigoroso.
(Colaborou Carla Araújo e Francisco Carlos de Assis)

Fonte: Estadão (http://goo.gl/ERzWVm)

Por que a intolerância cresce no Rio Grande?

Ódio, briga, baixaria, agressões. Temos visto cada vez mais isso nas redes e na internet de forma geral. Caminhamos a passos largos no rumo da intolerância. O resultado: se nada for feito, teremos  em pouco tempo uma sociedade esquizofrênica e fundamentalista. Fico triste ao ler que a intolerância cresce em meu Rio Grande. Sugiro a leitura do texto publicado em ZH.

Atos de intolerância como a agressão racista sofrida pelo ex-árbitro de futebol Márcio Chagas da Silva, que encontrou bananas lançadas sobre seu carro após apitar um jogo do Campeonato Gaúcho, em março, estão entranhados no cotidiano dos gaúchos.

Embora poucos casos como esse ganhem atenção, um estudo inédito revela que, a cada 36 horas, em média, uma ocorrência envolvendo preconceito foi registrada pela Polícia Civil nos últimos sete anos. Nada menos que 1.677 queixas decorrentes de ofensas ou ameaças carregadas de ódio a alguma etnia, nacionalidade ou origem chegaram às delegacias gaúchas.

Isso significa que, a cada dia e meio, um confronto marcado pelo desprezo entre brancos, negros, asiáticos, indígenas ou judeus, entre gaúchos e não gaúchos, brasileiros e estrangeiros, entre pessoas de origens ou culturas diferentes desmentiu a reputação de hospitalidade que a população do Estado costuma atribuir a si. Mas nem mesmo a contabilidade oficial consegue dar a dimensão total do preconceito.

Como só uma fração dos episódios se transforma em ocorrência policial, os dados da Secretaria da Segurança Pública servem apenas como amostra. O levantamento, fruto de uma análise minuciosa de todas as ocorrências como injúria e ameaça a fim de separar os casos envolvendo discriminação de algum tipo, foi produzido sob supervisão do assessor do gabinete da secretaria e militante do movimento negro Luiz Felipe de Oliveira Teixeira. A leitura dos relatos trouxe surpresas.

– Perto de 20% das vítimas que registraram queixa no ano passado, por exemplo, eram brancas. Uma delas foi chamada de “negra suja”, mesmo não sendo negra, porque o autor da agressão entendeu que assim a ofenderia mais – conta Teixeira.

A rotina de desavenças no Pampa monitorada por outros órgãos oficiais e entidades privadas revela ainda cenários preocupantes de outras formas de intransigência. Entre eles estão o desprezo por homossexuais e indígenas, e as ações violentas contra gays, negros e judeus por parte de grupos neonazistas enraizados principalmente na Grande Porto Alegre e na Serra.

Segundo o professor de Psicologia Social e Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Henrique Nardi, todo tipo de preconceito serve a um mesmo fim: garantir ou perpetuar a dominação de um grupo sobre outro.

– O objetivo do preconceito é silenciar parte da população. Se ninguém tirar alguma vantagem nisso, o preconceito acaba – analisa Nardi.

Como há pouca sistematização na coleta de dados sobre esse tipo de violação no país, é difícil fazer comparações entre os Estados. Além disso, muitas vezes, uma cifra maior de denúncias pode revelar um grau mais elevado de conscientização e mais facilidade de acesso a órgãos de fiscalização do que um maior número de situações de intolerância de fato. Por isso, é difícil supor se um gaúcho é mais ou menos amistoso que um paulista ou baiano – mas as informações disponíveis dão conta de um cotidiano de beligerância.

Professor de Teoria Sociológica e Teorias Políticas da Unisinos, o sociólogo José Luiz Bica de Melo identifica alguns traços culturais do gaúcho que estimulam determinadas formas de discriminação:

– O projeto de desenvolvimento baseado na vinda do imigrante europeu, em vez da integração do negro, contribuiu para a formação de estereótipos. Além disso, há uma certa tendência à violência fundamentada na questão histórica de que estabelecemos fronteiras através da guerra e construímos nosso mapa com as patas dos cavalos.

Em muitas das fronteiras invisíveis que dividem os habitantes do Pampa, a guerra continua.

Fonte: Zero Hora

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