janeiro 2015 archive

Doe um par. Seja solidário!

5 ml de sangue e a vida de alguém pode renascer! Você já é doador de medula óssea? Então cadastre-se! A chance para quem precisa de um transplante achar um doador compatível é de 1 em 100 mil! Quanto mais doadores tivermos, maior a chance de quem precisa desse gesto para viver!

Se o mundo parece andar de cabeça pro ar, então é nosso dever, para termos um mundo melhor, ajudar naquilo que depende só da gente!

Passo a passo para se tornar um doador

– Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, sob anestesia, e se recompõe em apenas 15 dias.

– Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5 a 10ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.

– Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.

– Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.

– Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de UMA EM 100 mil!

– Por isso, são organizados Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.

– Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.

– A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e de amor ao próximo.

– É muito importante que sejam mantidos atualizados os dados cadastrais para facilitar e agilizar a chamada do doador no momento exato.

Caso você decida doar

1. Você precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado geral de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante). Lembre-se que uma vez no cadastro, poderá ser chamado, se identificado como compatível com algum paciente, até os 60 anos.

2. Onde e quando doar
É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros nos estados. No Rio de Janeiro, além do Hemorio, o INCA também faz a coleta de sangue e o cadastramento de doadores voluntários de medula óssea, de segunda a sexta-feira, de 8h às 12h. Não é necessário agendamento. Para mais informações, ligue para (21) 3207-1580.

3. Como é feita a doação
Será retirada por sua veia uma pequena quantidade de sangue (5 a 10ml) e preenchida uma ficha com informações pessoais.

Seu sangue será tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), que é um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar no transplante. Seu tipo de HLA será incluído no cadastro. Os resultados são confidenciais e servem apenas para os fins do REDOME.

Seus dados serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea constantemente. Se você for compatível com algum paciente, outros exames de sangue serão necessários.

Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para confirmar que deseja realizar a doação. Seu atual estado de saúde será avaliado.

A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.

Existe uma outra forma de obtenção das células-tronco da medula óssea, que utiliza uma máquina específica (aférese) para separar do sangue periférico (corrente sanguínea), as células necessárias para o transplante. Neste caso, o doador tem que receber um medicamento antes da doação (fator de crescimento), que estimula a medula óssea a liberar estas células para a corrente sanguínea. Esta técnica só é utilizada em casos específicos, sob decisão médica e com consentimento do doador.

Cerca de 42 mil jovens de 12 a 18 anos deverão ser assassinados até 2019

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Brutalidade: essa palavra define o título dessa notícia que li ontem. Nossos jovens estão na mira da violência e estamos perdendo feio. O Nordeste encabeça o ranking com o maior índice de homicídios de adolescentes. De acordo com a pesquisa, 36,5% das mortes de adolescentes são causadas por homicídios, enquanto na população em geral o percentual é 4,8%. Onde vamos parar? Se não cuidamos dos nossos jovens, como teremos futuro?

Em Porto Alegre, a violência nos faz cada vez mais reféns. Nas eleições, nada de solução. É só um empurra-empurra. Uns jogam no colo do governador, outros do prefeito, outros da presidente. A culpa, meus caro,s é de todos. Essa situação é prova de que o Estado vem falhando há anos. E, ao não reconhecer isso, perpetua uma situação de caos e violência, que não apenas vitima os jovens e ceifa nosso futuro, mas nos faz um país perdedor.

Cerca de 42 mil jovens de 12 a 18 anos deverão ser assassinados entre 2013 e 2019 nas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, de acordo com o IHA (Índice de Homicídios na Adolescência) divulgado ontem. Isso significa que, para cada grupo de mil pessoas com 12 anos completos em 2012, 3,32 correm o risco de serem assassinadas antes de atingirem os 19 anos de idade. A taxa representa um aumento de 17% em relação a 2011, quando o IHA chegou a 2,84.

O IHA integra o PRVL (Programa de Redução da Violência Letal), criado em 2007 por meio de uma ação conjunta entre a SDH/PR (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República), o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o Observatório de Favelas, em parceria com o LAV-UERJ (Laboratório de Análise da Violência).

De acordo com a pesquisa, os jovens negros de 12 a 18 anos correm 2,96 vezes mais risco de ser vítimas de homicídio. A diferença é a segunda menor da série iniciada em 2005.

A pesquisa mostra que os adolescentes do sexo masculino têm 11,92 vezes mais chances de serem mortos do que as do sexo feminino. A diferença cresceu em relação a 2011, quando era de 10,3.

Outra conclusão do estudo é que as chances de morrer vítima de arma de fogo é 4,67 vezes maior do que por outros instrumentos, o menor patamar da série iniciada em 2005. Em 2009, o risco era 6,17 vezes maior.

 

 

Greve dos rodoviários chega ao fim em Porto Alegre

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Foto: Agência RBS

Finalmente a greve dos rodoviários porto-alegrenses chegou ao fim. Tem sido assim todos os anos na capital gaúcha: janeiro temos greve de rodoviários. Janeiro tudo para e os trabalhadores que dependem do transporte público sofrem no calor de quase 40 graus à espera de transporte para se deslocarem. Dessa vez parece que o impacto foi menor. Segundo o Diário Gaúcho, “foi aprovado na manhã desta quarta-feira o reajuste de 8% no dissídio dos rodoviários de Porto Alegre. Em votação que durou mais de 20 horas, realizada nas garagens do transporte coletivo de Porto Alegre, os trabalhadores aprovaram a proposta da patronal. As informações são da Rádio Gaúcha.

Sempre digo no Facebook que greve é direito de todo trabalhador, de todas as categorias. E não é opinião minha. É importante que tenhamos claro que a Constituição Federal, em seu artigo 9º e a Lei nº 7.783/89 asseguram o direito de greve a todo trabalhador. “Considera-se legítimo o exercício de greve, com a suspensão coletiva temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação de serviços, quando o empregador ou a entidade patronal, correspondentes tiverem sido pré-avisadas 72 horas, nas atividades essenciais e 48 horas nas demais.” 

Acredito, sim, no poder de negociação de trabalhadores e empresários. Acredito que a luta por melhores condições de trabalho é fundamental. Acredito no diálogo, na mediação, no entendimento. Mas, infelizmente, a cada ano vejo um grupo seleto de pessoas que diz representar uma categoria testando limites. Usam sindicatos para fazer barulho, para interesses pessoais, para interesses políticos. Não se usam mais os sindicatos para a defesa das categorias e dos trabalhadores. Em que momento isso passou a acontecer? Não sei. Mas lamento. Porque cresci vendo greves de categorias fundamentais para o país, vi negociações difíceis terminarem com ambas as partes cedendo. Hoje, vejo barulho, barulho e barulho.

Também sempre digo que empresários e trabalhadores não são inimigos, não estão de lados diferentes. Um empresário só vai bem se seus funcionários forem bem. Os funcionários só vão bem, se houver trabalho digno. Enquanto não olharmos por essa perspectiva, seguiremos em guerra. Estamos todos do mesmo lado. Todos queremos o melhor para o país e para o trabalhador. Todos queremos as famílias brasileiras com poder de consumo, na escola, com plano de saúde, tendo comida no prato… Ninguém vence sozinho. Talvez as greves voltem a fazer sentido quando esse espírito for recobrado.

 

2 anos de luto pelas vítimas da tragédia de Santa Maria

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Hoje não há muito o que dizer. Hoje o dia é de luto. Há 2 anos, 242 jovens perderam suas vidas de forma violenta, sofrida, brutal. A tragédia que nos entristeceu e chocou poderia ter sido evitada. Como seria a vida desses jovens hoje? Muitos estariam formados, outros estariam ainda na universidade; muitos estariam no colo de seus e pais e amigos; outros talvez já tivessem partido. Difícil adivinha o que poderia ter sido de cada uma das vidas perdidas.

Nos resta a luta pela justiça, para que os responsáveis sejam duramente punidos, para que a Justiça tarde, mas não falhe.

Aos pais, aos irmãos, aos familiares e aos amigos das vítimas, minha solidariedade e meu abraço fraterno. Aos profissionais que seguem atendendo aqueles que sobreviveram, meu reconhecimento. Aos sobreviventes, coragem para seguir em frente, pois vocês sabem o verdadeiro valor da vida.

Sei que pode parecer nada diante de um oceano de acontecimentos, mas se cada um de nós não deixar isso tudo ser esquecido, então a Justiça não faltará e novas tragédias serão evitadas.

Brasil, o país da impunidade

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Amanhã, terça-feira, 27 de janeiro, completarão-se 2 anos da tragédia da boate Kiss, de Santa Maria. Fora a dor imensa dos pais, familiares e amigos das vítimas, a força para vencer daqueles que sobreviveram, o que mais temos? Impunidade. Ninguém foi punido. Isso que o inquérito aponta que a boate nunca funcionou com todas as licenças necessárias, que o alvará foi obtido com endereço adulterado e houve, sim, uma sequência de negligências. Quem pagará por esse crime?

Não acredito que houve premeditação. Jamais, penso eu, algum dos responsáveis pela boate achou que algo parecido poderia acontecer. Mas o mundo não está em nossas mãos. Fatalidades acontecem. E são potencializadas pela nossa responsabilidade ou irresponsabilidade. Nesse caso, foram 242 vítimas. E nenhum dos responsáveis está cumprindo pena por isso.

Me parece que, no Brasil, a certeza da impunidade, aliada à demora irritante da Justiça, favorece os criminosos. Pensem comigo: 2 anos após a morte de 242 jovens e nada ocorreu; traficantes comandam o tráfico dentro de presídios “de segurança máxima”; balas perdidas matam crianças e ninguém é preso; o pai acoberta o crime de um filho e após 5 anos a Justiça os condena (caso do filho de Cissa Guimarães); os mensaleiros passaram meses na prisão e obtiveram o direito de cumprir pena em casa e Dirceu jamais deixou de ter poder, mesmo preso… Onde vamos parar?

Não quero perder a fé, não quero deixar de acreditar. Mas é difícil ver milhões de cidadãos de bem trabalhando e dando duro para cumprir seus deveres, enquanto a Justiça falha recorrentemente. Tudo é lento demais. Quem comete crimes sabe disso. Sabe que nada lhe acontecerá. Por que, então, deixarão de roubar, matar ou descumprir a lei?

Ou o Brasil dá uma guinada e surgem mais juízes como Sergio Moro, ou em poucos anos seremos terra de ninguém, comandados oficialmente por bandidos.

Levy manda ‘fechar torneiras’ a Estados

Sob pressão para cumprir a meta fiscal deste ano, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já determinou à sua equipe fechar as “torneiras” da liberação de novos empréstimos e da autorização para aumentar o endividamento de Estados e municípios.

A diretriz foi classificada pelo novo ministro como uma das prioridades na estratégia de recuperação da credibilidade da política fiscal, que conta também com a elevação do superávit primário das contas do governo federal, a redução das despesas com subsídios e o corte dos empréstimos do Tesouro Nacional aos bancos públicos.

Há poucos dias no cargo, Levy está tomando pé do quadro fiscal dos governos regionais e advertiu os técnicos do Ministério da Fazenda que, ao longo de 2015, a União precisa ampliar os controles sobre as finanças dos governos regionais.

O desafio da equipe de Joaquim Levy ficou maior este ano porque, caso Estados e municípios não atinjam a meta estimada de poupar R$ 11 bilhões para cumprir o superávit primário, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) determina a compensação da diferença pelo governo federal. Ou seja, Levy teria de fazer um superávit ainda maior do que os R$ 55,3 bilhões previstos.

Em 2014, quando as contas públicas entraram em acelerada deterioração, o governo foi liberado dessa exigência. “O CMN vai ser mais restritivo”, disse uma fonte da área econômica, em referência ao Conselho Monetário Nacional. É esse colegiado, formado pelos ministros da Fazenda, Planejamento e Banco Central, o responsável pela liberação de novos espaços para endividamento. A Fazenda também vai apertar a liberação de garantias para os empréstimos tomados dos bancos por Estados e municípios. Avalia-se que o volume dessas garantias aumentou perigosamente nos últimos anos.

O maior rigor com as contas dos governos regionais é um tema delicado, principalmente por causa das implicações políticas no Congresso e da necessidade de apoio dos governadores às medidas a serem votadas nos próximos meses. Mas, segundo interlocutores do governo, Levy tem experiência na área. Ele já comandou o Tesouro e foi secretário de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro. No período, garantiu ao Rio o grau de investimento. “Ele já esteve dos dois lados”, disse a fonte.

Dívidas. O Ministério da Fazenda também espera corrigir, via regulamentação, aspectos que ficaram mal escritos na lei complementar, aprovada no ano passado, que permite o abatimento do estoque das dívidas com a União e a troca do indexador e dos encargos de juros que incidem sobre o endividamento de Estados e municípios.

Embora não haja espaço para mudar a lei, a avaliação da nova equipe da Fazenda, segundo apurou o Estado, é de que é possível tapar “buracos” deixados na lei, aprovada pelo Congresso com aval da equipe do ex-ministro Guido Mantega e já sancionada pela presidente Dilma Rousseff. A orientação mostra mais uma reversão da política anterior – capitaneada por Mantega e o ex-secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin -, que promoveu um desmonte dos mecanismos de controle.

Esse controle é feito por meio dos programas de reestruturação e ajuste fiscal (PAFs) que Estados e municípios em dívida com a União são obrigados a seguir. O PAF funciona para os governos regionais como os programas de ajuste do Fundo Monetário Internacional (FMI) imposto aos países que pedem empréstimos ao organismo multilateral.

Nos últimos três anos, o governo elevou o limite de endividamento de Estados e municípios para estimular o investimento e puxar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Uma linha especial do BNDES (ProInvest), com taxas mais baratas, foi aberta para financiar projetos dos Estados. O resultado foi a deterioração do esforço fiscal dos governos regionais, que despencou de um superávit de R$ 21,51 bilhões em 2012 para um déficit de R$ 305 milhões nos 12 meses encerrados em novembro de 2014.

Infográficos/Estadão

Fonte: Estadão

Heróis e anti-heróis

Hoje compartilho com vocês o artigo do Humberto Trezzi, publicado no jornal Zero Hora. Algumas pessoas têm, como rotina, generalizar: nenhum presta; todos são corruptos; todos são culpados; ninguém se salva, etc… É difícil alguma generalização funcionar, afinal, o ser humano é diferente, é único. Não existem pessoas iguais. Temos que ter isso claro, porque podemos, sem lembrar disso, cometer graves erros e ser injustos. E a injustiça é um dos grandes males do nosso tempo. Leiam, porque vale a pena.

Eu vi um bombeiro chorar. Foi em Santa Maria, na semana passada, às vésperas dos dois anos da maior tragédia gaúcha, o incêndio na boate Kiss. O sargento embargou a voz e fechou o semblante, deixando as lágrimas escorrerem pelo rosto. Queria desabafar aos jornalistas.
Chorou pelas 242 vítimas, que não pôde salvar. Por nunca ter recebido agradecimento. E por ter sido um dos crucificados no festival de irregularidades que marcou essa tragédia.

O bombeiro que chorou não é um dos que vistoriaram e liberaram a boate para funcionar, mesmo ela sendo uma armadilha, um bloco de concreto com uma só saída que virou túmulo de centenas. Não. O sargento estava na linha de frente do combate ao fogo, mas acabou sob suspeita de não ter feito tudo o que podia. De não entrar na boate nem ter impedido que voluntários corressem risco de vida (alguns morreram ao ingressar no inferno da Kiss).
Você entraria, sabendo que ninguém saía consciente dali? Com a fumaça tóxica desencadeando tosse e atordoando quem a desafiava? Sei bem como é, fui treinado em brigada de incêndio.

Alguns bombeiros entraram em meio ao breu e à fumaceira, vi os vídeos. Outros ficaram no apoio, fornecendo água. Faltou equipamento para tanta tragédia. Era época de férias e o contingente estava reduzido. Humanos, os bombeiros não barraram voluntários: ficaram gratos diante de tanta ajuda inesperada e bem-vinda. Não sabiam até que ponto a Kiss era arapuca mortífera.

O militar que entrevistei abriu buracos no prédio, foi engolfado pela nuvem química e ainda ajudou a carregar corpos. Dias depois, ao ouvir na TV que bombeiros se omitiram no cumprimento do dever, o filho do sargento _ esse do desabafo _ perguntou:
_ Pai, você deixou mesmo aquelas pessoas morrerem?

Então o sargento viu que, de herói virara anti-herói. Chorou várias vezes desde então. Mesmo depois de ser inocentado, quando o Ministério Público considerou que ele não cometera delito. Faltava o desagravo da opinião pública, que aqui está. Isso não significa igualar todos os bombeiros. Alguns deixaram que a danceteria funcionasse, mesmo sem saídas de emergência, com espumas inflamáveis inadequadas, janelas vedadas, extintores vencidos e luzes de emergência apagadas. Outros tinham firmas para fazer laudos técnicos a quem pagasse (a Kiss pagou e permaneceu aberta). Esses ainda devem muita explicação. Especialmente aos familiares dos 242 mortos.

Humberto Trezzi

Não podemos desistir do Brasil

Dos Santos is being induced into a coma following seven hours of surgery.

Que começo de ano, meus amigos. Ao mesmo tempo em renovamos nossas esperanças ao fim do ano passado (ao fim de cada ano, na verdade), que retomamos nossas vidas dispostos a fazer tudo melhor, a mudar o que está errado, a aprimorar o que pode ser melhorado, estamos sendo testados a cada dia. A morte do jovem surfista Ricardo dos Santos, ontem, me fez refletir sobre isso. Onde vamos parar? Vamos resistir a tanta notícia ruim? Ou vamos desistir?

2015 chegou nos mostrando o quanto pode ser difícil. E, embora eu não queira ser pessimista, está difícil reagir e achar boas novas para destacar em meio a tantos fatos tristes. Ver um jovem ser vítima da violência gratuita, cujo principal suspeito é um policial, me faz questionar nossa segurança. Será que nossos policiais estão preparados? Será que alguém que já demonstrou em outras ocasiões não estar preparado para portar armas e nos defender, pode ser policial? Será que seremos reféns do tráfico e dos usuários de drogas até mesmo em nossas casas?

Eu sonho com um país digno para minhas filhas viverem. Sonho que elas possam criar meus netos na rua, brincando, pois não posso fazer isso com elas. Sonho que elas vivam em um Brasil de verdade, com segurança, saúde e educação. Mas parece que isso é apenas sonho… um sonho cada vez mais distante da realidade.

Parece que os Ricardos estão cada vez mais comuns no Brasil… Mas os Ricardos vítimas. Eu queria que mais Ricardos vivos fossem comuns. Queria Ricardos levando o nome do Brasil para fora, defendendo nossa bandeira, falando da nossa natureza, protegendo nossas praias, levando uma vida saudável. Está difícil acreditar nas mudanças, está difícil renovar – a cada dia – as esperanças. Mas vamo que vamo! A gente entristece, sente raiva, não entende, mas não pode desistir do Brasil.

Prepare o seu bolso


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É, prepare o seu bolso! Vem aumento de tudo que é lado! E quem vai pagar a conta é você, trabalhador. Ontem as medidas foram anunciadas pelo ministro Joaquim Levy. Dilma sequer deu as caras. Claro, notícia ruim fica para os outros.

Ontem foi dia de apagão, também. Não bastavam notícias ruins da conta que pagaremos a mais com impostos, faltou luz. Assim, do nada, em diversos lugares do Brasil. A luz simplesmente foi cortada, sem aviso, sem sinal, sem explicação. E, no meu ponto de vista, sem respeito.

O índice de reajuste da table do Imposto de Renda também tem notícia ruim: reajuste muito abaixo do aprovado no Congresso Nacional. Ou seja, estamos cada vez com uma defasagem maior. Cada vez mais brasileiros pagam IR. Cada vez recebemos menos retorno em serviço de qualidade.

Só tem notícia ruim? Sim! E promessas de campanha desfeitas. Lembram da propaganda de Dilma? País perfeito. Ela jamais tiraria direitos dos trabalhadores; não aumentaria a conta de energia; não permitiria que o Brasil tivesse apagões; não aumentaria os impostos… As medidas duras ficariam por conta de Marina ou Aécio. Esses, sim, se aliariam aos banqueiros e tirariam a comida do prato do brasileiro. Marina e Aécio seriam a austeridade, o corte de direitos, o corte de gastos, a ruína de um país em pleno crescimento. Um país de faz de conta, cá pra nós.

Dilma não precisou nem de um mês para mostrar toda a incompetência econômica de seu primeiro mandato. A conta, meu caros, está em nossa mesa. E teremos de pagar. Sem choro. Sem lamentação. Temos que assistir aos bilhões desviados da Petrobrás e concordar com o aumento da gasolina. Temos que respeitar as decisões tomadas, embora saibamos que sejam o oposto do que foi prometido.

São quatro anos disso. Serão quatro longos anos de muitas verdades vindo à tona e muitas mentiras sendo desfeitas. Espero que o resultado não seja o mesmo de outubro de 2014. Espero que o brasileiro acorde, que mude de verdade. Porque mais do mesmo, não dá. Muda mais? Não. Eu quero mudança de verdade e não o Brasil do faz de conta, pintado de vermelho e adornado com estrelas.

Aeroporto de POA: nosso dinheiro rasgado

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Lembram quando Porto Alegre foi escolhida como cidade sede da Copa do Mundo?? Quanta felicidade! Quanta preocupação com as obras que precisaríamos entregar. Não entregamos as obras, mas fizemos a Copa. E foi bonita. O Brasil fez feio, mas a festa foi bonita. Porto Alegre não deixou a desejar. Não fez a Copa das Copas, não superamos outras grandes cidades, mas fizemos nossa parte direitinho.

Por que lembro a Copa do Mundo depois dela ter passado há tantos meses? Porque uma das obras “fundamentais” era a ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho. Que agora, depois de investirmos mais de R$ 121 milhões de reais, pode não sair. Por quê? Porque não acham mais importante.

Quem é trabalhador sabe quanto vale esse recurso todo. Quem depende do SUS, da educação pública, quem anda nas ruas e sente-se inseguro sabe onde esse dinheiro poderia ter sido investido. Como um país pode mudar tanto de prioridades em tão pouco tempo?

Porto Alegre foi desrespeitada. O governo federal desdenha de nosso povo. É claro que precisamos de um aeroporto com pista que receba aviões de grande porte. Ou queremos estar sempre na dependência de Galeão e Guarulhos? Até quando seremos esquecidos pelo governo federal logo após as eleições? Que vergonha!

São 20 anos de projeto!!! E agora não serve mais? Milhares de famílias foram retiradas do entorno. Pense você viver uma vida toda num lugar e precisar sair. Você sai, vai para onde jamais esteve e quando olha para onde morava, ficará tudo igual. Sua história foi jogada no lixo.

Histórias jogadas no lixo, paciência jogada no lixo e dinheiro jogado no lixo. Parece que no Brasil de Dilma há dinheiro sobrando…

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