julho 2014 archive

A política do cotidiano e o período eleitoral

Tudo que se relaciona ao pleito eleitoral, não deveria ser vinculado somente nestes momentos, pois as politicas tem que ter caráter continuo e de ajustamento. O que vemos nos períodos eleitorais é a exploração das dificuldades causadas pela falta de compromisso politico, dado que a cada 2 anos temos eleições e os temas principais são os mesmo, onde se incluem o desemprego.

Também concordo que não devemos criar cenários caóticos, só para ganhar a eleição, mas sim analisar que a estrutura econômica esta fragilizada, o mundo em crise e precisamos  de novos ajustes, pois hoje a economia não aguenta uma ruptura total de modelos macroeconômicos.

Do ponto de vista do cidadão, vivemos a mercê de promessas as vezes descabidas de que vão resolver os principais problemas sociais e econômicos, mesmo que saibam que tudo passa por uma forte reforma na gestão publica em todas as instanciais, ou as chamadas reformas de bases nunca saem.

Este é o resumo, não vejo a critica exagerada, entendo que um  projeto consistente é o inicio da solução de alguns destes problemas.

Confesso como economista, que nenhuma proposta a nível de presidência ou estado (RS), me levam a entender que terão inicio a solução, mas não sou pessimista, pois acredito que algo melhor vai acontecer neste pleito, veremos isso em outubro.

Beto Albuquerque: “O Rio Grande precisa de mais atitude no Senado”

Por Ramiro Furquim/Sul21
Nubia Silveira*

Na política e no PSB há 25 anos, o deputado federal Luiz Roberto Albuquerque, o Beto Albuquerque, concorre ao Senado pela coligação O Novo Caminho para o Rio Grande (PMDB, PSD, PPS, PSB, PHS, PT do B, PSL e PSDC). Ao falar para o Sul21, o candidato prega mudanças no Senado e diz que as reformas – especialmente a política – devem acontecer logo. Uma de suas suas maiores preocupações é com o tamanho da dívida do RS: “somos o estado mais endividado do Brasil, devemos 210% de nossa arrecadação anual, e somos o último em capacidade de investir com dinheiro próprio”. E alerta: “o governo federal não pode ficar segurando o Rio Grande do Sul garroteado”. Para ele, o papel do senador é praticamente o de um governador, que deve zelar pelas necessidades do Estado. E defende que o RS tenha mais atitude na Câmara Alta.

Sul21 – Por que o senhor resolveu se candidatar ao Senado?
Beto Albuquerque – Primeiro, porque sinto que já cumpri toda a minha tarefa na Câmara de Deputados; são 16 anos de deputado federal, oito de deputado estadual, acho que cumpri bem minhas tarefas e, ao mesmo tempo, me preparei para novos passos, novos desafios. Minha trajetória política de 24 anos de vida pública, felizmente sem tropeços, sem arranhões, isso tudo prepara a gente. Não vejo a política, necessariamente, como um emprego onde tenha que ficar no mesmo lugar a vida toda, como muitos fazem. Um novo desafio neste momento é algo que me reanima para continuar na militância política. O Senado tem uma responsabilidade ainda maior do que a Câmara. Considero o senador como se fosse quase um governador em Brasília, pelas tarefas que ele deve ter, porque a representação no Senado é do Estado. Tem senador que vira deputado com mandato de oito anos. O papel do Senado é estreitar mais esta relação com os problemas estruturais do Estado, fazer a ponte do governo estadual com o federal, ajudar a resolver problemas.

Sul21- Sua reeleição para a Câmara seria praticamente certa. Para o Senado, é um risco. O senhor pensa em seu futuro, se não vencer?
Beto – Eu nunca entrei em eleição nenhuma até hoje para perder, sempre para ganhar. Minha trajetória política desde 1990 foi ascendente, comecei com 11 mil votos para deputado estadual e fui a 201 mil votos em 2010, para federal. Sempre cresci eleitoralmente, fruto do meu trabalho; não sou herdeiro de político de família, não sou ligado a corporações, a segmentos. Sou um jovem que nasceu dentro de uma oficina mecânica, que pagou seus estudos, militou no movimento estudantil, fundou o movimento de direitos humanos na região de Passo Fundo, dirigiu, na adolescência, a juventude franciscana, da Igreja. Comecei cedo e tive ousadia para andar. Respeito meus adversários, mas o minuano que sopra nas ruas do Brasil é o de renovação, para que a gente oportunize às novas gerações chegar a novos lugares. Minha saída da Câmara é uma porta que se abre para outro entrar, seja do meu partido ou não. A saída do senador Pedro Simon também é uma porta que se abre para uma nova geração chegar ao Senado. Ser candidato à sucessão da vaga do Simon, com o apoio dele, é uma honra redobrada, por seu legado, compromissos éticos de vida, de dedicação, de luta. Vamos enfrentar a eleição de igual para igual.

Sul21 – Mas, segundo as pesquisas há favoritos.
Beto – Não creio que haja favorito e tampouco me baseio em pesquisa, muito menos do Ibope, pelo critério de amostra absolutamente questionável: entrevista 14 pessoas em Passo Fundo e 14 em Arvorezinha, como se fossem cidades de população idêntica. Estou animado numa coligação grande, num momento especial para o PSB, que tem uma candidatura a presidente da minha geração, que é Eduardo Campos, junto com Marina Silva a vice, e numa aliança com PMDB, PSD, PPS, PSB, PHS, PT do B, PSL e PSDC. Aliança forte que nos dará todas as condições para travar o melhor debate. Agora, num primeiro momento, muitos me diziam: “mas tu estás louco, Beto, você será o mais votado do Estado, pode fazer 300 mil votos agora”. É verdade, eu podia ser facilmente reeleito, ser o mais votado. Mas não nasci para ficar parado no mesmo lugar, não vim para a política para ficar parado no mesmo lugar. E gosto de desafios, só vivencia grandes vitórias quem enfrenta grandes desafios. Acomodação não faz parte da minha trajetória. Ficar muito tempo no mesmo lugar levar à acomodação. Eu quero escapar desta tentação.

Sul21 – A sua candidatura é um passo para o governo do Estado?
Beto – É muito cedo para falar disso. Eu quero ser um senador que cumpra os oito anos, pela relevância que dou ao Senado, não pelo que ele é hoje, mas para resgatar as reais funções de uma Casa revisora, que tem mais obrigações de fiscalizar do que a Câmara, que tem responsabilidades de chancelar ministros do Supremo, do STJ, conselheiros de agências, que tem uma voz mais forte para dialogar com a sociedade. E o Rio Grande precisa de mais atitude no Senado.

Sul21 – O Senado é muito criticado. Quais as suas propostas para mudar a atual imagem do Senado?
Beto – É muito criticado pela imprensa e está na hora de um senador criticar o Senado também, indo lá para ajudar a fazer mudanças. Fui relator da PEC que instaurou no Brasil aquilo que é fundamental: a informação. A PEC que obriga municípios, estados e União, e os poderes, a colocar na internet seus gastos, tornar isso público. O Senado ainda não adotou 100% esta transparência, ao contrário da Câmara. Temos de fazer o Senado ser tão transparente quanto os outros poderes. Aliás, as empresas públicas – Petrobras, Eletrobrás – ainda não são transparentes. Precisamos chamar a atenção que não é escondendo o jogo, agindo matreiramente, fazendo composições, que o Senado deve funcionar. O Senado hoje é a casa mais governista do Congresso, talvez porque a eleição de um terço, dois terços faz com que o senador se iluda que um mandato de oito anos faz o povo esquecer seus erros. Esses que ainda pensam assim, por estarem fora das redes, estão enganados. O povo quer sintonia on line, o que a maioria não faz ou, se faz, é para se autoelogiar e não para interagir. O Senado também precisa passar por uma renovação e a chegada de novas gerações é superempolgante: Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), Pedro Taques (PDT-MT) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Faz diferença este tipo de mandato.

Sul21 – Quais as suas bandeiras na campanha ao Senado em relação ao Rio Grande do Sul?
Beto – O RS precisa ter mais atitude no Senado. Não vou lá para defender a ideia do meu partido ou para representar grupo econômico ou de comunicação. Vou ser um senador do RS, dos gaúchos e das gaúchas. O papel do Senado é o de se debruçar sobre os grandes gargalos estruturais do RS. O primeiro, que vem sendo empurrado com a barriga, é a dívida do Estado. Aliás, neste momento, vexatoriamente, o governo federal mandou um projeto ao Congresso – já votamos na Câmara, alterando o indexador de correção da dívida – e o autor (a emenda substitutiva aprovada pela Câmara é de autoria do deputado Eduardo Cunha, do PMDB-RJ) impede que se vote no Senado. Mas o problema é também o valor das parcelas. O RS vem sendo assaltado pelo governo federal há muitos anos. São R$ 2 bilhões e 700 milhões todos os anos que, a título de serviço da dívida, vão embora daqui. E o que volta de lá é muito pouco, perto do que significa isso. Fora os tributos que pagamos e só recebemos 30% de volta. Dívida é questão estrutural e não é realidade igual para todos os estados: Pernambuco deve R$ 2 bi, o RS deve R$ 50 bi. E o governo precisa olhar de forma diferente para esses casos. O RS está estrangulado com essa dívida, está vivendo uma asfixia brutal em suas finanças. Seja qual for o governo – pode ser Eduardo Campos – estamos certos da importância do RS. Não pode o governo federal segurar o RS garroteado, obrigando-o a ser um contratante de financiamentos inveterado. Somos o estado mais endividado do Brasil, devemos 210% de nossa arrecadação anual e somos o último em capacidade de investir com dinheiro próprio. O que se faz nos últimos anos é tomar financiamento e já estamos chegando a uma fase de tomar financiamento de bancos, para reestruturar o próprio financiamento da dívida. É preciso tratar isso na esfera do Senado. Quando falo em devolução, eu falo com orgulho de ser gaúcho. Não podemos trocar uma dívida brutal dessas por retroescavadeira, trator ou caminhão, achando que isso vai pagar os interesses dos estados, uma obra aqui ou acolá.

Sul21 – Que outras questões surgem?
Beto – O RS deve ter uma participação maior nos programas do governo, nas liberações de recursos, nos PACs, para reequilibrar esta conta. Há outros estados, por competência ou benevolência da União, que alcançaram mais recursos em vários programas. Em relação à Bahia, ficamos bem atrás. E esse equilíbrio na distribuição de recursos cabe ao Senado olhar. E tratar assuntos estruturantes, como o metrô de Porto Alegre, que é chave da mobilidade, a ampliação do Trensurb (tem que ir em direção a Taquara), assim como a ferrovia Norte-Sul (chegou a SP até agora). Temos que contemplar agora os estados do Sul. O RS tem que ter investimentos pesados em infraestrutura, e rápido. As desonerações fiscais são um absurdo: a pretexto de ajudar setores econômicos, o governo federal tira dinheiro do que é dirigido para estados e municípios. Aí entra o debate do novo federalismo, a pirâmide tem que ser revertida. Não podemos nos acomodar. Não é possível que o governo federal seja quem menos aloca recursos à saúde, educação e segurança. São os estados e municípios que mais alocam. O pacto federativo será resolvido pela reforma tributária. É compromisso do nosso candidato Eduardo Campos, já no primeiro mês de governo, apresentar uma proposta sobre a possibilidade de dar um viés decrescente à carga tributária e de dar um viés de redistribuição diferente. O governo Dilma usou muito a desoneração fiscal dos chamados tributos divisíveis, preservou o que era seu e dividiu muito o que era dos outros, inclusive na previdência, onde a desoneração da folha de pagamento só tende a agravar a crise da Previdência Pública: o patrão deixa de recolher sua quota, e o trabalhador vai ter que financiar, inclusive levando a culpa. Por isso sou a favor do fim do fator previdenciário, que está desmoralizado desde que o governo optou pela desoneração, transformando numa penalidade única aos trabalhadores. Hoje, só uma das fontes, a mais fraca, contribui.

Sul21- Esses problemas não são novos.
Beto – Não são novos. Se agravaram

Sul21 – Os senadores não trabalharam como deveriam?
Beto – Quem trabalhou pouco foi o governo, e muitos senadores, muitos a reboque do governo, cruzaram os braços e se confortaram nas relações com o governo e não com a sociedade. O déficit previdenciário e os juros baratos para Eike Batista, e não para a dívida dos estados, tudo isso é chocante. Por que não saiu reforma tributária e política? Porque o governo não protocolou nenhum projeto concreto para isso. Senador não pode propor reforma tributária. Quero um governo com coragem para encaminhar ao Congresso, no começo de 2015, reforma tributária e política, com plebiscito ou sem plebiscito. Na Reforma Política, temos três decisões que independeriam do plebiscito. Basta ter um governo que queira fazer, com sua base de sustentação, com a sociedade mobilizada: unificar as eleições de cinco em cinco anos, sem reeleição para o executivo; acabar com coligação na proporcional e estabelecer metas de desempenho aos partidos para exercer mandatos. Só elas já dão aos partidos obrigação de ter certa cara nacional. Hoje, com as eleições desemparceiradas, os municípios encaram a prefeitura de um jeito, os estados e a união de outro. Para filtrar melhor a forma de o político se conduzir em seu partido, é unificar as eleições. O desemparceiramento criou anomalias absurdas. Se eu for votar de cinco em cinco anos, de vereador a presidente, não vou poder fazer esta marola toda que é a política brasileira hoje. Infelizmente todos os partidos concordam com ela, porque é o jogo que está sendo jogado. Não é preciso fazer plebiscito ou constituinte para unificar as eleições. O governo tem que ir lá e propor.

Sul21- É do interesse dos políticos fazer reforma?
Beto – Se tiver transição, pode ser. O problema é a velha demagogia na discussão da reforma política, que é proposta em véspera de eleição, muito mais para fazer seu discurso do que para fazer a reforma. Qualquer reforma tem que ter algum nível de transição, alguém vai ter um mandato menor ou maior, não pode ser na próxima eleição. O mandato de senador pode ser de cinco anos também. Não precisa ser para 2016, não dizer “os prefeitos ficam só dois anos no mandato”, nem os próximos governadores vão ter seis anos para poder fazer o encontro lá na frente. E acabar com a coligação na proporcional, que é um disfarce de fazer partido. E a ausência da exigência de desempenho faz, na realidade, o partido de um homem só. Financiamento pode ser uma segunda etapa. Quando se quer tudo no Congresso, não passa nada. É preciso encontrar uma fórmula de financiamento que não seja só privada, mas fazer uma discussão com a sociedade. Teoricamente é bonito financiamento público, mas deve ser debatido de onde saem os recursos, usar outro critério que não seja a decisão do próprio Congresso. Se for público, não pode continuar esta desigualdade baseada na proporção construída em função da repartição desigual em função do Fundo Partidário, por número de deputados. Assim como o Acre tem nove deputados e nós 31, o Fundo Partidário deve ter uma proporção, porque a proporcionalidade absoluta é injusta. Se fosse com base na população, São Paulo mandaria na Câmara. Tu não podes criar a proporção absoluta para distribuir o Fundo Partidário ou financiamento público, porque vai matar todo mundo e deixar o Brasil na mão dos chamados grandes. Tem que ter proporções relativas como é para fins de representação. Reforma política tem hoje uma indução muito grande na sociedade, está anuviado o debate, todo mundo fala fácil, há uma soma de várias propostas. O grande articulador das reformas se chama governo, ele tem que presidir o processo. Tem que ter iniciativa. Não transferir responsabilidades. Para estas três medidas, não precisa plebiscito ou constituinte. Vamos fazer a primeira etapa, esta é a proposta do Eduardo Campos. Pretendemos mandar uma reforma política assim como a reforma também fatiada tributária que comece com a redistribuição dos recursos, melhorando o sistema tributário. Se continuar querendo tudo de uma vez só, o Brasil não faz nada.

Sul21 – As coligações para majoritária não são prejudiciais?
Beto – Isso vai amoldar com uma eleição única de vereador a presidente. As coligações vão parar de ser uma negociata pelo tempo de televisão para virar proposta mais concreta. Hoje, a cada eleição é um balcão. E todo mundo quer ter um partido para chamar de seu. Está na hora de o partido ter o mínimo de eleitores. Não é cláusula de barreira, tem que ter no mínimo 2% do eleitorado nacional nas urnas. Sou defensor da liberdade de organização, mas outra coisa é a organização de fachada. Tem que tem regras. E isso vai interferir nas coligações majoritárias.

Sul21 – O PSB fez parte do governo do PT e hoje está na coligação contrária a ele. Isso lhe traz problemas éticos?
Beto – Não, quem tem problemas éticos são outros partidos que têm, inclusive, militantes presos. Fomos aliados do Lula quando o PT não era nada, desde 1989. Perdemos três eleições com Lula, ganhamos três. Fizemos nossa caminhada corretamente, reconhecemos os méritos, mas não achamos méritos para a continuidade do governo Dilma: é um fracasso em tudo, inclusive no que deveria ser continuado. Aliança política do governo dela é o que tem de pior na política nacional e que a impede de avançar. Se ela preferisse ter cinco minutos de TV a ter 11, pagando um preço alto de entregar nacos importantes da República a velhas raposas, talvez fosse reeleita facilmente. Talvez as dificuldades dela estejam exatamente nesta aliança que lhe dá 11 minutos, a um custo moral, ético e político gigante, de ter votado em Renan Calheiros (PMDB) para presidente do Congresso, de preterir Flavio Dino (PCdoB) no Maranhão para apoiar (José) Sarney (PMDB), de ter que apertar a mão do (Paulo) Maluf (PP), isso tudo tem consequência brutal. Tivemos no governo Lula sempre uma participação importante de consulta em petit comité, enquanto o governo Dilma demorou mais de 20 meses para reunir líderes de sua base na Câmara. Quando vimos que o encaminhamento de 2010 para cá iria ser o mesmo, nós decidimos sair do governo – aqui e lá. O PSB fez o incomum. O comum é os partidos quererem ir para o governo e cargos para apoiá-lo. Nós entregamos nossos cargos. Porque tivemos discordâncias e, segundo, para exercer nosso protagonismo de partido. Estamos fazendo aquilo que talvez todos os partidos devessem fazer: ter um candidato a presidente. E eu não poderia viver numa incoerência: para estar agarrado num cargo do governo, estar na contramão do meu projeto nacional. Nossa visão foi deixar o governo Tarso, com o qual também temos uma série de divergências e não só concordância. Em 2010 eu tentava ser candidato a governador, tinha 12% nas pesquisas, até março de 2010, e a nossa última decisão, inviabilizada a minha condição, foi apoiar o Tarso. Ajudamos Tarso a se eleger no primeiro turno e não nos arrependemos disso, mas não concordamos com tudo o que estamos vendo. Faltam mais realizações, o governo do RS precisa dialogar muito com a sociedade, mas internamente conversar menos, tomar mais decisões, passar menos a cabeça na máquina burocratizada, incompetente, incapaz de fazer a máquina gerar. Proteger a incompetência é um equívoco do RS; você tem que adotar metas, controlar resultados, planejar mais se não tem dinheiro. A gente não vê isso, ao contrário, só viu agravar o endividamento do Estado. Consumimos os depósitos judiciais, temos 10 milhões de precatórios, tomamos mais financiamento para poder sobreviver. Do ponto de vista estrutural não vimos nada. Então não temos nenhuma contradição. Por que estamos com (José Ivo) Sartori (PMDB)? Porque, diferentemente do PMDB de Brasília, escolheu não apoiar Dilma.

Sul21- Mas, não há uma incoerência? Das três raposas velhas da política que o senhor mencionou, duas são do PMDB.
Beto – Nenhuma do PMDB gaúcho, que historicamente sempre discordou do PMDB nacional. É representado em Brasília por Simon, que é um dedo na moleira de muita gente. A representação gaúcha é de crítica, não de mancomunamento com a velha prática dos mesmos. Estamos muito à vontade com Sartori, porque nós compusemos o governo dele em Caxias, fomos colegas como deputados estadual e federal, estamos com a mesma opção. A contradição está em se amarrar cada vez mais alianças com as figuras da República que vieram do processo da ditadura para se avantajarem nos espaços públicos. Hoje estamos com Eduardo Campos, com 1min50 na TV, mas estamos tranquilos. Vamos conversar com a sociedade através das redes sociais e, se formos para segundo turno, estaríamos à vontade para fazer outra proposta, não a repetição das mesmas coisas. Quando Eduardo Campos propõe passe livre para todos os estudantes, isso é possível fazer. Um país que não se preocupa de onde sai o dinheiro para desonerar o empresariado brasileiro não precisa se preocupar de onde saem R$ 12 milhões para o transporte gratuito aos jovens irem à escola e à universidade. Isso é uma das minhas bandeiras ao Senado. Pois dinheiro tem para corrupção, para comprar refinarias com peso de ouro… Investir em educação é dar transporte, é dar acessibilidade aos estudantes. O principal não e o xis por cento do PIB para a saúde, mas o que acontece: em Pernambuco construímos quatro grandes hospitais públicos em sete anos, todos funcionando na região metropolitana. O RS viu agora um hospital, fruto da filantropia do Moinhos, somado ao esforço do município e cofinanciamento de custeio com participação do governo federal. É uma questão das chamadas escolhas.

Sul21 – Que outras questões são importantes?
Sul21 – Desde que foi criada a lei de responsabilidade fiscal, existe um conselho que nunca foi ouvido pelo governo. A sociedade que está ali representada nunca foi ouvida. O Conselho tem que ser ouvido, assim como o de consumidores de energia. Dilma decidiu de cima para baixo reduzir as tarifa de energia sem ver se tem oferta de energia sobrando. Não tinha. Quebraram as empresas elétricas, inclusive a CEEE, que já estava quebrada. Agora, a indenização daquela decisão chega a R$ 40 bilhões e os aumentos de energia chegam em média a 30% no RS, em 2015 será muito mais. Se tivesse ouvido o Conselho, erraria menos. A conta que fica para 2015 é absurda, no combustível, na energia elétrica, na inflação, em razão dos erros da falta de transparência e de diálogo.

Sul21 – O senhor também tem bandeiras de defesa dos LGBT?
Beto – Sim, sou defensor da legitimidade do movimento gay de ter seus direitos respeitados, como todos. Não temos uma constituição que gera possibilidade de discriminação sobre nada. O país é a grande esperança do mundo, por não ter isso. Até pouco tempo atrás não tinha grandes conflitos religiosos. Hoje se vê certo acirramento, com o surgimento de muitas religiões dentro da política. Mas temos que triunfar, como sempre triunfamos. Temos movimentos organizados, parlamentares, não tem espaço para intolerância de qualquer natureza.

Sul21 – A mobilização de junho vai mudar o Congresso?
Sul21 – Se a mobilização vier para as urnas, pode mudar os governos e o Congresso. Teve o “vem para a rua”, agora o “vem para as urnas”, uma forma de reequilibrar as coisas. Pode mudar o Congresso, acho que 50% da Câmara vai ser renovada. O que é natural. Problema não é a renovação, é o que vem: renovar para pior, ninguém merece. Tiririca diz: pior que tá, não fica. Pode ficar, sim. Se não tiver discussão, se não olhar a trajetória do sujeito, se não sentir que ele presta contas do que faz, pior do que está pode ficar. Porque quem vai renovar é a qualidade.

Sul21 – Nestas eleições, as redes sociais vão ter mais peso que a televisão?
Beto – Redes sociais ajudam a ter informação. Não acredito que sejam suficientes para eleger alguém, mas ajudam a não eleger aqueles que efetivamente não merecem. Isso, respeitada a verdade, porque não concordo com essa política baixa de difamação que alguns adotam nas redes. Desde 2009 sou bastante conectado. A política está muito analógica e a sociedade, em on line. Candidatos ao Senado analógicos vão ter dificuldade de passar confiança à sociedade.

*Colaborou Lorena Paim

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/beto-albuquerque-o-rio-grande-precisa-de-mais-atitude-no-senado/

Governador afirma que prefeitos não querem mais recursos para a saúde

Quase não acreditei quando li no jornal de hoje a frase do governador Tarso Genro. Mesmo em tom de brincadeira, não faz sentido. Como pode pensar e brincar com a saúde pública? Como pode pensar em brincar com a maior preocupação dos brasileiros? Quem depende de saúde pública – maioria dos brasileiros – não tem como brincar com a saúde. Que desrespeito. Confiram o texto da jornalista Rosane Oliveira.

Causou surpresa uma frase dita pelo governador Tarso Genro durante ato de campanha em Gravataí (foto), na terça-feira. Ao falar sobre investimentos em saúde, o petista disse que o Estado aumentou tanto os repasse aos municípios, que alguns prefeitos estão rejeitando dinheiro. A declaração foi enviada à imprensa pela assessoria da campanha da coligação liderada por Tarso.

– Hoje falamos com os prefeitos e eles nos dizem “não quero mais recursos para a saúde, o que eu tenho eu não estou conseguindo mais aplicar”. Isso acontece porque nós estamos distribuindo os recursos de maneira republicana, sem olhar para o partido do prefeito, e também porque chegamos ao objetivo histórico de investir 12% em saúde.

A assessoria de imprensa de Tarso afirma que a declaração do governador sobre os prefeitos foi feita em “tom de brincadeira”. No entanto, o material enviado aos veículos jornalísticos não deixa isso claro, como mostra a reprodução abaixo:

Segundo a coordenação da campanha de Tarso, o Estado triplicou os repasses para as prefeituras nos últimos anos. Em 2010, foram repassados R$ 169 milhões. O valor subiu para R$ 520 milhões em 2013, e a previsão é que alcance R$ 630 milhões em 2014.

Em nota, a Famurs contestou a afirmação do governador:

“A Famurs contesta a afirmação do governador Tarso Genro de que os prefeitos “não querem mais recursos para a saúde”. São insuficientes os repasses financeiros de todos os programas do Ministério da Saúde, cabendo às prefeituras bancar a maior parte dos valores restantes. Os municípios também carecem de investimentos do Estado em média e alta complexidade hospitalar, em assistência farmacêutica, na contratação de médicos especialistas para cidades do interior e no pagamento do Piso dos Agentes Comunitários, que depende de contrapartida estadual para se tornar realidade. Estudo do Tribunal de Contas (TCE) comprovou que as 497 prefeituras gaúchas destinam, em média, 21% dos seus orçamentos em saúde, mais do que os 15% exigidos por lei. Por outro lado, o governo do Estado descumpriu em 2013 a exigência de gastar 12% das receitas no setor, assim como a União, que sequer aprovou cota fixa de 10% do PIB, conforme solicita projeto de lei de iniciativa popular que recolheu duas milhões de assinaturas.”

Hoje é dia de Nelson Mandela

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Há alguns meses li um livro que me impressionou muito. Era o livro de relatos pessoais de Nelson Mandela, escrito durante todos os anos em que ele esteve na prisão e após sua liberdade. Um livro de uma história de honra, de caráter, de força, de sensibilidade. Hoje, segundo a ONU, é o dia internacional Nelson Mandela. Sugiro que todos pensem no seu legado, nos seus ensinamentos. O mundo carece de Mandelas. Abaixo, mensagem da ONU.

“No ano passado, o mundo perdeu um de seus maiores líderes com o falecimento de Nelson Mandela. Lembramos seu legado especialmente em seu aniversário, no dia 18 de julho.

Nelson Mandela e as Nações Unidas tinham um forte histórico juntos. Pouco tempo depois de ter sido libertado da prisão, ele visitou a nossa sede. Foi um momento de grande emoção.

A presença de Nelson Mandela na Assembleia Geral das Nações Unidas provou que as resoluções, as sanções e a solidariedade da ONU podem vencer a violência e a injustiça. Sua compaixão extraordinária depois de 27 anos de prisão mostrou que os direitos humanos e a igualdade são mais fortes do que o ódio e a discriminação.

Nesse dia, em 1990, eu disse que as pessoas sempre seriam desafiadas pelo fato de que, abre aspas, ”levamos muitos tempo até nos levantarmos para dizer que já basta”. O entusiasmo tomou conta de todos naquele momento.

O apartheid [na África do Sul] já não existe – graças a Nelson Mandela, inúmeros indivíduos e outras orgulhosas ações das Nações Unidas. Mas o nosso planeta e seus habitantes ainda enfrentam ameaças horríveis – pobreza, discriminação, mudança climática, conflitos e muito mais.

O Dia de Nelson Mandela é um chamado à ação. Cada um de nós pode comemorar este dia ajudando a resolver os problemas reais em nossas comunidades. Juntos, podemos dar um grande significado para a nossa celebração, abrindo caminho para um futuro melhor.”

Saiba mais em http://www.un.org/en/events/mandeladay e http://www.mandeladay.com

O bom da política é o encontro com as pessoas

Diferente do candidato ao Senado que saiu da TV para ser candidato, mesmo tendo batido sem dó (e sem respeito) em todos os políticos, eu sempre acreditei na política. Por uma simples razão: ela é feita por pessoas. Vão me perguntar: mas e essa corrupção toda? Errar é humano, sabemos. Mas não se erra sem ao menos tentar. Eu acredito e estou tentando. Com coerência, afinal, de que adiantaria ser como o homem da TV, que de tanto bater juntou-se àqueles em quem batia?

Tenho andado bastante por Porto Alegre e pela região metropolitana. Encontro com jovens, com pessoas da terceira idade, com profissionais liberais, com quem tem carteira assinada. Tenho encontrado com as pessoas reais, que estão por trás de todas as notícias que lemos. Mas essas pessoas, para mim, são reais. Não são números ou estatísticas.

Vejo jovens pedindo melhores empregos para poderem estudar. Segundo eles, hoje precisam trabalhar 12 horas para poder pagar a faculdade. Como se estuda depois de trabalhar 12 horas? O rendimento não é o mesmo. Outros reclamam da informalidade,  que não tem carteira assinada, nem segurança. É preciso, como sempre digo, qualificar o emprego e o mercado de trabalho. E isso se faz com planejamento. A terceira idade cobra olhar especial. Muitos cobram apenas um olhar, pois estão abandonados.

Há muito a ser feito. A cada conversa, a cada encontro me convenço disso. E vamos fazer, vamos mudar. Meu partido é o Rio Grande, não é o partido A ou o B, não são os interesses de um outro grupo. Meu partido é aquele do qual fazemos parte todos nós, cidadãos que querem um futuro melhor, mas que batalham por um presente melhor. Essa é a essência da política. E tem sido gratificante encontrar tantos apoiadores e tantas pessoas dispostas a dar as mãos e caminhar no mesmo rumo, um rumo novo, um rumo que o RS merece ter.

Um novo desafio para todos nós

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Há alguns venho acompanhando a política pelo lado de fora, como eleitor, como cidadão comum. De tanto ver que erros e acertos, de tanto ver que os maus políticos se perpetuam no poder, enquanto os novos ficam de lado, decidi ingressar na política. Muitos me perguntaram: por que? Tenho minha vida tranquila, meu trabalho vai bem, minha família vai bem. Tenho estabilidade. Trabalhei duro para conquistar isso. Mas algo me incomoda e diante dessa incomodação, resolvi arriscar.

De que adianta apontarmos o erro se não dermos o exemplo? Como mostrarei para as minhas filhas que podemos acreditar no país se apenas reclamo da velha política? Tem horas, meus amigos, que precisamos deixar de ser espectadores. Tem horas que devemos ser protagonistas das mudanças que queremos.

Decidi me candidatar a deputado estadual para fazer pelo RS o que fiz por estados como o Rio de Janeiro. Lá, criei mais de 20 mil empregos. Aqui, nossos últimos governadores não quiseram sequer me receber para ouvirem minhas ideias e geração de emprego e renda. Talvez eles pensem que são eternos no poder. Talvez pensem que sabem mais que especialistas.

Quero agora, independente de governo, construir uma política sólida de desenvolvimento econômico para nosso RS. Assim, os beneficiados serão os gaúchos e não governador desse ou de outro partido. O Rio Grande somos todos nós que não estamos do lado de lá nem do lado de cá. O Rio Grande somos nós, essa maioria que não gosta da briga vazia, mas que quer ver o RS voltar a crescer e se desenvolver. Vamos à luta e conto com teu apoio!

Apagão na seleção

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Ainda estou tentando entender o que houve no jogo de ontem. Sou patriota, amo meu país. Amo futebol, já tentei ser jogador quando era mais novo. Sempre acredito que podemos superar tudo, as piores dificuldades. Achei que seria assim, ontem. Sem Neymar, com 200 milhões dando força. A força da torcida estava em campo, as seleção não. Faltou tudo, principalmente preparo emocional.

A maioria dos jogadores da seleção não atua no Brasil. Ganham milhões por ano. Têm a vida ganha. Voltarão para seus clubes e seguirão suas vidas, certo? Errado. Ninguém jamais apagará esse resultado da carreira desses jogadores. Assim como ninguém apagará o choro desesperado quando fomos para a disputa por pênaltis… Ali já havia sinais de falta de preparo emocional. E sem preparo, não se vai a lugar algum.

Não existe vitória que caia do céu. Não existe sucesso sem trabalho, garra e determinação. Não deixamos ser mais ou menos brasileiros pela derrota. Mas devemos aprender a lição de que se pode ganhar com humildade. E demos ser humildes para aprender com a derrota.

Futebol, assim como a vida, depende de trabalho árduo e de espírito de equipe. Não nascemos sozinhos, não vivemos sozinhos. Somos uma sociedade, diversa, rica, especial justamente por isso.

Projeção de crescimento da economia cai pela sexta semana seguida

A projeção de instituições financeiras para o crescimento da economia este ano continua em queda. Pela sexta vez seguida, a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi reduzida. Desta vez, a projeção passou de 1,10% para 1,07%. Para 2015, a expectativa é de crescimento um pouco maior: 1,5%, a mesma da semana passada. Essas projeções são do boletim Focus, resultado de pesquisa semanal do Banco Central (BC) com instituições financeiras.

Para a produção industrial, a projeção de retração passou de 0,14% para 0,67%. No próximo ano, as instituições financeiras esperam por recuperação da produção industrial, com crescimento de 2,10%, contra 2,20% previstos na semana passada.

A projeção para a cotação do dólar segue em R$ 2,40, neste ano, e em US$ 2,50, em 2015.

As instituições financeiras também mantiveram a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ao fim de 2014, no atual patamar de 11% ao ano. Para o fim de 2015, a expectativa segue em 12% ao ano.

Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a estimativa permanece em 6,46%, este ano, e em 6,10%, em 2015.

A pesquisa semanal do BC também traz a mediana (desconsidera os extremos) das expectativas para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que passou de 5,45% para 5,33%, em 2014, e segue em 5,50%, em 2015. Para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a estimativa foi ajustada de 5,44% para 5,35%, este ano, e de 5,50% para 5,57%, em 2015.

A estimativa da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) passou de 6,04% para 5,77%, em 2014, e de 5% para 4,79%, em 2015.

Fonte: Agência Brasil

Simon crê em debate de alto nível na corrida para o Senado

A sete meses de encerrar seu quarto mandato no Senado, Pedro Simon (PMDB) esboça uma análise crítica dos 32 anos em que permaneceu no Congresso Nacional. O peemedebista considera que deu o seu melhor, mas pondera que o tempo que permaneceu na Casa não foi positivo, porque não foram feitas as reformas necessárias para o País, como a política e a tributária.

Simon acredita que, diante do corporativismo dos agentes políticos, que resistem em fazer mudanças, a conjuntura exige que a sociedade se articule. Enfatiza a importância da mobilização popular destacando a Lei da Ficha Limpa e o desfecho do julgamento do mensalão, com a prisão dos condenados.

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o senador ainda justifica sua decisão de não concorrer no pleito deste ano e analisa o cenário eleitoral no Estado e no País. Ele refuta a tendência de polarização na disputa ao Palácio Piratini entre o governador Tarso Genro (PT) e a senadora Ana Amélia Lemos (PP) e sustenta que o peemedebista José Ivo Sartori vai crescer durante a campanha, garantindo um lugar no segundo turno.

Simon acredita que a disputa para o Senado será de muita qualidade, pela quantidade de candidatos preparados. O senador ainda defende a aliança do PMDB com o PSB, de Eduardo Campos, no Estado, e afirma que o presidenciável tem chances de crescer.

Jornal do Comércio – Muitos correligionários queriam que o senhor concorresse neste pleito. Tendo em vista que não disputará a reeleição, qual será seu papel na campanha?

Pedro Simon – Minha saída é um fato natural. Tenho só de Senado 32 anos. Foram 65 anos de carreira política, fui deputado estadual, governador, ministro, dirigi o partido nas horas mais difíceis, fui dirigente do MDB nacional, então acho que minha tarefa fiz da melhor maneira que podia fazer. Pretendo, agora, me aproximar mais das lideranças populares, da mocidade acadêmica. As grandes reformas do Brasil são muito difíceis de serem levadas adiante pela complexidade da política nacional. São mais de 30 partidos, um igual ao outro, apenas para compor e pegar uma parte do governo. Todas as tentativas que se fez de reforma política, de pacto federativo e de reforma da distribuição financeira foram sem sucesso. As duas grandes vitórias que tivemos foram com os jovens nas ruas. A primeira foi a Lei da Ficha Limpa, uma mudança profunda. Uma das coisas que muita gente não está se dando conta é que são milhares de pessoas que não vão poder ser candidatas, porque a Justiça impede. Nessa eleição, o Tribunal de Contas já apresentou uma lista enorme de pessoas que foram condenadas e que não podem ser candidatas. Isso foi um grande fato. O segundo grande fato foi a decisão do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Até então o STF nunca havia julgado algo assim, mas o povo foi para a rua. Todo mundo jogava a alma que não iria acontecer nada e lá estão os caras na cadeia. Não tenho nenhuma dúvida de que a Petrobras, com esse escândalo que está acontecendo, vai parar no Supremo e vai acontecer a mesma coisa. A Lei da Ficha Limpa e o mensalão foram os grandes fatos moralizantes da política e foram feitos pela mobilização popular. Dentro do Congresso e do Executivo  podem querer reforma, mas nenhum quer abrir mão de nada. Acho que vai haver uma grande mobilização da sociedade.

JC – Antes de o senhor anunciar que não iria concorrer, mostrou muita contrariedade com a divulgação dos seus gastos de R$ 62 mil com tratamento dentário. O desgaste foi decisivo para desistir da eleição?

Simon – Aquilo foi uma piada. Foi um jornal que botou algo que não houve antes nesses 32 anos de vida pública. Só em passagens de avião eu devolvi R$ 1,4 milhão das cotas que recebia todo mês que não usei. Durante esse tempo todo que fui senador não recebia verba de governador, que todos os outros recebem. Achei uma atitude grosseira. Fui governador e não gastei um centavo em saúde, fui deputado por 16 anos e nunca gastei um centavo, fui senador durante 32 anos e agora no final tive que fazer uma reforma – se não fizesse, não iria poder falar. Achei que foi maldade.

JC – O senhor costuma ser apontado como uma liderança do PMDB gaúcho em contraposição à cúpula nacional do partido, marcada pelo fisiologismo. Como fica o partido com a sua saída?

Simon – O PMDB foi o grande partido que coordenou a verdadeira revolução pacífica e ordeira que foi a derrubada da ditadura, com o povo nas ruas, começando pelas Diretas Já. O MDB esteve à frente disso e teve grandes bandeiras, como a da anistia, da Assembleia Constituinte, da liberdade de imprensa. O problema de hoje é que o comando do MDB não fortalece o partido. Já estamos a uma série de eleições sem candidato (a presidente). Por quê? Porque o comando se contentou com três ou quatro ministérios, coisinhas miúdas, e esteve em todos os governos, FHC (PSDB, 1995-2002), Lula (PT, 2003-2010), Dilma (PT, 2011-2014). Isso enfraqueceu as pessoas do MDB. O MDB está no governo do PT, sim, mas quando o MDB foi chamado para discutir política social, econômica? Tem cargos secundários. Hoje, há um sentimento de que isso não pode continuar, de que o MDB já vai sair enfraquecido dessa eleição. Então, creio que o resultado das urnas fará com que haja um movimento nacional, de que o MDB tenha vida própria, até já se fala em uma candidatura, do senador (do Paraná Roberto) Requião.

JC – Para o Palácio Piratini, as pesquisas de intenção de voto projetam uma polarização entre a senadora Ana Amélia Lemos e o governador Tarso Genro. Quais são as chances de José Ivo Sartori?

Simon – Em primeiro lugar, essa polarização não existe. Está se fazendo uma confusão, porque essas candidaturas vieram cedo demais. Um que é governador e está em plena campanha e a outra é de uma jornalista com 40 anos de rádio, jornal e televisão e que está sendo senadora com uma atuação realmente muito importante, enquanto que Sartori passou dois anos praticamente fora do noticiário, depois de ser prefeito de Caxias durante oito. Nesses dois anos, ele estava se preparando para ser candidato a governador, mas sem viajar ou fazer campanha abertamente, até porque não tivemos uma candidatura natural. Ana Amélia era natural e Tarso também. No MDB não, tivemos uma disputa, então Sartori ficou longe, nunca se apresentou como candidato ou falou como candidato, mas agora a questão vai ser esclarecida. Primeiro, porque o MDB é o maior partido do Rio Grande do Sul. Tivemos três governadores eleitos pelo MDB e outros dois governos que ganharam com nosso apoio no segundo turno, na disputa entre (Alceu) Collares  (PDT) e (Nelson) Marchezan (então, PDS) e entre Yeda (Crusius, PSDB) e Olívio (Dutra, PT). Não tenho nenhuma dúvida sobre a candidatura do Sartori: vai deslanchar e é certo que ele está no segundo turno. Não sei quem vai ser o outro.

JC – Oferecer um palanque a Eduardo Campos foi a melhor opção para o PMDB? Como fica a insatisfação da parte dilmista da sigla no Estado?

Simon – O apoio à candidatura de Sartori na convenção era praticamente unanimidade, só se apresentou outro nome (o do presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski). A candidatura de Sartori já era quase unanimidade, mas, como tinha um grupo que defendia o apoio a Dilma, e o Sartori só aceitava se o partido apoiasse a candidatura do Eduardo Campos, então houve aquela disputa. Mesmo assim tivemos quase 80%. Agora, que a candidatura de Sartori vai para a rua e a plataforma dele será mostrada ele só tem a subir.

JC – Também a campanha ao Senado promete ser disputada, e já conta com nomes conhecidos como o comunicador Lasier Martins (PDT) e o ex-governador Olívio Dutra. Quais as chances do deputado federal Beto Albuquerque (PSB)?

Simon – Essa campanha tem um fato interessante. A candidatura ao Senado é um nome de rádio, jornal e televisão que está há 40 anos, e está provado que o caso dele é o caso da Ana Amélia e o primeiro caso de todos foi o (petebista e também comunicador Sérgio) Zambiasi. E isso dá destaque. Essa campanha vai ser muito bonita, com o jornalista, pela sua biografia importante. O candidato do PT é um dos melhores quadros do partido, de uma dignidade e de uma seriedade muito grandes. O PP escolheu uma empresária importante, que é uma boa candidata também. Mas Beto é um quadro novo de primeira categoria. Ele é líder do partido dele na Câmara dos Deputados, foi o grande coordenador dessa terceira via que é o Eduardo Campos e desse fato que foi o mais marcante antes da eleição: a dupla Eduardo Campos e Marina Silva. Pela competência que Beto tem, é o tipo certo na hora exata para ser nosso senador. Olívio é excepcional, mas entrou no sacrifício. O outro é um grande jornalista, acho até que vai ter muita gente que vai achar que ele deve ficar no jornal. No que está bom não se mexe. Faço um apelo para que haja um debate para televisão entre os candidatos a senador, pois acho importante que se conheça. Vai ser um debate muito bonito.

JC – O papel da Marina Silva na chapa de Eduardo Campos será de defender a moralização da política?

Simon – Exatamente. Eduardo Campos, que não vai ter uma base parlamentar grande, deve levantar a bandeira de que se deve governar com grandes bandeiras, grandes lideranças e com o conjunto da sociedade. O governo tem que ter plano de governo, apresentar propostas. Não com medidas provisórias, mas levar ao Congresso Nacional e discutir, sem troca-troca. Tenho discutido que a grande pergunta que tem que ser feita nesse momento do Congresso é como o governo vai agir. Vai continuar com troca-troca dando o que se recebe ou vai acabar? Agora, no governo Dilma, chegamos ao máximo. Há alguns dias o PR exigiu mudar o ministro dos Transportes para apoiar Dilma. E ela tirou o ministro e ganhou 58 segundos de televisão. É assim que vamos governar? É esse o estilo que vamos ter no próximo governo? Temos que seguir um projeto político de uma reforma que seja séria, que seja responsável, que tenha credibilidade, chamar a sociedade, fazer um grande debate. O ideal seria até uma constituinte, mas eu não vejo ambiente para fazer. Seria o ideal, mas o governo e o Congresso podem patrocinar um grande debate tendo como tese a reforma política, estabelecendo alguns termos, reforma política, reforma tributária, pacto federativo e nesse sentido, com a sociedade toda, sem troca-troca, fazer o melhor. Acho indispensável que essas coisas aconteçam e é nisso que vou caminhar, trabalhando, dando palestras, quando me chamarem, estarei à disposição.

JC – O senhor tem intenção de fazer campanha com Eduardo Campos e Marina Silva pelo Brasil?

Simon – Aqui no Rio Grande do Sul, estou à disposição do Sartori, o que ele me pedir, no que achar que posso ajudar, estou inteiramente à disposição. E, em nível nacional, já tenho convites de ir a alguns lugares com o Eduardo Campos e com a Marina. Também quero que meu filho Thiago se eleja (à Assembleia Legislativa). Nunca botei parente nem nada. Mas, como estou saindo, quero ele lá, porque representa meu pensamento.

JC – Que balanço faz da sua atuação em quatro mandatos no Senado?

Simon – Foram 32 anos em que participei de tudo que podia fazer. Bem verdade que tive uma participação muito intensa na vida política. Fiz o que podia fazer, cumpri minha missão, mas reconheço que esse período não foi positivo em termos de Congresso Nacional, não tivemos as reforma necessárias.

Perfil

Pedro Jorge Simon nasceu em Caxias do Sul e tem 84 anos. É advogado e atuou como professor universitário. Foi líder estudantil e vereador em sua cidade natal. Em 1962, assumiu cadeira na Assembleia Legislativa, reelegendo-se deputado por quatro mandatos, até 1978, ano em que se elegeu senador pela primeira vez. Simon é considerado um dos maiores líderes do MDB, partido de oposição ao regime militar. Participou da coordenação das Diretas Já. Em 1986, venceu a eleição ao Piratini, que comandou de 1987 a 1990. Desde então, é senador – o último mandato se encerra em janeiro do ano que vem. Foi ministro da Agricultura no governo José Sarney (PMDB), e liderou o governo Itamar Franco (PMDB) no Senado, época em que o Plano Real foi aprovado. Ganhou destaque pela atuação na CPI que levou ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello em 1992 e coordenou a CPI dos Anões do Orçamento. Ocupou diversos cargos de direção no PMDB nacional e presidiu a sigla no Estado até 2010.

Fonte: Jornal do Comércio

Eduardo e Marina registram candidatura confiantes na vitória

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Presidente Nacional do PSB e candidato à Presidência da República pela coligação Unidos Pelo Brasil, Eduardo Campos, registrou formalmente sua candidatura, que tem a ex-senadora Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, como candidata a vice. Os dois estiveram juntos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, onde protocolaram o registro, entregaram uma cópia das diretrizes do futuro programa de governo e fizeram uma visita de cortesia ao presidente da corte, José Antônio Dias Tóffoli. Em conversa com jornalistas, Eduardo foi afirmativo ao comentar resultados da última pesquisa Datafolha: para ele, a sondagem indica amplo potencial de crescimento de sua candidatura. “Há ainda um nível de desinteresse da sociedade brasileira muito grande no debate sucessório. E há candidatos com níveis muito diferenciados de conhecimento”, comentou. “Então quando a gente analisa a pesquisa por dentro, fica muito animado. Quando a sociedade começar a debater a sucessão, a conhecer a nossa aliança, saber que eu e Marina estamos juntos em torno de ideias que vão mudar o Brasil, nós vamos ganhar a eleição e, mais que vencer a eleição, nós vamos fazer o Brasil vencer a partir de primeiro de janeiro”, avisou.

O presidenciável chegou ao TSE acompanhado pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB), candidato da coligação ao governo do Distrito Federal, e outros dirigentes do PSB, da Rede e dos partidos que apoiam sua candidatura. A coligação Unidos pelo Brasil é integrada também pelo PPS, PPL, PRP, PHS e PSL. “Hoje é um dia muito importante. Nós viemos à Justiça eleitoral para entregar o registro, fazer o registro oficial das nossas candidaturas, e para firmar um compromisso com o povo brasileiro de fazermos uma campanha limpa, que fale a verdade, uma campanha que una o Brasil, para mudarmos o Brasil”, afirmou Eduardo.

“É com esse sentimento que aqui estamos para assumir diante da Justiça e da sociedade brasileira o compromisso de fazer uma campanha que vai debater as ideias, como o Brasil poderá ser e será melhor no futuro”, frisou. Eduardo agradeceu a população pelas contribuições à formulação do plano de governo, que está em fase final de montagem. “Essas ideias vão ser transformadas em realidade na vida das pessoas a partir do dia primeiro de janeiro, com a mudança que a sociedade brasileira vai ajudar a fazer”, comentou, após conversar com o presidente do TSE.

GOVERNO SEM AMARRAS– Questionado por jornalistas, Eduardo reconheceu, mas minimizou a importância do tempo de televisão para um projeto presidencial como o seu, que se sustenta no compromisso com um novo modo de fazer política. “Para fazer a campanha é mais difícil com dois minutos de televisão”, admitiu. “Mas para fazer o governo será muito melhor, por que nós vamos fazer um governo sem as amarras e os compromissos de quem trocou tempo de televisão por propostas fisiológicas, patrimonialistas, por compromisso com o atraso na política”, frisou o socialista. “É melhor ter dois minutos de televisão e poder entregar ao povo a partir de primeiro de janeiro, que ter muitos minutos de televisão e frustrar a população depois de ganhar a eleição”.

O presidenciável demonstrou confiança na ampliação do debate em torno do futuro do país e espera que a população esteja mais interessada no processo eleitoral a partir de agosto. “Nós vamos ver o debate ganhar as ruas no Brasil, ganhar a presença no cotidiano da população. Isso vai se dar no final de agosto, início de setembro. E ali você vai ver que a entrada do povo na campanha vai fazer a diferença. O povo brasileiro vai entrar no debate, vai fazer a mudança e vai optar pelo novo, pelo que pode fazer a mudança para o futuro”, afirmou. “O Brasil quer mudar, mas o Brasil não quer mudar para o passado. O Brasil quer mudar para o futuro, levando para esse futuro tudo o que construímos de bom: estabilidade, Bolsa Família, Prouni, liberdade de expressão. Mas nós queremos combater a corrupção e a paralisia da economia brasileira”.

Por Doca de Oliveira – Assessoria de Imprensa do PSB Nacional

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