maio 2014 archive

Brasil, um país sem miséria, mas com fome?

Lendo o jornal Zero Hora na manhã de hoje, li o artigo que compartilho abaixo com vocês. Ao ler o texto, lembrei  de uma outra reportagem, desta vez da revista Veja, em que foi divulgada a Pesquisa de Informações Básicas Municipais 2013 (Munic). Com amostras coletadas entre os anos de 2009 e 2013, a pesquisa aponta que a assistência social no Brasil não chega àqueles que mais precisam. Ou seja, a propaganda do governo federal de que o Brasil acabou com a miséria é uma grande mentira. E uma mentira que precisamos combater. Como um país que não privilegia a assistência social pode afirmar que estamos livres da miséria? No Brasil, hoje, idosos, menores infratores e mulheres ainda não são atendidos de acordo com as necessidades que apresentam. O problema é grave: enquanto 99,9% das cidades brasileiras têm estruturas para tratar da política de assistência social, apenas 34,4% têm abrigos para acolher pessoas em situação de risco.

Em uma pesquisa inédita feita por professores e alunos dos departamentos de Economia da UFRGS e da PUC e do Instituto de Psicologia da UFRGS, em parceria com o Diário Gaúcho, foram entrevistadas 555 pessoas vivendo em bairros em situação de vulnerabilidade social na cidade de Porto Alegre. Dessas, 63% foram mulheres, na média com 40 anos e seis anos de estudo.
No Brasil, o governo define como pobre extremo quem tem menos de R$ 70 por mês. Assim, olhando apenas para a renda média das pessoas entrevistadas, de R$ 626, ou para a renda média de suas famílias, de R$ 1.178, não acharíamos que elas vivem com dificuldades essenciais, mesmo levando em conta que 41% das pessoas entrevistadas recebem o Bolsa Família (valor médio de R$ 66). Seguindo nossas estatísticas oficiais, há poucos pobres extremos nos nossos entrevistados.

No entanto, quando olhamos para como as pessoas vivem, entramos em outra realidade. Quase metade das pessoas entrevistadas vive em moradias que não são de alvenaria acabada, quase dois em 10 não têm água da rede pública e seis em 10 trabalham sem carteira assinada. Ao aplicarmos a Ebia (Escala Brasileira de Insegurança Alimentar), verificamos que quase oito em 10 pessoas sofrem algum tipo de insegurança alimentar, um número surpreendente (quase quatro em 10) tem insegurança alimentar do tipo grave. Mas o que isso significa? Significa que a política pública contra a pobreza extrema, focada em valores monetários, constrói uma política sem lastro conceitual, na qual pessoas consideradas “sem miséria” pelas estatísticas oficiais podem na prática ainda viver sobre a pressão de conseguir o alimento no seu dia a dia.

Foi perguntado às pessoas o que elas fariam se tivessem R$ 70 a mais ou a menos por mês. A resposta? Comprariam mais ou menos alimentos. Assim, o mundo da pobreza extrema nas regiões vulneráveis de Porto Alegre parece ser ainda o mundo onde o alimento diário é incerto. Precisamos ter estatísticas que reflitam concretamente as dificuldades por que as pessoas passam, sob pena de vivermos em um país “sem miséria” no qual as pessoas ainda passem fome.

Por FLAVIO COMIM
Professor da Faculdade de Economia da UFRGS

Envolvidos em rachas estarão sujeitos a penas mais duras em seis meses

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Daqui a seis meses, os motoristas que participarem de rachas estarão sujeitos a penas mais duras. Em alguns casos, elas poderão chegar a dez anos de reclusão. Esta é uma das mudanças que a Lei 12.971/2014, de autoria do deputado Beto Albuquerque (PSB/RS) estabelece. A lei, sancionada ontem (12/05/2014), aumenta em dez vezes as multas aplicáveis nos casos de “racha”, “pega”, manobras perigosas, arrancadas e competições não autorizadas. O valor das multas nos casos citados pela lei, poderá chegar a R$ 1.915,40. E, se houver reincidência no prazo de 12 meses, a nova multa será aplicada em dobro.

Cerca de 40 mil pessoas morrem por ano em decorrência de acidentes, seja nas cidades ou nas rodovias. Preservar a vida é dever de todos nós. Por isso a lei do deputado Beto é tão importante. Já é mais do que tempo de enfrentarmos a impunidade e mudar essa realidade. Não é possível que alguém que mate nessas circunstâncias tenha direito à fiança. Preservar a vida é um compromisso de cada um de nós.

Parabéns, deputado Beto. Com atitudes como essa, sigo acreditando que a política pode mudar para melhor a vida das pessoas, combater injustiças e mudar o rumo do país. 

Vamo que vamo!

Caos na administração pública: sinal de mudança

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Estamos a um mês da Copa do Mundo. Em 30 dias o Brasil entra em campo e seremos só emoção. Certo? Errado! A Copa do Mundo precisa mexer com a gente, sim, mas de um jeito novo, como nunca mexeu. Somos torcedores? Claro! Mas precisamos torcer para o Brasil além das linhas dos campos de futebol. Precisamos torcer pelo Brasil do cotidiano, da educação, da segurança, da administração pública eficiente.

O Ibope, Carlos Augusto Montenegro, afirmou, recentemente, que as eleições de 2014 serão as mais difíceis de toda história. Diz ele, ainda, que nunca viu o povo brasileiro tão enojado com os políticos e a própria política. Se olharmos nosso entorno, entenderemos. A administração pública está um caos.

Em Porto Alegre, a briga pelas estruturas temporárias deu lugar à briga pela retirada de entulhos. É possível, mesmo, que numa cidade que pretende ser vista pelo mundo todo, haja briga para decidir quem vai retirar os entulhos de obras que já deveriam estar prontas há meses? Numa cidade em que empresas de ônibus prestam serviço péssimo e burlam a lei, isso é considerado normal. Sem licitação, o transporte público de POA mostra como a ineficiência do poder público é grande. Sem licitação e sem fiscalização, o trabalhador paga o preço por uma concessionária falida ter suas linhas transferidas em favor de outras do mesmo grupo. O trabalhador paga o preço por ver permissões públicas  negociadas por empresários do setor. O poder público fecha os olhos para tudo.

Não me surpreende isso. Por quê? Porque as obras no interior do RS, previstas para estarem prontas para a Copa do Mundo, não têm previsão de serem entregues. Apenas 21% delas foram finalizadas.

Por isso o Ibope acerta quando diz que os brasileiros estão cansados dos velhos políticos. 60% não gostaria de votar. Por quê? Porque as coisas não mudam no Brasil. A disputa é para ver se o mensalão do PSDB é pior ou melhor que o mensalão do PT. É esse futuro que queremos pro Brasil? É hora de aproveitarmos a sede de mudança e escolher outro rumo.

Vamo que vamo! Boa semana a todos!

 

Feliz dia das mães!

09

Toda mulher é um pouco mãe. E ser mãe é exercer a generosidade maior nessa vida. À minha mãe, à mãe de minhas filhas, às minhas amigas mães, meu carinho e respeito profundos.

2014, o ano da violência

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O ano de 2013 foi de tristes episódios para o Brasil e, em especial, para o Rio Grande do Sul. Começamos com o caso da Boate Kiss, quando 242 jovens perderam suas vidas. Após tragédia de Santa Maria, outros casos ocorreram e nos entristeceram. Confesso que achei que 2014 seria mais leve. Me enganei. 2014 tem sido ainda mais difícil.

Sei que cada um que lê esse texto tem uma história para contar desses primeiros meses do ano. O caso do menino Bernardo, o caso da dona de casa do Guarujá, o jovem negro espancado até a morte no Espírito Santo, o jovem suspeito de assalto amarrado e espancado em praça pública… Que país vivemos? Que caminho a humanidade está trilhando?

Vejo minhas famílias, os valores que ensinamos a elas, o que esperamos para o seu futuro e contraponho ao que vejo na rua, nos jornais. Ensino a elas a ouvirem, a não julgarem, a serem corretas. O mundo vai e ensina a julgar e a fazer justiça com as próprias mãos. Ensino que e violência não responde a nada. O mundo mostra que a violência é o caminho escolhido pelas pessoas nas ruas. Ensino que as aparências enganam e que elas precisam olhar e ver o ser humano de forma ampla. O mundo vai e mostra que vivemos a imagem superficial apenas.

O mundo caminha para a violência, para o lema do olho por olho, dente por dente. Não pode ser assim. A internet tem sido usada de forma burra e estúpida. Pessoas são expostas e sofrem por isso. Já não se respeita o próximo, a individualidade. As pessoas julgam sem saber a verdadeira história,  sem buscar informações. Acreditamos em manchetes e não lemos os textos. Acreditamos em fotos e não lemos as legendas.

Ou mudamos nossa forma de agir, ou nossos filhos viverão em mundo doente, violento, de medo, de cerceamento, de constrangimento. Eu quero um mundo diferente para mim e para minhas filhas. Eu sei que é possível. E vocês?

Futuro da CPI da Petrobras deve ser decidido hoje

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O presidente do CongressoRenan Calheiros (PMDB-AL), deve se reunir hoje com líderes partidários da Câmara e do Senado para definir se a CPI da Petrobras será integrada apenas por senadores ou se será uma comissão mista, contando também com deputados federais. Para a reunião, Calheiros pediu aos líderes que entreguem os nomes dos integrantes da comissão. Se for instalada apenas no Senado, a CPI terá 13 membros. Se for mista, 13 deputados e 13 senadores. Nos dois casos, PT e PMDB, que têm as maiores bancadas, devem ocupar as principais posições.

O PT ameaça não indicar integrantes caso a decisão seja pela instalação da CPI mista. Senadores aliados ao governo entendem que uma CPI apenas no Senado poderá trazer menos desgaste ao Planalto. Por isso, devem trabalhar para protelar o trabalho da comissão mista. Já a oposição tentará que a CPI envolva Câmara e Senado para dar mais visibilidade às investigações. Na quarta-feira passada, o líder do PT, senador Humberto Costa (PE), disse que só aceitará tratar de CPI mista na próxima sessão do Congresso Nacional, em 20 de maio. Na hipótese de líderes não entregarem as indicações, Calheiros poderá escolher os nomes, direito que o regimento assegura ao presidente.

Líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA) vai pedir que o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, explique sobre a venda de poços de petróleo da Petrobras na África. O tucano também solicitará que o TCU (Tribunal de Contas da União) realize uma auditoria especial sobre a operação. Segundo Imbassahy, há informações de que dois bancos internacionais avaliaram, de forma conservadora, os ativos da Petrobras na África em um valor mínimo superior a US$ 7 bilhões.

— Dois bancos de primeira linha errarem grosseiramente em suas avaliações é algo muito incomum. E vender os ativos a um valor 50% menos do que a avaliação mínima de US$ 3,16 bilhão é um forte indício de que Petrobras sofreu prejuízo — afirmou o parlamentar.

De acordo com ele, a venda dos ativos na África também terá de ser investigada pela CPI Mista. De acordo com o parlamentar, os blocos de exploração na África deveriam ser objeto de estudos e avaliações aprofundados, e que, pelo visto, não ocorreram ou não foram seguidos:

— A CPI terá muito a investigar e a esclarecer. Esses negócios no Exterior estão se revelando uma caixa-preta. Em cada operação que se analisa, verifica-se mais um negócio ruim para a estatal. Não há empresa que suporte uma sucessão de prejuízos bilionários decorrentes dessa gestão nociva e danosa dos governos do PT, de Lula e Dilma.

Ontem, durante o programa semanal de rádio Café com a Presidenta, em referência à crise na Petrobras, a presidente Dilma Rousseff disse que a estatal “jamais vai se confundir com atos de corrupção ou ação indevida de qualquer pessoa”. Ela acusou opositores de fazer “campanha negativa” contra a Petrobras. “Não vou ouvir calada a campanha negativa dos que, para tirar proveito político, não hesitam em ferir a imagem dessa empresa que o trabalhador brasileiro construiu com tanta luta, suor e lágrimas.”

Plano de demissão voluntária desligará 8,3 mil

A Petrobras deverá perder, até o fim deste ano, pelo menos 4.564 funcionários contratados, ou 6,8% do total do quadro. O número é resultado do Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário, lançado em janeiro, ao qual aderiram 8.298 pessoas, ou 12,4% dos empregados. O objetivo da empresa é reduzir os custos. A companhia estima que, com a iniciativa, “de forma conservadora”, sejam eliminadas despesas da ordem de R$ 13 bilhões até 2018.

Fonte: Zero Hora

“Os gaúchos estão felizes, mas por acomodação”, afirma Jorge Gerdau Johannpeter

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Um dos mais conhecidos empresários brasileiros, Jorge Gerdau Johannpeter tem receitas claras para o país. Algumas são dolorosas e exigem mudanças bruscas. Sem papas na língua, tem diagnóstico preciso do que deve ser feito, confessa estar um pouco cansado de discussões e diz que já está na hora de buscar soluções.

Mas o presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, um império siderúrgico que reúne 45 mil colaboradores e fatura R$ 40 bilhões, vai em frente e diz, taxativo, que seu propósito é cuidar do “Brasil SA”. Com qualquer candidato – Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) ou Dilma Rousseff (PT), de quem já foi interlocutor frequente e hoje está um pouco mais distanciado em decorrência da campanha eleitoral.

Na entrevista que se estendeu por uma hora e meia no sóbrio e silencioso prédio do conselho de administração da Gerdau, na Capital, em uma manhã de sol tímido, ele não fugiu do espinhoso tema da Petrobras.

Na estatal que está na mira da oposição, ocupava uma cadeira no conselho na época da compra da refinaria de Pasadena. Durante a entrevista, criticou os gaúchos que estão felizes, mas por “acomodação”, e também revelou um pouco como é viver com tanto poder, o que faz com a paparicação, às vezes excessiva, com que é tratado e como “foge” dos bajuladores.

No comando de um grupo que tem operações em 14 países, como o senhor avalia as vantagens e desvantagens do Brasil frente aos demais?

Não tem uma resposta absoluta, cada povo, país, grupo empresarial tem peculiaridades e características próprias. Mas o brasileiro tem habilidades de relacionamento e comunicação que o diferenciam, é cultural. Nenhum país tem mais habilidade na condução do problema do Haiti do que o Brasil, por meio do Exército. A ONU e todo mundo querem o Brasil lá, é uma habilidade nata, talvez pelos fluxos culturais – portugueses, influência africana, do próprio índio e depois dos imigrantes. A miscigenação dá uma característica valiosa, com impacto no processo. Mas também analiso outro aspecto: a mudança no cenário mundial e a necessidade de nos adaptarmos. Temos a aptidão humana, mas talvez não as estruturas institucionais que garantam. Esse é o tema mais complexo.

Qual seria esse tema?

As mudanças que aconteceram na globalização, processo muitas vezes não muito bem entendido. A real globalização provoca temor porque exige mudanças. Mas o mais interessante é que o grande fator de tecnologia fez a globalização acelerar.
No Brasil, não temos muitos think tanks (centros de debates de ideias), a matéria não é muito trabalhada e tem outro tema que me preocupa mais: a distância entre o empresariado, mundo político e acadêmico.

Por preconceito?

Quando a coisa é complicada, os três (empresariado, mundo político e acadêmico) têm e conversar. Tem preconceito de tudo que é lado. Nem sei quem tem mais, nem interessa. Solto minhas angústias pessoais e globais em relação ao país e ao Estado porque sinto a inteligência de ajustamento que as empresas têm de fazer com as mudanças. Mas é uma região, um Estado e um problema do país. São três níveis de núcleos sociais estruturados institucionais, que devem debater e propor. Sem pretensão de um saber mais do que outro, mas com humildade para trabalhar sobre os temas. Acho que esse tema em relação ao Rio Grande do Sul é um dos mais complexos e delicados que existem e, se eu tomar o Brasil, da mesma forma.

A questão é que o Rio Grande do Sul está com situação financeira muito delicada. Existe a possibilidade de a arrecadação do próximo governador só servir para pagar funcionários.

Já é assim, mas o atual (governo) conseguiu fazer a ampliação de empréstimos. Quanto aumentou o nível de endividamento do Estado nos últimos anos? Isso é fruto de questões estruturais, históricas, não é um problema deste governo. Tenho uma pesquisa recente sobre o Rio Grande do Sul: o índice de pessoas que sabem o que tu estás falando é mínimo. Estamos festejando que tivemos um crescimento econômico fantástico, mas que, somado ao do ano anterior, nos deixa na média histórica.

É o problema da falta de avanço sustentado?

Foi o mesmo quando o Brasil cresceu 7,5% em 2010, no ano anterior foi negativo, ou seja, voltamos à média. Se tomo a média de crescimento do Brasil nos últimos 30 anos, foi 2,6%. Nos anos 2000, com o Plano Real, melhorou um pouco, para 3%. Mas, se deduzir o crescimento demográfico em 30 anos, tenho expansão média de 1,1%. Isso significa que, para dobrar a renda do brasileiro, precisa cem anos. A notícia é desagradável, mas se vincula ao meu conceito e preocupação de que devemos ter humildade para dialogar sobre a nossa realidade e fazer a pergunta: qual o nosso propósito?

O propósito não é uma sociedade mais justa?

O propósito da arrecadação no Rio Grande do Sul é remunerar bem os seus funcionários. Acho que tem de ser bem remunerado, mas precisa sobrar um dinheirinho para investimento. Na análise do Banco Mundial e da Fundação Getulio Vargas, tem um número muito simples. Quem não poupa 20% do PIB não cresce mais de 2% ao ano. E, no Brasil, o investimento fica em 17%, 18%. Assim, crescemos cerca de 2%, e bate o desespero. Nos últimos 10, 15 anos, a média do Estado é sempre 0,5 ponto percentual inferior à do país. Temos uma pequena vantagem, pois nosso crescimento demográfico é menor, ou seja, o saldo per capita melhora um pouco. A questão é analisar a estratégia.

Não precisamos refletir sobre a mudança de perfil da economia do Estado, para não depender de São Pedro?

O perfil entra aí, de novo, na macroanálise das políticas ou propósitos. Não se discute onde chegar, mas o terrível é que, se você pergunta ao cidadão médio do Rio Grande do Sul, você verá que ele está feliz. Não comparamos direito as coisas: se olharmos a logística de São Paulo e a nossa, é irritante. E como São Paulo fez? Com concessões, mas nós as suspendemos. A presidenta Dilma faz os leilões com boas condições de juro e de competitividade, mas um Estado falido e sem dinheiro festeja estatização das estradas. E é a própria Zero Hora que nos informa: os primeiros sinais de buracos já estão começando a aumentar. O nível de poupança define o de investimento, até para atrair empréstimos externos. Estamos estagnados. Tenho uma brincadeira.

Qual é essa brincadeira?

O welfare state (Estado do bem-estar social) da Europa foi construído antes da concorrência da Ásia, mas o do Rio Grande do Sul também foi construído antes da nova realidade. Com o dólar a R$ 3, quase R$ 4, todas as ineficiências se escondiam na competitividade cambial, mas com o dólar do jeito que está hoje, tudo vem à tona. Tenho uma frase muito agressiva, mas vou dizer: o rei está nu, a verdade está à tona. Isso exige uma profunda humildade de ouvir e debater. As estruturas do Estado estão fora da realidade do mundo. Temos a pior situação de custo de previdência do país, menor índice de investimento em tecnologia e, quando o país não tem novas fronteiras nem crescimento demográfico, só tem um caminho: tecnologia. O orçamento estadual só investe, porém, 0,3% em tecnologia, quando em qualquer lugar é 3%, até 5%. Os gaúchos estão felizes, mas por acomodação. Afinal, se comparar a qualidade de vida daqui, o churrasquinho do final de semana, um baita desafio que é o Gre-Nal…

Mas seu time (Grêmio) não anda muito bem…

Somos o primeiro no ranking nacional da CBF em 2014. O teu time (Inter) está em sexto lugar. Mas estamos entrando no maior pecado brasileiro: ficar discutindo futebol em vez de discutir desenvolvimento. Falando sério, é preciso olhar onde a Previdência é autossustentável. Aqui, 56% da folha é para pagar aposentados. Minha visão é empresarial e não dá voto, os números não querem saber de voto. Se a Previdência fosse autossustentável, o custo deveria ser um terço. Mas tem testamento e privilégio de tudo quanto é jeito.

O senhor tem tantas ideias, por que nunca se candidatou ao governo do Estado?

Não quero entrar em política, sou mais útil como empresário. Com a minha idade(77 anos), nem posso mais pensar em entrar na política. O processo político é doloroso.

A política atrapalha a gestão?

Muito. Quando se troca um ministro em um país civilizado, ele põe quatro, cinco pessoas. Aqui, o governo federal nomeia 22 mil ou 23 mil. Que pessoas são essas, são profissionais de administração?

Seriam amigos?

Com o país em pleno emprego, não precisa ser amigo de ninguém. Existem funções de Estado, de políticas de governo e administração. Tudo que funciona bem em administração no Brasil é o que não tem ingerência política na administração. Que órgãos funcionam melhor? São os que têm estrutura de carreira na administração e não ingerência de políticos com interesses para empregar amigos ou coisas que é melhor nem falar.

Quais são? BNDES, Banco do Brasil, Exército?

O Itamaraty e a Caixa Econômica também.

E a Petrobras?

Tem estrutura profissionalizada, mas tem alguma influência forte na indicação de diretores com vínculos com políticos.

O senhor se arrepende de ter participado do conselho de administração da Petrobras, que autorizou a compra da refinaria de Pasadena?

Não.

Mas o senhor teve de dar explicações sobre a compra, que será alvo de uma CPI. Como o senhor se sente? A CPI é a saída?

As CPIs… Eu faço uma outra pergunta. Alguma CPI deu resultado? Em termos de melhoria, não. A transparência, sim, é importante. É importante trabalhar tecnicamente a análise dos problemas ou até de pesquisa se houve falhas ou até malfeitos. Fui convidado para entrar no conselho da Petrobras ainda no governo do Fernando Henrique Cardoso, quase dois anos antes do governo Lula. O pessoal achou válida a minha contribuição para continuar. Mas eu tenho uma visão muito clara desse processo.

Qual?

Não só esse episódio, que é complexo e nem está esgotado. Já me posicionei em público, por escrito, logo no início do debate. Não tenho muito a acrescentar, mas, na realidade, o processo tem uma soma de pequenos incidentes que tornam a análise complexa. A decisão, naquele período, foi válida.

O senhor não se arrepende de ter aprovado a compra da refinaria? Foi legal?

A palavra legal que você usa é no termo popular?

Não, de acordo com a legislação.

A decisão tomada, na época, foi válida.

O senhor e os demais conselheiros não sabiam das cláusulas que obrigavam a compra do restante da refinaria americana, que acabaram provocando prejuízo à Petrobras?

Não, o conceito era do atendimento da demanda do excesso de petróleo, tinha o álcool suprindo, não havia falta de refinarias, o Brasil tinha perspectiva de crescimento em petróleo e precisava exportar. O Brasil tem petróleo pesado, refinando, tem preços finais melhores. Então, tinha a sua lógica, está certo? Agora, se você entra hoje nos detalhes, a decisão foi tomada dentro de uma sistemática normal na Petrobras e que deu margens a falhas na avaliação.

Os senhores não receberam as informações que deviam ter chegado da equipe técnica antes de darem o aval ao negócio?

É aquele ponto que a presidenta colocou. Tem duas cláusulas que, isoladamente, são clássicas, mas que, de forma conjugada e em decorrência do tipo de negócio, levavam a risco do negócio.

Mas o presidente da Petrobras na época, José Sérgio Gabrielli, disse que ninguém pode fugir da responsabilidade, nem a presidente.

Não vou entrar neste debate porque eu acho que já dei minha posição. Não tenho interesse de continuar debatendo Petrobras.

O senhor deixou o conselho agora porque pensou: “Nesse ambiente não vou continuar”?

Não, foi um processo de eleição dos minoritários, eu era representante desses acionistas. Estava há 11 anos lá, era a hora do rodízio. Vamos ver se um outro representante dos minoritários faz um trabalho melhor do que eu fiz.

No que melhorou a prestação de serviços ao cidadão com a Câmara de Gestão?

A Câmara de Gestão trabalha como um conselho, não é um órgão executivo. Damos apoio tecnológico ou orientação. Mas temos trabalhos importantes já feitos e que continuam em execução, como a melhoria de gestão no Ministério dos Transportes, com mapa estratégico e desdobramento. E fizemos levantamentos em 35 ministérios na pré-construção de um mapa estratégico, além do fato de que agora estamos atuando em conjugar essa visão com os processos críticos de melhorias.

Aponta a redução de ministérios?

Não, a redução é um problema de gerenciamento e de governança, mas as atividades que existem se conjugam ou se separam. Têm de ser trabalhadas da mesma forma. Com gestão, em uma empresa privada, em três, cinco anos, você faz a mudança, rompe culturas. No setor público, precisa de cinco ou até 10 anos. Mas o mundo caminha rapidamente, os nossos concorrentes também. Há cinco áreas que fazem a população ir para as ruas: educação, saúde, segurança, logística e mobilidade urbana.

Os brasileiros se cansaram de maus serviços?

Todos nós. Não enfrento isso, mas me preocupo como os meus colaboradores do Brasil são atendidos. Tenho consciência de responsabilidade social. Só há um caminho: melhoria de gestão. Vivemos em um mundo de competição, que exige gente educada. Quando tenho de competir com um país que dá 12 anos de educação, como faço? Aprendi o valor da educação por necessidade competitiva. Não posso me conformar com o Rio Grande do Sul, que foi o primeiro em educação do país, e hoje está pior do que Santa Catarina e Paraná.

Esse é um motivo de preocupação?

Ninguém debate, está todo mundo satisfeito. Os pais estão satisfeitos porque as crianças estão no colégio. Mas elas têm de aprender e saber. E não pode acabar com os exames, como aqui no Rio Grande do Sul. É preciso avaliar, não empurrar o problema escondido. Tem de estudar, recuperar nas férias. Uma criança que perdeu o bonde na quarta série não pega mais depois, e o índice de analfabetismo funcional é muito alto.

O senhor mantém conversas com candidatos da oposição sobre gestão e redução de ministérios mesmo no governo?

Para mim, isso é uma missão de vida. Estou com 77 anos, a estrutura da empresa está bem encaminhada.

A sua missão é o Brasil, então?

Eu só cuido do Brasil SA. Não interessa se é Dilma, Aécio, Eduardo, porque tenho convicção de que o único modo de melhorar o país é com melhoria de gestão. Então, levo minhas ideias de gestão a eles. Se quiserem ouvir, ótimo, se não, ok. Tem amigos que dizem: “Jorge, tu tentas ajudar nesse negócio, mas não adianta nada”. Mas tem melhora a partir das concessões.

Como está a sua relação com a presidente? O senhor ainda dá conselhos, votará nela?

Meu voto é secreto, nunca abri. E continuo (próximo), não com a mesma intensidade, porque o processo hoje é outro.

A política os afastou?

Não, a política, não, mas o processo eleitoral.

Alguém lhe chama a atenção, diz que o senhor não deveria ter falado algo?

Eu me submeto a críticas. Uso minha equipe para dizer, pergunto aos meus amigos se passei do ponto. E eles falam. Tem uma frase bem simples que uso com meus clientes: amigo fala, inimigo cala. Quem é amigo, tem de falar a verdade. Faço força para que todos tenham abertura comigo. Aprendi que abertura e transparência cada vez aumentam mais e todos querem mais. Publicamente e individualmente. Se você não aprender a se movimentar assim, fica fora da realidade.

Como é viver com tanto poder? O senhor é paparicado, tem forte presença na vida econômica do país. Isso o envaidece ou o constrange?

Tento não me deixar contagiar por qualquer fator de poder, ser objetivo e útil no que faço, mas a coisa mais importante é a autoanálise de humildade. É complicado, mas tento. Tenho meus defeitos, não os confesso publicamente, mas sei das minhas limitações. Todo mundo tem limitações. Então, trabalho nesse sentido. Mas vem de educação de casa: não perder a simplicidade.

E a bajulação excessiva não o incomoda?

Não me afeta de jeito algum. Não gosto e faço de conta que não noto. A minha preocupação é procurar manter a simplicidade com as pessoas, pois é isso que me dá prazer. É convicção filosófica, que vem da família.

Fonte: Zero Hora

Dia da Liberdade de Imprensa

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Uma democracia forte e verdadeira depende da liberdade  de imprensa. Que nosso país saiba respeitar esse direito e que a imprensa cumpra o seu papel: de fortalecer a democracia através da apuração dos fatos, sempre alicerçada na verdade, na imparcialidade e na apuração real dos fatos.

RS: situação econômica e perspectivas de desenvolvimento, com vice-governador Beto Grill

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O momento que o Brasil e o Rio Grande do Sul vivem, é decisivo para a economia e o desenvolvimento sustentável. Uma certa turbulência vem preocupando empresários e trabalhadores. A volta da inflação, as elevadas taxas de juro, a inércia de alguns setores e a falta de competitividade de algumas regiões, têm sido debatidas diariamente. Cientes da importância do momento, a Rosa,Naibert, em parceria com a Aliar Consultoria, promove um importante debate sobre a situação econômica e as perspectivas de desenvolvimento no estado do Rio Grande do Sul. O palestrante convidado é o vice-governador, Beto Grill. Após, mediarei o debate com os convidados presentes. O evento ocorre no dia 27/05, em Caxias do Sul. As inscrições podem ser feitas por e-mail (felipe@aliarconsultoria.com.br).

Senna: 20 anos de saudade

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Durante muitos anos, o brasileiro tinha no esporte sua maior fonte de alegrias. Com Ayrton Senna, a alegria foi somada de orgulho. Com garra, determinação, coragem, perseverança, honra, brio e tantas outras virtudes, Senna nos ensinou a ter orgulho de nosso país. A cada vitória, ele empunhava a bandeira de nosso país e carregava no seu carro uma nação inteira.

Poucos atletas são lembrados para a eternidade, ainda mais em um esporte que não é popular. Senna nos ensinou a amar o automobilismo, nos fez acordar mais cedo aos domingos ou passar as madrugadas de sábado para domingo sem dormir para ver as corridas do Japão. Choramos de raiva quando Alain Prost lhe tirou o campeonato mundial com uma batida. Vibramos quando, no ano seguinte, Senna deu o troco.

Que Senna seja para sempre lembrado pelo exemplo de cidadão, de homem e de atleta que sempre foi. Que ele sirva de exemplo para as novas gerações, para que saibam que é possível superar todas as adversidades.

Há 20 anos Ayrton Senna do Brasil é uma saudade. #SennaPraSempre #AyrtonSennadoBrasil

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