Cpers orienta alunos a não comparecer às escolas, enquanto Secretaria da Educação do RS afirma o contrário

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A tradicional oposição entre governo do Estado e Cpers/Sindicato fica, mais uma vez, evidente. Na paralisação que ocorre de segunda a quarta-feira, a Secretaria da Educação orienta estudantes a comparecer às aulas, enquanto o representante da categoria diz o contrário.

Em assembleia-geral em Porto Alegre, na sexta-feira passada, foi aprovada a adesão dos docentes estaduais na greve nacional, liderada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). O carro-chefe das reivindicações é o cumprimento da lei do piso do magistério como vencimento básico.

O Cpers, que espera grande participação, também discute outras pautas, como criação do piso para funcionários de escola, defesa dos planos de carreira e manutenção do índice de reajuste do piso de acordo com o custo-aluno.

— É muito importante que os pais ouçam os professores, porque a defesa da escola pública passa por uma parceria com os professores e a comunidade escolar. Agora, a única política que o governo expressa para a educação são as ameaças de corte de ponto, as ameaças aos trabalhadores, é orientar a comunidade de forma equivocada, não respeitando o direito de greve — critica a presidente o sindicato, Rejane de Oliveira.

O titular da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul, Jose Clovis de Azevedo, diz não haver motivos para os professores pararem as atividades. Ele justifica citando investimentos em pessoas e estrutura física — em obras, seriam R$ 300 milhões durante o governo Tarso, mais do que nos oito anos anteriores.

— Há todo um esforço nosso no sentido de valorizar o professor, e isso tem sido entendido, embora não possamos atender a tudo que eles merecem e precisam, mas iniciamos um processo de recuperação, tanto salarial, quanto das condições funcionais dos nossos educadores — salienta.

Doutor em Psicologia Escolar e professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fernando Becker sustenta que paralisações prejudicam a continuidade do trabalho na escola, processo que exige continuidade. Ele lamenta que questões político-partidárias interfiram na relação da categoria com o governo, deixando de lado o que realmente interessa aos trabalhadores e estudantes:

— Isso não significa que os professores não têm direito de fazer as suas reivindicações. O problema é saber o que está atravessando as reivindicações. A gente vê que não é um movimento que só visa a melhoria da educação.

Para Becker, a saída é cada escola se organizar com base nas próprias necessidades e pedir melhorias:

— A escola tem um poder bastante grande, que ela não se dá conta que tem.

No ano passado, após três semanas, a greve foi encerrada sem avanços concretos. A baixa adesão ao movimento foi colocada como um dos principais motivos para o retorno às aulas.

Fonte: Zero Hora

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