A greve acabou, a Copa do Mundo empacou

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A situação de greve dos rodoviários de Porto Alegre foi encerrada ontem. Depois de semanas tensas, de prejuízos de milhões de reais para o comércio local, de desgaste para a categoria, de impasses na justiça, de prazos e acordos descumpridos, de mais de 1 milhão de porto-alegrenses sofrendo diariamente as consequências, a greve finalmente acabou. Todos os jornais de hoje falam sobre isso. Alguns falam que os patrões venceram. Outros falam que os rodoviários venceram. Outros, ainda, que os sindicato venceu. Venceu Porto Alegre. Venceram os porto-alegrenses. Espero que a Prefeitura tenha aprendido uma boa lição: é preciso disposição para administrar uma cidade e seus impasses. Talvez eles sigam dizendo que a responsabilidade era do TCE, dos trabalhadores, da ATP, dos empresários… Mas sigo acreditando que as cidades são as pessoas que as fazem no dia a dia. E a Prefeitura tem o dever de cuidar dessas pessoas, todos os dias, independente de com quem for a briga. Agora é esperar pela licitações do transporte público… deve vir encrenca por aí e precisamos estar de olho.

Foi-se a greve e veio o impasse da Copa do Mundo. E a visita do todo-poderoso da Fifa Jerome Valcke (foto acima) reforçou isso. Sou gremista, todos sabem.  Mas sou brasileiro e gaúcho acima disso. Quero, portanto, que a Copa do Mundo em Porto Alegre seja um sucesso. O que não dá para admitir é que nós, cidadãos, paguemos uma conta que é do Internacional. Assinar um contrato assumindo uma dívida e uma responsabilidade e depois, na véspera do maior evento esportivo mundial, dizer que não fará é motivo de vergonha. Não interessa a gestão que assinou o contrato. O que não dá para admitir é jogar uma conta de quase R$ 30 milhões no nosso colo… É o que está acontecendo. E as autoridades estão sendo complacentes. Nós, eu e vocês, vamos pagar pelas estrutura temporárias que a Fifa exige e que o Internacional comprometeu-se em contrato a pagar.

Pensem comigo: eu compro um carro, assumo as prestações, assino contrato ciente de tudo. Quando chega na hora de pegar o carro na loja eu digo: vou levar, mas não vou pagar. Quem paga são meus amigos ou minha família. Mas eu vou usar o carro. Dou carona para alguns. Mas ao carro é meu. É certo isso?

Se Porto Alegre estivesse com suas obras de mobilidade urbana prontas, se houvesse receita sobrando, se tivéssemos expertise em captação de recursos, se tivéssemos capacidade de atrairmos investimentos, ainda assim seria errado. Se falta organização, o problema não pode ser dos contribuintes… Av. Tronco parada, BRTs que sequer foram comprados e sem corredores terminados, obras paradas como a da Anita e da Cristóvão Colombo, Av. Beira-Rio inacabada… Uma cidade cheia de obras inacabadas mas com cerca de R$ 30 milhões para pagar uma conta que foi assumida pelo Internacional…

Não está fácil…

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