A violência gratuita que atinge inocentes

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(Foto: Agência O Globo)

Recebi estarrecido a notícia da morte cerebral do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da TV Bandeirantes. Andrade foi mais uma vítima da intolerância e da violência gratuita que toma conta das ruas do Brasil. Enquanto trabalhava, foi atingido na cabeça por um rojão, semana passada, durante um confronto entre manifestantes e policiais no centro do Rio de Janeiro. Os manifestantes gritavam contra o aumento da passagem de ônibus. Os policiais acompanhavam. Andrade trabalhada. E marginais extrapolavam limites. Sim, porque só posso acreditar que são marginais irresponsáveis os autores desse homicídio. Quem protesta com paus, pedras, rojões? Qual cidadão de bem, ao lutar por direitos sociais, mata alguém que está sozinho, com uma câmera na mão, indefeso, de costas?

Que tristeza saber que centenas de pessoas se escondem atrás de máscaras e tapam seus rostos com panos para, anônimos, extrapolarem na violência.

Como pai, penso na filha e enteados de Andrade. Como marido, penso na dor de sua esposa. Como filho, penso na dor de seus pais. Como amigo, penso no tamanho da ausência de sua presença. Como brasileiro tenho vergonha. Até quando teremos que conviver com isso? Andrade teve sua morte anunciada e narrada em rede nacional. Quantos Andrades morrem a cada dia? Até quando a segurança será empurra-empurra? Até quando permitiremos que marginais estejam impunemente lado a lado com manifestantes?

Hoje é um dia de luto, mais um dia de luto. Hoje é um dia de vergonha e de tristeza.

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