Cinco das obras de mobilidade previstas para a Copa de 2014 na Capital podem ficar para 2015

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Junte erros de planejamento e projetos com falhas na elaboração, apontados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), a desapropriações discutidas na Justiça e impasses ambientais e arqueológicos. O resultado? Uma cidade estrangulada por obras por bem mais tempo do que o previsto.

Uma soma de problemas pode fazer com que cinco dos 11 projetos de mobilidade urbana pensados para a Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre fiquem prontos apenas no ano seguinte. Serão ainda longos meses para quem tem de circular pelas ruas e avenidas entrincheiradas da Capital.

Em infográfico, confira o acompanhamento de Zero Hora às obras da Copa

A prefeitura já admite que a duplicação da Avenida Tronco, o prolongamento da Avenida Severo Dullius, o viaduto da Avenida Plínio Brasil Milano e a duplicação da Rua Voluntários da Pátria podem ficar para 2015. A redefinição das datas, entretanto, ainda depende de acerto com o governo federal. Como os projetos foram retirados da Matriz de Responsabilidades do Mundial, que previa a conclusão das obras antes da Copa sob risco de perda de financiamento, e inseridas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), caberá à União bater o martelo a respeito dos novos cronogramas.

— Precisamos ter a chancela de Brasília. Aí será o cronograma oficial — resume o engenheiro Rogério Baú, coordenador técnico da secretaria de Gestão, ressaltando que a União pode determinar prazos mais curtos ou mais longos de conclusão.

A má notícia se soma à confirmação, na semana passada, de que a implantação do sistema BRT (ônibus de trânsito rápido) também deve ficar para 2015 devido a suspeitas de sobrepreço na execução de corredores e atraso nas licitações. Até agora, foram muitos os entraves envolvendo as quatro obras que podem ficar para 2015.

Na Tronco, a dificuldade é em acertar a remoção das mais de 1,4 mil famílias. Na Plínio Brasil Milano, uma revenda de carros permanece funcionando no caminho do novo viaduto. A duplicação da Voluntários enfrenta atualmente problemas de desapropriação de imóveis no trecho entre as ruas da Conceição e Ramiro Barcelos. E, na Severo Dullius, o projeto foi desmembrado após dificuldade em resolver problemas ambientais (confira ao lado os entraves e a situação dos cinco projetos).

O secretário municipal de Gestão, Urbano Schmitt, entende não ser mais o momento de discutir a elaboração dos projetos. Ele acredita que atrasos sejam inerentes a uma “cidade viva”:

– Faz parte do processo natural. Toda obra tem um grau de dificuldade que nunca é previsível. Sempre está sujeita a ir além do prazo.

Documento do TCE aponta problemas de planejamento

Em documento que apresenta o acompanhamento das obras de mobilidade até julho, divulgado na semana passada, o TCE aponta que “o atraso generalizado dos projetos e das obras evidencia falhas de planejamento e organização” e registra que o descumprimento de cronogramas favorece o aumento de custos por meio de “reajustes de contratos que se perpetuam além dos prazos previstos e em razão do incremento de serviços”. O mesmo documento afirma que, à época, “todas as obras e etapas em execução estão em atraso com relação aos prazos estabelecidos nos cronogramas físico-financeiros de seus contratos” — situação que pouco ou nada mudou. A retirada do chamado “selo Copa” dos projetos, entretanto, tranquilizou o TCE, que tinha como maior preocupação a perda da verba dos financiamentos federais.

— Em relação a obras da Perimetral, a situação de paralisação era previsível, na medida em que os projetos básicos tiveram de ser alterados. Na Severo Dullius, é a mesma situação — diz a auditora do órgão Andrea Mallmann Couto.

A prefeitura refuta a crítica de que os projetos foram mal elaborados. Na próxima semana, técnicos do TCE farão nova rodada de acompanhamento das obras da Terceira Perimetral.

Fonte: Zero Hora

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