As manifestações nas ruas e os reflexos na política

Afinal, quantos são os temas apontados como prioridades no mundo político? Cito, rapidamente algumas que, há anos, são prioridades: as reformas urbana, tributária e política. O que foi feito? Nada. Outra dúvida: quantas áreas precisam ser reformuladas e repensadas estrategicamente para que a população tenha seus direitos constitucionais garantidos? Saúde, educação, segurança, transporte e saneamento são apenas alguns exemplos. E mais uma vez: o que foi feito? Muito pouco se levado em consideração às necessidades da população.

Esse foi o recado que as ruas deram ao país, em especial aos governos federal, estaduais e municipais. Recado que, infelizmente, parece ter sido ignorado pelos administradores públicos. De um lado vemos o povo cobrar respostas; de outro, propostas que são apresentadas, retiradas e reapresentadas com velocidade ímpar. Além de não planejadas, são inexequíveis. Ou seja: é discurso puro. Vimos, também, o pedido de combate à corrupção e pela transparência dos gastos públicos. Como resposta, a apresentação de uma minirreforma política que apenas privilegia a perpetuação dos maus políticos no poder. Não estão ouvindo direito a voz das ruas, é fato.

Há quantos anos não víamos manifestações em tamanha proporção no país? Há quantos anos vemos todos dizendo que a juventude está alienada? O Brasil que acordou há pouco se juntou ao Brasil que nunca dormiu. Aprendemos com Barack Obama e sua estratégia de campanha de 2008, que as redes sociais são lugar de fazer política, sim. E isso traz para o debate aqueles que antes detestavam e ignoravam a política.

Bom, mas se a luta é por mais direitos, mais representatividade, por uma política honesta e transparente, arrisco a dizer que o maior de todos os efeitos dessa onda de protestos ainda está por vir. E se dará nas urnas de outubro de 2014. Renovar a política é tarefa de cada um de nós. Não apenas dos que foram (e permanecem) às ruas, mas dos que se somaram aos movimentos através das redes sociais.

É responsabilidade de cada brasileiro procurar mudar a política no próximo ano. A coragem de ir às ruas deve ser refletida na hora do voto. É ele que pode representar a verdadeira revolução que se espera. Acredito que a população está cansada dos políticos que fazem da política uma profissão. É preciso renovar, ver a cara das ruas no Congresso, nas Assembleias e nos Palácios. O Brasil tem em mãos a chance de mudar de verdade o rumo de sua história. É esperar para ver.

Por Nelson Naibert

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