junho 2013 archive

Efeito eleitoral dos protestos é imprevisível, dizem analistas

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A ausência de líderes entre os manifestantes que têm promovido uma onda de protestos no Brasil e a insatisfação que muitos expressam com os partidos políticos tradicionais tornam imprevisíveis os efeitos do movimento nas eleições presidenciais de 2014, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Nesse cenário, dizem, todos os políticos no poder – na Presidência ou nos Estados e municípios onde ocorrem manifestações – tendem a sofrer desgastes. Eles avaliam que é cedo, porém, para saber se eventuais lideranças que venham a emergir dos protestos ou políticos fora do poder, como a presidenciável Marina Silva, conseguirão canalizar as frustrações em seu favor na próxima votação.

Segundo o Datafolha, 84% das pessoas que foram ao protesto em São Paulo na segunda-feira não têm preferência partidária. A postura parece se aplicar também aos manifestantes nas outras cidades, onde tanto a petista Dilma Rousseff quanto congressistas, governadores e prefeitos de outros partidos (da base aliada ou oposição) têm sido hostilizados.

Mais ainda: o movimento, segundo analistas, tem no apartidarismo e na crítica ao sistema político vigente um de seus principais pilares. Alguns militantes de partidos esquerdistas foram forçados a recolher suas bandeiras nos atos, e muitos participantes têm rejeitado acenos de políticos e veículos jornalísticos simpáticos à oposição que, segundo eles, estariam tentando agregar ao movimento bandeiras contra o PT, como a punição aos réus do mensalão.

Neutralidade e elogios
À medida que os protestos ganhavam corpo pelo país, os prováveis candidatos à próxima eleição presidencial passaram a tratá-lo de forma neutra ou até elogiosa.
Dilma disse que “a grandeza das manifestações de ontem (segunda-feira) comprova a energia da nossa democracia, a força da voz da rua, o civismo da nossa população”.
Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o movimento “é um alerta para todos os governantes de todos os níveis”.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que após os primeiros protestos em São Paulo defendeu que autoridades garantissem o direito de ir e vir dos moradores afetados, anunciou na terça-feira a redução do preço do ônibus na região metropolitana do Recife. O gesto ocorreu a dois dias de um protesto agendado na cidade.

Na quarta-feira, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), também baixaram a tarifa do transporte público na capital do Estado, que voltou a R$ 3. O aumento também foi revogado no Rio.

“Os políticos são seres que se dedicam à sua sobrevivência permanente e não vão se confrontar com um movimento que leva cem mil pessoas às ruas”, diz Marco Aurélio Nogueira, professor de ciência política da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Apesar da postura, segundo ele, as manifestações desgastaram os líderes no poder. Para Nogueira e os outros analistas entrevistados pela BBC Brasil, dentre os atuais presidenciáveis, somente a ex-senadora Marina Silva talvez possa se beneficiar das manifestações.

Marina gravou recentemente um vídeo em que diz ter antevisto a eclosão dos protestos. “Sempre dizia que era um erro tratar esses movimentos como se fossem movimentos virtuais na internet e dizia, em várias palestras, que era só questão de tempo para que transbordassem do virtual para o presencial”.

Segundo ela, as pessoas que participam das manifestações “não querem ser apenas espectadoras: querem ser mobilizadoras, protagonistas dos processos de transformação”.
Horizontalidade

O partido que Marina tenta criar para concorrer às próximas eleições, a Rede Sustentabilidade, diz se ancorar em algumas das demandas dos manifestantes, como maior participação da sociedade nas decisões políticas (“maior horizontalidade”).

A defesa do meio ambiente e da sustentabilidade, porém, tidas como grandes bandeiras de Marina, não figuram entre as principais reivindicações dos movimentos nas ruas.
Para Francisco Teixeira da Silva, professor de história moderna e contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ainda que possa vir a ser favorecida pelas manifestações, Marina não tem conseguido dialogar com o movimento. “É notório que ela não sabe fazê-lo.”

Teixeira afirma que, com o início de negociações entre governantes e manifestantes, “é muito possível que se formem líderes expressivos e exteriores a partidos atuais”.

Sem líderes
Porém, para o professor de ciência política da Universidade de Brasília David Fleischer, não há sinais de que o movimento se permitirá ser guiado por líderes. “Eles não seguem liderança, são movimentos que podem ser considerados anárquicos.”

Ele rejeita comparações entre a mobilização atual e o movimento dos caras-pintadas, em 1992, que viu a ascensão do hoje senador Lindbergh Farias (PT-RJ). O movimento, que buscava o impeachment do presidente Fernando Collor, era liderado pela UNE (União Nacional dos Estudantes), então presidida por Lindbergh.
Já a principal organização por trás das atuais manifestações, o Movimento Passe Livre, não tem qualquer hierarquia.

Para Marco Aurélio Nogueira, da Unesp, embora expliquem a grande adesão ao movimento, a ausência de líderes ou partidos políticos por trás das manifestações poderá dificultar seu sucesso.

“Uma hora alguém tem que colocar o guizo no gato, transformar a agitação em decisão política, em lei.” Segundo ele, se o movimento continuar a rechaçar os partidos, “poderá abrir espaço para o surgimento de um salvador da pátria”.

E num momento em que Dilma vê sua popularidade cair e, segundo o professor, enfrenta uma resistência silenciosa no próprio PT, o partido poderá resgatar seu principal líder para fazer frente ao cenário desfavorável: o ex-presidente Lula.

Atento aos desdobramentos, Lula disse no Facebook que “ninguém em sã consciência pode ser contra manifestações da sociedade civil porque a democracia não é um pacto de silêncio, mas sim a sociedade em movimentação em busca de novas conquistas”.

E na terça-feira, em mais um sinal do poder que ainda exerce no governo, o ex-presidente se encontrou com Dilma para aconselhá-la sobre como responder às ações.

Fonte: BBC

Mais de um milhão deve ir às ruas hoje em 80 cidades

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RIO, PORTO ALEGRE E SÃO PAULO — Mesmo depois que São Paulo e Rio suspenderam os reajustes nas tarifas do transporte coletivo, mais de um milhão de pessoas se comprometeram, por meio das redes sociais, a comparecer aos protestos convocados para hoje em pelo menos 80 cidades do país, 17 delas capitais. Além das cidades grandes, as manifestações devem paralisar, ainda, municípios de médio porte. Em um esforço para frear atos de vandalismo — inclusive os saques — os próprios organizadores reforçam, na rede, o caráter pacífico das passeatas.

A reivindicação pelo cancelamento do reajuste das passagens de ônibus já está adaptada à realidade peculiar a cada cidade. As demandas variam entre exigência por mais segurança até construção de barragens. Enquetes checavam os principais pedidos. As pesquisas eram feitas também para sugerir roupas e palavras de ordem. Além do Rio, em Salvador os protestos vão ocorrer em meio aos jogos da Copa das Confederações.

Manifestações simultâneas

No Rio, 231 mil pessoas haviam confirmado presença pelo Facebook, até a noite de ontem. Em São Paulo, os confirmados chegavam a 153 mil. São os dois maiores atos, com base na movimentação virtual. Em seguida, aparecem Recife (97 mil) e Campinas (66 mil). Ao todo, 12 milhões de convites haviam sido distribuídos pelo Facebook — muitos recebem mais de um convite ou não são da cidade onde haverá o ato.

A maior parte das manifestações acontecerá simultaneamente e no horário de saída das pessoas do trabalho. No Rio, o protesto “Um milhão na rua”, com início às 17h, vai caminhar da Candelária até a prefeitura. Na capital paulista, a concentração será também às 17h, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista.

“Mesmo com a diminuição da passagem, o ato está confirmado. É muito mais que 20 centavos que queremos. Eduardo Paes afirmou que a redução será paga com recursos públicos (saúde, educação…). Queremos que seja paga do lucro dos empresários”, diz texto na página do Facebook que convoca para o protesto no Rio.

No Rio, é grande a preocupação para separar da manifestação pessoas que tenham como objetivo usar a concentração para promover quebra-quebra ou saques. Para tentar manter os manifestantes dentro do trajeto — na segunda-feira, um grupo se deslocou para atacar a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) —, eles vão levar para as ruas carros de som para manter a multidão concentrada e faixas com mensagens sobre as reivindicações que serão usadas para delimitar a área do percurso.

— Embora o nosso protesto seja pacífico, estamos preocupados com a segurança das pessoas. Vamos fazer o possível para manter o grupo coeso dentro do trajeto que foi votado em reunião e firmes nos nossos objetivos — disse Gabriel Siqueira, de 23 anos, professor de história que faz parte do Movimento do Passe Livre.

Fonte: O Globo

Obras da Copa, só depois da Copa em Porto Alegre

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Prefeitura de Porto Alegre retira do cronograma oficial algumas melhorias para não perder verba

A prefeitura de Porto Alegre adverte: algumas obras da Copa de 2014 não ficarão prontas a tempo para o Mundial.

Ao anunciar que negocia a alteração da linha de financiamento para a construção dos empreendimentos de mobilidade urbana da Capital, a administração municipal assinou o atestado de que nem todas as 11 frentes de trabalho serão concluídas até o primeiro jogo na cidade.

Ainda em negociação com o Ministério das Cidades, a retirada das obras da Matriz de Responsabilidades da Copa para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi anunciada pelo prefeito José Fortunati como solução para evitar “pressões” sobre os cronogramas das construções e garantir os recursos. Segundo o prefeito, não haverá alteração no modelo de financiamento ou no valor contratado.

– A única obra que paralisou em Porto Alegre por causa da areia foi a dos corredores de ônibus. Será que o corredor de ônibus é a única obra que usa areia? Não. Mas o que os empresários estavam dizendo: essa é uma obra para a Copa do Mundo, então vamos causar impacto – argumentou.

Na raiz da iniciativa, entretanto, está o receio de que a prefeitura perca a verba obtida para obras – a Matriz da Copa exige conclusão antes do início do Mundial. Até então, a administração não admitia o risco de atraso. O secretário de Gestão, Urbano Schmitt, revelou que frentes como a duplicação das avenidas Tronco e Voluntários da Pátria, o viaduto da Plínio e a ampliação da Severo Dullius devem mesmo ser concluídas depois da competição:

– Não tenho como definir quais vão estar prontas e quais não. Estamos tocando as obras trabalhando com a vida real. Temos várias situações que interferem. Mas todo o empenho é para que fique pronto o quanto antes. A grande preocupação da prefeitura era ter os recursos e fazer as obras. E isso se conseguiu. Agora vamos ajustar dentro dos cronogramas viáveis.

As manifestações de Fortunati responsabilizando empresários por pressões desagradou às construtoras envolvidas nas obras da Copa.

A RELAÇÃO

Confira quais são as obras de mobilidade para a Copa na Capital

– Sistema de Ônibus Rápidos (BRT)

– Duplicação da Voluntários da Pátria

– Avenidas Beira-Rio e Padre Cacique

– Duplicação da Avenida Tronco

– Prolongamento da Avenida Severo Dullius

– Viaduto e Complexo da Rodoviária

Obras da Terceira Perimetral:

– Viaduto sobre a Bento Gonçalves

– Trincheira da Anita Garibaldi

– Trincheira da Cristóvão Colombo

– Viaduto sobre a Plínio Brasil Milano

– Trincheira da Ceará

Fonte: Zero Hora

Movimento Passe Livre condena violência e fala em ‘revolta popular’

O MPL (Movimento Passe Livre) condenou os episódios de violência da noite de ontem durante as manifestações pela redução da tarifa do transporte público na capital e classificou o movimento como “revolta popular”.

“Se quiser manter a cidade em ordem e conter esse sentimento de revolta, vai ter de mudar”, disse à Folha um dos líderes do MPL, Marcelo Hotimsky

Segundo o MPL, os atos organizados pelo movimento nunca tem como alvo final sedes do poder executivo, como a prefeitura.

“A gente prefere passar pela frente para mostrar a força da população, mas encerrar em locais populares como terminais de ônibus.”

Para o secretário da Casa Civil do governador Geraldo Alckmin, Edson Aparecido (PSDB-SP), no entanto, as lideranças do MPL não podem ficar alheias aos atos de vandalismo nas manifestações.

“Eu sou responsável pelo que acontece de bom e pelo que acontece de ruim também.” Para ele, “estão romantizando muito as coisas.”

A Folha apurou que na prefeitura o sentimento também é o mesmo. Ou seja, como o movimento não tem comando nem controle, as tentativas de diálogo dificilmente conseguirão prosperar.

O MPL volta a realizar um protesto amanhã no centro de São Paulo. A manifestação está marcada para a praça do Ciclista, na Paulista, às 17h.

Hoje, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e o Movimento Periferia Ativa planejam parar ruas da periferia da Grande São Paulo para um protesto a favor das demandas dos trabalhadores.

Fonte: Folha Online

Regras antiquadas barram inovações em tecnologia no país

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Algumas inovações criadas por empresas de tecnologia estão sendo barradas por regras antiquadas do Judiciário — e não há sinais de que essa situação vai mudar

Fundado nos Estados Unidos em 2008, o site Airbnb permite que os proprietários de casas e apartamentos aluguem o imóvel ou um quarto para turistas. A melhor medida de quanto essa ideia foi bem recebida no mercado são os 10 milhões de pessoas que, nos últimos cinco anos, encontraram uma hospedagem em um dos 192 países em que o site está presente.

Há poucas semanas, porém, o Airbnb sofreu um golpe em um de seus principais mercados, a cidade de Nova York. Uma decisão da Justiça local proibiu que o site fosse usado para estadas inferiores a 29 dias, um precedente que, se copiado em larga escala, colocará em risco a própria existência da empresa.

Nos Estados Unidos, startups são abertas e fechadas todos os dias e, à primeira vista, o destino do Airbnb deveria importar apenas para seus usuários e investidores. Mas o que tornou esse caso emblemático para toda a comunidade de empreendedores foi o fato de escancarar como as leis podem ser usadas contra negócios inovadores.

Em Nova York, os hotéis se sentiram incomodados com o sucesso do site de hospedagem e, para barrar a competição, pediram a aplicação da lei que proíbe proprietários de alugar seus imóveis por um período inferior a quatro semanas. Quem insistiu em usar o Airbnb se arrependeu. Em maio, o dono de um apartamento em Manhattan recebeu uma multa de 2 400 dólares por ter alugado seu imóvel.

A exemplo de Nova York, a província de Quebec, no Canadá, confirmou que está investigando 2 000 pessoas por alugar suas casas sem permissão. Outros países, como Holanda e Espanha, assumiram posturas semelhantes.

Casos como o do Airbnb têm se tornado mais comuns à medida que a tecnologia avança na criação de novos produtos e serviços e acaba esbarrando no sistema legal. Até gigantes como o Google vivem esse conflito. A empresa enfrenta, junto com grandes montadoras, como Audi, BMW e Ford, a proibição dos testes de carros autônomos, veículos que usam um conjunto de sensores e softwares de inteligência artificial para substituir o motorista.

As leis de trânsito da maioria dos países exigem a presença de um ser humano para controlar o carro. As montadoras planejam para o final do ano o início da oferta de veículos capazes de se autoguiar a até 60 quilômetros por hora. Além dos desafios técnicos, o Google e as fabricantes de automóveis têm pela frente o desafio de convencer legisladores de todas as partes do mundo a mudar as leis de trânsito.

O trabalho no front legal começou com o lobby do próprio Sergey Brin, fundador do Google. No fim de maio, o Departamento de Transportes dos Estados Unidos autorizou os testes com carros autônomos. Mas essa não tem sido a regra em outros países.

Por três anos, os americanos Larry Downes, analista do mercado de tecnologia, e Paul Nunes, diretor de pesquisas da consultoria Accenture, estudaram o impacto legal da chegada de produtos inovadores ao mercado. O estudo deu origem ao livro Big Bang Disruption (“Ruptura Big Bang”, numa tradução livre), lançado recentemente nos Estados Unidos.

A conclusão desse estudo é que, na maior parte das vezes, os políticos não dedicam o tempo necessário para entender novidades tecnológicas. “Em várias partes do mundo, eles não são especialistas na área em questão e sofrem pressão para reagir à novidade. Com isso, tomam decisões erradas”, diz Downes.

O exemplo clássico citado no livro foi protagonizado por Bill Clinton quando ainda ocupava a Presidência dos Estados Unidos. Um dia depois do anúncio do clone da ovelha Dolly na Escócia, em 1997, uma ordem foi emitida pela Casa Branca banindo qualquer tipo de projeto de clonagem no país, interrompendo uma série de pesquisas na área de genética que seguiam critérios rígidos de segurança.

Passados alguns meses, o governo americano voltou a liberar as pesquisas com animais e em­briões. Empreendedores que não têm a mesma in­fluên­cia de uma BMW ou um Google são forçados a alterar seu projeto inicial para escapar de sansões.

“Às vezes, a solução é simples. Com apenas uma mudança de denominação, evita-se um batalha legal”, diz a paulista Patrícia Peck, advogada especializada em direito digital.

Recentemente, uma startup brasileira a procurou querendo lançar um serviço de pagamento online chamado “cheque digital”. A lei do cheque, no entanto, prevê a existência de um objeto de papel. Para evitar problemas, o empreendedor batizou o serviço de “depósito digital”.

Do lado da lei

À medida que a criação de startups se intensificou no Vale do Silício nos anos 90, ficou claro que, em muitos casos, as “velhas leis” seriam essenciais para conter a empolgação com novas tecnologias que abriam brechas para a ilegalidade. Um dos principais exemplos dessa época foi o Napster, um site de compartilhamento de músicas.

A ideia da distribuição digital era excelente. O problema estava na execução, já que o site foi invadido por gente que queria baixar de graça conteúdos protegidos por direitos autorais. O Napster ignorou as reclamações da indústria fonográfica, mas, depois que os processos judiciais começaram a pipocar, os custos com batalhas legais acabaram levando a empresa à falência.

O novo teste para os tribunais e os políticos é o Google Glass, óculos que permitem tirar fotos e interagir com aplicativos. Eles nem foram lançados — a previsão é para o fim de 2013 —, mas já estão banidos em cassinos de Las Vegas. O motivo é o possível uso da câmera embutida nos óculos.

A mesma restrição deve ser imposta dentro de aeroportos. Afinal, como saber se o usuá­rio do Google Glass estará checando e-mails ou colhendo informações para arquitetar um ataque terrorista?

Fonte: Exame

O Brasil nas ruas: Capitais já baixam tarifas de ônibus; protestos continuam

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Em SP, radicais e pacifistas medem forças em tentativa de invasão da prefeitura.

Cerca de 15 mil pessoas participaram de ato na capital paulista, mas ação de grupos isolados resultou em saques. Para especialistas, manifestações revelam insatisfação de jovens com corrupção e políticos.

Um dia depois da mobilização que levou 240 mil pessoas às ruas, prefeitos de nove capitais anunciaram redução de tarifas de ônibus ou cancelamento de reajustes. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) mudou o tom e admitiu que pode derrubar o aumento da tarifa, que este mês passou de R$ 3 para R$ 3,20. Enquanto cerca de 15 mil pessoas caminharam pacificamente da Praça da Sé à Avenida Paulista, um grupo isolado tentou invadir a prefeitura, sendo contido pelos próprios organizadores da marcha. Lojas foram saqueadas. No Rio, onde a manifestação pacífica de anteontem também terminou em depredação, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) fala em negociar. A presidente Dilma Rousseff disse que a voz das ruas é um alerta a todos os governos e que o Brasil tem orgulho dos manifestantes. Novo ato está previsto para amanhã em vários estados.

Em mais um dia de protesto, São Paulo se divide entre paz e atos de vandalismo

Manifestantes agiram para conter grupo que atacou prefeitura e provocou destruição, incêndios e saques na cidade

No dia seguinte à manifestação que registrou como único incidente a tentativa de invasão à sede do governo paulista, São Paulo ficou dividida. De um lado, milhares de pessoas protestaram pacificamente na Praça da Sé, seguindo tranquilamente por avenidas do Centro até chegar à Paulista. Do outro, um grupo de jovens foi às ruas para transformar a cidade em praça de guerra. Sem o aval da liderança do movimento, parte dos manifestantes que estava na Sé seguiu até a prefeitura. Lá, eles quebraram vidraças, picharam o prédio com palavras de ordem, viraram e tocaram fogo em um veículo da TV Rercord e, com rostos tapados, ainda queimaram uma cabine de polícia naquela área. Do outro lado da rua, o grupo destruiu portas e caixas automáticos de um banco privado.

Manifestantes entram em choque

Pelas ruas quase sem a presença de policiais, o grupo seguiu saqueando o comércio local, levando roupas e televisores. Trens foram depredados em uma das linhas da CPTM, fazendo com que o governo suspendesse a operação. Durante a noite, milhares de pessoas ainda se concentravam, pacificamente, na Avenida Paulista e os saques e incêndios prosseguiam na região da prefeitura. Oito pessoas foram presas até o fechamento desta edição.

A confusão começou quando alguns manifestantes romperam o cordão de isolamento do prédio da prefeitura. A fachada foi apedrejada e pichada. Grades que cercavam o local foram atiradas contra a prefeitura e vidraças e holofotes, destruídos. Diante da situação, os próprios manifestantes tentaram conter a ação do grupo mais violento.

Alguns recolocaram as grades de proteção em frente à prefeitura, mas o clima foi tenso durante a noite. Os guardas municipais recuaram e se protegeram dentro do saguão do prédio, enquanto manifestantes jogavam pedras e grades contra o prédio.

Coordenadora de um dos grupos organizados para o protesto, Karen Maria disse que estava na prefeitura durante o quebra-quebra.

– A gente não estava com liderança suficiente para segurar todo mundo. A primeira vez que pegaram uma grade eu tentei impedir. Mas o número de pessoas que queriam quebrar tudo era muito maior – afirmou.

Muitos manifestantes que estavam na prefeitura seguiram para a Paulista.

– Vim pra manifestação pela segunda vez porque gostei do clima pacífico de ontem (anteontem). Saí da prefeitura porque o clima pesou e fui para a Paulista. Não queremos vandalismo queremos mudar o Brasil – contou o estudante de medicina Carlos Bonasso.

Entre os manifestantes houve briga. Um rojão explodiu, e um mendigo que estava no meio do grupo desmaiou, sendo socorrido por estudantes. Algumas pessoas tentavam expulsar do protesto o rapaz que estava com a bomba. Um carro de uma emissora de TV que estava estacionado em frente à prefeitura foi incendiado por manifestantes, por volta das 20h. Mais cedo, uma repórter da TV Bandeirantes foi agredida.

O prefeito Fernando Haddad (PT) não estava na prefeitura durante os protestos. Enquanto o prédio era alvo de vandalismo, Haddad estava reunido com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula no saguão reservado às autoridades no aeroporto de Congonhas. Ninguém divulgou a pauta do encontro. Funcionários públicos ficaram presos dentro do prédio por horas.

Guarda não solicitou apoio da PM

A assessoria do governador Geraldo Alckmin (PSDB) informou ontem que o apoio da PM não foi solicitado pela Guarda Civil Municipal para conter os vândalos. A PM somente chegou ao local quando os manifestantes começaram a depredar o comércio da região. Depois de mais de duas horas de quebra-quebra, a Tropa de Choque foi acionada e, com bombas de gás, os policiais começaram a dispersar os manifestantes.

No outro ponto da cidade, na Avenida Paulista, a multidão tomou conta das pistas. Sem qualquer registro de violência, caminharam pela via fechando os dois sentidos. Algumas pessoas circulavam pela região em clima de festa, dançando e cantando. Por volta das 22h, a Avenida Paulista ainda estava tomada pelo protesto.

Centenas de manifestantes também interditaram a Rodovia Raposo Tavares para protestar, sem tumultos.

Palco do comício da Diretas Já, em 1984, a Praça da Sé começou a ser ocupada pelos manifestantes por volta das 16h. Durante a espera cantaram palavras de ordem e empunharam bandeiras e faixas com reivindicações diversas.

Em nota, o grupo diz que a prefeitura e o governo estadual “continuam a fechar os olhos e os ouvidos para a vontade da população”. E ainda: “Mais um dia se passou e o aumento não foi revogado. Mais de 100 mil pessoas foram para as ruas e mesmo assim a Prefeitura e o governo do Estado continuam a fechar os olhos e os ouvidos para a vontade da população. Hoje estaremos novamente ocupando as ruas para barrar o aumento”, diz o texto.

Anteontem, a passeata organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) reuniu cerca de 65 mil pessoas, segundo o Instituto Datafolha, e transcorreu de forma pacífica por vias importantes da cidade. O único episódio de violência foi registrado em frente à sede do Palácio dos Bandeirantes, à noite, quando um grupo tentou invadir a sede do governo e foi reprimido pela polícia.

Temendo problemas, o governo de São Paulo, em nota oficial, já havia convocado as lideranças para que mantivessem “contato contínuo” com oficiais da PM que acompanhariam. O secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, foi quem pediu para que o grupo mantenha o acordo firmado com o governo para evitar problema.

Fonte: O Globo

O RECADO DOS JOVENS

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A história está repleta de datas que sintetizam espíritos e épocas. Sem esperar pelo veredicto da posteridade, já é possível afirmar que o 17 de Junho é o retrato de um novo Brasil. O país que foi para as ruas protestar na segunda-feira reflete um novo estado de ânimo de uma ampla parcela da população: rejeição à corrupção e ao descaso com a coisa pública, desconfiança de governantes e partidos, indignação com a desproporção entre os gastos com grandes eventos, por um lado, e com saúde, educação e transporte, por outro. O país que tomou praças e avenidas sente os efeitos da alta de preços de alimentos e serviços. A nação que tomou a palavra antevê, para além dos sinais incipientes de turbulência econômica, os percalços de um futuro que parece menos auspicioso do que há alguns anos. Sua voz ergue-se também contra governos, parlamentares, corporações e meios de comunicação. Pode-se saudar ou rejeitar a emergência desse Brasil do 17 de Junho. Mas não se pode ignorá-lo.

É utópico imaginar que dezenas de milhares de pessoas decidam se manifestar por fora dos canais até hoje existentes no interior do Estado de direito, por meio de ida massiva às ruas, sem que isso implique riscos para a segurança e até mesmo distúrbios isolados. É preciso separar a manifestação legítima e democrática da maioria das depredações, incêndios e pichações promovidos por uma ínfima minoria oportunista. Toda sorte de vandalismo pode e deve ser investigada, e os envolvidos, enquadrados criminalmente na forma da lei. O fato de tais atitudes terem prosperado nos primeiros dias do movimento reflete o fato de não haver objetivos, líderes e organização claras.

O mais importante é que a nação seja capaz de retirar ensinamentos dos acontecimentos. Em síntese, os jovens nas ruas estão enviando um recado para toda a sociedade, incluindo governantes, políticos, empresários e imprensa. O sentimento da maioria é, como bem sublinhou a presidente Dilma Rousseff ao citar o cartaz “Desculpem o transtorno, estamos mudando o Brasil”, carregado de civismo e boas intenções. É positivo que milhões de pessoas com menos de 30 anos estejam se dispondo a assumir um papel de protagonistas na história. Trata-se de uma geração que jamais viveu períodos de exceção ou de cerceamento de liberdades. Para o bem do país, esse aprendizado deve ocorrer de forma serena. A sociedade tem de saudar e acolher esse verdadeiro despertar jovem, zelando para que fortaleça o Estado democrático de direito. Não resta dúvida de que todos seremos testemunhas dos reflexos concretos do que está acontecendo hoje daqui a pouco mais de um ano, nas eleições presidenciais de 2014. É desejável que a experiência histórica de cada geração se reflita na participação eleitoral por meio do embate entre ideias, programas e concepções.

Fonte: ZH | Editorial

Motivos para dizer não

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Tenho usado todos os meus escassos neurônios para compreender os protestos dos estudantes. Vamos lá. Penso melhor me questionando. Perguntando, por exemplo:

O que é líquido e indiscutível?

Resposta: que os protestos são legítimos.

Sim, são. Se as pessoas se sentem injustiçadas, têm de protestar. O que não significa, evidentemente, que estejam de fato sendo injustiçadas. Mas legítimos, são; disso não há quem discorde.

Outro ponto indiscutível: as pessoas estão descontentes. Óbvio, ou não protestariam.

Com o que estão descontentes? Quais as razões dos protestos?

Aí complicou.

As manifestações foram desencadeadas devido ao preço das passagens dos ônibus e já desaguaram na corrupção, nos gastos com a Copa e nas deficiências de educação, saúde e custo de vida. Tudo que se sabe que está errado no Brasil.

Eles reclamam de tudo, pois. Um problema. Quem reclama de tudo, não ganha nada. O tudo é o mais próximo que existe do nada.

Talvez encontre uma resposta se tomar as queixas pontualmente.

Vamos lá de novo.

Intriga que as manifestações começaram com questões de transporte e, logo em seguida, de saúde. Bem. Sabe-se que nunca tanta gente comprou carro, no Brasil, como nos últimos anos. Da mesma forma, nunca tanta gente adquiriu planos de saúde.

As ruas ficaram engarrafadas e os planos de saúde não conseguem mais atender a demanda. O que incomoda quem já tinha carro e plano de saúde, mas será que incomoda quem não tinha, a ponto de sair à rua para protestar? Duvido.

É um protesto de quem já tinha, portanto. O que não lhe rouba a legitimidade, nem a justiça. Quem tem pode protestar tanto quanto quem não tem.

E os gastos com a Copa? E os estádios que foram construídos em cidades de quase nenhum futebol, como Brasília e Manaus? Uma boa causa, mas por que ninguém protestou quando os estádios estavam sendo erguidos do chão? Agora o dinheiro já está gasto…

Há uma confusão de causas. Quais serão as consequências?

A corrupção não vai acabar por causa disso. Corrupção não acaba por deliberação política. Nem vão melhorar a educação ou a saúde. E a Copa do Mundo será realizada, decerto que sim.

O que vai acontecer, então?

O governo será atingido, isso é outro ponto indiscutível. O PT talvez perca votos e Dilma talvez não seja reeleita. O próximo presidente pode ser do PSDB ou do PP ou do PSTU, sabe-se lá.

Mas isso, realmente, não importa.

O que importa, nos protestos, não são suas causas difusas nem suas consequências vagas. O que importa, nos protestos, são os protestos.

Há 20 anos os jovens não protestavam. Há 20 anos, ajudaram a derrubar um presidente da República. Era uma causa bem identificável. De 20 anos para cá, a moeda se estabilizou, o desemprego diminuiu, dezenas de milhões ascenderam de classe social, os brasileiros elegeram um sociólogo, um operário e uma mulher.

Ainda há muita coisa errada? Sim! Mas isso não interessa. O que interessa é que o jovem de hoje saiu à rua e está participando de algo grandioso, algo que quebra a cabeça da polícia e picha a parede do palácio, algo que é contra, seja lá contra o que for. Não importa, o que importa é dizer não.

O jovem diz não e se orgulha de dizer não, mesmo que não saiba exatamente para o que está dizendo não. Daqui a 20 anos ele verá as fotos e os filmes dos movimentos de agora, e inflará o peito ao contar que estava lá.

– Eu estava lá. Eu disse não – dirá para seu filho.

E o filho dele vai admirá-lo e vai também sentir vontade de sair à rua e, por algum motivo, qualquer motivo, gritar: não!

Fonte: ZH | David Coimbra

Mais de 15 mil vão às ruas em Porto Alegre

Por Ramiro Furquim/Sul21
Foto: Ramiro Furquim

Após a forte repressão, na quinta-feira passada, por parte das forças policiais aos protestos contrários a reajustes nas tarifas dos transportes coletivos de diversas capitais do País, entre elas Porto Alegre, a expectativa para a manifestação marcada para ontem aumentou, e muito. Ao final, o saldo foi de um ato, em sua maior parte, tranquila, sem violência policial, mas que terminou com vandalismo, destruição e ônibus incendiado.

Após a maior parte dos manifestantes ter se dispersado, um grupo promoveu atos de vandalismo, desde a queima de contêineres (segundo o DMLU, foram em torno de 50) até a depredação de ônibus – um da Carris acabou sendo incendiado em frente à Redenção. Antes, os manifestantes pediram que os passageiros deixassem o veículo. Nem telefones públicos foram poupados.

A grande concentração de pessoas e os cartazes presentes mostraram que o motivo dos atos já não é somente os preços do transporte coletivo. Invocadas pela primeira vez na capital gaúcha em razão do aumento das tarifas de ônibus e lotação, as razões se expandiram, e as mobilizações se tornaram, acima de tudo, um levante em defesa da democracia, do direito de se manifestar e contra as obras da Copa.

Faltando uma hora para o início da mobilização, que teve a concentração inicial realizada em frente à prefeitura municipal, mais de 12,1 mil pessoas haviam confirmado participação na página da manifestação na rede social Facebook. Não havia números oficiais, porém, certamente, por volta de 15 mil pessoas saíram da prefeitura, subiram a avenida Borges de Medeiros, tomaram a avenida Salgado Filho e seguiram pela João Pessoa.

Quem acompanhava do alto dos prédios, acenava com lenços brancos. Alguns tocavam tambores e outros mais jogavam papel picado. O clima na primeira parte da manifestação foi de total celebração. Das gargantas indignadas, ecoavam gritos seguidos por todos. “Oooooo o povo acordou”, “F… a Copa!”, “Quem não pula quer aumento” e “Eu pago, não deveria, transporte público não é mercadoria!” eram seguidos de brincadeiras alusivas à repressão ocorrida, principalmente, em São Paulo, como “Ei, polícia, vinagre é uma delícia!”, referindo-se ao fato de pessoas portando vinagre para diminuir o efeito de gás lacrimogêneo terem sido detidas na capital paulista. Por diversas vezes, a multidão cobrava que bandeiras de partidos políticos fossem baixadas.

Desde o começo da mobilização, a Brigada Militar (BM) acompanhou os manifestantes a distância. Sem a presença maciça da força policial, os ânimos se mantiveram arrefecidos. Na semana passada, a avenida João Pessoa, na região central, concentrou os conflitos entre manifestantes e BM. Ontem, o início dos conflitos voltou a acontecer na via. À frente do grande bloco de pessoas, alguns jovens com o rosto coberto derrubaram o primeiro contêiner na altura da Redenção. A vaia de praticamente todos os manifestantes foi forte, mas isso não impediu que o grupo seguisse derrubando os recipientes.

Algumas vidraças de estabelecimentos comerciais foram quebradas. Na avenida, manifestantes também quebraram vidros e faróis de um carro da Brigada. Ações de um grupo menor fizeram com que a BM lançasse bombas de efeito moral na via para conter os mais exaltados. Confrontos ocorreram, com o Batalhão de Choque atuando, mas em intensidade menor do que o registrado na semana passada.

Conforme a BM avançava, o grupo recuava na avenida João Pessoa, deixando atrás de si um rastro de estragos a patrimônios públicos e privados, sujeira e chamas. O Batalhão de Choque, junto com o policiamento montado, fez uma varredura na via. Pelo menos 20 pessoas foram presas.

Para o governador Tarso Genro, momento pode fortalecer o processo democrático no Brasil

Pouco antes da meia-noite, o governador Tarso Genro concedeu entrevista coletiva para falar sobre os fatos ocorridos na Capital. “Os atos de violência não ajudam as bandeiras levantadas e não possibilitam que a população as compreenda”, disse.

O governador voltou a afirmar que a orientação foi para que as forças de segurança evitassem interferir mesmo que houvesse margem para depredações. Ainda segundo Tarso, se houve excesso de qualquer soldado, será feita a apuração. Para o governador, a Brigada teve de reagir para que não houvesse ameaça à integridade de pessoas.

Tarso acredita que há uma inconformidade no País que não está ordenada no campo da política. “Há um esvaziamento na esfera da representação política. Ninguém esperava que o movimento tivesse essa dimensão. E ninguém esperava que pequena parte dele partisse para a violência. Estamos perante uma situação política nova. É o momento de fazermos uma corrente democrática para chamar essas pessoas à mesa.”

O governador salientou que o momento é de ponderação. “Temos de transformar em um momento favorável. Identificar as propostas para que isso ajude a fortalecer o processo democrático”, concluiu.

A presidente Dilma Rousseff também adotou um tom conciliador, dizendo que os atos são” legítimos e próprios da democracia”.

Em Brasília, manifestantes cercam o Congresso; protesto no Rio reúne 100 mil pessoas

O dia 17 de junho ficará marcado na história do Brasil. Em pelo menos 20 cidades foram organizados protestos e passeatas contra o preço e a qualidade do transporte público, a corrupção e os gastos com a Copa. Em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro houve cenas de violência entre Polícia Militar e manifestantes.

Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, houve invasão do teto do Congresso Nacional. No Rio, o confronto entre manifestantes e a Polícia Militar culminou com a invasão do prédio da Assembleia Legislativa (Alerj) e, na capital mineira, no entorno do estádio do Mineirão.

Os protestos carregaram várias bandeiras além de questionar as tarifas do transporte coletivo – de ética na política a investimentos em saúde e contra gastos da Copa. No Rio de Janeiro, participaram ao menos cem mil pessoas. Em São Paulo, foram 65 mil.

Apesar de as manifestações terem sido pacíficas na maior parte das nove capitais atingidas, cenas de guerra chamaram a atenção principalmente no Rio. A situação começou a ficar tensa quando um carro de som anunciou: “Ocupamos o Congresso”, referindo-se à invasão do teto do Congresso Nacional.

Após gritos de “ocupa, ocupa, ocupa a Alerj” e “isso aqui vai virar um inferno”, manifestantes começaram a atirar morteiros em direção ao prédio e atear fogo em cartazes e até em um carro. Um grupo de policiais que guardava a construção ficou encurralado e reagiu com bombas. O presidente da instituição, deputado Paulo Melo reagiu com indignação à tentativa de invasão da Alerj por manifestantes, que qualificou de baderneiros.

“Ninguém mais do que eu defende o direito à liberdade de expressão, à livre manifestação”, disse. Ele explicou, porém, que uma coisa é a pessoa reivindicar direitos, lutar por alguma coisa que tem um objetivo. “Outra coisa é o prazer de destruir”. Melo criticou o fato de a manifestação começar por uma causa e terminar sem causa alguma. A manifestação, reiterou, começou pacífica e, ao seu final, as pessoas vão embora, mas os baderneiros ficam.

Em Brasília, a invasão à laje do Congresso foi liderada por um grupo de skatistas e punks, mas foi seguida por centenas de manifestantes, na maioria jovens, com gritos como “o Congresso é nosso”.

Em Belo Horizonte, a marcha rumo ao Mineirão, onde Nigéria e Taiti se enfrentaram pela Copa das Confederações, reuniu 15 mil pessoas. Às 17h15min, um grupo furou um bloqueio e foi recebido com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Manifestantes jogavam pedras.

O grito de guerra pela redução da tarifa de ônibus, metrô e trem – que era originalmente a pauta central – marcou presença, mas o coro foi engrossado por outras demandas como mais educação, fim da violência policial e contra todos os partidos políticos.

Em São Paulo não houve confrontos. Sob o lema “Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar”, a marcha seguiu o roteiro ditado pelos organizadores. Sem restrição da PM, teve liberdade para tomar e fechar vias importantes. Com saída do Largo da Batata, se dividiu em três: uma parte cruzou os Jardins até a avenida Paulista; outra pegou a ponte Eusébio Matoso e Marginal do Pinheiros; e outra pela avenida Brigadeiro Faria Lima até o Itaim-Bibi.

Fonte: Jornal do Comércio

Fortunati promete reduzir passagem para R$ 2,80 em Porto Alegre

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Projeto de Lei será encaminhado nesta terça-feira (18) na Câmara.

Prefeito condena vandalismo e diz que viu mais de 300 ‘baderneiros’
O valor da passagem de ônibus em Porto Alegre será reduzido para R$ 2,80, no mínimo, garantiu o prefeito José Fortunati nesta terça-feira (18), após mais um protesto realizado na capital, acompanhado de manifestações espalhadas pelo país na noite de segunda-feira (17). A queda no valor, segundo ele, será possível pela isenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) sobre o transporte coletivo.

“Hoje encaminho para a Câmara de Vereadores o Projeto de Lei para isentar totalmente o ISSQN sobre o transporte coletivo. Apanhando a tarifa atual (R$ 2,85), fazendo as adequações do TCE(Tribunal de Contas do Estado), retirando PIS, COFINS, e ISSQN, chegaremos a uma tarifa de R$ 2,80″, disse o prefeito à Rádio Gaúcha.

Ainda segundo Fortunati, também nesta terça ele pedirá ao governador Tarso Genro a isenção de ICMS no óleo diesel do transporte coletivo. “Com isso, no mínimo, teremos redução para R$ 2,75 a R$ 2,70, dependendo do cálculo. No pior cenário, se houver uma redução, vai para R$ 2,80″, completou.

Fortunati diz ter certeza de que a Câmara irá aprovar a sua solicitação em regime de urgência. Quanto ao pedido ao governador, se for acatado, a Justiça ainda precisará decidir sobre a liberação. “Isso porque ainda estamos sub judicie, é preciso que a Justiça libere”, esclareceu.

Caso a redução se confirme, Fortunati adiantou que a prefeitura abrirá mão de R$ 15 milhões que são arrecadados com o transporte público em Porto Alegre. “Vai ser cortada de alguma área, é um subsídio”, ressaltou.

Prefeitura condena vandalismo
O prefeito José Fortunati fez seu relato sobre a manifestação da noite de segunda em Porto Alegre. Ele acompanhou a movimentação nas ruas no Centro Integrado de Comando (CEIC), que capta através de câmeras imagens de diversos pontos da cidade para monitoramento. De acordo com o prefeito, os manifestantes que partiram para o vandalismo no protesto eram mais de 300.

“O que chama atenção é que existem centenas, milhares de jovens que protestam por várias causas, mas existem outros, que não são tão minoria, que estão aí para depredar. Não podemos fechar os olhos para os que estão se aproveitando do momento para causar esse tumulto. Os baderneiros foram para a rua com o propósito de depredação. Tem que separar, as é muita gente. Vi grupo superior a 300 manifestantes depredando”, disse.

O protesto
O protesto reuniu cerca de 10 mil manifestantes no início da noite no Centro de Porto Alegre. Eles partiram da prefeitura em caminhada criticando o preço dos transportes, os gastos com a Copa do Mundo e o custo de vida no país. A passeata seguiu pacífica, até que integrantes do movimento fizeram estragos em contêineres, lojas e até sede de partido. Grupos contrários à violência respondiam com vaias.

A Brigada Militar agiu depois de o vandalismo iniciar. O confronto começou na Avenida Ipiranga, onde o Batalhão de Operações Especiais fez um cordão de isolamento próximo à esquina com a Avenida Erico Verissimo e usou bombas de gás lacrimogênio para conter manifestantes. Cavalos foram usados para dispersar a confusão.

Mesmo assim, alguns manifestantes foram para a Avenida João Pessoa, onde, por volta das 22h, colocaram fogo em um ônibus na altura do Parque Farroupilha (Redenção).

O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) de Porto Alegre montou uma operação para limpar a cidade após mais um dia de protestos. Cerca de 70 garis trabalharam durante a madrugada na área Central do município.

Ao todo foram 52 contêineres de lixo depredados, sendo 23 incendiados apenas na Avenida João Pessoa. Caminhões coletores foram destacados pelo DMLU para fazer a retirada do lixo durante a madrugada. A coleta do lixo domiciliar está preservada, afirma o órgão.

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