junho 2013 archive

Comportamento digital sob novo prisma

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Como já não existem quase barreiras entre os mundos offline e online, analisar a forma como as pessoas se relacionam com as marcas nos ambientes digitais pode ser um diferencial e tanto para as empresas. E para entender melhor esse universo, um dos caminhos é a Netnografia, um método de pesquisa que analisa as interações online com o objetivo de entender o comportamento humano. Criada na York University, no Canadá, há cerca de 10 anos, a técnica está sendo apresentada hoje em Porto Alegre pela pesquisadora e professora da Pontifícia Universidade Católica do Chile Daiane Scaraboto durante workshop promovido pela Will Meeting School. Doutora em Marketing, ela afirma que é preciso ir além da análise desses dados para se ter resultados efetivos sobre esse tema. “Informações como o número de menções positivas, neutras e negativas à marca nas mídias sociais podem ser um sinal útil para entender como os consumidores estão vendo a empresa. Mas, elas não dizem o que os consumidores estão pensando nem por quê”, afirma.

Jornal do Comércio – De que forma a netnografia pode ajudar as empresas a entenderem o que acontece nas redes sociais com a sua marca?

Scaraboto – O Brasil acaba de alcançar 100 milhões de usuários de internet e a distinção entre online e offline já não é tão demarcada como foi no início da adoção da internet. Portanto, as empresas que não prestam atenção às atividades online dos consumidores estão deixando escapar uma oportunidade incrível para entender melhor o que motiva essas pessoas a preferir certas marcas e adotar novos produtos. No cenário atual, qualquer método de pesquisa que não considere o universo online é incompleto ou incorreto. A netnografia entra nesse espaço, pois considera interações online como reflexos culturais que proporcionam profundo entendimento sobre o comportamento humano. Através desses estudos, é possível combinar outras iniciativas já utilizadas pelas empresas, como entrevistas, surveys, monitoramento de redes sociais, com uma análise cultural mais profunda, que vai gerar resultados mais próximos da realidade do consumidor.

JC – Que respostas essa metodologia pode trazer?

Daiane – A netnografia tem sido usada para responder as mais variadas questões: identificar a motivação dos consumidores para rejeitar marcas populares; entender porque as pessoas adiam suas compras online deixando produtos nos carrinhos; como entendem temas sensíveis (como cirurgia plástica); como lidam com importantes transições no ciclo de vida; como influenciam as decisões de consumo de outros participantes de uma comunidade online. Empresas de qualquer porte podem usar a netnografia para aprender mais sobre seus consumidores atuais e potenciais. Essa técnica é muito adequada para estudos de posicionamento e reposicionamento de marca, desenvolvimento de novos produtos e inovação, identificação de tendências e oportunidades para a ativação de campanhas de marketing.

JC – Qual a diferente desse método em relação aos mais tradicionais?

Daiane – A experiência de buscar o nome da empresa ou marca no Google e dar uma olhadinha nos resultados é muito comum. Para empresas grandes e marcas estabelecidas, são milhares de páginas de resultados. No caso de operações menores ou produtos de nicho, os resultados podem não ir muito além do próprio website ou algumas menções na mídia. Nesse momento, a maioria das empresas descarta a pesquisa online como infrutífera e deixa de aproveitar o potencial do universo online para entender seus consumidores. É aí que entra a netnografia, no sentido de ir além dos resultados do Google e identificar comunidades online onde as discussões entre consumidores são relevantes para a marca. Netnógrafos sabem analisar os dados com ferramentas de análise qualitativa e uma perspectiva cultural sem nunca separar os dados do contexto onde ocorrem. O resultado dessa análise vai oferecer às empresas uma leitura em profundidade do universo online e resultados aplicáveis para solucionar os problemas de marketing.

JC – De que forma os insights capturados nessas pesquisas podem ajudar as empresas a direcionarem as suas estratégias online?

Daiane – Quando os consumidores não são convidados ou pagos para falar de uma marca ou produto, capturamos suas manifestações mais espontâneas – e consequentemente mais autênticas. Por conta da imersão do pesquisador em um contexto natural, a netnografia permite observar não apenas o que o consumidor espontaneamente fala sobre a marca, mas para quem, como e em que contexto ele fala, além das reações de outros consumidores. Insights gerados através desse método de pesquisa permitem desenvolver ações de marketing que vão engajar o consumidor e se destacar dentre o imenso volume de publicidade e novos produtos disponíveis no mercado.

JC – Que ações práticas podem ser tomadas pelas empresas a partir dessa análise mais profunda das relações nos ambientes digitais?

Daiane – Um exemplo recente são os estudos sobre o mercado de produtos de limpeza. Existem centenas de blogs de brasileiras que, por opção própria, se dedicam a cuidar da casa e dos filhos. Essas blogueiras estão conectadas umas às outras, formando uma comunidade online onde discutem vários aspectos da vida doméstica, inclusive a faxina. As discussões que acontecem através de posts, links e comentários são cheias de ideias para aperfeiçoar produtos de limpeza ou oferecer novos serviços direcionados a esse público. Como reação à popularidade desses blogs, também tenho observado a formação de um movimento oposto, uma comunidade de mulheres que defende o minimalismo e a simplicidade no lar e na vida em geral. Para essas consumidoras, menos é mais – elas tentam substituir produtos comerciais com receitas caseiras e vão pensar várias vezes antes de experimentar novidades do mercado. Ao entender o universo desses dois segmentos de consumidoras através da netnografia, pode-se desenvolver produtos e comunicação mais ajustado aos valores de cada grupo – apelando para o que as consumidoras acreditam e oferecendo soluções que complementam o estilo de vida doméstica escolhido por cada uma delas.

Fonte: Jornal do Comércio

Decisões recentes entram nas reivindicações na Capital

Por Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Nem mesmo a chuva que caía desde o início da tarde sem parar impediu que mais de 20 mil pessoas de todas as idades e com as mais diversas motivações se dirigissem para a frente da prefeitura de Porto Alegre para uma nova manifestação. Às 18h, horário marcado pelo grupo Bloco de Luta pelo Transporte Público em sua página no Facebook, os manifestantes já estavam em grande número.

Por volta das 18h30min, eles começaram a marchar observados de perto pela tropa de choque da Brigada Militar, gritando em coro “O povo acordou” e “Sem violência”. Um grupo saiu pela avenida Júlio de Castilhos, outro pela Borges de Medeiros e um terceiro se manteve em frente ao Paço municipal.

Apesar de o prefeito José Fortunati ter anunciado na terça-feira o envio de um projeto para a Câmara Municipal com o objetivo de baixar a passagem de ônibus na Capital para R$ 2,80 e pedido ao governador Tarso Genro a isenção de 12% de ICMS – o que faria a tarifa dos coletivos ficar entre R$ 2,73 e R$ 2,75 -, as manifestações se mantiveram.

Sob a frase “Não é só por R$ 0,20!”, os protestos mantêm a linha de que todas as causas são importantes, como melhor educação, segurança pública e saúde e a não aceitação da PEC 37, do estatuto do nascituro e, até mesmo, a renúncia de Renan Calheiros como presidente do Senado.

E o que se viu nesta quinta-feira foi justamente isso: um protesto marcado pela diversidade das reivindicações. Boa parte dos manifestantes concorda que o valor da passagem foi apenas o estopim para estourar o descontentamento total da população e fazê-la sair às ruas. Entre as reivindicações, não expostas nos cartazes devido à chuva, mas bradadas nos gritos de ordem, estavam tanto temas amplos como a saúde e a educação, quanto bem específicos, como a mudança de lugar dos camelôs no Centro da Capital.

A cientista política Soraia Ritten, de 40 anos, participou da manifestação com as duas filhas estudantes. O que as motivou a sair às ruas na noite chuvosa foi a desigualdade e a corrupção. “Os R$ 0,20 são uma representação da corrupção. É preciso uma grande mudança neste momento. A luta continua”, afirma ela, que participará na próxima semana de outro protesto contra a PEC 37.

A filha de Soraia, Michele Ritten, estudante de Biomedicina de 21 anos, explicou que sempre ouve pessoas comentando que não entendem o ato e acham uma bobagem. “Acho bem legal, porque os R$ 0,20 eram importantes, mas abriram espaço para uma coisa bem maior, com cada vez mais gente. Eu diria que agora, o mais importante neste momento é lutar contra o Ato Médico e a PEC 37, mas sem esquecer da educação e da saúde”.

Mauro Biedzicki, de 46 anos, é servidor público e se mobilizou contra os desmandos da administração pública. De acordo com ele, é preciso que as pessoas tomem essa atitude, de sair às ruas, para que os administradores vejam que a coisa está errada. “No tempo das campanhas eleitorais eu participava de protestos, mas estavam meio parados. Como estou vendo a juventude de novo, vim dar uma acompanhada. Essa é a primeira vez, mas continuarei participando das próximas”, contou.

Outro funcionário público que participou dos protestos desta quinta-feira e com uma lista extensa de reivindicações foi Célio Golin, de 51 anos. “Todas essas questões de privatização do espaço público, do dinheiro gasto na Copa, a questão da política institucional e o desgaste das instituições são temas que me tocam”, explicou. Porém, outro tema recente serviu de combustível para a sua participação. Segundo Golin, que é militante do movimento gay, um dos temas que devem ser abordados nas manifestações são as atividades da Comissão de Direitos Humanos, que inclui a chamada “cura gay”. “Já participei e organizei vários protestos na minha vida. Acredito que o maior ganho de toda essa mobilização vai ser a politização da sociedade civil, que vai fazer com que os poderes pensem melhor na hora das decisões, pois vão saber que a população estará fiscalizando as suas iniciativas”. Na opinião dele, as questões do transporte público são simbólicas, pois existem temas bem mais importantes para serem discutidos no Brasil.

O camelô Juliano Frippe, de 46 anos, foi em direção à prefeitura com um recado direto ao prefeito. “Queremos agradecer ao Fortunati pela insensibilidade que fez com que esse protesto começasse. Parabéns ao prefeito por ter sido tão ingrato com a população que acreditou nele”, criticou. Frippe afirma que sua maior luta é para que o espaço da Praça XV seja devolvido aos camelôs. De acordo com ele, muitos trabalhadores ficaram sem serviço com a privatização do camelódromo. “Agora o Brasil começou a mudar a sua cara. O Fortunati foi a principal pessoa que fez o gigante do Brasil se revoltar, quando ele decidiu pelo aumento da passagem. Isso foi a gota d’água”, ressaltou.

Já o estudante de Marketing Raul Dias, de 21 anos, participou do protesto com o objetivo de mudar o País. Essa foi a primeira vez que ele esteve nas manifestações e pretende continuar, devido à empolgação do ato. “Dinheiro para estádio tem, dinheiro para colocar na cueca tem, mas para mudar o Brasil nunca se tem. As autoridades precisam acordar e ver que não dá mais assim”, disse.

A marcha seguiu sem conflitos até as 20h30min. Grupos pequenos em diferentes pontos da cidade depredaram prédios comerciais. Cerca de 20 a 30 pessoas quebraram vitrines de lojas e cortinas de ferro e saquearam locais na avenida da Azenha e na Ipiranga. A tropa de choque usou bombas de gás lacrimogêneo. Na Lima e Silva, vidros foram quebrados por pedras. A cavalaria da Brigada tentou dispersar os manifestantes.

Bloco de Lutas denuncia abusos da polícia aos militantes

O Bloco de Lutas pelo Transporte 100% Público, grupo que organiza os protestos na Capital, convocou uma coletiva de imprensa antes da manifestação desta quinta-feira para divulgar uma carta com os seus principais objetivos e sobre os abusos que vem sofrendo por parte da polícia. Segundo Matheus Gomes, a criminalização ao movimento vem aumentando, com a perseguição de vários ativistas. Além disso, ele ressalta que uma grande confusão está sendo criada pelo governo e pela mídia sobre os temas que são defendidos pelo Bloco.

Segundo a carta, o grupo luta pelo Transporte 100% público, com a abertura das contas das empresas de transporte, e passe livre para estudantes, idosos e desempregados. Além disso, a mobilização também é contra o estado de exceção da Copa do Mundo de 2014, comandada pela Fifa. Outro tema que entrou na pauta foi a retirada imediata dos inquéritos movidos contra os manifestantes.

O advogado Onir de Araújo afirmou que as prisões têm sido feitas geralmente após as manifestações sem uma vinculação concreta com os supostos delitos. “Uma irregularidade que lembra o regime militar é que os policiais não estão identificados. Temos também comprovação de cenas de tortura dentro das delegacias. Seis pessoas ainda estão presas e os advogados não tiveram acesso aos inquéritos”, explicou.

Além disso, o advogado falou mal de determinado grupo de comunicação que noticiou informações sobre infiltrados internacionais insuflando os manifestantes. “Como se coloca em um veículo uma notícia dessas, neste clima em que a cidade está, com pessoas sendo arrastadas pelos cabelos, com bombas de gás lacrimogêneo sendo atiradas na frente de famílias. Queremos saber de onde veio essa informação”, criticou.

O Bloco de Lutas também disse que integrantes do grupo estão sendo monitorados pela polícia em suas casas. “Nos últimos meses, sofremos uma grande investida por parte da Polícia Civil contra manifestantes do nosso movimento. Jovens estão sofrendo investigações e acusações por se manifestarem na cidade”, dizia a carta.

Fonte: Jornal do Comércio

Manifestações levam 1 milhão de pessoas às ruas em todo país

As manifestações realizadas nesta quinta-feira levaram cerca de 1 milhão de pessoas às ruas em 25 capitais do país. Em ao menos 13 delas foram registrados confrontos. O Rio de Janeiro foi a capital com maior número de pessoas, 300.000.

Em nove das capitais com confronto, houve também ataques ou tentativas de destruição de prédios públicos, como sedes de prefeituras e de governo e prédios da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça.

Os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público começaram no início do mês e foram ganhando força em todo o país, sendo registrados vários casos de confrontos e vandalismo. Com isso, 14 capitais e diversas outras cidades anunciaram entre ontem e hoje a redução das passagens.

Em Brasília, um grupo de manifestantes forçou a barreira policial montada na entrada do Congresso Nacional, iniciando um confronto com a Polícia Militar, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo.

No Rio, o protesto ficou tenso no início da noite. O problema ocorreu com chegada dos manifestantes em frente à prefeitura, no centro da cidade, ponto final da passeata.

Por volta das 18h50, morteiros foram disparados pelos manifestantes. Em resposta, a polícia disparou bombas de efeito moral. A cavalaria da PM avançou para dispersar pessoas que tentavam invadir a sede da administração municipal.

Em Natal (RN), cerca de 400 pessoas entraram no Centro Administrativo do Estado, que reúne os principais órgãos públicos. Houve concentração de manifestantes em frente à Governadoria.

Um grupo menor, de rostos tapados, queimou objetos, formando uma fogueira na frente da rampa de acesso ao prédio. Também arrancaram placas de sinalização e começaram a jogar algumas na fogueira.

Bombas e pedras foram atiradas contra os policiais. A polícia revidou com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Houve prisões.

Manifestantes tentaram invadir, em Fortaleza (CE), o Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará, e depredaram o prédio. O local virou uma praça de guerra entre vândalos e Polícia Militar, com balas de borracha de um lado e coquetéis molotov de outro. Ao menos 30 pessoas foram presas, segundo a PM.

Também foram registradas situações de confrontos e depredações em Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Salvador (BA), Vitória (ES), Belém (PA), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Teresina (PI) e Macapá (AP).

Após as manifestação, a presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu convocar uma reunião de emergência para as 9h30 de amanhã com seus principais ministros para discutir os efeitos das manifestações por todo o Brasil.

Na reunião, Dilma irá avaliar relatos da extensão dos atos nas cidades brasileiras. A partir daí será decidida uma conduta de governo, como por exemplo medidas ao alcance do Ministério da Justiça ou até um pronunciamento oficial da presidente.

Fonte: Folha de S. Paulo

Mais de 20 mil vão às ruas em Porto Alegre

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Nem mesmo a chuva que caía desde o início da tarde sem parar impediu que mais de 20 mil pessoas de todas as idades e com as mais diversas motivações se dirigissem para a frente da prefeitura de Porto Alegre para mais uma manifestação. Às 18h, horário marcado pelo grupo Bloco de Luta pelo Transporte Público em sua página no Facebook, os ativistas já eram milhares.

Por volta das 18h30min, começaram a marchar observados de perto pela tropa de choque da Brigada Militar (BM), gritando em coro “O povo acordou” e “Sem violência”. Um grupo saiu pela avenida Júlio de Castilhos, outro pela Borges de Medeiros e um terceiro se manteve em frente ao Paço Municipal. A passeata voltou a reunir o grupo na avenida João Pessoa.

No percurso, o pequeno grupo de vândalos, que tem se posicionado alguns metros à frente dos manifestantes, gritava avisando que haveria vandalismo. “Melhor entrar”, avisavam para as pessoas que estavam nas suas casas olhando o movimento.

Em frente ao Jornal do Comércio, essa minoria ensaiou atos de depredação nas paradas de ônibus. Conforme o combinado pelo Facebook, os manifestantes sentaram no chão, deixando bem claro quem estava causando o tumulto – ajudando a BM a identificar “as individualidades”, como classificou o secretário da Segurança do Estado, Airton Michels, durante coletiva nesta semana.

No cruzamento da João Pessoa com a Ipiranga, o grupo que anunciava que haveria vandalismo dobrou à direita na pista Centro-bairro da Ipiranga. Os manifestantes pacíficos dobraram na mesma direção, mas na pista bairro-Centro, com o objetivo de caminhar até o Parque Marinha do Brasil. Muitos carregavam flores nas mãos e gritavam “Quem não pula quer o aumento” e “Vem prá rua”.

A caminhada prosseguiu sem incidentes até chegar na Ipiranga próximo à Azenha, por volta das 20h. Foi quando a BM passou a atirar bombas de efeito moral em direção aos manifestantes. Os policiais, que até então apenas acompanhavam a passeata, fizeram uma barricada humana impedindo o trânsito dos pedestres que se aproximavam da Azenha. Nesse momento, ficou evidente a separação entre quem estava na passeata para entrar em confronto e fazer depredações e quem estava fazendo um protesto contra o aumento das passagens de transporte público, a corrupção, os gastos com a Copa do Mundo de 2014, entre outras pautas.

Apesar dessa distinção entre a ala pacífica e a mais radical, a BM passou a atirar em qualquer pessoa que se aproximasse dos policiais. Michels e o governo do Estado garantiram que a polícia só iria agir em casos em que a integridade física das pessoas estivesse em risco. O pessoal cantava em coro “Sem violência” e vaiava a ação tanto da corporação quanto dos vândalos. Inúmeros ativistas foram alvo da ação sem terem enfrentado a polícia.

A partir daí começou o corre-corre. Enquanto o confronto ocorria, uma grande parte da manifestação ainda não havia nem chegado ao final da João Pessoa. A BM agiu para fazer todas as pessoas recuarem. Os vândalos passaram a saquear lojas, quebrar orelhões, arrancar placas de sinalização e atirar pedras e pedaços de pau contra os policiais e contra prédios públicos e privados.

A maioria dos manifestantes lamentava o fato. Pessoas mais velhas e as que estavam com crianças abandonaram o movimento com medo e por conta da quantidade de gás lacrimogêneo lançado pela polícia. No meio da correria, também havia gente chorando porque estava desde as 17h tentando chegar em casa e não conseguia pela falta de ônibus e pelo clima de guerra nas ruas. Quem se machucou no confronto passava carregado por amigos indignados com a situação.

Depredações e saques no Centro e Azenha

Perto das 21h, alguns manifestantes foram protestar em frente ao Palácio Piratini, ainda debaixo de chuva. Outros seguiam pela João Pessoa, reclamando da polícia e dos vândalos – mas, sobretudo, da polícia. A revolta foi visivelmente crescendo contra a BM a cada bomba de efeito moral.

Na João Pessoa, a agência do Banrisul foi novamente destruída pelos vândalos. A cavalaria entrou em ação. Em todos os cantos, atrás de árvores, de carros, as pessoas questionavam os brigadianos: “por que não nos deixam caminhar pela Ipiranga, da Azenha até a Beira-Rio, e permitem que os vândalos quebrem toda a cidade, com exceção desse trecho?”

Uma outra parte dos ativistas lamentava a violência e dizia não compreender o que está acontecendo no País. Mesmo assim, não arredavam pé das ruas, apesar do frio, da chuva e do gás lacrimogêneo. Declararam abertamente que gostariam de ter alguém que coordenasse e estipulasse outras rotas para não ficar junto dos vândalos. Em comum entre todos os grupos, a reclamação da ação policial.

Após o confronto na avenida João Pessoa, os manifestantes se dirigiram novamente à prefeitura e entraram em conflito mais vezes com a BM. A tropa de choque estava fazendo o isolamento do prédio, sem deixar que o pequeno grupo restante se aproximasse do local. Os enfrentamentos aconteceram na rua José Montaury, no Largo Glênio Peres, na Siqueira Campos e na Esquina Democrática. Diversas ruas do Centro da Capital foram bloqueadas pela polícia. Novas depredações e saques ocorreram no Centro, especialmente em lojas na avenida Voluntários da Pátria. Pelo menos 35 pessoas ficaram feridas, sendo um policial militar. Mais de 15 foram presos.

Fonte: Jornal do Comércio

Movimentos sociais pela Internet

Em pleno século XXI, a força que as novas tecnologias da informação e comunicação, representadas sobretudo pela democratização da Internet, concederam às minorias ideológica e politicamente descontentes é algo jamais visto. Exemplo disso são os inúmeros protestos que, nas últimas semanas, vêm ocorrendo Brasil afora. Iniciado em São Paulo, forte descontentamento para com a qualidade e o aumento do valor da passagem do transporte urbano, de R$ 3,00 para R$ 3,20, o movimento, que passou a conjugar novas causas — a exemplo do combate à corrupção e a reprovação dos elevados gastos que envolveram a construção das obras da Copa das Confederações e do Mundo — fizeram do dia 17/6/2013 um marco para nossa história.

Em se concordando ou não com o teor do que se arguiu, o fato é que esses acontecimentos representam uma significativa mudança no pensamento das massas que compõem o povo, destinatário fundamental de todo e qualquer sistema democrático. Essas ações voltadas ao questionamento e posicionamento contra-hegemônico das relações sociais e políticas que vêm ocorrendo mundo afora apontam, sem dúvida, para a necessidade de descentralização e flexibilização do atual modelo de democracia representativa, uma democracia falsamente ativa, “de fachada” ou “de sofá”. Na contemporaneidade, mais do que claro que o monopólio da informação vem, da aurora ao crepúsculo, tornando a velha pseudorrepresentação política impraticável. Conforme dados veiculados pelo Instituto Datafolha, em 18/6/2013, 71% dos presentes em meio aos protestos ocorridos no dia anterior o faziam pela primeira vez, sendo em sua maioria compostos por indivíduos de idade entre 26 a 35 anos. Outro interessante apontamento é que, do total de manifestantes nas ruas, 81% deles souberam da mobilização por meio do Facebook, enquanto que 85% procuraram informações na Internet.

Ao que se vê, a sociedade não age apenas sob a bandeira de um modelo cidadão e democrático efetivo, mas, sobretudo, parece ter, finalmente, despertado para a assunção de seu papel articulador fundamental da mudança que se quer ver. Como já dizia Giddens, lá em 2003, em sua obra “Mundo em Descontrole: o Que aGlo balização Está Fazendo de Nós”, pág. 82-83: “A revolução das comunicações produziu mais conjuntos conscientes de cidadãos do que havia antes. São exatamente esses desenvolvimentos

que estão, ao mesmo tempo, produzindo descontentamentos nas democracias há muito estabelecidas. Nu m momento marcado pelo declínio das tradições, os políticos não podem contar com as velhas formas da pompa e circunstância para justificar o que fazem. A política parlamentar ortodoxa fica distanciada da torrente de mudanças que passa impetuosamente pela vida das pessoas”.

Fonte: Correio do Povo | WAGNER A. H. POMPÉO

Comissão regulamenta eleição em caso de vacância da Presidência

Congresso
Comissão especial formada por deputados e senadores aprovou nesta quinta-feira (6) texto que regulamenta como devem ser feitas eleições nos casos em que houver vacância dos cargos de presidente e vice-presidente da República. A Constituição determina que, nesses casos, uma nova eleição deve ser feita após 90 dias; mas, caso a a vacância se dê nos dois últimos anos de mandato, a escolha é indireta, feita pelo Congresso Nacional em 30 dias.

Até hoje, no entanto, essa norma da Constituição para a eleição indireta não está regulamentada, carecendo de detalhes para ser executada, em caso de abandono do cargo ou morte do chefe do Executivo e seu vice após a metade do mandato.

O projeto aprovado na comissão especial torna obrigatória a convocação do novo pleito em até 48 horas após a abertura das vagas. O texto também estabelece regras para que partidos apresentem os candidatos, prazos para recursos, proclamação do resultado, posse dos eleitos e as exceções possíveis para a situação.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da comissão, incluiu um parágrafo no texto estabelecendo que, caso a vacância ocorra a menos de 30 dias do término do mandato, será cumprido o artigo 80 da Constituição. O dispositivo prevê que, nesses casos, a ocupação dos cargos caberá, sucessivamente, ao presidente da Câmara dos Deputados, ao do Senado Federal e ao do Supremo Tribunal Federal.

O projeto, proposto pelo senador Pedro Taques (PDT-MS), foi aprovado após breve apresentação do texto pelo relator da matéria, senador Romero Jucá (PMDB-RR).
De acordo com Pedro Taques, o texto foi apresentado à comissão na semana passada. “Não é que estejamos esperando a morte da presidente ou do vice. Apenas votamos um ponto da Constituição que precisa ser regulamentado. Essa comissão especial foi instalada para isso”, disse Taques.

O projeto agora segue para a Câmara e depois vai para o Senado. Se houver alteração dos senadores, o texto volta para análise final dos deputados. Só depois segue para sanção presidencial.

Fonte: G1

Morrer de fome constitui um verdadeiro escândalo, diz papa Francisco

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O papa Francisco disse hoje (20) ao diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, que “morrer de fome constitui um verdadeiro escândalo”. Francisco fez a afirmação na presença de Graziano e de integrantes da 38ª Conferência da FAO que ocorre em Roma, na Itália. O papa destacou que é fundamental buscar soluções para reduzir o “abismo” existente entre os que saciam a fome e os que sofrem com ela.

“Sabe-se que a produção é suficiente e mesmo assim existem milhões de pessoas que morrem de fome e sofrem com ela: isto constitui um verdadeiro escândalo”, ressaltou o papa. “É necessário encontrar modos para que todos possam se beneficiar dos frutos da terra, não só para evitar que aumente o abismo entre quem mais tem e quem deve se contentar com as migalhas, mas, sobretudo, por uma exigência de justiça, equidade e de respeito pelo ser humano.”

O papa sugeriu que os itens referentes à dignidade humana e às pessoas sejam colocados como pilares sobre os quais devem ser constituídas regras e estruturas, combatendo intenções econômicas. Os interesses que transgridem os valores considerados essenciais por Francisco foram chamados de “míopes” e capazes de “desagregar a sociedade”.

Francisco lembrou que há uma crise no mundo de convicções e de valores. Ele pediu aos representantes dos vários países na FAO que “abram seus corações”. Segundo ele, as pessoas devem aprender a ter condições para analisar, compreender e doar, abandonando as “tentações provocadas pelo poder”.

O ano de 2014 na Igreja Católica Apostólica Romana será dedicado à família rural, lembrou o papa, reiterando a importância de fortalecer os vínculos familiares.

Fonte: Agência Brasil

Desemprego fica estável em maio, em 5,8%

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A taxa de desemprego em maio foi de 5,8%, mesmo nível registrado em abril e em maio de 2012, informou na manhã desta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

No mês passado, a população desocupada foi de 1,4 milhão de pessoas e a ocupada de 23 milhões.

Em maio, o rendimento médio real habitual dos ocupados também ficou estável sobre abril, em 1.863,60 reais. Em relação a maio do ano passado, o poder de compra dos ocupados mostra alta de 1,4%.

Fonte: Exame

Em meio a protestos, Rio e São Paulo reduzem tarifa

Diante dos atos públicos que se espalharam pelo país, gestores municipais e estaduais tentam buscar opções para, com a queda no valor de passagens do transporte público, atender à reivindicação dos manifestantes e diminuir o clima acirrado – e até violento – em algumas regiões.

Pressionados pela onda de protestos crescente desde a semana passada, Rio de Janeiro e São Paulo anunciaram ontem a redução das tarifas de transporte público.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) suspendeu o aumento de R$ 0,20 nas tarifas dos ônibus, que voltarão a custar R$ 2,75 a partir de hoje. O governador Sérgio Cabral (PMDB) cancelou o aumento das tarifas de metrô, trens e barcas. Paes afirmou que a redução implicará cortes de gastos em áreas ainda não definidas.

– Haverá um impacto de R$ 200 milhões por ano arcados pelo poder público. Significa escolha de prioridades. Serão R$ 200 milhões a menos investidos em outras áreas – afirmou o prefeito.

Paes disse ter tomado a decisão de retomar os preços das passagens que vigoravam até 1º de junho depois de conversar com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e de “refletir” sobre as reivindicações públicas.

Na capital paulista, a tarifa de ônibus, metrô e trens de São Paulo voltará a custar R$ 3 a partir de segunda-feira – com o reajuste, havia subido para R$ 3,20. O anúncio foi feito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e por Haddad, em entrevista coletiva no fim da tarde de ontem.

Os dois também revogaram o reajuste da tarifa de integração entre os modais, de R$ 5 para R$ 4,65. Segundo o prefeito, o retorno ao preço original será na segunda-feira, pois é preciso ajustar as máquinas leitoras. Alckmin destacou que a decisão representa um “esforço” e acrescentou que serão cortados gastos.

— Será um sacrifício grande. Temos que cortar investimentos já que as empresas não podem arcar com os custos — disse Alckmin.

Diminuição no valor afetará o orçamento

Já Haddad afirmou que “investimentos serão comprometidos” por conta do ato e reiterou que fará debates com a população para analisar os impactos da medida. O prefeito frisou, ainda, que se trata de “um gesto de aproximação, de abertura, de entendimento, do convívio pacífico”:

– Estaremos em diálogo permanente com a população para que o orçamento da cidade seja repensado à luz dessa nova realidade.

Haddad lembrou que os reajustes ocorreram com a medida provisória do governo – que desonerou o transporte público de PIS/Cofins –, o que “foi ruim para o debate” e causou confusão, pois sinalizaria redução no preço das tarifas.

Consultor da LCA Consultores, Etore Sanchez entende que a queda no valor é uma realocação de verbas, com o governo abrindo mão de arrecadar para que o subsídio seja maior.

– Se houve maior custo de produção e esse custo é corrigido através do reajuste de tarifa, você vai ter que aumentar o repasse, via isenção fiscal ou repasse direto propriamente, aumentando o subsídio – observa Sanchez.

Fonte: Zero Hora

Beber bastante água é bom para a pele: Mito ou realidade?

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As quantidades recomendadas variam. Nos Estados Unidos, por exemplo, a orientação é que se beba oito copos de água por dia.

Mas qualquer que seja o volume indicado, o princípio por trás do conselho continua o mesmo: beber água mantém sua pele hidratada. Em outras palavras, a água funcionaria como uma espécie de hidratante que age de dentro para fora.

Você talvez se surpreenda, mas a verdade é que existem pouquíssimas evidências para confirmar essa teoria.

Uma forma óbvia de verificarmos o efeito da ingestão de água sobre a pele seria, por exemplo, separarmos um grupo de voluntários em duas metades. Uma receberia instruções para beber água o dia inteiro, a outra seria orientada a beber quantidades normais.

Um mês depois, a condição da pele dos participantes poderia ser avaliada para estabelecermos se beber mais água resultou, ou não, em peles mais suaves e saudáveis.
Na prática, estudos como esse são raros, em parte porque, como a água não pode ser patenteada, é difícil encontrar-se alguém disposto a financiar esse tipo de pesquisa – ela não produziria nenhum remédio ou cosmético capaz de cobrir os custos do financiador.

Uma pesquisa feita pelo dermatologista Ronni Wolf, do Kaplan Medical Centre, em Israel, encontrou apenas um estudo sobre os efeitos, a longo prazo, da ingestão de água sobre a pele. Os resultados do trabalho, no entanto, foram contraditórios.

O estudo tentava avaliar os efeitos, sobre a pele, da ingestão de água mineral em comparação à água de torneira. Após quatro semanas, o grupo que bebeu quantidades adicionais de água mineral apresentou diminuição na densidade da pele. O grupo que bebeu água de torneira apresentou um aumento na densidade da pele.

Mas independentemente do tipo de água ingerido, o estudo não encontrou qualquer diferença na quantidade de rugas ou na suavidade da pele dos participantes.
Isso não quer dizer que a desidratação não exerça qualquer efeito sobre a pele. Podemos avaliar, em parte, as consequências da falta de água sobre a pele ao medirmos sua elasticidade. Para tanto, basta beliscarmos uma porção da pele e observarmos quanto tempo o tecido demora para voltar à posição inicial.

Se você estiver desidratado, haverá uma perda de elasticidade da sua pele e ela demorará mais tempo para recuperar a forma normal após um teste como esse.
Porém, se é verdade que beber menos água do que o necessário é ruim para a pele, isso não quer dizer que beber quantidades excessivas seja bom. Isso equivaleria a dizermos que, porque a falta de alimento leva à desnutrição, então comer demais deve ser bom. Ou, como disse Wolf, seria o equivalente a dizermos que, como um carro precisa de gasolina, então quanto mais gasolina, melhor.

Conselho Misterioso
Outra crença comum é a de que se você beber quantidades adicionais de água, seu corpo irá armazená-la.

Isso, na verdade, depende de quão rápido você ingere o líquido. Se você beber vários copos de água em um período de 15 minutos, simplesmente, vai urinar mais. Se beber a mesma quantidade em um período de duas horas, aí sim, reterá mais líquidos.

Um estudo sobre o tema concluiu que beber 500 ml de água aumenta a circulação do sangue pelos capilares da pele. Mas a pele dos participantes somente foi avaliada nos primeiros 30 minutos após a ingestão, e não se sabe se isso melhora ou não o tônus da pele.

Segundo um outro argumento, um terço da nossa pele é constituído de água, portanto, ingerir líquidos mantém o viço da pele. Isso pode ser verdade, mas a aparência jovem da pele depende muito mais de fatores como herança genética, exposição ao sol e danos causados pelo cigarro.

Nutriente
Então, de onde viria a recomendação de oito copos de água por dia para uma pele saudável?

A água é, sem dúvida, o nutriente mais importante do organismo. Sem ela, nós morreríamos em poucos dias. E manter o corpo hidratado traz outros benefícios para a saúde.
Um estudo feito em 2010 constatou que ingerir líquidos em abundância reduz a formação de pedras nos rins em pacientes que já sofreram do problema.

A regra dos oito copos por dia é muito debatida. Alguns questionam a quantidade necessária para limpar os rins de toxinas. Outros discutem se a água ajudaria ou não a diminuir o apetite. Isso depende de quão alta é a temperatura ambiente e quanta energia você está gastando.

Outro mito é o de que outros líquidos não contam. Não precisa ser água. Até os alimentos contêm mais líquidos do que você imagina. Por exemplo, entre 40 e 49% de uma pizza são constituídos de água.

A quantidade de água que retiramos dos alimentos depende muito de onde vivemos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a média é 22%. Mas na Grécia, onde a dieta é mais rica em frutas e verduras, essa média será bem maior.

Concluindo, não há evidências de que beber mais água seja bom para a pele.

E tampouco existe uma regra definitiva sobre a quantidade ideal de água que devemos beber, já que isso depende do clima e do tipo de atividade que você está fazendo.
Mas todos nós temos um ótimo guia interno, capaz de ajudar bastante: a sede.

Fonte: BBC 

 

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