junho 2013 archive

Dilma reúne STF, Senado e OAB para discutir proposta de plebiscito

Nesta terça-feira (25), a presidente Dilma Rousseff se reunirá com os presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinicius Furtado Coelho, do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, e do Senado, Renan Calheiros (PMDB), para discutir a proposta anunciada na tarde desta segunda-feira (24), de convocar um plebiscito para instalar uma Assembleia Constituinte exclusiva para a reforma política. As reuniões começam às 10h e se estendem até o fim do dia.

Dilma também tem reuniões marcadas com representantes de movimentos urbanos, no Palácio do Planalto. O objetivo dessas reuniões, que ocorrem desde o início da tarde de ontem, é encontrar soluções para as reivindicações populares e terminar com a onda de protestos que acontece em todo o país.

Paralelamente, várias manifestações estão programadas para esta terça-feira em todo o país. Nas redes sociais, os líderes dos movimentos organizam assembleias para a definição de mais protestos.

Em Cristalina (GO), moradores da comunidade Marajó prometem fechar os principais trechos da BR-251, uma das vias de acesso ao Distrito Federal (DF). Os moradores protestam por melhores condições de saúde, educação e segurança. Eles também pedem a emancipação da região.

No Rio de Janeiro, um grupo de manifestantes mantém o acampamento perto da residência oficial do governador do estado, Sérgio Cabral. Eles só devem deixar o local depois de serem recebidos pelo governador. O grupo reivindica maior transparência nas contas públicas. Em São Paulo há três atos de protesto na capital – na zona sul, no Largo do Campo Limpo e no metrô Capão Redondo, assim como na zona leste.

Fonte: Revista Época

Uma proposta que desperta o debate

Entre os cinco pactos que propôs hoje aos governadores e prefeitos de capitais, a convocação de um plebiscito para autorizar a realização de uma Constituinte específica para fazer uma reforma política no país é, de longe, a mais polêmica. Tanto que não foi detalhada. “Existem ainda questionamentos jurídicos”, disse o ministro Aloízio Mercadante, um dos porta-vozes da reunião comandada pela presidente Dilma Rousseff.

De fato. A proposta é apoiada pelo PT, mas o mesmo não deve acontecer com o PMDB. O vice-presidente Michel Temer que estava sentado ao lado da presidente Dilma Rousseff quando ela fez o anúncio da medida, é contra. Ele avalia que o Brasil não pode convocar uma Constituinte exclusiva para analisar um único tema.”Constituinte significa o rompimento da ordem jurídica”, é a primeira frase de um artigo de Temer, de 2007. Ele avalia que não há, neste momento, o rompimento da ordem jurídica do país.

A proposta foi incluída no discurso da presidente Dilma durante o fim de semana. Na semana passada, Dilma recebeu uma mensagem do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), defendendo uma constituinte exclusiva para fazer a reforma política. Hoje, ao sair da reunião, ela o abordou e disse: “Viu, acatei sua sugesstão”.

Essa ideia também fora defendida por petistas, mas também por Firmino Filho (PSDB), prefeito de Teresina, durante reunião com os tucanos. Ele foi mais longe: defendeu, também, que os constituintes sejam pessoas que hoje não estejam no Congresso, não tenham mandato; e os candidatos a constituintes não seriam lançados por partidos, mas de forma avulsa. O PSDB não acolheu a proposta de Firmino, apresentada durante reunião dos tucanos com Aécio Neves, pouco antes da reunião com Dilma.

A proposta de realização de um plebiscito para convocar uma constituinte exclusiva gera polêmica no meio jurídico e tem apoios nos partidos de esquerda, no Congresso. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) gosta da ideia e diz que ela representa “democracia direta”, como defende seu partido.

Para o DEM, se a proposta for acolhida com a convocação de Constituinte exclusiva, o resultado final, necessariamente, terá de ser formatado em uma proposta de emenda constitucional – pois, só através de uma emenda é que se pode mudar a Constituição. “Fora isso, é bolivarianismo”, avaliou um peemedebista.

Com a proposta, a presidente Dilma Rousseff lançou um debate que vai esquentar, mas que ninguém poderá falar abertamente ser contrário. “Quem vai ficar contra um plebiscito, que quer dizer a palavra do povo?” disse um outro aliado que não concorda com a proposta.

Mesmo com as discordâncias, a proposta de Dilma foi aprovada na reunião com governadores e prefeitos. Mas o debate vai continuar agora: um grupo puxando para que o resultado desague numa emenda constitucional de iniciativa do Congresso e que seja aprovado pelo Congresso; e outro querendo que a decisão saia do plebiscito.

Fonte: http://g1.globo.com/platb/cristianalobo/

Michel Maffesoli:‘Vejo esses movimentos como Maios de 68 pós-modernos’

com mais de 20 obras publicadas no Brasil — como “A transfiguração do político” e “A dinâmica da violência” —, o sociólogo Michel Maffesoli vê o país como um “laboratório” no fim dos tempos modernos e diz não ter sido surpreendido com a eclosão das manifestações em diversas cidades brasileiras. Conhecedor do Brasil, para onde viaja há mais de 30 anos para conferências e intercâmbios intelectuais, Maffesoli disse que vai “dar uma passada” na manifestação de brasileiros que ocorrerá no fim da tarde de hoje, em Paris, em solidariedade ao movimento. Na sua opinião, manifestações como as do Brasil e da Turquia podem ser vistas como “Maios de 68 pós-modernos”, de curta duração, mas com marcas indeléveis.

Como o senhor analisa estes movimentos no Brasil?
É um bom exemplo destas sublevações pós-modernas que se desenvolvem em vários lugares. É uma revolta bastante disseminada, que não se origina de um projeto político preciso e programático, mas, ao contrário, propaga-se como um fogo rápido a partir de um pequeno pretexto, como R$ 0,20 de aumento da passagem de ônibus. É algo que pode ser comparado com o exemplo turco, onde a partir de algo anódino — construir algo ou não num parque — se criou uma sublevação que se alastrou. Vivemos o fim de uma época, e umas das manifestações disso é que algo cotidiano suscita um movimento que questiona o sistema.

Para o senhor, é o fim de um modo de se fazer política?
É o fim da política moderna. Tive como professor na França o sociólogo Julien Freund (1921-1993), também conhecido no Brasil, que dizia que o político é a ideia de um projeto, de um programa, da dimensão racional, seja de esquerda ou de direita. O objetivo programático é mobilizar energias para alcançar o fim desejado. Era a grande ideia marxista dos sistemas socialistas do século XIX, das políticas conservadoras etc. Vemos que há uma saturação, um tipo de indiferença, esses jovens não se reconhecem mais num programa, num partido ou sindicato. Não é mais programático, mas, sim, emocional. A modernidade é racional, e a pós-modernidade é emocional. Com o que ocorre no Brasil temos uma boa ilustração disso.

O senhor se surpreendeu pelo fato de essas manifestações ocorrerem agora no Brasil?
Vejo o Brasil como um laboratório da pós-modernidade. Algo assim não vejo ocorrer na França, onde espírito, clima e intelligentsia permanecem muito racionais. Não vejo surpresa neste tipo de explosão, forte, mesmo brutal, num país como o Brasil.

Não se trata de revolução. Como o senhor definiria este movimento?

A palavra “revolução” significa uma ruptura. Etimologicamente significa “revolvere” em latim, voltar a coisas que acreditávamos superadas. Não é uma revolução no sentido moderno do termo, como ruptura. Mas no sentido etimológico vemos voltar essa ideia de fraternidade, de estar juntos, das tribos. Por isso o Brasil é um país importante, porque vejo que resta essa velha ideia, que vem das culturas ancestrais, de comunidade, de solidariedade de base. Vejo uma espécie de ilustração da minha teoria de tribos urbanas. E, quando há um tal ajuntamento, os políticos ficam perdidos, desamparados, porque ultrapassa suas categorias, que permanecem programáticas. Vemos uma sublevação, um tsunami das tribos urbanas.

As redes sociais também têm um papel importante nessas sublevações…
Brinco dizendo que neste caso não se deve mais fazer sociologia, mas epidemiologia, pois é algo viral. É a sinergia do arcaico com o desenvolvimento tecnológico. Arcaico são as tribos; desenvolvimento tecnológico, a internet. Há mobilidade graças às redes sociais. As tribos urbanas se tornam comunidades interativas. Há essa expressão em inglês, “flash mob” (abreviação de flash mobilization, movimentação relâmpago). De repente surge uma mobilização que desampara as instituições. Como não é programático, há o risco de murchar como um suflê, de forma rápida. Mas é algo que deixa marcas.

O movimento pode degenerar?

Não se faz omelete sem quebrar ovos. Não podemos atuar como moralistas. Mesmo que os participantes se manifestem contra a violência, é algo que não é controlável. Não se pode prever, mas é quase certo que haverá algum dano. Está na natureza humana, quando ocorre algo que quebra a ordem das coisas é certo que haverá desvios.
Como compara o que ocorre no Brasil com outros países? Teria alguma relação com Maio de 68?
Não se pode comparar com a Primavera Árabe, a não ser pelo uso de tecnologias e redes sociais. Acho que é mais comparável com a Turquia. Vejo esses movimentos como Maios de 68 pós-modernos: emoção coletiva, que provoca o contágio e se alastra de forma incontrolável. Poderá secar, mas com um verdadeiro corte, e o depois não poderá ser como o antes.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/michel-maffesolivejo-esses-movimentos-como-maios-de-68-pos-modernos-8786658#ixzz2XEMAbqjX
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Nelson filia-se ao PSB

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Na noite de segunda-feira (24/06), em meio a uma onda de protestos que toma conta do Brasil, Nelson Naibert filiou-se ao PSB de Porto Alegre. Após alguns meses de conversas e reuniões, o economista escolheu o PSB para atuar de forma mais presente na política de sua cidade natal, Porto Alegre.

Com a presença do vice-governador do RS, Beto Grill, e do presidente municipal da sigla, Antônio Elisandro, além de dirigentes municipais, Naibert ressaltou as qualidades do PSB e o crescimento organizado do partido.  “Tenho certeza de que fiz a melhor escolha. Fui acolhido pelo PSB e quero, a partir desse momento, acolher a todos do partido. Acredito que o momento e a voz das ruas indicam a necessidade de profundas mudanças na nossa política e é isso que quero construir com cada um de vocês”, disse a todos.

Para Grill, o momento é de reflexão, de ouvir a voz das ruas, trabalhar com tranquilidade e transparência. Para Elisandro, o recado das pessoas precisa ser ouvido com atenção e as repostas dadas com certeza, sustentação e respeito. Nelson concordou com ambos e afirmou ter a convicção de que o momento mostra o PSB como o melhor partido para acolher a voz das ruas pela forma como atua e faz a boa política.

O deputado federal Beto Albuquerque foi lembrado por Naibert. “A primeira pessoa que me recebeu foi o deputado federal Beto Albuquerque. Daquela conversa, outras grandes e importantes lideranças me receberam da melhor forma possível. E jamais perdi o contato ou deixei de ter uma resposta, das coisas mais simples às mais complexas. A boa política, pra mim, é isso, é olhar pro outro como um aliado e somar esforços, é dar respostas e construir caminhos”, finalizou.

Dilma isenta União e governos locais assumem 82% do custo de estádios da Copa

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Em meio a uma onda de protestos no país, a presidente Dilma Rousseff fez um pronunciamento em cadeia nacional para “esclarecer” a aplicação de recursos federais em estádios da Copa do Mundo de 2014. Apesar de a União já ter comprometido cerca de R$ 1,1 bilhão com as arenas do Mundial, a presidente disse que esses recursos não saíram do orçamento federal e, portanto, não haveria prejuízo em investimentos na saúde e educação.

Acontece que, se a maior parte dos recursos usados nas obras dos estádios não saiu dos cofres federais, isso não quer dizer que não saiu dos cofres públicos. Isso porque mais de 82% dos gastos com os estádios da Copa de 2014 serão pagos com verbas ou incentivos fiscais vindos de Estados ou cidades-sede do torneio da Fifa, ou seja, com dinheiro público.

Atualmente, a construção ou reforma das arenas para o Mundial já custam R$ 8,3 bilhões (confira os valores abaixo). Desse total, cerca de R$ 6,3 bilhões (76%) sairão dos cofres dos 12 Estados da Copa, e R$ 543 milhões (6%) vêm dos municípios. Outros R$ 841 milhões (10%) serão pagos por empresas ou clubes, usando dinheiro emprestado com subsídios pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Já os cerca de R$ 600 milhões restantes (9%) virão da venda de terrenos da União no Distrito Federal para o pagamento da reconstrução do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.

A participação do governo federal em estádios da Copa do Mundo ainda inclui R$ 329 milhões em isenção de impostos federais às construtoras que trabalham nos estádios e parte dos R$ 189 milhões que o BNDES abriu mão para oferecer financiamentos a juros abaixo do mercado para quem tocava obras para o Mundial. Os valores foram apurados por uma auditoria do TCU. Não entram no custo total dos estádios da Copa porque, na verdade, são descontos no orçamento arcados com recursos federais.

Ainda assim, o que o governo federal colocou nas arenas é menos que Estados ou municípios comprometeram.

Fonte: http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/06/24/dilma-isenta-uniao-e-governos-locais-assumem-82-do-custo-de-estadios-da-copa.htm

Para 57% dos ouvidos pelo Ibope, polícia agiu de forma muito violenta

Grande maioria dos manifestantes, 66%, disse que depredações de bens públicos e privados nunca são justificadas

Durante as manifestações dos últimos dias, as equipes do Fantástico acompanharam de perto o vandalismo e a ação da polícia em vários estados. Depoimentos e imagens inéditas mostram esses dois lados dos protestos e o resultado da pesquisa do Ibope sobre o assunto.

Nas manifestações pelo Brasil, o Fantástico perguntou: o que você acha do vandalismo que aconteceu em alguns protestos?

“Essas pessoas que fazem vandalismo, que fazem violência, não nos representam”, diz a manifestante Perla Sampaio.

“Vandalismo não colabora em nada e, pior, tira o foco da manifestação”, comenta o manifestante Daniel Scopel.

País afora, dezenas de manifestações pacíficas. Mas também destruição.

Rio de janeiro, quinta-feira passada (20). Um vândalo usou até uma machadinha.

“Eram vândalos de oportunidade e vândalos que já buscaram as manifestações pacíficas com intuito de realizar ações de vandalismo, ações criminosas, de saques. Nós tínhamos vândalos certamente arregimentados pelo tráfico de drogas local”, analisa o comentarista de segurança Rodrigo Pimentel.

São Paulo, terça passada (18). Nossas equipes filmaram manifestantes, que não queriam violência, tentando impedir que baderneiros invadissem a Prefeitura. Mas o quebra-quebra seguia.

As imagens – obtidas pelo Fantástico – mostram quando os guardas metropolitanos se protegem dentro do prédio. Do lado de fora, a bandeira paulista é queimada. As bandeiras do Brasil e da cidade de São Paulo escapam.

Confira os resultados da pesquisa do Ibope em oito capitais. Agora, sobre o vandalismo.

A grande maioria dos manifestantes, 66%, disse que depredações de bens públicos e privados nunca são justificadas; 28% responderam que essas ações são justificadas somente em certas circunstâncias. E apenas 5% consideram que depredações são sempre justificadas; 1% não soube responder.

Vale lembrar que as perguntas foram feitas durante as manifestações de quinta-feira, e a pesquisa pode ter incluído participantes que fizeram ou tinham intenção de promover vandalismo.

“Os atos de vandalismo, apesar de terem dado muito prejuízo, foram isolados. Porque se a maioria fosse a favor, teria sido um cenário de guerra total, algo absolutamente incontrolável”, disse o psiquiatra forense do Hospital das Clínicas/SP, Daniel Martins de Barros.

E o que os manifestantes acham da atuação da polícia?

“A polícia tá aqui pra manter a ordem, pra fazer com que as coisas corram bem”, disse a manifestante de São Paulo Carolina Bergamo.

“Eu acho que a polícia tem agido violentamente, sim, contra os manifestantes”, disse o manifestante de Belo Horizonte Pedro Faria.

Estas são imagens exclusivas. Na capital paulista, dez dias atrás, a repórter da Folha de S. Paulo Giuliana Vallone levou um tiro de bala de borracha, disparado pela PM. Foi atingida no olho.

Uma manicure – que voltava do trabalho – explicou: “Na hora que eles apontaram na nossa direção, ela me puxou para dentro desse estacionamento, sendo que ela mesma não deu tempo de ela entrar”, disse Valdenice.

Quinta-feira passada, no Rio, nossas equipes registram outra situação em que a PM acabou atingindo quem não fazia baderna.

Mais uma bomba e a policia não deixa de agir, mesmo com as pessoas não oferecendo nenhuma resistência. Manifestantes tentaram se proteger numa lanchonete.

A estudante Carina Pazoto estava lá: “A polícia mirando na gente, como se a gente fosse, sei lá, bandido. A gente não estava fazendo nada de errado”.

Cinquenta e sete por cento dos entrevistados pelo Ibope, no Rio e em mais sete capitais, disseram que a polícia agiu de forma muito violenta; 24% afirmam que foi violenta, mas sem exageros; 15%, que a polícia agiu sem violência; e 4% não souberam ou não quiseram responder.

Os governos do Rio e de São Paulo investigam possíveis excessos policiais.

“Importantíssimo frisar que democracia precisa de polícia. E polícia forte, mas polícia forte não é polícia violenta. Polícia violenta perde a legitimidade e faz com que, muitas vezes, você até dá mais combustível pras manifestações”, avalia Renato Sérgio de Lima do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Na quinta-feira, um PM do Rio foi ferido na cabeça por manifestantes.

“Eu fiquei desacordado. Ainda bem que os companheiros estavam lá”, conta o sargento Nilmar Avelino.

Ele falou à repórter Guacira Merlin.

Fantástico: Você não tem mágoa de quem te fez levar esses dez pontos na cabeça?
Nilmar: Por que teria? De repente, ele não sabe nem o que fez. Sempre vai haver os mais exaltados. Mas acho que as pessoas ali estão reivindicando é um país melhor. Quem não sonha? Eu sonho com um país melhor.

Fonte: Fantástico | G1

Quinze crianças são vítimas de violência a cada hora no Brasil

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Reportagem especial exibe histórias tocantes de vítimas de abusos e a precariedade dos órgãos de defesa das crianças.
Abuso sexual, exploração, maus tratos, agressões, negligência. Em todo o país, a cada hora, 15 crianças são vítimas de algum tipo de violência. Mas esse número pode ser bem maior, porque nem todos os casos são denunciados.

No Congresso Nacional, um projeto polêmico, conhecido como Lei da Palmada e que não vai mais permitir qualquer tipo de castigo físico, está parado há mais de um ano.

O Fantástico entrou nessa discussão e apresentou um retrato da violência e da omissão contra a criança no Brasil. Uma reportagem especial de Marcelo Canellas, Lorena Barbier e Wellington Valsechi.

A reportagem especial exibiu histórias tocantes de vítimas de abusos e a precariedade dos órgãos de defesa das crianças. Discute também a Lei da Palmada, que divide a opinião de especialistas.

Violência contra criança não é vista como tal’, diz ativista
“A violência que acontece no cotidiano – do abandono, da rejeição, de desacreditar na criança – não é visto como violência no senso comum”. Com palavras como essas, Ana Paula Rodrigues, coordenadora da Fundação Xuxa Meneghel, explica os objetivos de atuação da entidade.

Para a representante, essas agressões despercebidas marcam e acompanham até o fim a vida das famílias. No decorrer do trabalho, a fundação busca fazer os pais tomarem consciência de como podem estar ensinando inconscientemente seus filhos a perpetuar essa violência quando estes se tornarem pais.

‘Há um abismo enorme entre lei e realidade’, diz repórter sobre violência
Depois de meses investigando a situação da violência contra a criança no Brasil, o repórter Marcelo Canellas afirma ter ficado marcado pela disparidade entre as intenções do discurso oficial e a vida real. Se, na lei, o que o Estado procura é criar uma rede de proteção para a juventude, na prática, o que se vê são Conselhos Tutelares sucateados, deixando os menores desamparados contra agressões.

Mas, no meio desse cenário triste, ainda há espaço para esperança.
Com 12 anos, adolescente precisa decidir sobre gravidez
O Hospital paulistano Pérola Byington se especializa em saúde da mulher. Diariamente, atende de 15 a 20 casos diários de violência sexual. Desses, segundo estimativas próprias, 70% ou 75% têm adolescentes ou crianças como vítimas. Em cada um, um trauma que jamais será plenamente superado.

É a história de uma dessas vítimas, de 12 anos, que a reportagem ao lado conta. Estuprada, com quatro meses de gravidez, ela precisa decidir o que fazer.
Fantástico acompanhou, por um ano, histórias de menores que sofreram abusos, agressões e omissões de adultos que deveriam protegê-los.
O Fantástico do dia 23 de junho exibiu uma reportagem especial sobre violência contra a criança. O repórter Marcelo Canellas acompanhou, por um ano, histórias de menores que sofreram abusos, agressões e omissões de adultos que deveriam protegê-los e educá-los.
O poder público está discutindo uma maneira de legislar sobre a violência doméstica contra as crianças. O projeto de lei 7672, conhecido como Lei da Palmada, prevê punições a pais e demais adultos que utilizem o castigo físico como forma educativa. Aprovada em comissão da Câmara em 2011, a lei ainda não foi votada em plenário.

As sanções previstas aos pais vão desde medidas socioeducativas até o afastamento das crianças.

Fonte: Fantástico | G1

Mulheres no trabalho são mais inovadoras

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Depois de conquistar o mercado de trabalho, muitas mulheres não se contentam apenas em administrar a comodidade de ter um emprego formal e todas as garantias que ele traz. É o que revela um levantamento da Global Entrepreneurship Monitor, que aponta que a força feminina já responde por 51% dos empreendedores brasileiros na ativa. Na comparação entre os sexos, elas têm mais facilidade para a inovação e para a retenção de talentos.

Outro dado, dessa vez da Endeavor, mostra que 57,7% dos homens declararam sentir dificuldades na área de recursos humanos ou no processo produtivo. Esse percentual cai para 34,6% entre o público feminino. A coordenadora da Endeavor no Rio Grande do Sul, Bruna Eboli, destaca que, enquanto os homens se concentram em áreas tradicionais, como a indústria, as mulheres inovam no processo produtivo, no marketing e nos recursos humanos, valorizando a integração da equipe. “As mulheres têm muito mais facilidade no contato com as pessoas e na melhoria dos processos”, compara.

Para a especialista, o empreendedorismo é um caminho sem volta. Cita o fato de mais de 70% dos brasileiros já pensarem em ter o seu próprio negócio para fundamentar a teoria. E a tendência é de as mulheres acompanharem essa evolução. No Rio Grande do Sul, marcam presença em, praticamente, todas as áreas, não apenas nos segmentos de moda e beleza, dominados pelo público feminino. “O ambiente industrial ainda é muito masculino”, pondera Bruna.

O consultor na área de empreendedorismo da Fundatec, José Eduardo Fróta Albuquerque, ressalta a maior capacidade de gerenciamento delas. A maioria das micros, pequenas e médias empresas têm um ciclo de vida curto, permanece em operação, em média, de 1,5 a 4,5 anos. “A maior dificuldade não é colocar um negócio, mas mantê-lo. E as pessoas não conseguem por dois aspectos básicos: pela falta de capacitação e pela falta de planejamento”, revela. No entanto, dos negócios que conseguem ultrapassar tal barreira, 67% têm mulheres à frente. “Elas têm mostrado maior capacitação, nível de organização e planejamento financeiro. O homem se baseia muito pelo intuitivo”, avalia.

Albuquerque também aposta no crescimento das mulheres no ramo empreendedor. Entre os motivos, ele ressalta a disponibilidade de saírem da zona de conforto e a busca pela qualificação. “Muitas vezes, são separadas, divorciadas ou viúvas que precisam dar um novo rumo para suas vidas”, acrescenta. No Brasil, entre 28% e 30% das empreendedoras têm entre 31 e 40 anos. Desse total, de 55% a 60% estão nas regiões Sul e Sudeste. Para Albuquerque, tal desempenho tem a ver com a disponibilidade de elas deixarem a zona de conforto do emprego formal e da casa. “Mostram maior garra e não se importam com a tripla jornada”, diz o consultor.

Vinícola em Itaqui se destaca pela administração feminina

A inauguração da Vinícola Campos de Cima, em Itaqui, prevista para o início do próximo ano, é a consolidação do sonho de três mulheres: Hortência Ayub, 60 anos, e suas duas filhas, Manuela, 33, e Vanessa, 37. O projeto se iniciou em 2002 com o plantio de 15 hectares de vinhedos na fazenda da família, a 100 quilômetros da cidade. As mudas foram importadas da França e da Itália. O empreendimento, na sua totalidade, exigiu um investimento de R$ 1 milhão.

“Queríamos uma alternativa que não fosse o arroz e a pecuária, as principais atividades da fazenda, mas que envolvesse as mulheres”, lembra Hortência. A implantação levou em conta a potencialidade da Metade Sul no segmento. A produção começou em 2006 em parceria com outras vinícolas, e a comercialização deslanchou três anos depois. Atualmente, são produzidas cerca de 40 mil garrafas de vinho por ano. A venda é feita quase toda diretamente ao consumidor e os preços variam de R$ 18,00 a R$ 40,00 a garrafa. Os principais compradores estão em São Paulo, Porto Alegre e Brasília.

“A vinícola das mulheres”, como já ficou conhecida na região, não ganhou o nome à toa. Grande parte da mão de obra nos vinhedos é formada por elas. O marido de Hortência, o médico e pecuarista José Silva Ayub, costuma dar sua colaboração ao empreendimento. “Ele também se envolve, mas o negócio é nosso”, faz questão de frisar Hortência.

Fonte: Jornal do Comércio

Nelson Naibert filia-se ao PSB nesta segunda-feira

O empresário e economista Nelson Naibert assina ficha de filiação ao PSB de Porto Alegre na tarde desta segunda-feira (24/06). O ato tem presença confirmada do vice-governador do Rio Grande do Sul, Beto Grill e dirigentes do partido.

“Existe um momento em que algumas decisões ganham força para nos fazer avançar ainda mais em nossas lutas. Tenho muita vontade de ajudar a mudar certas situações, ajudar no desenvolvimento, na geração de renda e em outras áreas. Isso, através da política, pode ser fortalecido e os resultados alcançados com a união de esforços. O PSB é um partido que me acolheu muito bem, que se mostrou muito disposto – através de suas lideranças – a construir essa nova sociedade que acredito ser possível”, afirmou Nelson Naibert.

A filiação ocorre na sede do PSB de Porto Alegre.

Legislação é entrave ao sistema 4G na Capital

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telefonia, que está investigando os problemas no serviço móvel em Porto Alegre realizou na manhã de quinta-feira, sua segunda audiência na Câmara Municipal. Contando novamente com a presença do gerente regional da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Jacob Bettoni, a audiência, que na semana passada foi cancelada por falta de quórum, iniciou, com a presença de 10 vereadores e, posteriormente, dos 12 que integram a CPI.

Bettoni apresentou as medidas que a Anatel vem tomando desde que as denúncias contra as operadoras de telefonia móvel aumentaram. Segundo o gerente, um plano de melhorias foi criado, acarretando a punição das operadoras, a proibição temporária da venda de chips, além de ter sido firmado um compromisso de investimentos na qualidade do serviço até o ano de 2014. “Há um monitoramento trimestral, feito cidade por cidade, inclusive dos investimentos”, afirmou Bettoni apresentando os indicadores de desempenho das quatro operadoras que atuam em Porto Alegre, que em seguida foram entregues ao presidente da CPI, vereador Claudio Janta (PDT).

O pedetista trouxe à tona um tema polêmico: a implantação do sistema 4G. Lembrou que, até o final do ano, a Anatel exige que 50% da Capital esteja atendida pelo sistema 4G, porém isso exigirá a triplicação do número de antenas, medida que, segundo Janta, é restringida pela legislação. “Existiu uma tentativa de enfraquecer a CPI”, afirmou o vereador. Questionado sobre a quem ele se referia, o pedetista afirmou que são as pessoas que não têm interesse em melhorar os serviços, que inclui a instalação de mais antenas. Ao responder à pergunta de Janta sobre o sistema 4G, Berttoni disse que as operadoras estão utilizando as antenas 3G, porém, quando a demanda aumentar, a tratativa será com a prefeitura. “Isto não é problema da Anatel. O problema da Anatel é que o serviço seja colocado à disposição.”

O gerente da Anatel também reforçou a criação de normas aplicadas às operadores, como a Resolução 604/12 que determina que a ligação poderá ter qualquer tempo de duração e, se for interrompida, desde que refeita em até 120 segundos, será cobrada como a mesma ligação. Em seguida, no espaço aberto para questionamentos, a vereadora Fernanda Melchionna (P-Sol) citou o recente depoimento do Procon, que apontou o número excessivo de protocolos contra as operadoras que ainda não foram resolvidos.

“As operadoras não investem na qualidade dos serviços. Como a Anatel lida com isto?”, questionou. Janta também disparou contra a má qualidade dos serviços em horários de “pico”. “Meu celular não funciona. Vendem um telefone, mas ele não vai funcionar em diversos pontos”, reclamou o presidente da CPI. Berttoni disse que havia equipes de monitoramento no jogo Brasil e França na Arena do Grêmio, onde o tráfego foi intenso, e afirmou que a Anatel quer a participação dos consumidores. “Defendemos que os clientes busquem os seus direitos e estamos tomando as medidas necessárias. Estamos à disposição do Procon e da CPI para ajudar”, concluiu o gerente que também citou que o atual marco regulatório permite que as empresas prestem um serviço de qualidade. Outros vereadores que acompanharam a audiência também fizeram questionamentos. Na próxima quinta-feira, a CPI ouvirá o diretor executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Eduardo Levy.

Por conta dos protestos que tomaram conta das ruas de Porto Alegre na tarde de quinta-feira, a sessão plenária da Câmara Municipal foi abreviada. Segundo o presidente da Câmara Municipal, Thiago Duarte (PDT), a medida foi tomada após aconselhamento dos órgãos de segurança.

Fonte: Jornal do Comércio

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