Protesto reúne 5 mil e termina com 8 presos e 3 feridos em Porto Alegre

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Dois policiais precisaram ser atendidos no Hospital de Pronto Socorro.
Durante a maior parte do protesto, o clima foi calmo na capital.

 

Após mais uma noite de reivindicações em Porto Alegre, o protesto desta quinta-feira (27) terminou com um saldo menor do que os anteriores tanto em número de manifestantes quanto de presos e feridos. Cinco mil pessoas participaram da concentração na Praça da Matriz, no Centro da capital. De acordo com a Brigada Militar, oito foram detidos e encaminhados à Academia de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Três pessoas precisaram ser atendidas pelo Hospital de Pronto Socorro (HPS), sendo dois policiais e uma jovem menor de idade.

 

O grupo se reuniu em frente à sede do governo do estado após as 17h e por lá permaneceu durante a maior parte do ato, já que não havia caminhada prevista. O clima era calmo. Uma banda tocava no carro de som, enquanto as pessoas dançavam, tomavam quentão e bebiam cerveja. Foram três horas de manifestação pacífica.

 

O governador do RS, Tarso Genro, recebeu 11 líderes de movimentos sociais no Palácio Piratini. Eles pediram apoio do governo na identificação de manifestantes que realizam atos violentos, além de entregar uma lista de reivindicações, reclamar do inquérito que investiga ações em redes sociais e questionar as ações da Brigada Militar nos últimos atos.

 

Com a dispersão das pessoas, houve tumulto. Manifestantes jogaram pedras e provocaram a polícia, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo. Grupos saíram pelas ruas tentando vandalizar objetos e prédios, e houve confronto com a BM. Segundo o Centro Integrado de Comando da cidade, quatro contêineres foram estragados, três na Avenida Duque de Caxias e um na Travessa do Carmo. Cerca de 50 garis devem limpar as ruas durante a madrugada desta sexta-feira (28).

 

No Largo Zumbi dos Palmares, um grupo depredou contêineres de lixo e bicicletas do sistema de aluguel de Porto Alegre. Jovens provocaram a polícia e chegaram a arremessar pedras e garrafas em direção à Brigada Militar, que não reagiu.

 

Em um dos momentos mais tensos da noite, na altura da Avenida João Pessoa, manifestantes cercaram um carro e começaram a chutá-lo. Houve tentativa de abrir a porta do veículo, que conseguiu sair do local de marcha ré, com a ajuda de outras pessoas que abriram caminho.

 

Os próprios manifestantes se desentenderam entre si diversas vezes. Após confusão, muitos deram as mãos e cantaram o hino do Brasil. Eles pediam calma aos que ali estavam.

 

Enquanto isso, um grupo permaneceu na Praça da Matriz. Alguns manifestantes gritavam “Sem violência” e apedrejavam policiais. Garrafas também foram jogadas no Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar que estava no local, sem reação.

Grades foram colocadas na Rua Duque de Caxias, em frente ao Palácio Piratini, para separar os manifestantes da BM. Participantes empurraram os objetos e avançaram sobre outras pessoas, que pediam que a violência cessasse. Um deles soltou um rojão.

 

Um bombeiro voluntário decidiu intervir no conflito. Com máscara para se proteger de gás lacrimogênio, Deivid Becker saiu por entre a tropa de choque e foi até a grade que havia sido derrubada e depois reerguida pelos próprios manifestantes.

Becker pediu “calma” para um grupo de encapuzados que provocava os policiais, inclusive atirando pedras para provocar um confronto. “Eles queriam confronto, mas não é assim. Não se combate violência com vandalismo. Só quero que ninguém se machuque, eu amo a vida”, disse o bombeiro ao G1. A ação de Becker evitou uma briga.

 

Após os momentos de tensão no protesto de Porto Alegre, o governador Tarso Genro falou com o pelotão da Brigada Militar. Ao final da conversa, Tarso aplaudiu os policiais (confira no vídeo ao lado).

Os três feridos foram liberados do hospital no fim da noite. A adolescente teve intoxicação devido ao gás lacrimogêneo. Um dos policiais havia sido atingido por uma pedra, enquanto outro caiu da motocicleta.

No protesto da última segunda-feira (24), cerca de 10 mil pessoas participaram e mais de 50 foram presas. Na ocasião, pelo menos 8 ficaram feridos.

Tarde de quinta-feira

Mais cedo, um grupo de manifestantes do Sindicato dos Municipários da capital (Simpa) fez uma passeata pelas principais ruas do Centro até a Praça da Matriz. A caminhada seguiu pela Avenida Borges de Medeiros e foi aplaudida pelos moradores do bairro.

Entre os pedidos, está a valorização educação e a não violência por parte da Brigada Militar durante os atos que acontecem na cidade. Eles exibiam uma faixa com o escrito: “Oi, eu sou a educação. Finge que eu sou a Copa e investe em mim!”. O projeto de “cura gay” e o preconceito contra as mulheres também foram tema de cartazes de protesto.

 

Roberto Mazzocco, de 46 anos, foi um dos participantes que critica a ação dos oficiais. “Não é com repressão ou bomba de gás. O movimento popular quer passe livre, melhorias. Nunca vi um governo assim. Olha a arma deles”, disse ao G1, apontando para a guarnição que faz a segurança no local. Toda a área da Praça da Matriz está cercada.

Passagem de Porto Alegre foi mantida em R$ 2,85
Em julgamento realizado na tarde desta quinta-feira (27) na 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, foi negado o recurso da Associação de Transportadores de Passageiros (ATP) que pretendia suspender a liminar que reduziu a tarifa do transporte público em Porto Alegre. Com a decisão, o valor da passagem do ônibus na capital gaúcha segue em R$ 2,85.

Na próxima segunda-feira (1) a Câmara de Vereadores de Porto Alegre vota um Projeto de Lei encaminhado pela prefeitura que isenta o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e sugere que o preço da passagem de ônibus na capital gaúcha seja de R$ 2,80. Na quarta-feira (26), duas comissões da Câmara deram parecer favorável ao projeto do Executivo. Se a isenção for aprovada, o município vai deixar de arrecadar R$ 15 milhões por ano, segundo a prefeitura.

 

Fonte: G1

 

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