Telecomunicações é o principal gargalo de Porto Alegre para Copa

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A Faculdade de Ciências Econômicas da Ufrgs sediou, ao longo do dia de ontem, uma série de reflexões sobre o desenvolvimento de Porto Alegre para a Copa de 2014. No encerramento da programação promovida pela Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor) da Câmara Municipal, secretários estaduais e municipais apresentaram um balanço das principais ações e obras de infraestrutura necessárias para a realização do Mundial no próximo ano.

Na avaliação do secretário municipal da Copa, João Bosco Vaz, um dos maiores gargalos da cidade, que ainda permanece sem solução, diz respeito ao setor de telecomunicações. Para ele, a chamada Lei das Antenas exige que o laudo de instalação seja concedido em no máximo 60 dias, mas não cobra das operadoras um percentual mínimo de propagação das transmissões. “Não se surpreendam se as operadoras montarem esquemas temporários para a Copa apenas no entorno do estádio e depois retirarem a infraestrutura”, considerou.

Vaz ainda destacou como o principal legado a necessidade de qualificação de 8 milhões de trabalhadores nos segmentos de serviços, hotelaria, gastronomia e comércio. O secretário chamou a atenção para a perspectiva de um movimento econômico superior a R$ 165 bilhões apenas no período de preparo do País para receber o evento. Além disso, a média de gastos dos visitantes estrangeiros na África do Sul, a sede de 2010, foi avaliada em US$ 11,4 mil. Segundo ele, a estimativa é de que o Brasil receba 600 mil turistas estrangeiros e registre movimento interno de mais de 3 milhões de pessoas.

Por volta das 18h, o barulho das buzinas dos automóveis se intensificava no lado de fora do auditório, na avenida João Pessoa, em razão das obras dos terminais dos BRTs, e o secretário municipal de Gestão, Urbano Schmitt, terminava suas considerações sobre as obras de mobilidade previstas na Matriz de Responsabilidade da sede gaúcha. Os investimentos de R$ 886,8 milhões, divididos entre obras (R$ 808 milhões) e desapropriações de moradias (R$ 78,8 milhões) – com prazos fixados em 12 meses, 18 meses e 22 meses -, impõem, desde o início de 2013, uma alteração de rotina em alguns dos principais vetores do trânsito porto-alegrense.

O conjunto total das 10 obras, que prevê, entre outras melhorias, a construção de corredores de ônibus, alargamentos de avenidas e alças elevadas sobre a Terceira Perimetral, entrou em fase de execução simultaneamente. Entretanto, segundo ele, o motivo não foi a falta de planejamento e todos os transtornos têm passado por monitoramentos constantes da EPTC. “As obras foram projetadas antes. Sabíamos que teríamos um momento mais difícil e isso ocorre agora. Em seguida, a tendência é de que sejam minimizadas. Tudo isso é em prol da cidade e realizamos levantamentos sobre a qualidade dos nossos desvios para controlar as alterações no trânsito”, afirmou.

Enquanto as inscrições em alguns cartazes colados na entrada do prédio contestavam aspectos da realização do evento na Capital, em função da necessidade de remoção de famílias e da falta de investimentos em saúde, a plateia formada por estudantes da universidade exigia explicações sobre o aumento das passagens de ônibus e o corte de árvores para a duplicação da avenida Beira-Rio.

O secretário estadual do Esporte e Lazer e coordenador-geral do Comitê Gestor da Copa 2014, Kalil Sehbe, traçou então um resumo dos R$ 1,4 bilhão estimados para as melhorias em energia, mobilidade, segurança e saúde. Entretanto, o montante ainda considerava R$ 752 milhões para o Aeroporto Internacional Salgado Filho, obra que foi retirada da matriz e permanece sem cronogramas definidos pela Infraero. Questionado, ele ressaltou os esforços do governo para obtenção de prazos junto ao órgão e garantiu, ao menos, a instalação do sistema antineblina (ILS II) para maio deste ano.

Mundial será prova de fogo à democracia, avisa argentino

Adriana Lampert

Convidado para expor sobre a experiência de Buenos Aires e o desenvolvimento econômico da Argentina na Copa de 1978, o professor PhD em Sociologia da Ufrgs Raul Rojo foi categórico ao destacar que o país vizinho se “afundou” em dívidas com o FMI após o evento mundial. Por isso, reiterou que é preciso estar atento para que não haja uma “instrumentalização” da Copa para o enriquecimento ilícito. “Será uma prova de fogo à democracia. Claro que as realidades (políticas e históricas) são diferentes, pois na Argentina o evento foi organizado pelo regime militar ditatorial, que inclusive utilizou o Mundial como uma estratégia para amenizar atrocidades, como as torturas e assassinatos que aconteciam a menos de 10 quadras dos jogos”, ponderou.

Rojo ressaltou que, “se há algo que se pode aprender com a experiência argentina, é como não fazer as coisas”. Ele citou os “elefantes brancos”, como alguns estádios criados unicamente para o evento, que foram superfaturados e que atualmente recebem de um a dois jogos por ano. “O campeonato de 1978 foi orçado originalmente em US$ 70 milhões, e no final, custou US$ 700 milhões. Este dinheiro não foi utilizado em infraestrutura, mas, sim, para os bolsos de pessoas ligadas à organização do evento, que inclusive quadruplicaram sua fortuna, após a Copa”, disparou.

O presidente da Cefor, vereador Valter Nagelstein, lembrou que não estão ocorrendo investimentos públicos do município em estádios. “Estamos aproveitando a vinda do campeonato para fazer coisas que precisavam ser feitas havia décadas.”

Formação profissional desafia preparação da Capital gaúcha

Formar funcionários de ponta – garçons, camareiras, recepcionistas, cozinheiros, barmen – para bem atender aos turistas que visitarem a Capital tem sido uma das metas do Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre (Sindpoa). Intensificada a partir de 2009 (quando se confirmou que o Brasil sediaria a próxima Copa do Mundo), a iniciativa ganhou novos turnos e horários, que ampliaram as alternativas de cursos oferecidos pelo Centro de Qualificação Empresarial da entidade. A estratégia já formou mais de 16 mil pessoas desde 2002 e abrange a capacitação também de empresários do setor. Outra iniciativa prepara esses mesmos profissionais para orientarem e repassarem dicas aos visitantes da cidade durante a Copa de 2014.

Fonte: Jornal do Comércio

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