março 2013 archive

Inflação ameaça menos, mas ainda provoca tensão

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O recuo nos preços das commodities agrícolas e industriais está contribuindo para frear a inflação e criar um cenário mais benigno para a variação de preços. Os índices do atacado para bens agrícolas apontaram deflação em fevereiro e março no IGP-M, um sinal de alívio para o governo na tensa batalha de expectativas que trava para convencer os investidores que a inflação não ultrapassará o teto da meta, de 6,5%. Puxado pela queda dos alimentos, o Índice de Preços ao Produtor calculado pelo IBGE acumula deflação de 0,43% no primeiro bimestre.

A maioria das principais commodities agrícolas negociadas pelo Brasil vai encerrar o trimestre com cotações médias inferiores às do quarto trimestre de 2012 no mercado internacional. No mercado futuro de São Paulo caíram fortemente em março. Dos cinco produtos listados na BM&FBovespa, quatro tiveram preços inferiores à média de fevereiro. A soja liderou o recuo e caiu 8,7%, para US$ 28,06 a saca, menor cotação desde janeiro de 2012.

O combate à inflação com medidas de desaquecimento econômico é uma “política superada”, um “receituário que quer matar o doente”, definiu a presidente Dilma Rousseff, após a reunião dos presidentes dos Brics, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (país que sedia o encontro). Ao responder a uma pergunta sobre pressões inflacionárias do Valor PRO, o serviço em tempo real do Valor, a presidente disse: “Não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico”.

No Brasil, as declarações repercutiram de imediato no mercado financeiro. As taxas de juros futuros recuaram rapidamente, sinalizando uma forte redução nas expectativas que davam como provável uma alta da taxa básica Selic no curto prazo – ou seja, em maio. Para operadores do mercado, as declarações da presidente corroboraram a percepção de que o Banco Central deseja protelar ao máximo o esperado aperto monetário.

A repercussão da fala da presidente no mercado pôs em marcha uma ação coordenada do governo para desfazer o mal-estar. O presidente do BC, Alexandre Tombini, disse ao “Broadcast” que a fala da presidente foi mal interpretada. “De inflação fala a equipe econômica. Em relação à política de juros, fala o Banco Central”, disse Tombini, que estava ao lado da presidente quando ocorreu a polêmica declaração.

Irritada com a situação, Dilma, por meio do blog do Planalto, disse ter sido vítima de “manipulação” na transmissão de suas declarações. No início da noite, a assessoria da presidência convidou os jornalistas brasileiros que acompanham o evento dos Brics ao resort onde Dilma tinha encontros com chefes de Estado, entre eles o chinês Xi Jinping, com a informação de que poderia haver notícia de interesse da imprensa no encontro. Após uma viagem de 45 quilômetros, os jornalistas puderam apenas ver a presidente de saída, que, após cumprimentar sorridente alguns diplomatas e ministros, passou pelos repórteres aparentando irritação.

“Só repudio manipulação da fala”, disse Dilma a um repórter que lhe perguntou se queria fazer um esclarecimento. “A notícia que saiu é manipulada”, acrescentou, sem, porém, esclarecer se fazia referência a uma manipulação por parte da imprensa ou do mercado financeiro. “Sou pessoa que até já escrevi que o combate da inflação é um valor em si”, disse, muito séria.

A tentativa do governo de desfazer o efeito negativo das declarações da presidente não repercutiu no mercado. Houve queda generalizada nas taxas projetadas nos contratos negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). No contrato DI (Depósito Interfinanceiro) com vencimento em janeiro de 2014, a taxa caiu de 7,79% para 7,74%. No DI com vencimento em janeiro de 2015, a taxa recuou de 8,52% para 8,46%.

“Já há quem diga que o discurso [da presidente Dilma] desfez boa parte do ajuste que o BC havia feito “no gogó” “, afirmou um experiente analista, referindo-se à alta que os juros futuros vinham registrando, provocada pelos sinais de preocupação do Banco Central com a inflação.

Quando foi abordada ontem para falar sobre as pressões inflacionárias no Brasil e as análises que apontam o pleno emprego como uma de suas causas, Dilma, a princípio, havia dito não querer falar de assuntos internos, fora do país. “Geralmente, nas questões específicas sobre inflação, eu deixo para serem faladas pelo ministro da Fazenda, mas vou adiantar algumas questões”, comentou, ante a insistência na pergunta.

“Esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença é meio complicado”, disse. “Vou acabar com o crescimento no país? Isso está datado, é uma política superada.”

“Isso não significa que o governo não está atento e acompanha essa questão da inflação”, ressalvou a presidente, que disse acreditar, porém, que a inflação no Brasil “está controlada”. “O que há são alterações e flutuações conjunturais. Nós estaremos sempre atentos” afirmou. “Não tem nada que possamos fazer, a não ser expandir a produção para conter o aumento dos preços das commodities derivado da quebra da safra nos Estados Unidos”, analisou a presidente. “O pleno emprego você vai reduzir não com menos crescimento”, disse ela. Dilma citou as desonerações dos setores e a redução do custo da energia.

Fonte: Valor Econômico

Taxa de desemprego de Porto Alegre fica em 6,2% no mês de fevereiro

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A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre apresentou leve redução em fevereiro em comparação com o mês anterior, passando de 6,3% para 6,2%. O número total de desempregados foi estimado em 119 mil pessoas, duas mil a menos do que no mês anterior.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (17) pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Em comparação com as outras seis regiões metropolitanas do país onde o levantamento é feito, Porto Alegre e Belo Horizonte apresentaram a menor taxa de desemprego, seguidas por Fortaleza (8,5%), São Paulo (10,3%), Distrito Federal (12,8%), Recife (12,9%) e Salvador (18,6 %).

Os setores da indústria de transformação e da construção apresentaram redução no nível de ocupação, com índices negativos de 1,3% (menos quatro mil ocupados) e 2,2% (menos três mil ocupados), respectivamente.

Em contrapartida, houve variação positiva no setor de serviços (0,6%), com o acréscimo de seis mil ocupados, além de estabilidade no comércio e na reparação de veículos automotores e motocicletas (0,3%), com mais mil ocupados.

Fonte: G1

Apenas oito das 96 escolas municipais receberam o uniforme na Capital

Após um mês de aulas, poucas unidades já têm as roupas. Fornecedor culpa prefeitura: pedido foi feito cinco dias antes do início do ano letivo

Na abertura do ano letivo, em 27 de fevereiro, a Secretaria de Educação (Smed) de Porto Alegre anunciou que entregaria 44.997 kits de uniformes escolares para alunos de 96 escolas da rede pública municipal. Mas, passados 30 dias, somente oito instituições receberam o conjunto de roupas. Os pares de tênis, que também foram prometidos, ainda não chegaram aos pés dos estudantes. A compra dos uniformes custou R$ 6,7 milhões.

Pedido feito em cima da hora

Por que a demora? A fornecedora Capricórnio S/A, empresa paulista, alega que só recebeu a ordem de serviço cinco dias antes do início das aulas (22 de fevereiro).

Por contrato, a vencedora da licitação teria 60 dias para começar a entregar o material. Via assessoria de comunicação, a Capricórnio S/A afirma que acelerou a produção para “não deixar as crianças muito tempo sem os uniformes”. Por fim, prevê entregar todos os kits até o dia 22 de abril, data em que, por contrato, começaria a entrega.

Filha de Regina não recebeu

A Smed não se manifestou sobre o pedido ter sido feito cinco dias antes das aulas. Apenas informou que os kits são entregues nas escolas por uma empresa de logística contratada pela Capricórnio S/A.

Mãe de uma aluna da Escola Municipal Especial de Ensino Fundamental Professor Elyseu Paglioli, no Bairro Cristal, a dona de casa Regina Xavier da Rosa, 47 anos, achou a ideia maravilhosa, mas a filha continua indo com suas próprias roupas. Segundo a diretora Viviane Loss, os kits não foram entregues. Além de gerar economia em roupas, o kit facilitará a segurança na escola, a medida que os alunos serão facilmente identificáveis.

– As professoras disseram que quando eles chegassem, repassariam para os alunos – garante Regina.

Os kits

São três tipos de conjuntos:

Kit Berçário: previsto para cerca de 700 crianças de zero a um ano e 11 meses, conterá duas camisetas de manga curta, uma de manga longa, um moletom, uma calça de moletom, dois pares de meias e uma mochila, todos unissex. Na versão feminina haverá também um short-saia, e, na masculina, uma bermuda.

Kit Infantil: será entregue a cerca de 5 mil estudantes de dois a cinco anos e 11 meses, conterá as peças do Kit Berçário com o acréscimo de um par de tênis.

Kit Fundamental: corresponde a mais de 39 mil dos conjuntos. Também terá a substituição do moletom por uma jaqueta unissex e, na versão feminina, trocará a calça de moletom por uma calça legging.

Como são: as peças têm as cores cinza e branco como predominantes, além de detalhes em laranja, e contarão também com o brasão da prefeitura. Os uniformes serão de posse definitiva dos estudantes.

Alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental América, no Partenon, André, Flávio e Carlos não veem a hora de vestir os uniformes.

– Disseram que a gente não precisaria mais vir com roupa chique porque eles iriam dar. Estão prometendo desde o ano passado – brinca o aluno Carlos Alessandro Carvalho, 12 anos.

Pais têm de se mexer também

Mesmo nas escolas em que o material já foi entreegue, como na Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora do Carmo, na Restinga, a distribuição é demorada porque muitos pais não foram buscar o kit.

Há um mês, o colégio recebeu os uniformes das mãos do prefeito José Fortunati. Porém, até terça-feira, só 28 dos 711 alunos estavam usando camisetas, moletons, calças, meias, short-saias, bermudas e mochilas entregues pelo município.

Segundo a diretora Maria Fernanda Kelbert, primeiro os alunos tiveram de experimentar as roupas. Cumprida essa etapa, a escola marcou uma data para os pais retirarem o material e assinarem termo de responsabilidade.

– No sábado, esperamos 28 pais na escola, mas só cinco vieram. Quem não está de uniforme, não vai a passeios – alertou a diretora.

Fonte: Diário Gaúcho

Ainda não chegou lá

Medidas populares anunciadas pelo governo, como a desoneração da cesta básica e a redução da tarifa de energia elétrica, demoram a beneficiar os consumidores e desconto não é integral. Entenda por quê

Já é uma tradição no Brasil. Toda vez que o governo vem a público anunciar medidas populares, que reduzem os custos de produção, facilitam o acesso ao crédito e ampliam o poder de compra dos consumidores, os benefícios demoram a chegar à ponta. Quando finalmente as benesses são repassadas à população, os percentuais não conferem com aqueles prometidos com pompa e circunstância em rede nacional de tevê. A história se repetiu com os pacotes de bondades anunciados pela presidenta Dilma Rousseff. Primeiro, a redução dos juros não foi percebida em sua totalidade. Mesmo o Banco Central tendo cortado a taxa básica (Selic) em 5,25 pontos percentuais nos últimos dois anos, os bancos foram extremamente cautelosos em repassar os cortes às taxas cobradas das empresas e das pessoas físicas. Antes, a própria presidenta teve que comprar uma briga pública contra os spreads (diferença entre o que o banco paga e cobra pelo dinheiro) e forçar a queda real dos juros por meio dos bancos públicos para que, meses depois, o benefício chegasse a todas as linhas de crédito.

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Como o principal pilar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tem sido o consumo das famílias – que avançou 3,1% no ano passado –, a queda dos preços da cesta básica, anunciada em 8 de março, também tem sido acompanhada pelo governo. Após dizer que retiraria a cobrança de impostos federais (PIS/Cofins) de oito produtos da cesta básica, Dilma afirmou: “Conto com os empresários para que isso signifique uma redução de pelo menos 9,25% no preço das carnes, do café, da manteiga, do óleo de cozinha e de 12,5% na pasta de dentes e nos sabonetes, só para citar alguns exemplos.” A redução efetiva, contudo, não deve passar de 4,5%, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Até agora a baixa de preço nas prateleiras não chegou sequer a 3%. Na semana passada, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que, no município de São Paulo, os preços dos produtos desonerados recuaram 2,79% (o equivalente a R$ 2,48) entre a primeira e a segunda semana de março. Mas por que a discrepância? “O governo fez uma promessa sobre algo que não controla”, diz Heron do Carmo, professor de economia da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo. “Os preços desses produtos são influenciados não só pelos tributos diretos, mas por outras etapas de produção, pela negociação entre supermercados e fornecedores e pela relação entre oferta e procura, entre outros fatores.”

Segundo o economista da USP, cervejas e cigarros, que podem ter preços sugeridos pelos fabricantes, são exemplos de produtos industrializados nos quais o impacto direto da desoneração poderia ser mensurado de forma mais precisa. Na avaliação do Dieese, a renúncia fiscal no caso da cesta básica, que custará ao governo R$ 5,5 bilhões neste ano, é mais uma medida da chamada “reforma tributária fatiada”. “Um dos principais problemas dessa reforma é o fato de ela não permitir uma visão de conjunto sobre suas repercussões”, disse em nota. O vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Ronaldo dos Santos, afirma que a entidade tem orientado os associados a negociar com os fornecedores para fazer o repasse chegar aos clientes. Em outros casos, a decisão sobre o desconto está diretamente nas mãos dos varejistas. “A carne bovina, por exemplo, já estava desonerada na cadeia de produção, com exceção do varejo, mas, devido a créditos tributários, a alíquota paga não era de 9,25%, mas de 3,75% a 6%”, diz ele. Em outras palavras, considerando apenas a isenção fiscal, o desconto máximo no preço da carne será de 6%. Para o café, a expectativa não passa de 4%.

A teoria econômica, que trata do comportamento dos agentes, mostra que, se o custo de produção for reduzido, isso terá um efeito positivo no valor final. A prática demonstra que esse cálculo não é tão simples. Os economistas de mercado têm outra explicação para o fato de o repasse aos consumidores não corresponder aos valores anunciados oficialmente: a ampliação das margens de lucro. Para o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, embora o setor de supermercados tenha bastante concorrência, “haverá alguma recomposição de margem por parte do varejo”. O precedente foi aberto no ano passado, quando cerca de 16% do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e 60% do benefício para a linha branca (eletrodomésticos) foram apropriados pelos empresários e não subtraídos dos valores finais. Com a prorrogação da isenção do IPI, o IBGE notou que os preços de alguns automóveis novos até aumentaram devido à maior procura dos consumidores, que foram atraídos pela propaganda do desconto. Foi nesse momento que as concessionárias aproveitaram para expandir ainda mais sua margem de lucro. Ou seja, não basta a vontade política do governo. É preciso fiscalização e acompanhamento para que espertezas não surjam pelo caminho. Em um cenário de baixo crescimento e inflação persistentemente próxima ao teto da meta (6,3% nos últimos 12 meses), a prática preocupa. A expectativa sobre a desoneração da cesta básica é que baixe a inflação em até 0,6 ponto percentual.

De olho no controle da inflação, o governo tem lançado mão de todas as cartas para impedir o início de um ciclo de juros mais altos pelo Banco Central. Anunciada em setembro do ano passado, a redução na conta de luz foi a medida mais popular tomada nesse sentido. Em 23 de janeiro, a presidenta voltou à tevê e ao rádio para dizer que, a partir do dia seguinte, as tarifas da energia elétrica cairiam, ao menos, 18% para as residências e até 32% para a indústria. Até a semana passada, porém, muitos brasileiros ainda não tinham visto a conta mais barata. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que coordenou uma campanha pelo barateamento da eletricidade, isso ocorre porque, nas cobranças recebidas em fevereiro, “há medições feitas em datas anteriores à aplicação do percentual de redução.” Além disso, a Fiesp esclarece que, em alguns lugares, a conta pode subir por causa dos reajustes anuais de cada distribuidora, que incluem a correção com base nos índices de inflação e a variação dos custos com a compra de energia das concessionárias.

Pensando em agradar aos consumidores de baixa renda, o governo agora estuda desonerar o diesel e o setor de transporte coletivo urbano. O estudo de viabilidade está em análise final no Palácio do Planalto. A manutenção e até a diminuição, em alguns casos, da tarifa das passagens de ônibus e metrô terá impacto direto no bolso dos trabalhadores, no momento em que a Dilma vê sua popularidade crescer para 79%. Até agora, o governo abriu mão de mais de R$ 7,3 bilhões em impostos ao ano, mas, nas palavras da presidenta, “os benefícios para as pessoas e a economia compensam esse corte na arrecadação.” Ao anunciar a redução da cesta básica, Dilma afirmou: “Você, com a mesma renda que tem hoje, vai poder aumentar o consumo de alimentos e produtos de limpeza e, ainda, ter uma sobra de dinheiro para poupar ou aumentar o consumo de outros bens.” Vontade política não falta, mas o resultado ainda não chegou lá.

Fonte: IstoÉ

Postos de saúde de Porto Alegre fecham ao meio-dia de hoje

Os postos de saúde em Porto Alegre vão suspender as atividades a partir das 12h de hoje. O decreto que determina o ponto facultativo na cidade prevê a paralisação dos serviços regulares a partir do meio-dia. Já prevendo a suspensão, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) não agendou consultas e exames no turno da tarde. Assim, não será necessário remarcá-los em função do fechamento das unidades. O expediente volta ao normal segunda-feira. O prefeito José Fortunati afirmou ontem que ficou surpreso ao saber que os postos não estariam funcionando no turno da tarde. “Na terça-feira, quando fui marcar a agenda para quinta-feira à tarde fiquei sabendo que era ponto facultativo”, afirmou. A polêmica é maior porque no feriado prolongado de Corpus Christi do ano passado, a prefeitura decidiu, na véspera, adotar ponto facultativo na sexta-feira seguinte, seguindo o governo do Estado. Com isso, mais de mil pessoas procuraram atendimento nos postos, para exames e consultas previamente agendados. A situação gerou protestos contra a administração municipal. Na ocasião, Fortunati pediu desculpas à população e reconheceu que a decisão foi equivocada. Na época, informou que não haveria pontos facultativos em 2012. Agora, o prefeito determinou a revisão do decreto que institui os pontos facultativos. Para consolidar a decisão, a prefeitura editará nova regra para as datas comemorativas. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) defende o atendimento mais amplo para todas as pessoas. “Certamente a população ficará desassistida”, avaliou a vice-presidente da entidade, Maria Rita de Assis Brasil. Os pronto-atendimentos não têm dado conta de toda a demanda, conforme ela.


Fonte: Correio do Povo

Cura de leucemia é anunciada por cientistas

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Foto: The New York Times

Foi publicado nesta semana uma pesquisa no New Engand Journal of Medicine que abre espaço para o tratamento de uma forma de leucemia muito complicada para os médicos, a leucemia linfocítica aguda (LLA). Especialistas da Universidade da Pennsylvania conseguiram curar uma paciente infantil utilizando um método de reprogramação das células da defesa.

A garota é esta da foto, Emily Whitehead. Ela foi diagnosticada com a doença quando tinha apenas cinco anos. Como os tratamentos convencionais não estavam surtindo efeito, os pais da menina resolveram tentar o tratamento experimental.

O método consiste em modificar geneticamente as células de defesa. Assim, elas passam a combater as células cancerígenas. Um ano depois, Emily permanece sem a doença.
O método ainda não apresentou 100% de eficácia em outras pessoas – houve um paciente que morreu -, mas abre espaço para a cura de outros tipos de câncer, como da mama e da próstata, dizem pesquisadores.

Fonte: IG

Senado aprova novos direitos das domésticas

Por unanimidade, o Senado aprovou nesta terça-feira a proposta que dá novos direitos trabalhistas aos empregados domésticos, igualando-os aos demais trabalhadores privados. A mudança, que consta de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), foi aprovada em duas votações na Câmara e duas no Senado, será promulgada no dia 3 e entra em vigor imediatamente.

A proposta estabelece 17 novas regras, como jornada de trabalho diário de 8 horas e 44 horas semanais, além de pagamento de hora extra de, no mínimo, 50% da normal. Os direitos se somarão àqueles existentes, como 13º salário, descanso semanal, férias anuais, licença-gestante e Fundo de Garantia do Tempo e Serviço (FGTS) obrigatório. Há itens que, para entrar em vigor, dependem de regulamentação.

Um dos grandes pontos de discussão é sobre as formas de controle do horário de trabalho. Há quem fale em adotar uma simples folha de ponto para resolver a questão, mas isso ainda precisa ser decidido numa norma posterior. Outra polêmica é sobre o adicional noturno. Autor da proposta, o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), não fixou na matéria, mas defende que o trabalhador receba adicionais quando estiver à disposição do patrão, ainda que nos aposentos.

Especialistas do Senado concordam que a matéria é polêmica e tornará ainda mais complexa a relação de empregador e empregados domésticos. O consultor legislativo da Casa especializado em Direito do Trabalho e Previdenciário Eduardo Modena vê como consequência à aprovação um aumento das ações trabalhistas na Justiça do Trabalho.

— É inevitável, não apenas pela dificuldade que algumas famílias terão em seguir as novas normas, mas porque a matéria foi muito divulgada e, agora, muitos empregados domésticos que antes não sabiam de seus direitos agora sabem — destacou.

Para os patrões, a grande preocupação é o aumento de custos que a PEC deve trazer. O consultor legislativo do Senado calcula que o impacto para o empregador seja em torno de 8%, caso não sejam pagos hora extra nem adicional noturno. Segundo especialistas em direito trabalhista, a mudança na legislação pode levar fazer com que o orçamento familiar sofra um impacto de até 40%.

Fonte: Zero Hora

Telecomunicações é o principal gargalo de Porto Alegre para Copa

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A Faculdade de Ciências Econômicas da Ufrgs sediou, ao longo do dia de ontem, uma série de reflexões sobre o desenvolvimento de Porto Alegre para a Copa de 2014. No encerramento da programação promovida pela Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor) da Câmara Municipal, secretários estaduais e municipais apresentaram um balanço das principais ações e obras de infraestrutura necessárias para a realização do Mundial no próximo ano.

Na avaliação do secretário municipal da Copa, João Bosco Vaz, um dos maiores gargalos da cidade, que ainda permanece sem solução, diz respeito ao setor de telecomunicações. Para ele, a chamada Lei das Antenas exige que o laudo de instalação seja concedido em no máximo 60 dias, mas não cobra das operadoras um percentual mínimo de propagação das transmissões. “Não se surpreendam se as operadoras montarem esquemas temporários para a Copa apenas no entorno do estádio e depois retirarem a infraestrutura”, considerou.

Vaz ainda destacou como o principal legado a necessidade de qualificação de 8 milhões de trabalhadores nos segmentos de serviços, hotelaria, gastronomia e comércio. O secretário chamou a atenção para a perspectiva de um movimento econômico superior a R$ 165 bilhões apenas no período de preparo do País para receber o evento. Além disso, a média de gastos dos visitantes estrangeiros na África do Sul, a sede de 2010, foi avaliada em US$ 11,4 mil. Segundo ele, a estimativa é de que o Brasil receba 600 mil turistas estrangeiros e registre movimento interno de mais de 3 milhões de pessoas.

Por volta das 18h, o barulho das buzinas dos automóveis se intensificava no lado de fora do auditório, na avenida João Pessoa, em razão das obras dos terminais dos BRTs, e o secretário municipal de Gestão, Urbano Schmitt, terminava suas considerações sobre as obras de mobilidade previstas na Matriz de Responsabilidade da sede gaúcha. Os investimentos de R$ 886,8 milhões, divididos entre obras (R$ 808 milhões) e desapropriações de moradias (R$ 78,8 milhões) – com prazos fixados em 12 meses, 18 meses e 22 meses -, impõem, desde o início de 2013, uma alteração de rotina em alguns dos principais vetores do trânsito porto-alegrense.

O conjunto total das 10 obras, que prevê, entre outras melhorias, a construção de corredores de ônibus, alargamentos de avenidas e alças elevadas sobre a Terceira Perimetral, entrou em fase de execução simultaneamente. Entretanto, segundo ele, o motivo não foi a falta de planejamento e todos os transtornos têm passado por monitoramentos constantes da EPTC. “As obras foram projetadas antes. Sabíamos que teríamos um momento mais difícil e isso ocorre agora. Em seguida, a tendência é de que sejam minimizadas. Tudo isso é em prol da cidade e realizamos levantamentos sobre a qualidade dos nossos desvios para controlar as alterações no trânsito”, afirmou.

Enquanto as inscrições em alguns cartazes colados na entrada do prédio contestavam aspectos da realização do evento na Capital, em função da necessidade de remoção de famílias e da falta de investimentos em saúde, a plateia formada por estudantes da universidade exigia explicações sobre o aumento das passagens de ônibus e o corte de árvores para a duplicação da avenida Beira-Rio.

O secretário estadual do Esporte e Lazer e coordenador-geral do Comitê Gestor da Copa 2014, Kalil Sehbe, traçou então um resumo dos R$ 1,4 bilhão estimados para as melhorias em energia, mobilidade, segurança e saúde. Entretanto, o montante ainda considerava R$ 752 milhões para o Aeroporto Internacional Salgado Filho, obra que foi retirada da matriz e permanece sem cronogramas definidos pela Infraero. Questionado, ele ressaltou os esforços do governo para obtenção de prazos junto ao órgão e garantiu, ao menos, a instalação do sistema antineblina (ILS II) para maio deste ano.

Mundial será prova de fogo à democracia, avisa argentino

Adriana Lampert

Convidado para expor sobre a experiência de Buenos Aires e o desenvolvimento econômico da Argentina na Copa de 1978, o professor PhD em Sociologia da Ufrgs Raul Rojo foi categórico ao destacar que o país vizinho se “afundou” em dívidas com o FMI após o evento mundial. Por isso, reiterou que é preciso estar atento para que não haja uma “instrumentalização” da Copa para o enriquecimento ilícito. “Será uma prova de fogo à democracia. Claro que as realidades (políticas e históricas) são diferentes, pois na Argentina o evento foi organizado pelo regime militar ditatorial, que inclusive utilizou o Mundial como uma estratégia para amenizar atrocidades, como as torturas e assassinatos que aconteciam a menos de 10 quadras dos jogos”, ponderou.

Rojo ressaltou que, “se há algo que se pode aprender com a experiência argentina, é como não fazer as coisas”. Ele citou os “elefantes brancos”, como alguns estádios criados unicamente para o evento, que foram superfaturados e que atualmente recebem de um a dois jogos por ano. “O campeonato de 1978 foi orçado originalmente em US$ 70 milhões, e no final, custou US$ 700 milhões. Este dinheiro não foi utilizado em infraestrutura, mas, sim, para os bolsos de pessoas ligadas à organização do evento, que inclusive quadruplicaram sua fortuna, após a Copa”, disparou.

O presidente da Cefor, vereador Valter Nagelstein, lembrou que não estão ocorrendo investimentos públicos do município em estádios. “Estamos aproveitando a vinda do campeonato para fazer coisas que precisavam ser feitas havia décadas.”

Formação profissional desafia preparação da Capital gaúcha

Formar funcionários de ponta – garçons, camareiras, recepcionistas, cozinheiros, barmen – para bem atender aos turistas que visitarem a Capital tem sido uma das metas do Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre (Sindpoa). Intensificada a partir de 2009 (quando se confirmou que o Brasil sediaria a próxima Copa do Mundo), a iniciativa ganhou novos turnos e horários, que ampliaram as alternativas de cursos oferecidos pelo Centro de Qualificação Empresarial da entidade. A estratégia já formou mais de 16 mil pessoas desde 2002 e abrange a capacitação também de empresários do setor. Outra iniciativa prepara esses mesmos profissionais para orientarem e repassarem dicas aos visitantes da cidade durante a Copa de 2014.

Fonte: Jornal do Comércio

Juventude brasileira grita contra genocídio de jovens negros

A alta taxa de morte entre jovens negros continua sendo um dos fatores mais preocupantes no Brasil. Mais de 70% dos homicídios registrados no país em 2010 foram de negros do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos. A realidade foi diagnosticada em um Mapa da Violência lançado há dois anos pelo governo federal. Desde então, poucas ações para o enfrentamento desta realidade foram colocadas em prática. Por esta razão, a luta contra o extermínio de jovens negros é uma das principais bandeiras da Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira. A partir desta semana até o final de abril, mais de 30 movimentos sociais se unirão nas principais capitais para erguer as bandeiras contra o racismo e por mais emprego e educação para juventude.

O homicídio é a principal causa de morte entre jovens brasileiros de 15 a 29 anos. Além disso, os jovens mais afetados têm escolaridade baixa e não chegam a completar o ensino fundamental. A juventude negra é de longe a que mais sofre com esse massacre e a diferença tem aumentado em relação aos brancos. Ao mesmo tempo em que o número de homicídios de jovens brancos caiu 30% de 2002 a 2008, entre os negros subiu 13%. Disso resulta que, se em 2002, a probabilidade de um jovem negro morrer era 45% maior do que a de um branco, em 2008 esse índice atingiu assustadores 127%.

Ativista da luta contra a discriminação racial desde a juventude, a educadora Malu Viana integra hoje a Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop. Inserida em ações sociais nas periferias do Brasil, ela fala que as políticas públicas ainda não atingem a totalidade do problema. “O Mapa da Violência só reforça a realidade discriminatória que temos desde a década de 60. Evoluímos, mas neste sentido, ainda vivemos de ações pontuais. Policiamento Comunitário e UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) estão adiantando? Isso temos que nos perguntar. O centro nervoso do problema está na periferia. Lá parte dos jovens morre por R$ 20 reais e nem chegam a completar 20 anos de idade”, conta.

Na visão de Malu, a complexidade que leva a abreviação de milhares de vidas de apenas um segmento da sociedade precisa ser compreendida pelos governantes. “Temos uma Secretaria Nacional de Igualdade Racial e secretarias municipais, conselhos. As políticas afirmativas deveriam estar bombando. A diversidade da nossa juventude não é fácil atender: tem o jovem do reggae, do skate, do meio rural… Mas é uma preocupação que temos que ter porque o crime já está bem perto deles. Se o estado não chegar, esses jovens irão pelo caminho que se torna mais fácil”, diz.

O massacre de jovens negros resulta da conjunção de múltiplos fatores, desde a ausência de políticas públicas até o aumento do narcotráfico e do consumo de drogas, que aparecem como possibilidades de ascensão social ou de fuga dessa dura realidade, recrutando jovens e aumentando a criminalidade. “Se buscarmos as respostas concretas nos órgãos de segurança de estado, eles não as terão. Podem elencar algumas ações, mas ninguém sabe o que fazer. A situação é caótica nas periferias do Brasil inteiro”, diz Malu.

“Estamos em uma guerra civil”, afirma advogado do Movimento Negro Unificado

Na avaliação do advogado e membro do Movimento Negro Unificado, Onir Araújo a situação é alarmante e não pode ser ignorada. “O racismo não é implícito, cordial ou tolerante como alguns acreditam. Os dados de homicídios de jovens negros confirmam o contrário. É uma guerra civil, de longos anos. E o estado é o responsável, seja pela sua omissão ou pela sua atuação”, acredita. O silêncio da mídia ou a ausência de campanhas de grande impacto sobre o tema também revelam uma face preocupante do racismo, na visão do advogado. “A hipocrisia da sociedade que é conivente com estes dados. Como um diagnóstico como este (Mapa da Violência) não gera um escândalo nacional ou ações contundentes? Estamos de um número de mortes por ano muito maior do que dos jovens que morreram na tragédia da boate Kiss, em Santa Maria”, compara.

Ainda em 2012, o governo federal lançou o Plano de Prevenção à Violência contra a Juventude Negra – Juventude Viva. Foi a primeira resposta articulada do governo federal a uma demanda histórica de denúncias dos movimentos sociais contra o genocídio desses jovens. Apesar de não ter altos índices de mortes de jovens negros, se comparado a outros estados do sudeste e nordeste do país, o Rio Grande do Sul está articulando a adesão no programa federal. “A partir de junho os estados poderão aderir. Por enquanto funciona apenas em Alagoas. Mas estamos trabalhando para incluir o RS. Será possível realizar mais oficinas para elevar a escolaridade dos jovens negros e gerar mais oportunidades de emprego”, explica a coordenadora de Igualdade Racial do RS, Sandra Maciel.

“Negros são mais abordados do que brancos pela polícia militar”, afirma coordenadora de Igualdade Racial do RS

Segundo ela, o racismo presente nas forças do estado precisa ser combatido prioritariamente. “Eles são mortos pela ação discriminatória do próprio estado. Os meninos negros são mais abordados do que brancos pela polícia. Os estados repressores matam nossos jovens”, fala. Segundo a coordenadora de Igualdade Racial do RS, além da violência institucional, a sentença de morte dos jovens negros já é assinada desde o nascimento. “Eles são marginalizados e excluídos na sua essência. São a parcela com menos oportunidades nas universidades, nos empregos, nas campanhas publicitárias. As oportunidades que restam são as ilegais, que têm os resultados imediatos que os jovens querem”, avalia.

Conforme o artigo 5º da Constituição Federal “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”. Se fosse respeitada, a legislação brasileira já poderia ser a bastante tempo uma forma de combate ao preconceito, acredita o advogado Onir Araújo. “Em dez anos foram mais de 350 mil homicídios. Isto é mais que 30 anos de guerra civil na Angola. E são mortes de uma parcela especifica da população. Isso significa que as medidas tomadas em nível federal, estadual e municipal não condizem com a gravidade da situação. Cumprir o previsto na Constituição já produziria efeitos na sociedade”, avalia.

“Enquanto a parcela negra da sociedade for encarada como ameaça em potencial para o sistema, a linha de extermínio continuará”, afirma Onir. Ele acredita que apenas com uma mudança radical do projeto econômico, social e cultural do país será possível mudar a lógica de exclusão e hegemonia de poder que oprime os negros brasileiros.

Além do extermínio de jovens negros, entre os consensos dos movimentos sociais na Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira estão a luta pelos 10% do PIB brasileiro na educação pública, reforma agrária, democratização da comunicação, reforma política e trabalho descente. Algumas questões regionais envolvendo transporte público e reajustes do valor da passagem também entrarão na pauta de reivindicações que será levada às ruas.

A principal marcha da Jornada de Lutas será no dia 3 de abril, em Brasília. Os movimentos pretendem ocupar a Esplanada dos Ministérios com mais de cinco mil pessoas. O objetivo é entregar à presidenta Dilma uma carta com as reivindicações da juventude brasileira. O mês de março é simbólico para o movimento estudantil devido à morte do estudante secundarista Edson Luís, baleado no peito por militares durante protesto no restaurante universitário Calabouço, no Rio de Janeiro, em 28 de março de 1968. Edson reivindicava preços mais justos para a alimentação dos estudantes. A Jornada lembra ainda a data de nascimento (28 de março de 1947) de uma das principais lideranças estudantis da história brasileira; o ex-presidente da UNE, Honestino Guimarães, preso, torturado e assassinado pela ditadura militar no Rio de Janeiro. Honestino, com seus anseios em mudar o Brasil e o mundo, continua um símbolo vivo para diversas gerações.

Fonte: Sul 21

241 de anos de Porto Alegre: um misto de celebrações e desafios

Lendo sobre o aniversário de Porto Alegre durante toda a semana, acompanhando a programação festiva do aniversário da nossa capital e lendo as notícias sobre a cidade, reforcei uma ideia que tenho há anos: da mesma forma como avançamos muito e temos, portanto, bons motivos para celebrarmos, ainda temos grandes desafios.

Os desafios, por certo, são marcas de toda cidade. Impossível vivermos em um local onde não haja algo a ser superado. Mas estamos longe do ideal, infelizmente. Uma cidade que tem mais de 40 mil pessoas vivendo na pobreza extrema e nada faz para mudar isso não pode celebrar. Um município onde quase 65% da população se sente insegura e cujos índices de homicídios crescem de forma significativa, não pode celebrar. Uma Porto Alegre que nega acesso à saúde e à educação a seus cidadãos não pode celebrar. E o que mais sinto nesse sentido, é ver que as iniciativas do poder público não são voltadas a mudar esse cenário.

Porto Alegre não é só isso, não é só problema. Teremos, em 2014, a Copa do Mundo e isso nos permite viver um período de grandes investimentos. Isso, sim, deve ser celebrado. Teremos voo direto para Miami, assim como já temos para Lisboa. Ou seja, estamos nos recolocando nas principais rotas turísticas, com ligação direta com EUA, América Latina e Europa.

Onde queremos chegar? Que cidade queremos ser? Qual nosso planejamento para o futuro de médio e longo prazo? Quais mudanças estruturantes estamos realizando? Que visão de desenvolvimento temos?

As perguntas são infinitas. As respostas ainda insuficientes. Se quisermos ser uma cidade boa para seus cidadãos, boa aqueles que realmente fazem Porto Alegre acontecer, é preciso mudar. Mudar o olhar, romper paradigmas, trocar de rumo, acertar o passo. Meu desejo, então, nesse 241 anos, é que Porto Alegre se reencontre, que valorize seus cidadãos garantindo-lhes o que é de direito, e buscando avançar com a perspectiva de ser e melhor cidade desse país?

Por Nelson Naibert

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