A menos de cinco horas de perder a validade, o Senado aprovou nesta quinta-feira, 16, a Medida Provisória 595, a MP dos Portos, que pretende atrair mais investimentos privados para o setor portuário, aumentando a competitividade. O texto, que ficou duas madrugadas sendo discutido na Câmara dos Deputados (veja a galeria de fotos ao final do texto), segue agora para o Palácio do Planalto, que analisa a possibilidade de vetar até cinco artigos.
É possível que a presidente Dilma Rousseff, segundo fontes, opte por manter um ou outro item e regulamente algum por decreto, o que daria margem de manobra para o governo em questões técnicas.
Os senadores precisaram de sete horas para confirmar o texto que veio da Câmara, sem alterações. Até o início da noite, a base aliada deixou os senadores da oposição e os independentes se revezarem nos discursos em plenário, numa tentativa de inviabilizar a votação.
A principal reclamação foi sobre o pequeno tempo para discussão do texto no Senado. A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse que o governo empurrou “goela abaixo” do Congresso a MP, que poderia ser mais discutida se tivesse sido enviada como projeto de lei. Para aplacar as críticas, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que nenhuma outra MP será analisada se não chegar ao Senado com um prazo mínimo de sete dias.
No fim da tarde, os líderes aliados decidiram asfixiar manobras regimentais dos oposicionistas. A primeira iniciativa partiu de Renan Calheiros. Ele rejeitou um pedido do líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira (SP), que queria apresentar novas emendas. Em seguida, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), deu o tiro fatal nas tentativas da oposição de prolongar a discussão. Um requerimento dele propôs a rejeição em bloco dos nove destaques e emendas apresentadas pela oposição. Foi aprovado em votação simbólica, abrindo caminho para votação do texto recebido dos deputados.
Câmara
O texto final da MP foi aprovado na Câmara perto das 10h da manhã de hoje. O texto-base recebeu o aval do plenário na terça-feira, mas os deputados levaram toda a quarta-feira, além da madrugada e da manhã desta quinta-feira para analisar os destaques – mais de 40 horas de apreciação da matéria.
A votação da Câmara foi marcada por manobras regimentais que atrasaram a sessão. Por volta das 7h da manhã de quarta-feira, os líderes do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do PT, José Guimarães (CE), davam a derrota como certa. “A MP vai caducar”, reconhecia Chinaglia. Foi quando o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), que liderou a rebelião da base aliada contra a MP, resolveu trabalhar a favor do governo.
Ele elaborou uma estratégia arriscada e propôs a Alves que encerrasse a sessão se o quórum mínimo de 257 deputados não fosse atingido em 30 minutos. Nesse momento, os deputados da oposição, que estavam em obstrução, registraram presença. Se não o fizessem na última sessão do dia, teriam falta computada e receberiam a pecha de ausentes. Além de ter desconto no salário, teoricamente.
O texto que saiu do Congresso ficou próximo do que o governo queria. Foi preservado o centro da proposta, com a possibilidade de abertura de terminais privados que movimentem cargas próprias e de terceiros. Para o governo, a mudança atrairá investimentos, elevará a concorrência e reduzirá preços.
Fonte: Estadão
Estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta o Brasil como campeão da desigualdade horizontal na hora de pagar impostos na América Latina. De acordo com o BID, o País apresenta a maior diferença entre o que é cobrado de trabalhadores com a mesma renda, sendo diferenciado apenas pelo regime fiscal escolhido. Assim, um trabalhador em uma empresa de apenas um funcionário, que paga o imposto Simples como pessoa jurídica, contribui com o equivalente a um décimo do que paga um assalariado de renda igual, mas com carteira assinada. Em outros países, como o Chile, essa diferença é irrisória; no México, a diferença chega a, no máximo, três vezes.
O estudo afirmou ainda que o Brasil tem a maior carga tributária da América Latina e que é o País do mundo em que são necessárias mais horas para pagar tributos, ou o equivalentes a 2.600 horas por ano. Então, lamentavelmente, o Brasil continua liderando a corrida dos países que mais cobram tributos. Temos excesso de burocracia e impostos.
Evidentemente que nenhum município, o Estado ou o País poderá abrir mão de receitas. O que ocorre, entretanto, é uma superposição de órgãos governamentais, sejam eles do Executivo, Legislativo ou do Judiciário, muitas vezes exercendo o mesmo serviço ou fazendo algo bem próximo. Existem problemas de jurisdição para se saber isso ou aquilo. Temos um Tribunal de Contas do Estado, um Ministério Público de Contas, o Ministério Público Estadual, a Justiça do Estado, além de várias ouvidorias e instâncias. No entanto, publicam-se aleivosias, acusações com ou sem fundamento e todos ficam se perguntando de quem é a obrigação legal para averiguar e punir. As competências, as instâncias e os infindáveis recursos e expedientes, como dar endereços errados de testemunhas, facilmente fazem com que processos e julgamentos se arrastem por anos.
Assim, soa como música – outra vez – aos ouvidos dos trabalhadores brasileiros a promessa de uma reforma tributária no País. A presidente Dilma Rousseff disse, como antes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, que o governo busca uma racionalidade nos tributos. Essa promessa é antiga e perpassou os últimos governos federais, com pouco ou nenhum resultado prático. Claro, o Brasil não tem todo o dinheiro do mundo para fazer desoneração, mas, no ano passado, foram praticadas desonerações significativas, embora não tenha o governo conseguido fazer tudo de uma vez só. Evidentemente, pois isso provocaria um grande desequilíbrio nas contas públicas, algo indesejável pelos mais óbvios motivos.
O governo federal reafirmou a vontade de fazer deslanchar os programas de investimentos em rodovias, ferrovias e portos, esperando bons resultados desse esforço. O modelo de rodovias é simples e foi testado. Quanto às ferrovias, é impossível continuar transportando minério, impossível continuar transportando grãos só por estrada, temos de ter ferrovias e hidrovias. É auspicioso se saber que o País está construindo 10 mil km de ferrovias. É pouco diante da extensão do País, mas louvável.
Ótimo que o governo pense nos portos, linearmente. Além disso, é imprescindível que o País tenha uma estrutura regional de aeroportos. Nada de novo, mas como pouco foi feito, é muito bom ouvir essa promessas, metas e trabalhos prometidos desde Brasília.
Fonte: Editorial Jornal do Comécio

O avanço da renda e do mercado de trabalho nos últimos anos proporcionou um salto no acesso à internet entre os brasileiros mais pobres. Habitantes de estados de Norte e Nordeste e famílias com renda inferior a um quarto de salário mínimo per capita experimentaram processo acelerado de inclusão digital entre 2005 e 2011, mostram dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE como parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). O número de estudantes de escola pública com acesso à rede aumentou 156% no período, atingindo dois terços desse grupo. Essa mesma população, no entanto, continua sendo maioria entre os quase 90 milhões de brasileiros com dez anos ou mais que jamais travaram contato com a rede.
No Brasil como um todo, a inclusão digital mais do que dobrou no período pesquisado, subindo de 20,9% a 46,5%. Mas foi nas regiões Norte e Nordeste que houve maior avanço, superando um terço dos habitantes pela primeira vez. Na primeira, apenas 11,7% da população era internauta há oito anos; em 2011, a fatia subiu para 35,4%, chegando a 4,7 milhões de pessoas com mais de dez anos. Entre os nordestinos, a proporção de internautas cresceu de 11,9% para 34%, somando 15,4 milhões.
Alagoas quintuplica acesso e saiu da lanterna
São dessas regiões os dez estados onde a população de conectados mais se expandiu. O maior destaque foi Alagoas, que quintuplicou seu contingente de internautas em seis anos, para 903 mil. Com isso, a penetração da rede entre os alagoanos aumentou de 7,6% para 34,3%, tirando o estado da lanterna no ranking. Mas é lá que fica a quinta pior taxa de acesso no país. Outro destaque foi Roraima, que aumentou sua população de internautas em 346%, saindo da 20ª para a nona posição. É o único estado das regiões Norte e Nordeste com taxa de acesso maior que a média brasileira, alcançando 48,1% em 2011.
Apesar dos avanços, estados nordestinos e do Norte continuam ocupando os dez últimos lugares da lista, com a penetração da rede não atingindo um terço da população em três deles: Pará (30,7%), Piauí (24,2%) e Maranhão (24,1%). Lidera o ranking o Distrito Federal (71,1%), puxado pelos indicadores de renda e trabalho favoráveis de Brasília. Depois vêm São Paulo (59,9%) e Rio, cuja população internauta cresceu de 26,5% para 54,5%.
— Em 2005 a gente estava começando a sair daquela recessão de 2003, e, em 2008, estávamos naquele momento de aumento do emprego formal e da renda. A população que passou a ganhar mais e foi beneficiada pelo maior acesso a crédito nesse período passou a usar a rede, ou porque comprou um computador ou porque começou a trabalhar — avaliou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Dados não podem ser comparados com os de outros países
A Pnad é uma pesquisa por amostragem que, em 2011, visitou mais de 146 mil domicílios em todo o Brasil. No estudo, são considerados internautas aqueles que acessaram a internet, por computador desktop ou laptop, pelo menos uma vez nos três meses anteriores às entrevistas. Como as pesquisas internacionais investigam o acesso nos últimos 12 meses, os dados do IBGE não podem ser comparados com os de outros países. O instituto planeja ajustar sua metodologia ao padrão internacional na próxima edição da Pnad, que será divulgada no fim deste ano, quando também deve considerar o acesso à internet por celular e tablet.
O grupo de estudantes de escolas públicas é outro cuja inclusão digital deu saltos nos últimos anos. Em 2005, menos de um quarto (24,1%) dos alunos da rede era de internautas — que não necessariamente acessaram a rede na escola. Em 2011, a fatia aumentou para 65,8%, representando a inclusão de 11,7 milhões de estudantes. Na região metropolitana do Rio, a internet já está disponível para 78,7% dos alunos de escolas municipais, estaduais e federais; a maior taxa é na Grande São Paulo, com proporção de 87,8%. Por outro lado, no Maranhão, menos de um terço dos estudantes da rede pública (30,7%) é internauta.
Prova de que a inclusão digital acompanha a renda, entre os estudantes da rede privada o acesso à rede é praticamente universalizado, atingindo 96,2%. No Paraná, a penetração chega a 99%. Mais uma vez, Maranhão está na lanterna, com 14,8% de alunos de escolas particulares ainda sem acesso.
1/3 dos que cursam nível médio ainda excluído digital
Mas a inclusão cresce com força mesmo entre aqueles com pouca instrução. De 2005 a 2011, a penetração da internet entre os com menos de quatro anos de estudo subiu de 2,5% para 11,8%. No mesmo período, a fatia aumentou de 76,1% para 90,2% no grupo com ao menos ensino médio completo. Apesar disso, quase um terço (28,5%) daqueles que estão no ensino médio ou o deixaram incompleto não navegam na rede — embora, em 2005, o passivo fosse o dobro (57,3%).
— Jovens do ensino médio são os que mais acessam a rede, por conta das exigências do estudo e das redes sociais. Mas um terço dessa população ainda está fora da internet, o que diz muito sobre a qualidade do ensino — afirmou Azeredo.
As pessoas com menor renda continuam sendo aquelas com menor fatia de internautas. Mas também é nesses grupos que o acesso mais cresce. Entre as pessoas que vivem em domicílios com renda mensal per capita abaixo de um quarto do salário mínimo, por exemplo, a disponibilidade da rede cresceu de 3,8%, em 2005, para 21,4%, em 2011. Nas regiões mais ricas — Sudeste, Sul e Centro-Oeste — essa fatia ultrapassa metade da população com essa renda.
Idosos cada vez mais conectados
Mas não é apenas a renda que determina o acesso à internet: 62,6% da população com renda domiciliar per capita entre três e cinco salários é internauta, fatia maior do que os 57,5% no grupo com mais de cinco salários. Isso acontece porque essa população mais abastada é mais velha, e a idade está bastante associada à inclusão digital.
— É o efeito geração: gente que passou pela vida estudantil quando ainda não havia internet e talvez jamais seja incluída — avaliou o coordenador do IBGE. — Mas a população mais velha está acessando a internet cada vez mais. São pessoas que hoje precisam, por exemplo, enviar a declaração do Imposto de Renda e o banco pelo computador.
De fato, o acesso à rede entre aqueles com 50 anos ou mais saltou de 7,3% para 18,4%. O número de internautas nesse grupo pulou para 8,1 milhões em 2011, um aumento de 222% na comparação com 2005. Mas os jovens ainda dominam, é claro: os grupos com maior inserção digital são os de 15 a 17 anos (74,1%) e de 18 ou 19 anos (71,8%).
70% das mulheres têm celular
A Pnad também investigou a posse de celulares pelos brasileiros. O estudo descobriu que, em 2011, pela primeira vez o percentual de mulheres que tinham celular ultrapassou o de homens: 69,5% das mulheres (60,3 milhões) possuíam o aparelho, contra 68,7% dos homens (55,2 milhões).
O aparelinho se disseminou durante os anos pesquisados, sua posse crescendo 107,2%, contra expansão de 9,7% na população brasileira. Em 2011, 115,4 milhões de brasileiros, ou 69,1% da população com dez anos ou mais, tinham celular. Em 2005, a proporção era de apenas 36,6%.
O desenvolvimento social não é tão determinante para a posse do celular quanto é para o acesso à internet. Estados como Goiás (77,7%) e Mato Grosso do Sul (77,2%) têm maior penetração de telefones celulares do que Rio (74%) e São Paulo (76%). Segundo o IBGE, isso reflete a dificuldade de acesso à telefonia fixa nesses locais, o que obriga a população a adotar a tecnologia móvel.
A metodologia do IBGE não é capaz de abranger o fenômeno das crianças que já estreiam na escola com seu próprio smartphone, mas mostra que 41,9% dos pré-adolescentes (de 10 a 14 anos) já têm celular. Há oito anos, a fatia era inferior à metade disso, 19,2%.
Fonte: O Globo

Tudo começou com uma tarefa de grupo durante um festival de economia colaborativa em Porto Alegre, no começo de maio deste ano. O projeto virou realidade e deu origem ao B.O. Coletivo, uma página na internet que promove o mapeamento de lugares onde pessoas foram assaltadas. O projeto começou com foco na capital gaúcha, mas já se espalha para outras cidades até de fora do Rio Grande do Sul. A repercussão percebida em menos de um mês empolga os criadores da proposta.
Inicialmente foi criada uma fanpage no Facebook com o nome do projeto. Os colaboradores informam sobre lugares inseguros por meio de textos e fotos. Criada no dia 4 de maio, a página já tem mais de mil curtidas. Um cartaz é disponibilizado para download com os dizeres “Aqui fui assaltado. Você também? Informe seu nome abaixo”. A ideia é colar o cartaz em algum ponto onde ocorreu um assalto. O espaço em branco no papel pode receber outras assinaturas.
“Começamos com cada um imprimindo seus cartazes para si e para seus amigos, em casa mesmo. Para ajudar a ideia a sair do papel, convidamos as pessoas a indicar lugares e colamos esses cartazes para essas pessoas. Assim conseguimos começar a ação”, explica ao G1 a publicitária Giovanna Previdi, 26 anos, integrante do grupo, que mora em Santa Cruz do Sul.
Segundo Giovanna, moradores de São Paulo procuraram informações sobre a iniciativa. Na página, uma moradora de Espírito Santo elogiou o projeto e passou a divulgar aos seus conhecidos. “Superou totalmente as expectativas. Sabia que tinha potencial, por ser um tema que preocupa a todos, mas não esperava essa repercussão”, diz Giovanna.
O grupo começou com nove integrantes, mas dois não conseguiram seguir nas atividades. Outro participante, o também publicitário Ricardo Gardolinski, 27 anos, também se diz surpreso com a rapidez com que a ideia vem se espalhando. “Desde semana passada temos colado cartazes e recebido informações de pessoas que foram assaltadas, para colar em diversos locais da cidade”, relata.
“Conversando com os outros participantes, chegamos à conclusão de que praticamente todos já haviam sido assaltados (ou parentes e amigos) e que não havia uma forma de divulgar isso”, acrescenta Ricardo sobre o surgimento do B.O. Coletivo.
Os principais objetivos são chamar a atenção das autoridades para locais da cidade que não oferecem segurança à população, e também alertar os moradores e visitantes sobre os riscos de circular em determinados lugares.
Próximo passo
Em breve o projeto pode ganhar aplicativo para smartphones. Uma reunião realizada na noite de quarta-feira (15) deixou praticamente fechada uma parceria com uma empresa que se ofereceu para criar a plataforma sem custos. “Recebemos muitas sugestões de pessoas que acham interessante integrar a ação com alguma plataforma online, um site, aplicativos”, conta Giovanna. Ainda não há prazo para a publicação, mas a publicitária acredita que novidades podem surgir já em junho.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul informou através de sua assessoria de imprensa que o assunto começou a ser analisado, e por isso o órgão ainda não se manifesta sobre a criação do B.O. Coletivo.
Fonte: G1 RS
Após quase 23 horas seguidas de sessão, a Câmara concluiu nesta quinta-feira a votação da Medida Provisória dos Portos (MP 595/12), que estabelece novas regras para as concessões e autorizações de portos públicos e terminais privados. O texto será enviado ao Senado, onde precisa ser votado ainda hoje, já que a MP perde a validade à meia-noite.
Depois de votações nominais lentas e da apresentação de diversas emendas aglutinativas pela oposição, o governo decidiu apoiar a possibilidade facultativa de prorrogação de contratos de arrendamento firmados segundo as regras da Lei 8.630/93 (Lei dos Portos), por uma única vez, pelo prazo máximo previsto contratualmente.
Como condição, o arrendatário terá de fazer investimentos para expansão e modernização das instalações portuárias.
A possibilidade de prorrogação consta de emenda do deputado Sibá Machado (PT-AC), que foi aprovada pelo Plenário. A aprovação da emenda viabilizou votações mais rápidas e também prejudicou a análise de outras emendas e destaques da oposição.
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), criticou o fato de a emenda do PT ser cópia da apresentada por seu partido com pequena modificação.
– Esse tema exigiu a intervenção da ministra Ideli Salvatti – disse Caiado, referindo-se à prorrogação dos contratos.
A emenda determina ainda ao Executivo o envio, ao Congresso, de relatório anual detalhado sobre contratos em vigor, relação de instalações exploradas com autorização, lista de contratos licitados e outros dados.
Ao todo, o Plenário votou desde a manhã de quarta-feira 10 destaques e uma emenda em cerca de 15 horas de sessões. O texto principal da MP já havia sido aprovado na noite de terça-feira.
Fonte: Agência Câmara
Os recorrentes problemas registrados na telefonia celular gaúcha serão investigados pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre. No começo da tarde desta quarta-feira, 15, o Legislativo municipal instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o objetivo de cobrar mais investimentos por parte das operadoras.
Além de exigirem a melhoria na qualidade do sinal e no atendimento aos consumidores por parte das empresas, os vereadores também discutirão a legislação municipal que regula a instalação de novas antenas na cidade. De acordo com as operadoras de celular, o rigor da Lei 8.896, de 26 de abril de 2002, é o principal limitador para a melhoria do sinal de celular na Capital.
Autor do requerimento para a instalação da CPI, o vereador Claudio Janta (PDT) classifica como “lenda urbana” o argumento defendido pelas empresas de telefonia.
— Acreditamos que o problema não seja só de antena, mas de tecnologia. Os problemas toda a sociedade conhece. Queremos procurar soluções.
Na quinta-feira da próxima semana, 23, acontece a primeira reunião de trabalho da comissão. Após a escolha do vice-presidente e do relator — o próprio Janta deverá ser o presidente —, os vereadores pretendem convocar representantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e das operadoras para fornecerem informações à comissão. Os trabalhos devem se estender por no máximo 120 dias.
A investigação da Câmara de Vereadores junta-se a outra CPI, instalada em 23 de abril na Assembleia Legislativa. Presidida pela deputado Ernani Polo (PP), a comissão analisa os problemas na prestação do serviço, como as áreas sem cobertura e a má qualidade do atendimento nos call centers.
Fonte: Zero Hora
Ministro da Justiça diz que Brasil não pode mudar artigo da Constituição que garante a inimputabilidade de menores
“Mesmo que a questão jurídica fosse superada, você colocar um adolescente preso com adultos só vai agravar o problema” – José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou ontem que não é possível reduzir a maioridade penal por projeto de lei e nem mesmo por emenda constitucional. Em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Cardozo disse que há quase um consenso entre juristas do país que a maioridade penal é uma cláusula pétrea da Constituição e, portanto, não poderia ser modificada. As cláusulas pétreas são limitações ao poder de reforma da Constituição. No caso brasileiro, o artigo 60 diz que “a Constituição poderá ser emendada mediante proposta, mas não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos poderes e os direitos e garantias individuais”.
“Como a inimputabilidade (penal) de menores de 18 anos é uma garantia individual, esse é um direito intocável”, disse Cardozo ao responder a perguntas dos senadores Waldemir Moka (PMDB-MS) e Sérgio Souza (PMDB-PR). Moka quis saber se esta era apenas uma opinião do ministro ou um entendimento consolidado entre os especialistas em direito. Cardozo disse que, em geral, cada advogado tem uma interpretação própria da lei, mas neste caso era praticamente consenso a ideia de que a inimputabilidade de menores é uma cláusula pétrea. Moka, que é médico e defende a redução da maioridade como meio de combate à criminalidade, ficou decepcionado com a resposta do ministro. “O senhor deu uma explicação que, para mim, infelizmente parece razoável”, disse.
Cardozo afirmou ainda que independentemente do que diz a lei a redução da maioridade não seria a solução contra a criminalidade. O ministro argumenta que a violência tem múltiplas causas e não seria resolvida só com um projeto de lei. Se fosse tão fácil assim, o problema já teria sido superado. “Mesmo que a questão jurídica fosse superada, você colocar um adolescente preso com adultos só vai agravar o problema. Só vai servir para organizações criminosas captarem gente”, disse. Como alternativa, o ministro defendeu a discussão de outras medidas como, por exemplo, o agravamento da pena para quem usar menores em ações criminosas.
O ministro fez críticas ao sistema penitenciário. “As condições do sistema prisional brasileiro são péssimas. As organizações criminosas nascem dentro dos presídios”, disse. O ministro defendeu a aplicação de penas alternativas para crimes menores. “O modelo atual não só não recupera como deixa a pessoa pronta para praticar delitos ainda maiores.”
Fonte: Estado de Minas
A economia brasileira avançou 0,72% em março frente ao mês anterior, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta quinta-feira. Os economistas consultados pela Bloomberg esperavam uma alta maior, de 0,80%. De janeiro a março, o avanço acumulado é de 2,78%. Em 12 meses, o índice acumula alta de 1,20% na série com ajustes sazonais, e 0,91%, sem os chamados ajustes.
Na pesquisa Focus realizada semanalmente pelo BC, analistas disseram prever um crescimento econômico de 3% em 2013 e de 3,5% em 2014. Já para a inflação, com os sinais de resistência da alta de preços, eles elevaram suas estimativas para este ano: 5,80%, ante 5,71% previstos anteriormente.
Em abril, o Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia pela primeira vez desde 2011, para 7,5% ao ano, para conter a inflação que, em abril chegou a 0,55%. Sem o esperado alívio da pressão exercida pelos alimentos, o índice em 12 meses atingiu 6,49%, encostando no teto da meta estabelecida pelo governo.
O resultado da indústria em março, divulgado pelo IBGE, levantara dúvidas sobre o ritmo de recuperação da economia do país. Avançando apenas 0,7% frente a fevereiro, abaixo das projeções do mercado, o setor acumulou queda de 0,5% na produção no primeiro trimestre.
O índice do BC é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) medido pelo IBGE. Em 2012, o país cresceu 0,9%, segundo o índice oficial.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/economia-brasileira-cresceu-072-em-marco-aponta-indice-do-banco-central-8406174#ixzz2TSKVTjNu
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Maior renda, mercado de trabalho aquecido e crédito farto ampliaram o acesso a produtos mais caros nos países emergentes. América Latina e Ásia estão enchendo o carrinho dos supermercados enquanto europeus e americanos enfrentam o movimento oposto: devido à crise econômica, estão perdendo poder de consumo e deixando nas gôndolas justamente os mesmos produtos que estão abarrotando as despensas dos lares das nações emergentes.
Mais de 60% dos franceses cortaram a carne de suas refeições, segundo dados da consultoria Kantar Worldpanel; 63,7% dos gregos tiraram a carne, 60,5% o peixe, 51,2% os doces e 48,8% as bebidas alcoólicas; cerca de 40% dos portugueses passaram a levar comida de casa para o trabalho ano passado: em 2009 eram 29%, revela a Kantar Portugal.
— Os países mais ricos estão num movimento oposto ao do brasileiro e da América Latina. Os EUA tomaram medidas mais efetivas mais cedo e se preparam para voltar a um padrão de consumo um pouco melhor, que foi muito abalado pela crise. Com exceção da Alemanha, que sofreu pouco, os países europeus estão muito apertados pagando dívida. O consumo da população caiu drasticamente e tende a ficar assim por algum tempo — afirma Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
— Os preços sobem sempre, então compro o mais barato — diz o encanador francês Máxime Charpenel, desempregado há cinco meses. Com o término do noivado, deixou Paris e voltou para a casa dos pais em Lyon. — Minha mãe deixou de comprar congelados e passou a preparar a comida em casa — reitera.
— Tem muita coisa que não estou comprando devido ao preço e ao orçamento apertado — conta Gabriel Gallucci, diretor de Política e Legislação de uma empresa em Nova York. — Definitivamente, a crise afetou minha vida financeira. Para a maioria está difícil conseguir emprego, não pagam o suficiente. Eu estou consumindo bem menos que há um ano.
Categorias que apontam melhoria no consumo, em geral, cresceram acima do PIB dos países da América Latina. “Produtos mais práticos, e consequentemente, com maior valor agregado, estão cada vez mais presentes nas cestas de compra da região”, analisa Sonia Bueno, CEO América Latina da Kantar Worldpanel.
No Brasil, por exemplo, a venda de bolo pronto industrializado subiu 4,2 ponto percentual entre 2013 e o ano anterior; na Argentina, congelados passaram de 4,3 ponto percentual; na Colômbia, tira manchas aumentou em 5,3 ponto percentual; no México, chá gelado bateu 12,6 ponto percentual e no Peru, protetores solares aumentaram 13,4 ponto percentual.
— Nos últimos 36 meses, observamos um crescimento sustentável da cesta de compras do Peru, por exemplo, graças a uma melhoria no nível de consumo dos lares do país. Chama a atenção a incorporação de novas categorias nas famílias das classes D e E — afirmou ao GLOBO Fidel La Riva, gerente da Kantar Peru, no quarto dia da série de reportagens “Novos hábitos, velhos problemas”, que o site do GLOBO publica desde segunda-feira.
Na América Latina, o gasto médio no supermercado cresceu 13,9% no primeiro bimestre de 2013 sobre o mesmo período do ano anterior, mas a quantidade de visitas não acompanhou este movimento: foram 191 ocasiões de compras, queda de 3,1%, aponta a Kantar. Mesmo assim, significa uma compra a cada dois dias.
Perigo de inadimplência
No caso brasileiro, pelo nono ano consecutivo, de acordo com o IBGE, a despesa de consumo das famílias brasileiras cresceu: chegou a 3,1% em 2012 sobre 2011. A alta foi favorecida pela elevação de 6,7% da massa salarial dos trabalhadores, em termos reais, e pelo acréscimo, em termos nominais, de 14% do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas.
— A cesta deles (países desenvolvidos) está ficando com cara de país emergente. A família brasileira está olhando muito mais para marca do que os consumidores da Europa, por exemplo. Lá, eles querem economizar. Os sinais estão invertidos — analisa Olegário Araújo, diretor de atendimento da Nielsen.
Viviane Cardim Carvalho, moradora de Mirandópolis, Zona Sul de São Paulo, desdobra-se em dois empregos, como analista financeira de uma empresa de produtores rurais e vendedora de congelados, para garantir que a família possa ter alguns luxos. Com 48 anos e duas filhas, uma de 9 e outra de 17 anos, ela faz parte do grupo de mulheres que não abre mão de comprar um item, mesmo que seja mais caro, se o custo-benefício for garantido.
— Eu prefiro gastar mais a comprar os produtos mais baratos. Geralmente, quando se usa um produto mais em conta, tem que colocar o dobro para ter o mesmo efeito. Eu dou prioridade a marcas um pouco mais caras para ter melhor resultado.
Sonia Bueno, CEO América Latina da Kantar Worldpanel, frisa que as mudanças socioeconômicas estão nos aproximando do comportamento de outras partes do mundo desenvolvido.
Apesar do bom momento econômico e de toda a comemoração, a nova dinâmica do consumo nos países emergentes, e em especial no Brasil, faz com que especialistas alertem para as consequência desse movimento: a escalada dos preços e a inadimplência.
— Nos setores que podem importar, como bens duráveis, o efeito do consumo em alta foi menor. Já nos setores que não se pode importar, como serviços, a renda mais alta trouxe contigo inflação. A questão da inflação no Brasil passa por infraestrutura e investimentos — diz Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios.
Edgar de Sá, economista-chefe da HPN Invest, lembra que a inflação em alta é prejudicial ao país como um todo, pois o aumento dos preços diminui o poder de compra da população, sobretudo da população mais carente que corre mais riscos de ficar endividada e inadimplente.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/brasil-outros-emergentes-sofisticam-habitos-de-consumo-8403368#ixzz2TSJi3ICg
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O desânimo de investidores em relação ao Brasil está entre as principais barreiras à recuperação da economia. Conta feita pelo Itaú Unibanco com base em dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra um quadro de estagnação da confiança dos empresários em nível baixo.
O banco calculou a média dos indicadores de confiança considerando o peso de cada setor -indústria, serviços, construção e comércio- no PIB (Produto Interno Bruto).
O índice atingiu média de 92,7 pontos nos primeiros quatro meses de 2013, resultado 4,4% inferior à média registrada desde julho de 2010. Na comparação com o pico da série, em agosto de 2010, a confiança está 10% menor.
“Depois de ensaiar uma recuperação, o índice voltou para o baixo nível de meados de 2012. Ou seja, não há recuperação da confiança”, diz Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco.
INDÚSTRIA FRACA
A atividade nos setores de comércio e serviços vem perdendo fôlego, mas a indústria é o que mais preocupa.
Um termômetro muito acompanhado do setor é o índice de gerente de compras (PMI) calculado pelo HSBC e pela consultoria Markit.
O PMI tenta antecipar o movimento da indústria com base em entrevistas com executivos sobre estoques, contratações, exportações etc.
O PMI do Brasil se recuperou em janeiro. Desde então, embora ainda aponte expansão, vem perdendo fôlego. O índice de abril foi o mais baixo desde outubro de 2012.
Dados ainda fracos de confiança dos empresários e do ritmo de atividade da indústria estão por trás de uma rodada recente de revisões para baixo nas projeções de crescimento do PIB em 2013.
O Itaú Unibanco reduziu sua projeção recentemente de 3% para 2,8%.
Fernando Montero, economista-chefe da corretora Tullett Prebon, também revisou sua projeção de crescimento de 3,3% para 3,1% neste ano.
Montero diz que esse número o situa entre os mais otimistas, mas ressalta que sua projeção considera fatores excepcionais como a forte expansão da safra agrícola e o fato de que o período de abril a dezembro terá cinco dias úteis a mais do que em 2012.
“Apesar desses fatores excepcionais, o quadro geral da economia é fraco. Houve frustração com os resultados da indústria, que sofre com a falta de competitividade”, diz.
Segundo Montero, os ganhos do setor com a desvalorização do real no primeiro trimestre deste ano foram em boa parte anulados pelo aumento dos custos com os trabalhadores superior ao avanço da produtividade.
Para analistas, a recuperação do setor industrial depende no curto prazo da retomada de investimentos para melhorar a produtividade (medida de eficiência) do setor.
“O crescimento neste ano vai depender do que ocorrerá com o investimento. O problema é que houve uma piora geral do humor em relação ao Brasil”, diz Constantin Jancso, economista do HSBC, que projeta expansão de 2,6% do PIB em 2013.

Fonte: Folha Online